terça-feira, 21 de junho de 2016

O futebol do Botafogo 1961-1965



Não há na literatura esportiva brasileira número igual de leitores e consumidores de livros referentes ao Botafogo, o clube da estrela solitária, do Rio de Janeiro. E entre os tantos autores que já se debruçaram sobre o Botafogo, Carlos Vilarinho é um daqueles que vai fundo em suas pesquisas. Após o lançamento do seu “O futebol do Botafogo 1951-1960” (registrado por este blog em http://www.literaturanaarquibancada.com/2013/06/o-futebol-do-botafogo.html , agora, Vilarinho lança o segundo volume desta obra “de fôlego”.

Assim como fez em seu primeiro volume, “O futebol do Botafogo 1961-1965” está repleto de polêmicas e pesquisa, muita pesquisa sobre cada história narrada. Mais um presente para os amantes da boa literatura esportiva.

Introdução

Este livro aborda os dramas e as vitórias do Botafogo no período de 1961-1965, quando cumpriu intensa atividade, firmando sua condição de base do escrete nacional e uma das maiores forças do futebol mundial. Nesta fase, Paulo Antônio Azeredo e Sérgio Darcy prepararam a transferência de comando para Ney Cidade Palmeiro, sem que o Clube se desviasse um milímetro do seu caminho glorioso, permanecendo fiel ao lema botafoguense> amor ao passado, confiança no presente e maiores esperanças no futuro.

Nos anos 1961-1965, o Botafogo conquistou centenas de títulos em treze modalidades esportivas, destacando-se, no futebol, o bicampeonato carioca (1961-1962) e o primeiro lugar no Rio-São Paulo (1962-1964), este último, base para todas as convocações do escrete brasileiro. No exterior, foi campeão do Torneio Pentagonal do México (1962), do Quadrangular de Paris (1963), do Pentagonal de La Paz (1964) e do Torneio de Confraternização Ibero-Americana (1964).

Não se discute a decisiva contribuição do Botafogo para a segunda conquista da Taça Jules Rimet (1962), símbolo da hegemonia mundial do futebol brasileiro.

Infelizmente, nesta fase, refletindo fatores externos ao esporte, surgiu a dissidência que conduziria o Botafogo ao desastre. Mas o divisionismo só progrediu porque contou com o apoio de um setor da imprensa. A nociva intervenção desse grupo de jornalistas (com fortes posições na TV) nos assuntos internos do clube, e que prosseguirá nos anos seguintes, não encontra paralelo na centenária trajetória do Botafogo.

A história do Botafogo não pode ser contada separando-se o futebol do tempo e do meio que o condicionam. Sendo o resultado do processo histórico, a primeira metade dos anos 60, no quadro da luta anti-imperialista, em escala mundial, corresponde no Brasil ao reforço da consciência da necessidade de colocar-se em primeiro plano a solução do problema democrático, ou, como disse um mestre, a “participação livre do povo na construção nacional”, de que necessariamente dependeria a solução do problema nacional.

O período 1961-1965 compreende a preparação, execução e consolidação do Golpe Militar de 31/03/1964. O Botafogo, como a maioria esmagadora dos clubes, não escapou das consequências da infame interrupção do avanço democrático, destacadamente, da gradativa militarização do futebol, processo que terminou por excluir os clubes das decisões sobre o seu próprio destino. Hoje, este processo está concluído, pois o centro de comando do futebol passou da esfera política (da ditadura militar) para a econômica (das grandes corporações).

O Botafogo não é um clube qualquer e, por ser tão temido e odiado, exige daquele que o segue um amor também incomum. As novas gerações devem estudar (e velar) o passado do Clube para fazer respeitado o seu nome glorioso, agora e no futuro, e melhor defendê-lo, sem repouso, contra quem quer que seja. Como cantou o poeta Octacílio Gomes, autor da letra do hino Glorioso (com música de Eduardo Souto), obra genuinamente botafoguense. Recordar (e redescobrir) o Botafogo, repelindo falsas tabuletas, complexos e sombras, é o melhor caminho para fortalecer o orgulho de ser botafoguense e organizar forças para a sua glória.

O mérito maior deste livro estará na medida do interesse que despertar para a discussão dos problemas abordados, muito mais graves, hoje, do que nos anos 1961-1965.

Devo agradecer aos servidores da seção de periódicos da Biblioteca Nacional. Da mesma forma, aos servidores da Biblioteca do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Sou igualmente grato a Maria Luiza Augusto, dedicada funcionária do Botafogo FR. Minha imensa gratidão a Pedro Alves Varanda, insubstituível pesquisador do Glorioso. Friso, porém, que sou o único responsável pela interpretação das fontes.

Sobre o autor:
Carlos Ferreira Vilarinho, 58 anos, carioca, é bacharel em Comunicação Social pela UFRJ (1978) e em Direito pela UERJ (2004). É autor de QUEM DERRUBOU JOÃO SALDANHA (2010), denúncia de uma conspiração política, livro que conquistou, em 2011, o troféu de prata no Prêmio João Saldanha de Jornalismo Esportivo - categoria literatura - conferido pela Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro - ACERJ.

Nas décadas de 1970 e 1980, foi ativo participante da luta pela derrocada do regime nazista imposto pelo golpe militar de 1964. Exerceu diversas funções de direção no Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro (1979-1981). Participou da fundação da CUT – Central Única dos Trabalhadores (1983), de cuja direção estadual tomou parte (1985). No terreno da cultura popular, desde 1969, dedica-se à pesquisa da trajetória do Botafogo de Futebol e Regatas, clube do qual já foi conselheiro (2003-2005).

Sou aposentado. Sempre fui bancário (Banerj e Banco do Brasil) por opção. Jamais desejei ser jornalista porque morreria de fome, não seguiria as pautas e seria sempre demitido. Exerci a função de redator somente na imprensa sindical e em algumas publicações clandestinas (por motivos óbvios). Só escrevo por prazer e por dever de consciência.


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