terça-feira, 6 de maio de 2014

Enciclopédia das Copas do Mundo

Mais um livro obrigatório nas redações esportivas, universidades e, evidentemente, na biblioteca do leitor que acompanha a boa literatura esportiva brasileira. Em época de Copa, “brotam” livros no mercado, mas quando a obra se propõe como uma Enciclopédia, poucas são as que trabalham bem a parte de histórias e causos.  

Não é o caso da Enciclopédia das Copas do Mundo (Editora Nova Terra), de Luiz Fernando Baggio. São mais de 700 páginas, uma viagem pela história do maior evento do planeta bola. Na primeira parte o leitor encontrará o contexto político de cada edição do torneio e os acontecimentos dentro de campo. Na metade final, a alegria dos estatísticos de plantão nas redações: número de gols, artilheiros dos torneios, público dos jogos, as curiosidades escondidas nos recordes.

O leitor apaixonado pelas histórias das copas encontrará também respostas para perguntas como o motivo da Índia não ter participado da Copa de 1950 no Brasil. Ou ainda, descobrir qual seleção ficou invicta por quatro anos, mas perdeu justo na final da copa de 1954.  E como foi encontrada a taça Jules Rimet, quando roubada após a Copa de 1966 na Inglaterra.

Luiz Fernando Baggio não é “marinheiro de primeira viagem”. Para chegar até essa edição de sua Enciclopédia das Copas do Mundo, ele começou, em 2005, com a publicação do livro Copas do Mundo - Histórias e Estatísticas (editora Axcel). Depois, em 2010, chegou a primeira edição, pela Editora Nova Terra, desta Enciclopédia das Copas do Mundo.

Apresentação
Por Luiz Fernando Baggio

O JOGO MAIS POPULAR DO MUNDO
”O Futebol é a coisa mais importante dascoisas menos importantes!”

Um jogo de regras simples, que pode ser praticado por atletas de qualquer tipo físico e pratica­mente em qualquer lugar. O único esporte coletivo em que, nem sempre, quem joga melhor vence. Injusto? Certamente, mas também este é um dos motivos que fazem do futebol o jogo mais popular do mundo.

A partida final da Copa de 2006 realizada no estádio Olímpico de Berlim, entre Itália e França, foi assistida por uma plateia estimada em mais de 2,2 bilhões de pessoas, um terço da população mundial. Este fato, por si só, demonstra a popularidade e a força do futebol.

Futebol, Fussball, FuBball, Calcio, Soccer, Futbol, Football, são muitos os idiomas espalhados por todo o mundo, que traduzem a mesma paixão.

O planeta Terra, de Leste a Oeste, de Sul a Norte adora este jogo, que, já se disse, é uma metáfora da vida. 

A gênese desta metáfora remonta à Antiguidade. Na China praticava-se há 2.200 anos o Tsu Chu, no Japão do século V d.C. o Kemari era jogado como parte do culto a Buda. Aonde viria a ser, novecentos anos depois, o continente americano, os astecas praticavam o Tlachti. Os gregos antigos disputavam o Epyskiros, que era jogado com uma bola feita da bexiga de boi, coberta por uma capa de couro. E os romanos, ao dominarem a Grécia, copiaram as regras e criaram o Harpastum.

Séculos mais tarde, em Florença, surgiu o Giuoco del Calcio. Em 1529, políticos florentinos deci­diram resolver demandas disputando um jogo de bola. Dois times com 27 integrantes cada dis­putavam a posse da bola feita de pano e couro, sob a supervisão de nada menos que dez juízes que evitavam que a disputa descambasse para a pancadaria generalizada. Vencia o time que mais vezes acertasse a pelota na meta adversária. Até hoje, anualmente, é disputado um jogo em que se conserva a tradição. Na mesma época, na França, era disputado o Soule.

Na Inglaterra o ancestral do futebol era chamado de Mob Football, uma violentíssima disputa entre centenas de pessoas que ia do nascer ao pôr do sol e resultava em dezenas de mortos e feridos. Por razões óbvias foi terminantemente proibido.

Apesar da proibição, continuou a ser praticado ao longo do tempo e lentamente foi incorporado pelas diversas escolas da aristocracia. Cada uma delas possuía suas próprias regras e o Rugby Col­lege de Londres acabou por criar o Rúgbi, que podia ser jogado também com o uso das mãos.

Finalmente, em 1848, representantes de quatorze universidades inglesas reuniram-se em Cam­bridge para unificar as regras, o que permitiu, a partir daí, que fossem disputadas partidas entre diferentes instituições. 

O esporte já então era praticado pelos plebeus em clubes de iatismo, remo, tênis, etc. O seu crescimento acelerado fez surgir a necessidade de organização. Assim, no dia 26 de outubro de 1863, reunidos na Freemason’s Tavern, em Londres, onze representantes de instituições de toda a Grã-Bretanha fundaram a Football Association: nascia oficialmente o Futebol.

A Football Association tratou das regras até 1886, quando foi criada a International Board, que até os dias atuais é responsável pela manutenção ou modificação das regras do jogo.

Por possuir, à época, a economia mais poderosa do planeta, a Inglaterra tinha relações comerciais nos cinco continentes e, através dos marinheiros de seus navios, que aproveitavam as paradas nos portos em que atracavam para disputarem animadas partidas, o futebol foi sendo disseminado e, em poucas décadas, até o final do século XIX, já era praticado em diversos países, os quais também foram criando suas associações nacionais.

Em 1896 os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna foram realizados em Atenas, Grécia. O criador dos Jogos, o francês Pierre de Fredi (1863-1967), Barão de Coubertin, não permitiu que esportes coletivos fizessem parte do programa dos Jogos.

Devido principalmente à insistência de Robert Guérin, jornalista e secretário da União das Sociedades Atléticas da França e amigo de Coubertin, o futebol foi incluído nos Jogos de Paris em 1900.

Foi esta a primeira grande competição internacional na qual o futebol foi incluído.
Seria questão de tempo o esporte voar com as próprias asas.

Guérin passou a fazer contatos em diversos países da Europa, visando à criação de um órgão internacional que cuidasse da organização do futebol.

O jornalista francês sonhava com um torneio mundial exclusivo para o futebol e durante quatro anos lutou contra todas as dificuldades, principalmente o desdém dos ingleses.

Conseguiu finalmente o apoio de algumas federações nacionais e de pessoas influentes, entre as quais estavam o belga Louis Muhlinghaus e o banqueiro holandês Carl Hirschmann.
Hirschmann redigiu então a minuta dos estatutos de criação do órgão internacional que regeria o futebol.

No dia 21 de maio de 1904, em Paris, Guérin, como representante da França, Hirschmann, da Holanda e mais cinco outros representantes de países europeus, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Suécia e Suíça, reuniram-se na sede da federação francesa, rapidamente aprovaram o estatuto e elegeram Guérin seu primeiro presidente. Estava criada a Fédération Internationale de Football Association - FIFA.

Presente à reunião encontrava-se um homem que seria decisivo para o crescimento do futebol e a criação da Copa do Mundo, Jules Rimet.

Rapidamente outros países deram seu apoio à nova entidade: Alemanha, Áustria, Hungria e Itália. A Inglaterra, que esnobara Guérin, solicitou em 1905 sua inscrição.

A FIFA, que realizou seu segundo congresso em 1905 e desejava promover um campeonato já em 1906, estipulou o prazo de inscrição até 31 de agosto de 1905, porém ninguém se inscreveu. A razão é simples: vários países já contavam com times profissionais e não queriam participar com seleções amadoras, exigência da FIFA.

A intransigência de Guérin em manter o amadorismo criaria um cisma na entidade que acabaria resultando na renúncia do francês. O inglês Daniel Woolfall assumiu a presidência da FIFA em 1906 e preferiu deixar as coisas como estavam. O futebol continuaria a participar dos Jogos Olím­picos e um torneio mundial exclusivo teria que esperar.

A FIFA ficaria estagnada até 1921 por diversos fatores, internos e externos, principalmente o pou­co empenho de Woolfall e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Passado o conflito, foi eleito para presidi-la Jules Rimet, que levaria o sonho da Copa do Mundo adiante.

O torneio de futebol nos Jogos Olímpicos ganhava, a cada edição, importância e prestígio. O Uru­guai venceu os Jogos de 1924 em Paris, apresentando aos europeus um estilo de jogo refinado.

Rimet, cada vez mais convencido de que o futebol poderia realizar um campeonato independen­te, redobra os esforços para conseguir seu objetivo.

No congresso realizado em fevereiro de 1927, foram apresentadas propostas para a realização de uma Copa da Europa, que se realizaria de dois em dois anos, e outra da Copa do Mundo a ser disputada de quatro em quatro anos.

A Copa do Mundo era quase uma realidade, todavia teria ainda que esperar um pouco mais. No congresso de Amsterdã em maio de 1928, finalmente a 1ª Copa do Mundo foi oficial­mente marcada.

Seria realizada em 1930, entre os meses de maio e junho. Cinco países apresentaram suas can­didaturas à sede da competição: Espanha, Holanda, Hungria, Itália e Suécia. A Copa do Mundo, porém, aconteceria bem longe de qualquer um destes países.

Nos Jogos de 1928, o Uruguai conquistou o Bicampeonato Olímpico. O país sul-americano es­corado pelo prestígio esportivo e a força política de seu governo desejava promover um grande evento para comemorar o centenário de sua independência. Apresentou sua candidatura e ofereceu todas as garantias para a realização do torneio, inclusive prometendo construir um grande estádio.

Em 1929, no congresso de Barcelona, os cinco países europeus retiraram suas candidaturas e o Uruguai, na condição de único postulante, ganhou o direito de realizar a 1ª Copa do Mundo de futebol.

Depois de um quarto de século, enfim, a Copa do Mundo era uma realidade.

Os homens que sonharam com sua realização não poderiam imaginar que a Copa do Mundo, ao longo do tempo, se tornaria a mais importante competição de um único esporte e que a cada quatro anos mobilizaria a atenção de bilhões de pessoas nos quatro cantos do planeta.

Sobre o autor:
Luiz Fernando Baggio Monclar nasceu em 1958, exatamente quando o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, na cidade de Curitiba, Paraná. É formado em Administração de Empresas e torcedor apaixonado da seleção brasileira de futebol. Teve seu interesse despertado para as Copas do Mundo aos nove anos, durante a Copa de 1966 na Inglaterra. Após a Copa de 2002, deu início a esta obra baseado em seu conhecimento do assunto e na vontade de transmiti-lo a outras pessoas.

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