quinta-feira, 5 de março de 2015

Mordillo - Futebol & Cartuns

Um craque dos cartuns. Assim pode ser definido o argentino Guilhermo Mordillo. Seu traço inconfundível já era conhecido no mundo inteiro, mas o futebol era apenas um de seus temas. Agora, pela primeira vez na história, a Editora Panda Books reuniu 115 obras de Mordillo em um livro imperdível: “Mordillo – Futebol & Cartuns”.

Apresentação (da Editora)

​Quando pequeno, em seu bairro Villa Pueyrredón, em Buenos Aires, o ilustrador e cartunista Guillermo Mordillo costumava jogar bola na rua com seus amigos. Torcedor do Ferro Carril, ele amava o futebol. Mas, na mesma época, também tinha como ídolo Walt Disney e caminhava sempre com uma maleta repleta de desenhos e sonhos. Assim, ao longo de sua extensa carreira, ele criou obras que misturavam suas duas grandes paixões. E agora, pela primeira vez na história, o livro da Panda Books, Mordillo – Futebol & Cartuns, reúne seus desenhos sobre futebol em um único volume. 

Ao todo, 115 obras relacionadas ao esporte bretão apresentam a visão humorística do artista, que debate de forma singela e despretensiosa temas como a urbanização das grandes metrópoles e a resistência dos campinhos mundo afora, além de retratar cenas inusitadas dos jogos de futebol, proporcionando boas risadas. 

Reconhecidos pelo seu colorido característico e pela ausência de textos, os cartuns de Mordillo conquistaram reconhecimento internacional em vários países, como Itália, Portugal, Alemanha, França, China, Bélgica, Espanha, entre outros. 

No Brasil, seus trabalhos foram publicados em diversas revistas e foram animados para serem exibidos em programas da TV Globo.

Futebol e humor: essa é a essência tratada em Mordillo – Futebol & Cartuns. 

Para os amantes da bola e da arte, um belo presente do artista argentino.



Prefácio
Por Alberto Villas

Tinha eu pouco mais de 18 anos quando bati os olhos pela primeira vez num desenho de Mordillo. Desde pequenininho era um viciado no humor dos cartunistas. Comecei gostando de Péricles e Carlos Estevão com o Amigo da Onça, depois me apaixonei pelo traço fino do Borjalo, nas páginas da Cigarra, e do Appe, nas páginas da O Cruzeiro.

Adolescente, a curtição era o traço rápido de um Henfil, de um Ziraldo, de um Nani, de um Jaguar no irreverente Pasquim. Na minha Belo Horizonte, a coqueluche era o Oldack Esteves, que todos os dias publicava uma charge no jornal Estado de Minas. Tudo em preto e branco, papel jornal, sempre em preto e branco.

Cor era com o anarquista Millôr em seu Pif Paf, com o Claudius e o sofisticado Juarez Machado na Manchete. Quando bati os olhos no desenho de Mordillo fiquei deveras impressionado. Foi na última página da Ele Ela, uma revista para ler a dois que os Bloch começaram a editar no final dos anos 1960. Meio picante, não era lá nenhuma Playboy, mas tinha um tempero erótico que não permitia que ficasse exposta à visitação pública num salão de barbeiro qualquer da vida.

Confesso que chegava a esfregar o dedo indicador na última página da Ele Ela para tentar decifrar, tentar entender que técnica era aquela usada pelo argentino, filho de imigrantes espanhóis, que acabara de conhecer.

Ecoline? Lápis de cor? Aquarela? Guache? Pastel? Como é que ele conseguia fazer um traço tão perfeito, tão redondo e impecavelmente colorido?

Computador não havia para ninguém, era ali na prancheta e à mão que ele derramava seu talento e o seu humor elegante, silencioso, sutil, sem uma palavra sequer.

Desde pequenininho, na Buenos Aires onde nasceu, Guillermo Mordillo gostava de desenhar. Era desenhar e jogar futebol, duas paixões. Quando tornou-se maior de idade já estava ele ilustrando livros infantis e fazendo desenhos animados para a televisão e até para o cinema. Inquieto, foi morar um tempo no Peru e logo depois partiu para os Estados Unidos. Onde chegava tinha trabalho porque o talento sempre falava mais alto. De Nova York pulou para Paris, onde fez a festa. Publicou livros, fez dezenas de cartões-postais, calendários, pôsteres, enfim, espalhou sua obra pelos quatro cantos do mundo.

Mas não parou por aí. Mudou-se para Palma de Maiorca, na Espanha, e de lá continuou disparando seus desenhos para o mundo inteiro. Foi eleito presidente da International Association of Comics and Cartoons e, se tivesse um Oscar do cartum e do humor, a essa altura certamente seria um forte candidato.

Seu traço inconfundível transformava qualquer bicho, qualquer monstrengo, num bichinho fofo. Fosse um elefante, fosse uma girafa, fosse uma vaca, um jacaré. Ou fosse até mesmo um baixinho narigudo. Os humanos, geralmente em preto e branco, estavam sempre em situações que desaguavam no humor. Não aquele humor de gargalhada, do riso fácil, mas o humor que faz pensar. Quem bate o olho num Mordillo sempre para, pensa e deduz: “Que sacada!”.

Mordillo é literalmente um mestre. Virou professor honorário de humor em 1997 e, em 2002, tornou-se catedrático de humor na Universidade de Alcalá de Henares, na Espanha.

Aqui, neste belíssimo livro ele entra em campo de corpo e alma. Está à vontade correndo pra lá e pra cá, jogando em todas as posições. Com Mordillo não tem zero a zero, nenhum temor — nem mesmo na hora do pênalti. Mordillo só dá bola dentro.







Sobre o autor:
O argentino Guillermo Mordillo é um cartunista e ilustrador muito reconhecido ao redor do mundo. Ao longo de sua carreira, morou em diversos países, como Peru, Estados Unidos, França e Espanha. Ilustrou livros de contos de fadas para crianças, encabeçou campanhas publicitárias, criou desenhos animados, concebeu cartões e esboçou imagens humorísticas. Conquistou também diversos prêmios e títulos, entre eles o de professor honorário de humor e de catedrático honorário de humor pela Universidade de Alcalá de Henares, na Espanha.


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