quinta-feira, 21 de maio de 2015

Café-com-leite e Feijão-com-arroz

Literatura na Arquibancada sempre bateu nessa tecla: literatura esportiva como ferramenta para formar novos leitores. E é pela base, com os mais jovens, que esse hábito pode alcançar resultados positivos. Parece óbvio, mas na prática, o Brasil continua devendo no quesito leitor.

O livro de Alberto Martins, “Café-com-leite e Feijão-com-arroz – E outras histórias de futebol” (Companhia das Letrinhas) é mais uma, entre tantas boas opções que a literatura esportiva brasileira oferece.

Apresentação (da editora)

"Nunca fui craque em futebol", confessa o autor na primeira frase deste livro. No pontapé inicial já dá para perceber que ele joga limpo e admite: nas peladas que batia com os amigos e os irmãos, em Santos, no litoral paulista, volta e meia pisava na bola e fatalmente era chamado de "café-com-leite". Alberto Martins acabou virando outro tipo de craque: artista plástico, poeta e escritor de mão cheia, escreveu dois livros infantis sobre arte brasileira, A floresta e o estrangeiro, sobre Lasar Segall (Companhia das Letrinhas, 2000) e Goeldi: história de horizonte (Paulinas, 1995), que recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura Infantil.

Embora fosse meio perna-de-pau, ele sempre foi apaixonado por futebol e pelo mundo que rodeava o campinho onde jogava o seu "feijão-com-arroz" - e não fazia feio. Jogar futebol feijão-com-arroz consistia em azucrinar bastante o adversário, passar a bola para o companheiro mais próximo e, se as coisas encrespassem, conduzir a jogada para umas bananeiras que havia ali perto.

"Café-com-leite & feijão-com-arroz", a primeira parte do livro, traz as lembranças de Alberto em casos cômicos, dramáticos, emocionantes, com todas as paixões (às vezes furiosas) que só nascem dentro de campo. A segunda parte traz histórias de amigos de Alberto e de três craques de verdade: Gilmar, Pepe e Zito, em partidas históricas há mais de cinqüenta anos.

Como ninguém joga bola sozinho, o ilustrador Andrés Sandoval entrou em campo e fez uma tabelinha impecável com Alberto, em ilustrações repletas de ginga e futebol-arte.

Sobre o autor:
Alberto Martins é artista plástico e escritor. Formou-se em Letras pela Universidade de São Paulo em 1981. No mesmo ano iniciou sua prática de gravura com Evandro Carlos Jardim, na Escola de Comunicações e Artes da USP. Em 1985 estudou gravura no Pratt Graphics Center, em Nova York, e desde seu retorno ao Brasil participa de várias exposições no país e no exterior. Em 2007, a Estação Pinacoteca, em São Paulo, apresentou a retrospectiva "Em trânsito", reunindo gravuras e esculturas produzidas desde 1987. Em 2010, realizou a exposição "Cor, Corte, Ferrugem", sua primeira individual no circuito de galerias na Galeria Raquel Arnaud, que o representa desde 2007. Como escritor publicou, entre outros, os livros Poemas (Duas Cidades, 1990); Goeldi: história de horizonte (Paulinas/MAC-USP, 1995), que recebeu o prêmio Jabuti; A floresta e o estrangeiro (Companhia das Letrinhas, 2000); Cais (Ed. 34, 2002), com xilogravuras do autor; A história dos ossos (Ed. 34, 2005), segundo lugar no Prêmio Telecom de Literatura; A história de Biruta (Companhia das Letrinhas, 2008); o livro de poemas Em trânsito (Companhia das Letras, 2010); Lívia e o Cemitério Africano (Ed. 34, 2013) e a peça de teatro Uma noite em cinco atos (Ed. 34, 2009).

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