sábado, 26 de setembro de 2015

Décio de Almeida Prado: "Tempo (e Espaço) no Futebol"

2017 é o ano do centenário de Décio de Almeida Prado. Um dos mais respeitados críticos teatrais do país também era formado em Filosofia, Ciências Sociais e Direito. Mas Décio também era apaixonado pelo futebol.

O livro, em formato ebook, do selo Breve Companhia, da Companhia das Letras, “Tempo (e Espaço) no Futebol”, reúne textos escritos pelo autor sobre o tema futebol entre as décadas de 1960 e 1990. Futebol, não. Décio mergulha na memória afetiva guardada e gerada por alguns dos grandes craques do futebol brasileiro, como Leônidas da Silva, o Diamante Negro e Didi, para ficar só nesses dois exemplos. Histórias e lembranças dos primórdios do futebol brasileiro.

Décio de Almeida Prado também já havia declarado sua paixão pelo futebol em outro livro de sucesso. “Seres, Coisas, Lugares – Do Teatro ao Futebol”, também da Companhia das Letras.

Em 1989, Décio publicou artigo especial na Revista da Usp, com o exato título da obra que Literatura na Arquibancada destaca abaixo: http://www.usp.br/revistausp/02/04-decio.pdf. Vale a pena a leitura para constatar a visão e a beleza que Décio de Almeida Prado nutria pelo futebol.

Enquanto “especialistas”, descrevem o futebol, escrito ou narrado, pelo que estão vendo a sua frente, Décio vai além, definindo suas categorias básicas: o tempo, o espaço e sua relação, a velocidade.

Sinopse (da editora):

Crítico de teatro e professor de literatura formado na brilhante geração de Antonio Candido e Paulo Emílio Salles Gomes, Decio de Almeida Prado foi também um grande torcedor e conhecedor de futebol, que acompanha de perto, como se fosse um torcedor comum.

Com uma escrita invejável pela elegância e erudição – que cronista esportivo é capaz de citar uma seleção de craques do escrete literário nacional como Olavo Bilac, Oswald de Andrade, Machado de Assis e Coelho Neto? –, o autor de clássicos de nossa crítica teatral foi testemunha ocular dos primórdios do futebol amador em São Paulo.

Seu primeiro alumbramento com o “esporte bretão”, como ele se recorda num dos cinco textos desta deliciosa coletânea, remonta a 1925, quando o Clube Atlético Paulistano – seu time do coração antes da conversão definitiva ao São Paulo Futebol Clube – realizou uma vitoriosa excursão europeia. Mesmo torcendo a milhares de quilômetros de distância, foi para o menino Decio a refutação inconteste da crença então corrente de que os brasileiros éramos e seríamos sempre inferiores aos europeus entre as quatro linhas. Esse primeiro triunfo inesquecível se confundiu com o patriotismo de chuteiras que, entre vitórias e derrotas, glórias e tragédias, marcaria para sempre sua intensa e passional relação com o futebol.

Originalmente publicados entre as décadas de 1960 e 1990, os textos de Tempo (e espaço) no futebol homenageiam com indisfarçada emoção os grandes nomes da era de ouro do esporte. No panteão de deuses boleiros de Almeida Prado, Leônidas da Silva – o genial atacante do São Paulo e artilheiro da Copa de 1938 – possui uma posição especial. Foi o goleador por excelência da geração de jovens torcedores daqueles tempos heroicos do futebol brasileiro, que ainda não havia se firmado entre as maiores potências mundiais do gramado. Depois da tragédia do Maracanazo, em 1950, o autor relembra Didi, Gilmar, Garrincha e Pelé, que vieram para consagrar definitivamente nosso “futebol de poesia”, na célebre definição do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, no imaginário mundial.

No texto que dá título ao livro, o torcedor cede lugar ao analista cerebral. Com seu conhecimento privilegiado do palco teatral, Almeida Prado decompõe o drama do futebol em suas categorias básicas: o tempo, o espaço e sua relação, a velocidade. O autor discute como os noventa minutos regulamentares e os 7 mil metros quadrados do campo, além dos 17 metros quadrados do gol, podem ser esticados e diminuídos à vontade pelos grandes craques, mestres da conjugação entre a agilidade física e a destreza mental.

Sobre o autor:
Décio de Almeida Prado nasceu em São Paulo, em 1917. Foi o mais importante crítico teatral do país. Formou-se em filosofia, ciências sociais e direito pela USP. Iniciou-se na crítica em 1941, quando passou a colaborar, ao lado de Antonio Candido e Paulo Emílio Salles Gomes, entre outros, na revista cultural Clima. Em 1947 ajudou a fundar o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e a Escola de Arte Dramática de São Paulo. Autor de livros fundamentais de crítica e história do teatro brasileiro, foi também professor de história do teatro na Escola de Arte Dramática e de literatura brasileira na Universidade de São Paulo. Morreu em fevereiro de 2000, aos 82 anos. Obras publicadas por outras editoras: - Apresentação do teatro brasileiro moderno. São Paulo, Livraria Martins Editora, 1955. - Teatro em progresso. São Paulo, Perspectiva, 1964. - João Caetano: o ator, o empresário, o repertório. São Paulo, Perspectiva, 1972. - João Caetano e a arte do ator. São Paulo, Ática, 1984. - Procópio Ferreira. São Paulo, Brasiliense, 1984. - Exercício findo. São Paulo, Perspectiva, 1987. - Teatro brasileiro moderno. São Paulo, Perspectiva, 1988. - Teatro de Anchieta a Alencar. São Paulo, Perspectiva, 1993. - O drama romântico brasileiro. São Paulo, Perspectiva, 1996. - História concisa do teatro brasileiro. São Paulo, Edusp, 1999.


Um comentário:

  1. Geraldo Nunes03:41

    Deliciosas histórias de um futebol antigo e verdadeiro.

    Geraldo Nunes

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