domingo, 29 de novembro de 2015

Alex, a Biografia

Mais uma obra prima no universo das biografias. O personagem é um dos maiores camisas 10 do futebol brasileiro. “Alex, a Biografia” (Editora Planeta) foi escrito por outro craque do jornalismo esportivo, Marcos Eduardo Neves, autor também de outra biografia histórica sobre outro jogador polêmico, Heleno de Freitas, e que virou até filme.

E o melhor de tudo. A biografia de Alex não é “chapa branca”, como o próprio autor faz questão de frisar. Alex é personagem polêmico, craque que talvez não tenha tido o devido reconhecimento enquanto atuava pelos gramados do Brasil e do mundo.

Mais um livro fundamental para a literatura esportiva brasileira.

Sinopse (da editora):

“Alex, a Biografia” retrata a trajetória do craque Alex, ídolo imortal das torcidas do Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, da Turquia. As dificuldades da infância pobre, os percalços no começo da carreira, os maiores títulos, o porquê de não ter sido convocado para nenhum Mundial, apesar da inquestionável técnica, tudo está exposto com clareza na obra.

O livro apresenta, narrado ora pelo próprio jogador, ora pelo autor do livro, Marcos Eduardo Neves, detalhes da sua vida amorosa e pessoal jamais revelados anteriormente, como gravidezes perdidas e momentos de angústia às vésperas do parto complicado de cada um dos três filhos. 

Bastidores do futebol são enfatizados, como companheiros de posição tentando puxar tapete, trairagem de treinador, momentos de tristeza, decepção, revolta e incontáveis alegrias.

Os motivos de ter virado mais do que celebridade, e sim personalidade, na Turquia: a identificação com o país, o respeito à cultura, a devoção a seu clube. O craque disseca todos os fatores que fizeram com que pedisse a rescisão de seu contrato, em 2012. Conta pormenores da romaria e vigília de milhares de torcedores por 12 dias e 12 noites defronte à sua casa, além da despedida emocionada no aeroporto Atatürk.

Termina com sua volta triunfal ao futebol brasileiro, onde liderou a posição do Bom Senso FC, movimento que luta contra os poderosos pelo bem do esporte.”

Literatura na Arquibancada destaca abaixo a quarta capa do livro, assinada por outro craque do futebol e das letras, Tostão. Mais abaixo, um trecho de um dos capítulos da obra.

QUARTA CAPA
Por Tostão

Alex foi ídolo do Coritiba, do Palmeiras, do Cruzeiro e do Fenerbahce, da Turquia. É um dos craques que não jogaram uma Copa do Mundo. Uma razão é que competia com Ronaldinho, Rivaldo e Kaká, que se tornaram os melhores do mundo. Outra é que muitos não compreenderam a grandiosidade de seu talento. Alex, diferentemente do jogador que estava sempre com a bola, tentando uma jogada, muitas vezes, errada e impossível, esperava o momento certo para brilhar, assim como os grandes pintores impressionistas iam para os campos abertos, à espera do brilho ideal da luz para fazer suas obras geniais.

Alex era muito técnico, minimalista. Em poucos lances e com poucos movimentos, decidia a partida. Não tinha excessos nem firulas. Mesmo sendo um meia armador, de passes espetaculares, fez também muitos gols, mais de 400, muitos belíssimos, magistrais.

Alex, dentro e fora de campo, foi um atleta inteligente, lúcido, que falava o que pensava e que pensava antes de fazer. É um dos líderes do Bom Senso F. C., que luta para melhorar o futebol brasileiro. Alex é um dos grandes da história do futebol. “O que a memória amou se tornou eterno” (Adélia Prado).

CRUZEIRO,2003:

"Como disse, a ideia central era fazer a bola passar o tempo todo pelos meus pés. Na nossa primeira conversa, anunciou que traçaria um objetivo para mim. Eu teria de treinar muito e emagrecer. Sua equipe determinaria um peso e um percentual de gordura para eu trabalhar em cima dessa meta o ano inteiro.

Sentei com a Patrícia, a nutricionista do clube, que me avisou para ter cuidado com certas coisas. Por exemplo, churrasco. Eu teria de comer muita melancia. Os caras me chamavam de louco, eu falava que ia dar certo, mas foi difícil. Cheguei a parar no hospital duas vezes. Minha mulher discutiu com o Vanderlei umas três vezes por causa disso. Mas ele levava na boa; me mandava fazer um exercício aqui e outro ali. Deu certo. Pude, pela primeira vez na carreira, jogar abaixo do meu peso.”

– Fiz uma prescrição para reduzir a gordura corporal e aumentar a massa muscular do Alex – conta a nutricionista Patrícia Fernandes Teixeira, que foi auxiliada pelo fisiologista Emerson Silami. – Ele perdeu entre seis e sete quilos de gordura e ganhou de três a quatro de massa muscular. Obteve uma transformação física fantástica. Ampliou a explosão, a força e a velocidade em cerca de 20 a 30%. Com os micronutrientes e a hidratação, melhorou a recuperação, ganhando mais energia para gastar por jogo.

Segundo ela, o atleta teve maturidade e consciência para usar a ciência a seu favor:
– O Alex passou por uma reeducação alimentar, pois se excedia no consumo de carboidratos e gordura – esclarece. – Elaborei um cardápio específico para que pudesse perder peso e reduzir o índice de gordura. A meta foi atingida em fevereiro. Depois, foi trabalhar a manutenção.

Segundo o preparador físico Antonio Mello, o tratamento, baseado em exercícios e alimentação natural, não se valeu do uso de suplementos. Ainda assim, o percentual de gordura do Alex, que em outubro de 2002 era de 14%, caiu para 8,5% em março do ano seguinte.

– No Cruzeiro o Alex jogou não muito, mas sim acima de qualquer nível de excelência – elogia Mello. – Eu o avaliei de longe durante toda a carreira e percebi que detinha força e potência. Sua qualidade física era inata e tinha uma baita explosão. Além disso, fazia a bola ficar mais rápida, tamanha a precisão no passe. Ele gostou de trabalhar comigo, até porque eu não o colocava para correr tiros longos, só distâncias curtas.

“Nessa reeducação alimentar, aconteceram cenas ridículas. No dia seguinte a uma partida, estava comendo um doce num restaurante, o Vanderlei entrou no local e quem estava comigo na mesa escondeu a sobremesa para que ele não a enxergasse. Não havia descanso. Diariamente eu era obrigado a me pesar e a cada duas semanas analisavam o meu percentual de gordura.”

– O Alex só comia melancia e tomava Xenical, um remédio para emagrecer – lembra Roberta, mulher de Paulo Miranda. – A gente ia jantar e, como o Vanderlei queria fazer dele o melhor jogador do Brasil, ele ficava só na melancia. Na sua casa tinha strogonoff, cachorro-quente, e ele só na melancia e no Xenical. Chegava a se borrar nas calças.

“Antes de um jogo no Mineirão eu vomitei o dia inteiro, de fraqueza. Não reunia forças para ficar de pé. O Vanderlei me dava apoio, dizia que eu conseguiria, me estimulava. Fizemos um 2003 espetacular, mas foi um sacrifício desumano. Essa é a palavra: o que fiz naquele ano foi desumano."

Sobre o autor:
Marcos Eduardo Neves é jornalista e escritor. Especializou-se em biografias. Autor de “Nunca houve um homem como Heleno”, livro que virou filme no Brasil protagonizado por Rodrigo Santoro, escreveu obras que atravessaram fronteiras. Como “Vendedor de Sonhos – A vida e a obra de Roberto Medina”, que apresenta o criador do maior festival de música do mundo, o Rock in Rio, vendido também em Portugal e na Espanha – onde, por sinal , “Alex” será republicado, assim como na Turquia. Com passagens por importantes veículos de comunicação do país, como o Jornal do Brasil, trocou as redações pela literatura. Apadrinhado por Ruy Castro, que assegurou ter parado de escrever biografias desde que notou a ascensão do jovem, Marcos Eduardo Neves vem sendo sempre indicado pelo mestre e já produziu relevantes biografias sobre astros do esporte, como o perfil de Francisco Horta e a história completa do ex-jogador Renato Gaúcho, além da obra “20 Jogos Eternos do Flamengo”. “Alex, a Biografia” é seu oitavo livro.


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