terça-feira, 10 de junho de 2014

A Magia da Camisa 10 na Copa

Mais um mundial. Mais uma competição para coroar ou arrasar a carreira de homens especiais do futebol. Quem será o 10 a brilhar no mundial do Brasil? Se nos clubes mundo afora o número na camisa perdeu um pouco de seu encanto, em Copas ela tem significado pra lá de especial.

Na Copa no Brasil, entre todas as seleções, talvez (porque ainda não sabemos) teremos apenas um 10 reserva, o chileno Valdívia. Dizer que o duelo mais esperado será entre os 10 mais famosos do mundo, Neymar e Messi, não vale. Até porque, ambos poderão ficar pelo caminho e se isso acontecer, quem será o 10 a encantar o mundo mais uma vez.

Curiosamente, o último melhor 10 da Copa de 2010 (eleito pela Fifa), o uruguaio Fórlan, é um veterano, mas em uma seleção com chances reais de chegar longe na competição.
Enfim, a camisa 10 sempre será magia, ainda mais em uma Copa disputada no Brasil, a terra onde a mística começou.

A Magia da Camisa 10
Por Vladir Lemos e André Ribeiro
(texto de apresentação do livro “A Magia da Camisa 10”)

“Impossível saber se é magia ou fé o que faz a camisa 10 tão diferente de todas as outras. Sim, porque hoje, ao nos depararmos com um time enfileirado, ganhando o gramado, carregando nas costas, além da esperança de vitória, uma seqüência mágica de números, não somos capazes de enxergar o dono da camisa 10 como um jogador qualquer.

Impossível pensar em tais algarismos como um pequeno detalhe, em meio ao encanto do espetáculo, prestes a começar. Apenas um número, pregado na parte de trás da camisa, distribuído aleatoriamente pelo treinador, com uma lógica que a razão não ousaria desafiar.

É claro, nenhum boleiro seria capaz de duvidar que craque que é craque mesmo está habilitado a entrar em campo vestindo qualquer camisa, ostentando qualquer número.

Não ! Hoje a magia ou a fé amadurecidas debaixo de tanto suor, de tanto drible, de tanta habilidade, de tantas jogadas, de desenhos capazes de desafiar a razão, faz com que todos vejam algo de transcendente, de puro fetiche.

Já não é só a torcida que espreita a tal camisa 10. Cada jogador, no íntimo irá sempre temer por um confronto, ao cruzar com um desses predestinados em campo. Até o juiz, talvez, o encare como autoridade diferenciada entre as quatro linhas, e por isso, redobre a atenção para não ser, repentinamente enfeitiçado, vítima de seu encanto.

As lentes, cada uma delas, longas, angulares, com filtro...buscam o dono da 10 de maneira diferente. Ali, pouco depois dos limites guardados só para eles, todos os sentidos da crônica o farejam, tentam com talento, quase sempre em vão, esmiuçar o seu poder.

Há uma lógica desafiadora no fato desse homem estar trajando a camisa 10. Seria mais coerente que ele, ao desfilar tanta importância, conquistasse o direito de ser, claro, o número 1.

Afinal, o que seria de fato a 10?

Um número 1 seguido de uma bola?

É isso! A bola, sinônimo da esférica Terra, que os tais camisas 10 acabam, de certa forma, por dominar.

Sobre os outros, cada camisa mais parece um uniforme, unindo homens durante  90 minutos, obstinados por uma mesma conquista.

Mas a 10, jamais!

A camisa 10 é assim, divindade e elegância.

Quando passou a ter essa força, não se sabe. Como não se sabe também quantos foram eles, quais aqueles que realmente a mereceram. Há, aí, também uma finta. Porque alguns que a tiveram, não a mereceram. Outros, por sua vez, carregaram durante toda uma vida, um 10 imaginário em suas camisas.

Como encontrá-los, como escolhê-los, como convocá-los? Quem transformou a camisa 10? Quem colocou sobre ela toda essa mística? Foram homens nascidos nos quatro cantos do mundo ou terá sido obra do tão invocado deus do futebol ?

Seria bom se cada cúmplice dessa história, escrita ao rolar de tantas bolas, não se esquecesse que vestir a 10 é transcender, é fazer parte de um outro time.

Nesse culto, que beira o religioso, cada torcedor tornou-se devoto de um, de muitos, de todos os camisas 10. Querer dividi-los ou escalá-los é como cometer um pecado, atentar contra a nação da bola, ousar explicar o que faz o futebol maior.

Como simples seguidores dessa crença, podemos apenas lembrar, deixar livre nosso olhar curioso e vasculhar a história de cada um, tentar descobrir porque a vida os fez assim, camisa 10.

Encarar o desafio de desvendar o ambiente, os sonhos, os obstáculos que eles venceram, além de tantos e tantos adversários. É se dispor a melindrar a torcida, é comprar briga, é ter de fazer do ataque a melhor defesa. Em outras horas, é ter a serenidade para perceber que se recolher na defesa é o melhor ataque.

Mas com uma coisa, talvez, todos os devotos concordem:  houve um momento em que a crença, a magia da camisa 10 se fez mais  visível. Tarefa que coube a um menino, muito provavelmente obra também de um deus do futebol.

Pelé.

Tudo começou com ele....”

Confira todos os prováveis camisas 10 da Copa no Brasil e algumas curiosidades de cada um.

Neymar (Barcelona-ESP, Brasil)

Precisa ser dito algo?

Luka Modric (Real Madrid-ESP, Croácia)

Um camisa 10 que impressiona pelos 1.808 passes certos na temporada 2013-2014 do campeonato espanhol.

Vincent Aboubakar (Lorient-FRA, Camarões)

Tem apenas 22 anos, mas esta é sua segunda copa. terceiro maior artilheiro no Campeonato Francês, com 16 gols (e cinco assistências) em 32 jogos e escolhido o melhor em campo repetidas vezes. Ele integrou a curta lista para o Prêmio Marc-Vivien Foé, concedido ao melhor jogador africano na França.

Giovanni dos Santos (Villarreal-ESP, México)

É filho de um ex-jogador brasileiro, Zizinho (não aquele da Copa de 1950). Há dois anos, Neymar, nosso craque da camisa 10, chegou a tratá-lo como “gênio”. Chegou a ser chamado de “clone de Ronaldinho Gaúcho”. Foi contratado pelo Barcelona quando tinha apenas 13 anos. Já foi carrasco da seleção brasileira por duas vezes: campeão mundial sub-17 e ouro olímpico, em 2012.

Cesc Fábregas (Barcelona-ESP, Espanha)

Experiente, o espanhol, que tem nove títulos na carreira e já participou de duas Copas do Mundo. Foi campeão mundial com apenas 23 anos, quando a Espanha venceu a Copa 2010. Foi fundamental também na conquista da Eurocopa 2008.

Wesley Sneijder (Galatasaray-TUR, Holanda)

Nascido em uma família de jogadores de futebol (seu pai e os irmãos Jeffrey e Rodney) começou sua carreira no Ajax (Hol), em 2002. Em 2007 foi contratado pelo poderoso Real Madrid.  Não deu certo. Dois anos depois foi vendido para a Inter de Milão. Na Copa de 2010, foi o principal jogador da Holanda na eliminação do Brasil. Também foi artilheiro da competição com 5 gols e eleito o segundo melhor jogador do mundial.

Jorge Valdivia (Palmeiras-BRA, Chile)

É bem conhecido do torcedor brasileiro desde 2006, especialmente, os palmeirenses.

Ben Halloran (Fortuna Dusseldorf-ALE, Austrália)

Tem apenas 21, o mais jovem camisa 10 da Copa. Já ficou “famoso” no mundial por ter postado foto de uma enorme aranha em seu quarto.

James Rodríguez (Monaco-FRA, Colômbia)

É a primeira copa que disputa. Terá grande responsabilidade no mundial com a corte do astro da equipe, Falcão Garcia.

Giorgos Karagounis (Fulham-ING, Grécia)

É o mais velho camisa 10 da Copa, com 37 anos. Fez parte da equipe que surpreendeu o mundo na conquista da Eurocopa de 2004, contra Portugal, do atual técnico brasileiro, Felipão.

Shinji Kagawa (Manchester United-ING, Japão)

É considerado um dos maiores jogadores na história do futebol japonês. O talento era tão grande que acabou contratado por grandes clubes europeus como o Borussia Dortmund e o Manchester United, onde joga atualmente.

Gervinho (Roma-ITA, Costa do Marfim)

Tem nome de brasileiro mas não é. O apelido tem tudo a ver com brasileiros, pois foi um técnico brazuca que resolveu chamar o jovem Gervais de Gervinho, um diminutivo igual aos de Robinho e Ronaldinho. Uma comparação honrosa.

Antonio Cassano (Parma-ITA, Itália)

É um veterano da Azzura com 36 jogos pela seleção italiana principal. Disputou as Eurocopas de 2004, 2008 e 2012. Passou por grandes clubes europeus como Roma, Real Madrid, Sampdoria, Milan, Internazionale e Parma. Em 2011 sofreu um AVC – Acidente Vascular Cerebral. Para muitos, não voltaria mais a jogar, mas surpreendentemente, disputou a Euro 2012, chegando à final contra a Espanha.

Wayne Rooney (Manchester United-ING, Inglaterra)

É o grande destaque da seleção da Inglaterra, camisa que defende desde 2003. Ídolo do Manchester United, é famoso também pelo temperamento forte, com várias expulsões, pelo clube e seleção inglesa.

Diego Forlán (Cerezo Osaka-JAP, Uruguai)

É o atual melhor camisa 10 em Copas, pois foi assim que saiu da última, em 2010, quando o Uruguai chegou à semifinal da competição e terminou em quarto lugar no mundial. Por ser um veterano da “Celeste Olímpica” (está com 35 anos), detém os recordes de maior número de partidas e goleador.

Bryan Ruiz (PSV Eindhoven-HOL, Costa Rica)

É a grande esperança da Costa Rica na Copa. Ainda mais pelo fato de disputar o chamado “grupo da morte”, contra Inglaterra, Itália e Uruguai.

Karim Benzema (Real Madrid-ESP, França)

É uma das grandes estrelas do Real Madrid. E também considerado um dos melhores atacantes do mundo.

Granit Xhaka (Borussia Monchengladbach-ALE, Suíça)

Jovem, 21 anos, mas tem a experiência do futebol alemão, onde joga pelo Borussia Dortmund.

Marvin Chávez (Chivas USA, Honduras)

É o menor camisa 10 da Copa, talvez na história de todos os mundiais, com 1,56m.

Walter Ayoví (Pachuca-MEX, Equador)

Talvez o único camisa 10 a não ser “o cara” da equipe, já que a estrela do Equador é o jogador
Luiz Antonio Valência.

Lionel Messi (Barcelona-ESP, Argentina)

Não precisa dizer nada, não é mesmo?...

Zvjezdan Misimovic (Guizhou Renhe-CHN, Bósnia)

Nasceu na Alemanha, mas tem origens Sérvias. Curiosamente, pela origem, escolheu defender a Bósnia, opção pouco comum devido às disputas territoriais daquele pedaço de mundo. Foi campeão alemão jogando pelo Wolfsburg, em 2009.

Ansari Fard (Tractor Sazi-IRA, Irã)

É o grande nome da seleção iraniana. Já foi cobiçado por grandes clubes europeus como o Borussia e Celtic, mas por problemas com o fechado regime de governo de seu país, continua a atuar por equipes locais. É a chance de o mundo conhecer mais um talentoso 10, que joga como centroavante.

John Obi Mikel (Chelsea-ING, Nigéria)

Experiente, joga no Chelsea desde 2006.

Lukas Podolski (Arsenal-ING, Alemanha)

Um polonês naturalizado alemão. Um grande camisa 10 que tem ficado no banco de reservas da poderosa seleção alemã. Mas trata-se de um craque. Uma das estrelas do Arsenal que quando entra na equipe, tem feito estragos. Um 10, que pela seleção que defende, tem tudo para ser uma das estrelas da competição. 

Vierinha (Wolfsburg-ALE, Portugal)

Não fosse seu apelido CR7, a 10 seria de Cristiano Ronaldo.

Mikkel Diskerud (Rosenborg-NOR, Estados Unidos)

Um legítimo norueguês que ganhou o direito de defender a seleção dos Estados Unidos porque a mãe é de lá. Joga no futebol norueguês e terá a complicada missão de substituir o antigo 10 e ídolo da torcida norte-americana, Donovan, preterido pelo técnico, o ex-craque alemão, Klinsmann. 

Andre Ayew (Olympique de Marselha-FRA, Gana)

Tem a 10 no DNA. É filho de um dos maiores 10 do futebol africano e da seleção de Gana, Abedi Pelé. Pelo sobrenome do pai nem é preciso explicar. Andre Ayew, dizem, não deve nada ao pai.

Eden Hazard (Chelsea-ING, Bélgica)

Se a Bélgica está sendo apontada como provável surpresa no mundial, isto se deve ao talento de seu camisa 10. E se isso de fato acontecer, Hazard, uma das estrelas do Chelsea, pode ser o grande destaque da competição.

Alan Dzagoev (CSKA Moscou-RUS, Rússia)

É o cérebro do meio-campo russo. Craque do CSKA é uma das grandes promessas do futebol russo.

Sofiane Feghouli (Valencia-ESP, Argélia)

Francês de nascimento, chegou a defender as seleções francesas de base. Mas optou por defender a Argélia.

Park Chu-Young (Wayford-ING, Coreia do Sul)

Duas copas na carreira e experiência no futebol europeu em clubes como Monaco, Arsenal e Celta de Vigo.


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