sexta-feira, 2 de maio de 2014

Dali o Joca não perde

Faltam autores na literatura esportiva iguais ao mineiro Victor Kingma. O futebol é feito de histórias, lendas e mitos criados por toda espécie de gente interessada no assunto. Na mesa do bar, na redação, nas ruas e campinhos de várzea ou ainda nas arquibancadas dos estádios surgem histórias mil.

E Victor Kingma não poderia decepcionar a tradicional “escola mineira” dos grandes contadores de histórias e causos. Mais um livro de sua autoria chega ao mercado: “Dali o Joca não perde” (Editora Nova Terra), com prefácio do craque Zico. Vale a pena conferir também os outros títulos do autor em http://www.historiasdofutebol.com.br/.

Sinopse (da Editora):

Arte: Eklisleno Ximenes
Dali o Joca nunca perderia aquele gol... Afinal, ele é o craque do time!

Nosso país vive com milhares de “Jocas”, “Manés”, “Joãos”, “Zicos” e outros apelidos que damos aos nossos craques e pernas de pau.

Victor Kingma conseguiu capturar a essência e transformou os causos que vivenciou, presenciou ou ouviu falar numa obra deliciosamente divertida e transformada em realidade pela sua veia literária.

Foram escolhidos 100 dos melhores causos do autor para demonstrar o misto de paixão e emoção de momentos marcantes do futebol que tomam conta de cada lance, cada passe, cada jogada do esporte mais popular do planeta Terra.

O livro, que tem prefácio do mestre Zico, ídolos de muitos brasileiros, tem seu título baseado em um dos seus causos, considerado o melhor deles. Já povoou as páginas da coluna de Renato Maurício Prado, no jornal O Globo, em 1997. 

PREFÁCIO
Por Arthur Antunes Coimbra – Zico

Fiquei pensando no que escrever sobre um livro que conta histórias do futebol.

Achei que contar um causo seria muito longo. Bom, a verdade é que eu adoro contar, ver, ouvir e ler essas histórias. Até hoje, quando encontro ex-companheiros de bola, uma das nossas diversões é relembrar esses momentos, alguns divertidos, outros muito curiosos, situações de todos os tipos. Não é por acaso que nos últimos dez anos venho publi­cando no meu site e guardando algumas dessas passagens que devem virar um livro também.

Victor Kingma é autor experiente e competente para reunir histórias. Não vou antecipar nada do que você lerá nas páginas a seguir, mas posso dizer que dei diretamente minha cota de colaboração contando a ele um causo do meu irmão Edu com o saudoso Gentil Cardoso. Mas sem dicas, afinal não quero tirar esse gosto da volta no tempo ou de descoberta para quem não viveu e, como eu, gosta como eu de ler boas histórias. É só deixar o autor guiá-lo por personagens e situações, muitas delas que só o futebol mesmo poderia produzir.

Boa leitura!

JOCA, O CRAQUE INFALÍVEL
Por Victor Kingma

Arte: Eklisleno Ximenes
Para encerrar, uma das minhas histórias de que mais gosto e que me inspirou a escolher o nome ao livro.

Finalíssima de campeonato no interior mineiro e o time da casa preci­sava com desespero da vitória. O empate daria o título ao arquirrival.

Para piorar as coisas, um problemão: Joca, o grande craque da re­gião, o Pelé da época, muito gripado, não podia jogar. A pedido do técnico fica no banco de reservas, apenas para intimidar o adversário.

Rola a bola e o jogo é tenso, fechado, nada de oportunidade de gol para nenhum dos times. Já no finalzinho, o técnico, em desespero, chama o Joca e pede:
Vai pro sacrifício, meu craque! É tudo ou nada. Só você pode nos salvar!

E o nosso herói entra em campo, aos 41 minutos do segundo tempo. Aos 44, em um contra-ataque, o ponta direita Fumaça vai ao fundo e cruza: Joca mata a bola no peito, tira o beque da jogada e dispara...

A torcida se levanta, os locutores enchem os pulmões para gritar gooool!...

De repente, os refletores do estádio se apagam... Ninguém con­segue ver a conclusão do lance... Pânico geral, somente cinco minutos depois as luzes começam a voltar... Em meio à confusão, a bola sumiu.

E, afinal, o que aconteceu?

Sereno e impassível, o juiz se dirige ao centro do gramado...

Os repórteres o cercam:

– O que foi, seu juiz?

E ele, com toda a segurança:

– GOL!

Mas ninguém viu a bola entrar após o chute do Joca, argumentam os repórteres atônitos e os adversários enfurecidos...

E o juiz, com a maior calma:

– Vocês que acompanham futebol sabem muito bem:

“DALI, O JOCA NÃO PERDE!”

Sobre o autor:
Victor Kingma tem vários livros publicados (ver link http://www.historiasdofutebol.com.br/ ). É Administrador de Empresas, Desportista, Escritor e Historiador. Tem quatro livros publicados no Brasil e um no exterior (Holanda). Ex-atleta, é um estudioso do lado folclórico do futebol e possui um dos maiores acervos de histórias e causos da bola. Escreve para vários jornais e sites do Brasil. Sua obra literária começou em 2003, com o lançamento do primeiro livro, A Oficina do Tião Sapateiro. A trama narra os acontecimentos e costumes de uma época, tendo como cenário uma pequena oficina de consertos de calçados, ponto de encontro da juventude do bairro onde ele morava no início dos anos sessenta, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Aficionado por literatura e esporte, reuniu essas duas paixões no segundo livro, Causos da Bola, lançado em 2005. A obra, uma coletânea de suas histórias e causos, abordando o lado folclórico do futebol, tema do qual é um estudioso e apaixonado, teve grande repercussão na mídia esportiva do país, naquele ano. Em 2007, lançou o seu terceiro trabalho, Da Frísia à Mantiqueira, traduzido também na Holanda e que narra a saga de seu avô, João Kingma, imigrante holandês, um pioneiro da indústria laticinista no país. Contar histórias é uma arte, e o mineiro, em especial, sabe como ninguém contar as histórias e causos de sua terra e dos personagens tão interessantes que formam as suas “gentes”.


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