quinta-feira, 17 de abril de 2014

Quando o futebol não é apenas um jogo



Há alguns anos o jovem torcedor brasileiro talvez cansado com a falta de qualidade e de ídolos em seus clubes de coração, passaram a entender e a acompanhar muito mais de perto o dia a dia dos grandes clubes europeus. É claro que, sem as transmissões desses respectivos campeonatos em canais fechados de TV, dificilmente essa nova leva de torcedores não existiria.

Mas só isso não basta para tentar entender mais sobre esse fenômeno. Por essas e outras razões, a editora Via Escrita reuniu em um livro diversas crônicas escritas pelo jornalista Gustavo Hofman, conhecedor como poucos da história do futebol jogado em outros países.

Em, "Quando o futebol não é apenas um jogo", você verá que, tanto aqui como lá, o futebol não é só dinheiro e glamour. E que nos grandes clubes espalhados pelo “planeta futebol”, muito além das quatro linhas, existem histórias incríveis.

Sinopse (da editora):

Quem vê, hoje em dia, em qualquer canto do mundo garotos desfilando com a camisa do Cristiano Ronaldo, Messi ou do Neymar – a do Barcelona, diga-se de passagem – pode até pensar que o futebol se resume a saber a escalação dos principais times da Liga dos Campeões.

Ledo engano. Primeiro, é preciso ter claro que o futebol é uma arte. E, como arte, deve ser reverenciada por quem o aprecia. Ainda mais em se tratando de um esporte em que cada um de nós assume sua porção de técnico e, muitas vezes, de jogador.

Estamos falando de uma paixão. E só quem tem dedicação e zelo é capaz de manter essa chama acesa, sempre procurando descobrir novos encantos, novas nuances, que nos permitam continuar apaixonados.

Além de arte, futebol é cultura. E Gustavo Hofman, como poucos, nos brinda com isso e muitas curiosidades, ao transformar em belas crônicas as viagens realizadas por Liechtenstein, Bósnia, Áustria, Croácia... Em resumo, ele mostra que o mundo do futebol vai muito além do que conhecemos e sabemos.

Prefácio
Por Celso Unzelte

Gustavo Hofman
Jornalista. Sempre à procura de boas histórias. É assim — e também como “pai do Victor”, “ex-jogador de basquete na base” e “comentarista dos canais ESPN” — que Gustavo Hofman se autodefine em sua conta no twitter. Onde, aliás, costuma driblar inteligentemente a exiguidade dos 140 caracteres remetendo os seguidores para seu blog por intermédio de links, só para poder contar melhor essas histórias que tanto procura.

Isso é “modéstia à parte” do Gustavo, como diria o meu velho amigo Lemyr Martins, histórico repórter da Placar dos anos 70 e outro grande contador de histórias esportivas, parafraseando o “causo” do jogador de futebol que não tinha a mínima ideia do que a expressão “modéstia à parte” significava, mas mesmo assim gostava de usá-la como sinônimo de modéstia. Outra história daquelas que, tenho certeza, o próprio Gustavo Hofman gostaria de contar. Mas, nesse caso (ou nesse “causo”), é modéstia do Gustavo, mesmo — embora não seja “à parte”, como queria o cracão não identificado dos anos 70.

É modéstia porque, tanto aqui quanto em suas tribunas eletrônicas e virtuais, Gustavo Hofman não se limita a procurar (e a colher) histórias, como escreveu lá no seu perfil no twitter. Ele faz muito mais do que isso. Conta-as com a graça e a leveza exigidas desde sempre, aliando-as às necessidades, principalmente as mais imediatas, desses tempos, de globalização, da Era da Informação, que estamos vivendo.

Por isso, quando o Gustavo me falou da intenção de reunir esse material em livro, vibrei. Primeiro, como leitor assíduo dessas histórias que ele costuma caçar para nós. Depois, porque tinha certeza de que o livro ia sair do jeito que saiu: despido de qualquer preconceito.

O autor gosta tanto do futebol, mas principalmente de tudo que esse esporte inspira e pode representar, que, para ele, um fato acontecido em uma final da Liga dos Campeões merece a mesma atenção de outro ocorrido “no mais remoto local”, só para eleger outra de suas expressões típicas.               

Do time galês cujo nome se escreve utilizando 58 letras, das quais 40 são consoantes e eu não me atreverei a tentar reproduzir aqui, ao clube sueco que representa a Assíria, povo que não tem território mas tem seu time de futebol, Gustavo passeia com desenvoltura da semântica à geografia, da política à produção de cerveja. Evoca jogos infanto-juvenis como War, detalha o dia a dia de um técnico brasileiro no comando da Líbia em plena revolução. Consegue ser, enfim, universal. Como é o próprio futebol, matéria prima deste livro e da própria vida.     

APRESENTAÇÃO
Por Gustavo Hofman

Nunca vi o futebol apenas como um jogo. Até mesmo por experiência própria. Afinal, por tudo que já sofri com esse esporte ele não pode ser apenas um jogo onde um time quer vencer o outro marcando mais gols. Se fosse tão simples assim, tão banal, como explicar a paixão de milhões e milhões de torcedores espalhados pelo mundo por um grupo de jogadores correndo com a mesma camiseta, pela qual você é capaz de gastar, muitas vezes, o dinheiro que não tem para comprá-la? Simplesmente porque o futebol extrapola todas as barreiras meramente esportivas.

E essa ligação com o futebol transcende em diversos casos o relacionamento afetivo pela coletividade esportiva. Ou seja, não se restringe ao fato de você ter escolhido um time para torcer por motivos geográficos ou familiares.

O futebol, através de uma equipe, pode representar uma pátria sem terra; mostrar ao mundo o sofrimento de um povo; explicar com outros olhos uma guerra; traduzir a indignação de uma torcida; exemplificar paixões; traduzir geopolíticas; trazer a economia mundial para uma roda de bar; ou simplesmente contar uma história curiosa.

Tudo isso é possível através dessa invenção espetacular chamada futebol, o esporte mais popular do planeta.

O mundo do futebol não é feito apenas de Liga dos Campeões, salários milionários e histórias cheias de glamour e fama. Ele é, acima de tudo, composto por histórias de superação, curiosidades e fatos históricos que mostram como o jogo, muitas vezes, é apenas um detalhe. Em diversos casos, e em determinados momentos, o detalhe mais importante da vida.

Muitas pessoas gostam apenas de assistir partidas espetaculares, com um nível de jogo altíssimo. Valorizam demais os principais times e torneios. Assim, menosprezam competições menores ou de países que não têm tradição na modalidade ou mesmo público. Deixam de conhecer histórias sensacionais.

Apresentação de jogadores do Shakhtar Donetsk
Histórias como a de política de contratações do Shakhtar Donetsk, que prioriza brasileiros para o ataque e ucranianos para a defesa; toda superação e o sofrimento na infância de Edin Dzeko, o “Diamante Bósnio”; a importância do Hajduk para toda população de Split, na Croácia; o complicado relacionamento entre bilionários e clubes de futebol no Cáucaso russo; o futebol jogado em um dos menores países do planeta, Liechtenstein.

Este livro pretende contar estas e outras histórias, as quais eu vivi fazendo matérias e entrevistas para Trivela e ESPN ou tendo visitado os locais.

Sobre o autor:
Gustavo Hofman nasceu em Belo Horizonte (MG), em 5 de maio de1981, mas cresceu em Campinas (SP). Mora em São Paulo (SP). É formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Pucamp/SP) e tem pós-graduação em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Antes de ser jornalista, jogou basquete pela Sociedade Hípica e pelo Tênis Clube, ambos de Campinas, tendo disputado os campeonatos paulistas da base entre 1994 e 1998. Começou a carreira em sites e revistas customizadas de Campinas. Já como repórter, ingressou no jornal Folha de S.Paulo e pouco tempo depois foi contratado pelo portal Terra, exercendo a mesma função. Em 2005 foi editor do site e repórter da revista Trivela. É comentarista dos canais Espn, blogueiro do site Trivela.com e colunista do ExtraTime.com.br. 
(fonte: Portal dos Jornalistas- www.portaldosjornalistas.com.br)

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