quinta-feira, 5 de junho de 2014

O Brasil em todas as Copas



Uma verdadeira Bíblia sobre a história da seleção brasileira. Assim pode ser definida a mais nova obra do pesquisador e historiador Airton Fontenele, o oitavo livro do escritor cearense sobre o tema Copa do Mundo. Incansável, mesmo aos 87 anos, esse cearense da cidade de Viçosa, aborda várias temáticas no livro “O Brasil em todas as Copas do Mundo – 1930/2014 – História, Curiosidades e Estatísticas” (Editora LCR).

Você vai conhecer as origens do futebol no mundo e no Brasil, a criação da FIFA e o evento Copa do Mundo. Terá também um retrato sintético das 19 Copas do Mundo (1930/2010), o desempenho do Brasil, campeão cinco vezes; dados técnicos dos 97 jogos na competição e dos 92 nas eliminatórias; os 45 adversários nos mundiais e os nove nas eliminatórias; os 368 jogadores brasileiros envolvidos naqueles certames, além de uma alentada série de curiosidades e estatísticas.

A Bíblia da Seleção Brasileira
Por André Ribeiro

Se Padre Cícero foi eleito "O Cearense do Século", Airton Fontenele deveria ser considerado o rei da literatura sobre a seleção brasileira. Não. Não é exagero e muito menos heresia. Airton Fontenele construiu após uma longa carreira dedicada à vida de bancário, um dos maiores acervos (senão o maior) históricos sobre a seleção brasileira. Cada linha escrita por ele – e não foram poucas – contém não somente o conhecimento adquirido pelo rigor da pesquisa, mas a paixão da paixão de todo e qualquer brasileiro amante do futebol.

O pequeno espaço de sua casa, onde estão cuidadosamente guardadas centenas de livros, revistas, jornais, fotos, entrevistas em áudio, vídeos e álbuns, bem que poderia ser comparado a um “santuário” da literatura esportiva da seleção brasileira.

Mas Airton Fontenelle não é daqueles que sabem tendo que consultar algo de seu rico acervo histórico. Está duvidando? Encontre-o caminhando por qualquer rua de sua querida Fortaleza. Faça-o parar, e pergunte qualquer coisa que queira saber sobre a história da seleção brasileira.

Tanto conhecimento adquirido só poderia resultar em vários livros publicados sobre o tema seleção brasileira. O oitavo, sim, acredite, o oitavo livro de Airton Fontenele rende a ele a merecida alcunha de “Enciclopédia” viva quando o assunto é seleção brasileira.

Mas, acredite também, como fazem os milhares de fiéis de Padre Cicero. Airton Fontenele é o Papa da literatura quando o tema é seleção brasileira. Embora não tenha feito nenhum milagre pelo scratch canarinho, deixa agora, para você, leitor apaixonado pela seleção, uma verdadeira Bíblia do tema.

Como nasceu o futebol
Por Airton Fontenele

Existem muitas versões sobre as origens do mais popular dos esportes de bola, o futebol association ou soccer.

Alguns historiadores apontam a Grécia como berço de um desporto que mais tarde se transformaria no futebol. No programa de educação física da mocidade grega figurava um jogo, o spiskiros, que consistia na disputa de uma bexiga de porco, cheia de ar ou de areia, por dois grupos de atletas que se esforçavam para levá-la a um determinado ponto. Existia, assim, ataque e defesa, e com isso estaria criado o futebol na sua forma mais rudimentar.

Quando as legiões romanas ocuparam a Grécia, no ano 1500 a.C, os legionários ficaram interessados por aquele esporte e o levaram para Roma. Os romanos inspirados no spiskiros, que já era denominado sphoere machis, criaram o seu jogo próprio, o harpastum. Os romanos praticavam referido jogo num campo delimitado por duas linhas, que eram as metas, e cada equipe se colocava junto à respectiva linha final e, dada a ordem, precipitavam-se sobre uma pequena bola posta no centro.

A bola feita de bexiga de boi, coberta com uma capa de couro, podia ser carregada com os pés e as mãos, havendo, assim, certa semelhança entre o harpastum e o rugby.

Os historiadores revelam que, há 2.600 anos antes de nossa época, o futebol já era praticado no Japão no reinado dos Imperadores Engi e Teureki. E que na mesma época se praticava na China um jogo, o Kemari, que se parecia com o futebol, inventado pelo chinês Yang-Tsé. Segundo texto de Li Su existente no Museu Etnológico de Munique, é possível que as primeiras partidas internacionais tenham sido realizadas por chineses e japoneses, jogando cada um de acordo com suas respectivas regras.

Durante a Idade Média, surgiu na França, especialmente nas regiões da Bretanha e Normandia, o soule, inspirado no harpastum dos romanos. Quase na mesma época referido esporte chegou à Inglaterra. Consistia na disputa de uma bola de couro cheia de feno ou farelo, em que se permitiam golpes com os pés, socos e rasteiras, razão pela qual chegou a ser proibido por dois reis da França. Daí ter nascido o slogan até hoje conhecido: o violento esporte bretão.

Um século após a invasão normanda, o futebol estava em evidência na Inglaterra. Durante a semana do carnaval, em Londres, os rapazes se reuniam na prática do jogo de bola. Eram dois tipos de jogos: a) Hurling at goals: disputado entre 40 ou 60 jogadores, divididos por dois campos e que procuravam levar a bola à baliza adversária, representada por dois paus espetados no solo com a distância de 3 a 4 metros um do outro, e dentro de um terreno aproximado de 100 jardas. Dessa prática nasceu, em 1830, o rugby, por iniciativa do Dr. Thomas Arnold; b) Hurling over country: jogado através dos campos pelos rapazes de várias freguesias e aldeias. As metas correspondiam a árvores ou edificações distantes alguns quilômetros.

A vitória cabia ao grupo que primeiro conduzisse a bola até ao objetivo designado, sem conhecer obstáculos, atravessando vilas ou cruzando campos de lavoura. Tinha uma certa semelhança com o soule. Citados encontros duravam, muitas vezes, mais de um dia.

Os Italianos, por sua vez, dizem que o futebol nasceu em Florença, pelo ano de 1529, com a criação do seu Giucco de Cálcio.

Eis a razão deste desporto ter na Itália o nome de cálcio no lugar de futebol como nos demais países. Esse jogo consistia na formação de dois grupos, com 27 jogadores cada, distribuídos por quatro linhas. Era uma formação que parece muito ao que se conhece hoje como rugby. A finalidade do jogo consistia em alcançar, o campo adversário, sendo gol quando a bola lançada por um pontapé ou soco ia cair atrás da linha de demarcação, sendo permitido correr com a bola e passar quando julgasse conveniente, inclusive que se agarrasse o adversário ou desse-lhe uma rasteira.

Na Renascença, todavia, o futebol reviveu mais moderado, sendo na Inglaterra e Itália considerado como esporte de elite, praticado por lordes ou barões. E, paulatinamente, o jogo foi deixando de ser tão violento e perigoso. No inicio do século XVIII, os jovens das famílias ricas inglesas passaram a dar preferência ao futebol, deixando em segundo plano a caça, a esgrima e a equitação.

Assim é que os ingleses afirmam que o futebol pode não ter nascido na Inglaterra, mas foi lá que ele cresceu e se educou.

Poderíamos até dizer que o futebol, ofi cialmente, nasceu em 26 de outubro de 1863, numa histórica reunião realizada à luz de velas na Taberna Freemason’s, em Great Queen Street, Londres, quando estudantes ingleses decidiram separar o futebol e o rugby, criando The Football Association, organismo que até hoje controla todo o futebol inglês. Na mesma ocasião, foi fixado em onze o número de jogadores de cada time: um arqueiro, dois zagueiros, um médio e sete dianteiros.

Em 1º de dezembro de 1863, o futebol foi codificado por regras estabelecidas pelos integrantes da reunião realizada na Taberna Freemason’s.

Aludidas regras foram distribuídas aos clubes, colégios, livrarias, bancas de jornais, visando ensinar aos interessados como praticar o futebol. As primeiras leis previam um mandamento sagrado: nenhum jogador poderia colocar a mão na bola. Foi somente em 1867 que o arqueiro passaria a ter o direito de tocar na bola com a mão. A figura do juiz, também chamado árbitro, foi criada em 1868, sendo que no início anunciava as suas decisões aos gritos, pois o apito só surgiria dez anos depois.

Em 1870, com vistas a reforçar a defesa, foi registrada a formação clássica dos times, que predominou por mais de quatro décadas: um arqueiro, dois zagueiros, três médios e cinco dianteiros.

Em 30 de novembro de 1872, aconteceu o primeiro jogo internacional de futebol association, realizado na cidade de Glasgow, com o seguinte resultado: Escócia 0 X 0 Inglaterra. Logo em seguida, as seleções da Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales passaram a disputar, todos os anos, uma valiosa taça instituída por The Football Association e conhecida simplesmente por Cup. A exemplo do que ocorreu com a nossa Taça Jules Rimet, a Cup foi roubada da vitrina de uma loja de Birmingham e jamais recuperada. Tal fato deu-se em 1895, e o Lloyd de Londres mandou fazer outra igual.

Quase na mesma época, os países componentes do Reino Unido criaram a International Football Association Board, órgão independente e o único que pode decidir sobre quaisquer modifi cações nas regras do futebol association, cuja primeira reunião ocorreu em 2 de junho de 1886.

Em 1891, foi realizada uma revisão geral nas regras, com o surgimento das redes nas balizas, criação do pênalti, estabelecimento do tamanho do campo e de bola, bem como a duração do jogo - 90 minutos, dividido em dois tempos de 45 minutos, com intervalo de 15 minutos. Estabeleceram-se, em 1901,os limites das áreas, enquanto em 1907 as leis do impedimento começaram a ser alteradas para se definirem em 1924.

A partir de 1925 surgiu uma grande revolução no sistema de jogo modificando o implantado em 1870, graças a Herbert Chapman, então treinador do Arsenal, de Londres. No novo sistema de Chapman alinhavam à frente do arqueiro (ou goleiro): três beques, dois médios, dois meias e três atacantes, e que dava às equipes uma distribuição mais uniforme dentro do campo. Mencionado sistema entrou para a história com o nome de WM, e foi o ponto de partida para a criação de outros sistemas.

Efetivamente, surgiram inúmeros sistemas no futebol, tais como: ferrolho suíço, diagonal (criado pelo nosso técnico Flávio Costa), marcação por zona (adotado por Zezé Moreira), o 4-2-4 (lançado em 1951 por Martim Francisco), carrossel holandês (aplicado com sucesso pela Holanda na Copa de 1974), a adoção do líbero (muito empregado no passado pela Itália, e que consistia em um zagueiro ficar atrás de quatro defensores).

Hoje, a maior tendência é para o 4-3-3, com algumas alternâncias para o 4-4-2, motivo de menores escores nas partidas.

Dori Kruschner
Quando se fala a respeito de sistemas, não poderíamos esquecer a figura extraordinária do húngaro Dori Kruschner, como preito de reconhecimento pelo que ele fez em favor do soccer nacional. A propósito do antigo técnico do C.R. Flamengo, assim escreveu João Saldanha: ‘(…) Em 1938 demos um verdadeiro salto à frente em nosso futebol. Dois fatores fundamentais se encontram em questão: o primeiro foi, indubitavelmente, a presença do magnífico treinador húngaro Dori Kruschner, que nos tirou um atraso de quatorze anos. Refiro-me à total reformulação tática a que nos obrigou. É que jogávamos de acordo com lei de off-side anterior a 1924-26,quando bastavam dois zagueiros (beque de espera e beque avança). Chegamos ao cúmulo de comparecer assim à Copa de 38 e, mesmo dando esta vantagem, chegamos em terceiro. Todos os outros times já jogavam com três, quatro e até cinco zagueiros (Suíça) em função da lei modificada há quatorze anos!

Sou levado a pensar que se Kruschner chegasse um ano antes, o caneco já teria visitado o Brasil desde aquela época. O outro fator fundamental é que o futebol no Brasil se tornou arte popular. E o que mais: arte e paixão popular. (…) “(‘A Raposa e as Uvas, in’ Aconteceu”, edição extraordinária, de julho/70,p.07).

Segundo ainda João Saldanha, o famoso cronista e técnico que classificou o Brasil para a Copa do Mundo de 1970, em declarações prestadas ao jornalista Alan Neto (O Povo de Fortaleza, 21/dez/82): “o modelo tático ideal seria 1-3-3-3, ou seja: um líbero flexível lá atrás, estilo Beckenbauer que subia com a mesma facilidade como descia; três zagueiros, três meios-campos e três atacantes. Mas aqui, todos querem segurar seus empregos e haja retranca. Um na frente e dez defendendo, é antifutebol”.

Charles Miller
Sobre a evolução do futebol moderno, observe-se, também, que ele chegou no final do século passado a outros países da Europa, na maioria levado pelos marinheiros ingleses, quais sejam: França (1872), Dinamarca (1873), Suíça (1879), Bélgica, Áustria (1880), Alemanha, Romênia, Espanha, Rússia (1886), Holanda (1889), Finlândia (1890), Itália (1893), Bulgária (1896) e Hungria (1899).

O futebol association chegaria também a outros continentes. Na América do Sul os argentinos foram os primeiros a tomarem conhecimento deste novo esporte, graças aos ingleses que batiam sua bola no campo do Bueno Aires Cricker Club pelos idos de 1864. Porém, os portenhos somente em 1895 fundariam a sua federação. Referido desporto chegaria ao Canadá em 1880 e dois anos depois no Uruguai.

No Brasil, o futebol despontou em 1894, trazido pelo paulista Charles Miller.

Sobre o autor:
Airton Fontenele nasceu no dia 27 de janeiro de 1927. Passou a gostar de futebol na Copa do Mundo de 1938. Em 1947 começou a escrever no semanário “O Goal”, a primeira das mais de três mil colaborações que daria à imprensa em mais de 60 anos. Formou-se em Odontologia em 1950. Entre 1952 e 1954 foi correspondente do jornal “A Gazeta Esportiva”, de São Paulo. De 1954 a 1979 trabalhou como bancário na equipe pioneira do Banco do Nordeste. Durante os anos 1960 participou de maneira direta da reformulação do Estádio Presidente Vargas, o PV. Em 1986, lançou o primeiro dos oito livros publicados, “Futebol, Seleção das Seleções”. É um dos mais respeitados historiadores e pesquisadores do futebol brasileiro.

Um comentário:

  1. Boa tarde! Somos autores de um livro sobre João Coelho Netto, o Preguinho, e gostaríamos de ter nosso livro resenhado, para tanto seguem informações da obra:
    "PREGUINHO - CONFISSÕES DE UM GIGANTE", relata a vida e obra de João Coelho Netto, mais conhecido como Preguinho, maior atleta brasileiro de todos os tempos, que fez história pelo Fluminense Football Club, sétimo artilheiro, segundo cestinha, campeão em oito modalidades diferentes, autor do primeiro gol brasileiro em Copas do Mundo de futebol e primeiro capitão pelo Brasil em Copas (1930 - Uruguai).

    Características da obra:
    Formato 14 X 21
    Encadernação brochura
    Capa em papel cartão supremo 250 g
    168 páginas em edição de luxo, em papel couché 90 g
    Mais de 100 fotos p&b e coloridas
    ISBN: 978-85-915613-0-8

    O livro conta suas histórias de infância e fatos inusitados, através de
    depoimentos inéditos narrados ao jornalista Waldir Barbosa, que também é homenageado 'in memoriam', além de conter estatísticas de todos os jogos e gols marcados por Preguinho pelo Fluminense Football Club, em uma obra que tenta resgatar a figura única e inigualável de um atleta que se negou a receber para jogar por seu time de coração.

    O livro encontra-se à venda até o momento nos seguintes pontos do Rio de Janeiro:

    - Fluboutique (Laranjeiras, Shopping Nova América e na floboutique.com.br)
    - Livrarias da Travessa (Centro, Ipanema, Leblon e Barrashopping e na travessa.com.br)
    - Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor, 37)
    - Livraria Leitura Shopping Nova América (Expansão)

    Estamos à disposição para mais informações referentes ao livro.

    Abraços,

    Waldyr Barboza Jr. e Waléria Barboza, autores
    (21) 99328-7631 I 98118-2890 I 3439-3809

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