quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Neco: o 1º ídolo do Corinthians

Um século da primeira conquista. Em 1914 o Corinthians conquistou seu primeiro título estadual. E o grande personagem desse período do time corintiano chama-se Neco, que, além de primeiro ídolo do clube tornou-se também o primeiro herói popular do futebol brasileiro.

Neco merecia uma biografia e ganhou a sua de um, entre tantos corintianos apaixonados por sua história. Antonio Roque Citadini é mais do que torcedor, chegou à vice-presidência do clube, e, diferente de outros cartolas, escreveu um belo livro: “Neco – O primeiro ídolo” (Geração Editorial, 2001).

A obra traz não só a emocionante história de Neco, mas também a história de seu tempo. O formato de 21X28 centímetros lembra o de uma enciclopédia. Tem farto material fotográfico de uma época - o final do século 19 até quase nossos dias (século 21), notícias e informações nas laterais das páginas que revelam muito da História do Brasil e do mundo.

Literatura na Arquibancada destaca abaixo trecho do texto de apresentação do autor, além de um dos capítulos iniciais da obra. E agradece, mais uma vez, ao Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), do Museu do Futebol, local onde foi feita a pesquisa sobre a obra. Vale a pena conhecer o acervo em www.dados.museudofutebol.org.br.



Apresentação
Por Antonio Roque Citadini

Este livro retrata a trajetória futebolística do primeiro grande ídolo do Sport Club Corinthians Paulista: Manoel Nunes, o Neco. As suas jogadas, gols e brigas constituem fatos históricos que chegaram até minha geração narrados por velhos corinthianos e por algumas esparsas notas de jornais. O mito Neco, eternizado pelo busto existente no Parque São Jorge, conseguiu reunir qualidades que ainda hoje emocionam o torcedor corinthiano: garra, luta, técnica e o amor pela camisa que ninguém esquece.

Ouvi dos mais velhos corinthianos relatos apaixonados sobre Neco. Seus gols decisivos, a valentia de suas brigas com cinta e a defesa intransigente do alvinegro passaram de boca em boca, numa corrente que não deixa morrer o ídolo.

Pertenço a uma geração de corinthianos que por longos anos não viu seu time conquistar títulos (1954 a 1977), e talvez por isso, se comparada a qualquer outra, tenha aprendido mais sobre a história, o nascimento e o crescimento do clube. E, nesse contexto, Neco é figura singular.

Corinthians, campeão 1914. Neco, 1º a dir. em pé, artilheiro com 12 gols.
Ainda menino começou com o clube, quando este nascia. Participou da vida alvinegra quando o time estava na várzea, pobre, sem sede própria e sem campo para treinar ou jogar. Viveu em toda sua intensidade as emoções do clube que nascia entre agremiações prestigiadas e supridas de recursos materiais. Em 1914, Neco ajudou o Corinthians a alcançar seu primeiro campeonato na divisão maior do futebol paulista. Presente em todas as grandes jornadas da equipe, sagrou-se campeão em 1914 e 1916, tricampeão nos anos de 1922-1923-1924 e novamente em 1928-1929-1930.

Lutou como esportista amador, sem obter qualquer proveito material por seus esforços. Vivia para o clube servindo de soldado para todas as batalhas. Foi jogador valente, técnico e temperamental, especialmente nas pugnas contra o Palestra Itália, ocasiões em que teve memoráveis performances.

Amou o Corinthians e transformou-se no referencial entre os torcedores apaixonados que o alvinegro conquistou ao longo de sua vida.

Mais que um jogador, Neco foi grande ídolo das torcidas corinthiana, paulista e brasileira.

Pela seleção de São Paulo, viveu grandes jornadas com a conquista de vários campeonatos.

Foi notável atleta da seleção brasileira, quando esta dava seus primeiros passos no esporte internacional. O ponto maior de sua vida desportiva foi a participação na primeira conquista do Brasil no futebol continental: o campeonato sul-americano de 1919, evento internacional equivalente aos mundiais da Fifa de 1958, 1962, 1970 e 1994, que marcaram gloriosamente o futebol do Brasil.

Neco foi mais do que os fanáticos corinthianos acham: símbolo e primeiro ídolo do Corinthians, destacando-se nas primeiras décadas do século 20; um dos grandes atletas da seleção brasileira de 1919 e dos selecionados paulista e brasileiro.

Os primeiros anos de Neco

O menino Manoel Nunes, Neco, foi criado em família de imigrantes portugueses, de origem modesta, nos padrões da classe média da época. O futebol, que engatinhava na cidade, com o surgimento dos clubes, das disputas entre os “teams”, com os primeiros jogadores ganhando destaque, ainda era um esporte desconhecido pela família de Neco.

Aos 8 anos, Neco entrou para o Liceu Coração de Jesus, atendendo ao sonho de seu pai, que o queria na profissão de marceneiro. Nada mais indicado para aprender esse ofício do que ingressar no Liceu, onde poderia educar-se e ganhar uma profissão que o sustentasse na vida. Todavia, a entrada no Liceu, foi a porta que o conduziu ao futebol. Da profissão pretendida pouco aprendeu, para o desespero de sua mãe Thereza, que tinha de acalmar as broncas diárias do marido. Mas foi no Liceu Coração de Jesus onde Neco começou a “bater bola” e a mostrar sua verdadeira vocação. Para o sofrimento da família, Neco e César, seu irmão mais velho, começaram a jogar futebol ainda meninos, entre arrastados aprendizados da profissão de marceneiro.

Enquanto Neco tomava os primeiros contatos com o novo esporte, nos pátios e campos do Liceu, o futebol evoluía, tornando-se a cada dia mais conhecido, com número crescente de jogadores e times, bem como de novos aficionados.

Sobre o autor:
Antonio Roque Citadini, nasceu no interior paulista, na cidade de Rio Claro, no ano de 1950. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em 1978. Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, foi Diretor Administrativo da Companhia de Gás, CONGÁS em 1985; presidente da mesma de 1987 a 1988. Publicou vários livros e colaborou com jornais e revistas.
Algumas obras publicadas: Código Eleitoral Anotado e Comentado (1985); A Nova República e os Partidos Políticos (1986); coautor de PMDB no Poder, A Vitória da Unidade (1982).
No âmbito do esporte, é associado e conselheiro vitalício do Sport Club Corinthians Paulista. Foi eleito para o Conselho Quadrienal no quatriênio 1998/2002 e exerceu a vice-presidência do Clube de 2001 a 2004. É Conselheiro do CORI – Conselho de Orientação do Sport Club Corinthians Paulista. Escreveu sobre o Corinthians, dois livros: Neco, o primeiro ídolo; e Alambrado.

  


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