segunda-feira, 28 de abril de 2014

Palmeiras - 100 anos de Academia

2014, ano do centenário de mais um grande clube brasileiro. Desta vez, o Palmeiras, ou Palestra, para os saudosos. E o “livro oficial” do clube é assinado por um “time” de craques do jornalismo. O multimídia Mauro Beting, palestrino de corpo e alma, coordenou a equipe formada por Fabio Chiorino, Marcelo Mendez, Leandro Beguoci e Gino Bardelli.

Palmeiras – 100 anos de Academia”, da Editora Magma Cultural, é livro mais do que importante para a literatura esportiva brasileira. É obrigatório, para torcedores, jornalistas e amantes da boa leitura.

Apresentação

Amor de Palmeiras para filhos
Por Mauro Beting

Quem me fez palmeirense foi bater uma bolinha divina com Waldemar Fiúme, Junqueira, Julinho, Jair Rosa Pinto, Heitor e companhia ilimitada na semana da mudança de A para B de um clube fora de série. Foi ali, na UTI, do baixo dos meus 46 anos, que aprendi que nada é para sempre.

Ou melhor: eterno é o amor incondicional que temos pelos pais que me fizeram Palmeiras, logo gente. Tutti buona gente que se ama e se desentende pelo nostro Palestra Italia centenário, pelo Palmeiras que, há 72 anos, nasceu campeão.

Meu pai, que me deu tudo junto com minha mãe, deixou-nos pouco depois de o nosso time ter caído. Mas não rebaixado. Nunca falei com ele a respeito da queda. Só sei que todos os palmeirenses vivos ou eternos celebraram o novo acesso. Algumas vezes, de raiva – que faz parte. Tantas vezes, acessos de riso, alegria, paixão. De Palmeiras – que faz festa.

Minha vida é você, Verdão – que veio, que venceu, que na veia se guarda, que de velho nos faz mais jovens a cada tempo de jogo, a cada etapa de vida.

Não estaria aqui se não fosse Palmeiras. Não seríamos todos nós se fossemos outra coisa, outro credo, outras cores.

Não precisa ser o time que mais venceu títulos nacionais no país que mais venceu títulos mundiais. Não precisa. Preciso é o Palmeiras. Não somos mais. Não somos menos. Somos Palmeiras. Basta!

Um livro de 100 anos de histórias e glórias não conta tudo. Nada precisa ser decantado para quem não fica contando quantos canecos incontáveis na galeria de troféus, quantas cabeças passaram pelas catracas dos campos, quantos corações pulsaram pelo Alviverde inteiro.

O Palmeiras é o amor de pai para filho. Passa para os netos com a categoria de Romeu. Repassa para bisnetos que nem nasceram com a classe dos dois Djalmas de todos os Dias. Amores que nascem incondicionais como nosso time. Crianças verdes de esperança que já são palmeirenses impagáveis da linhagem dos Imparatos. DNA verde. Herança genética e estética: na nossa casa, pode tudo porque só pode Palmeiras.

Clube de colônia que não renega raiz e planta Palmeiras pelo Brasil. Era bianco, verde e rosso como a Itália do Palestra. É verde, branco, pardo, negro, amarelo, vermelho, cafuzo, confusa aquarela do Brasil que ele abraçou. Do país que foi Palmeiras em 1951. Do Palmeiras que foi Brasil em 1965. Do meu time que é de todos nós. Do nosso time que é todo seu, centenário palestrino. Eterno palmeirense.

O que ganhamos nos gramados é o que vencemos na vida por ter como marca de nascença um P no peito. Tanto quanto um passe de Ademir da Guia, o que nos ganha é um toque do nosso hino imponente. Tanto quanto seguir o que ensina o Pai da Bola Waldemar Fiúme é ser filho da mesma fé que nos faz acreditar e cornetar na mesma frase, na mesma fase. Tanto quanto um carrinho de Junqueira é o carinho do toque da nossa camisa em nossa pele. Tanto quanto uma espalmada do anjo guardião Marcos são as mãos dadas com nosso filho na arquibancada do Palestra. Tanto quanto uma penalidade máxima guardada por Evair é a alma molhada e lavada na alegria máxima de um 12 de junho dos Namorados. Tanto quanto um drible de Julinho é a finta e a ginga para ouvir pelo rádio o que nossos olhos não creem pela TV. Tanto quanto perder a respiração e ganhar um jogo num lance de Luís Pereira é ler o minuto a minuto de uma partida pela Internet e a cada segundo se saber mais torcedor.  Tanto quanto honrar e encharcar a camisa como Djalma Santos é chegar e encher a nossa casa de espetáculos que não tem cabimento para tanta paixão.

Stadium Palestra Itália dos devotos de São Marcos, dos filhos do Divino Ademir que nos dá Guia. Ponto de encontro de almas e desencontros de opiniões de periquitos e porcos. Festa no chiqueiro de Perdizes, no poleiro da Água Branca. No Parque Antarctica da Turiaçu. No Jardim Suspenso do Allianz Parque. Na nossa casa. Onde todos berram e todos têm alguma razão. E toda a emoção sem noção na nação palmeirense de Felipão, Luxemburgo, Filpo e Brandão. Da TUP que nasceu em 1969 e canta por Leivinha, e da Mancha Verde que surgiu em 1983 e vibra por Rivaldo. Do palmeirense que faz parte de uma sociedade que não precisa de carteirinha para ser fã.  Do sócio que só precisa do SEP no endereço. No berço.

Gritar gol do Palmeiras só é menos importante que apenas sussurrar "Palmeiras" no ouvido da mulher amada de olhos e corações verdes. De ensinar Palmeiras aos filhos que sorriem e se saciam só de ouvir a palavra. Mantra que cobre como manto o lindo estádio de espírito que é sempre nosso pelo nosso canto – que faz de todo gramado verde o nosso cantinho alviverde, o campinho de casa.

Filhos de periquitos que são porquinhos que cresceram ouvindo proezas que podem ver pela tecnologia que perpetua 100 anos de aulas das Academias. Milagres de Marcos, divindades de Dudu e da Guia, chapéus de Alex, canetas de Edmundo, louros de Césares Sampaio e Maluco, loucos pazzi de tantos Palmeiras.

As novas técnicas podem conservar tudo que se fez. Mas nada inventado desde 26 de agosto de 1914 encerra tudo que abre a nossa alma com tamanha técnica catedrática em campo, com grandes técnicos no banco com crédito. Tudo e muito mais que aqui tentamos lembrar. Tudo que nosso clube fez. Tudo que nossa gente faz. Tudo que a escola do Palmeiras que nos acolhe apresenta. A Academia que o mundo aprendeu a respeitar. Palestra que nos ensina a amar. Sem condição. Só com Palmeiras.

Resumo da obra
Por Mauro Beting

São 350 páginas de textos e fotos do Palmeiras no único livro oficial da história palestrina-palmeirense. Oficial, mas não chapa branca. Apenas Alviverde. Fui convidado pela direção do clube e pela editora Magma para escrever o livro em outubro de 2013. Chamei um time de palmeirense para ajudar na reportagem, redação e produção: Fabio Chiorino, Marcelo Mendez, Leandro Beguoci e Gino Bardelli.

Juntos escrevemos. No final, canetei e assinei todo o texto. Imenso desafio por já ter escrito outros livros do Palmeiras: O dia em que me tornei palmeirense (Panda, 2007); Os 10 Mais do Palmeiras (Maquinária Editora, 2009); Memórias Futebolísticas de Mauro Beting – Palmeiras: Futebol é com a Rádio Bandeirantes (Panda Books, 2012); Os 20 Jogos Eternos do Palmeiras (Maquinária Editora, 2013); Nunca fui santo – O livro oficial de Marcos (Universo dos Livros, 2012, em parceria com Marcos Reis) e Sociedade Esportiva Palmeiras: 1993. O fim do jejum, o início da lenda (BB Editora, 2013, em parceria com Fernando Galuppo e Evair Aparecido Paulino).

Escrever algo diferente é outro enorme desafio. Por isso chamei mais gente para me ajudar, até por estar, ao mesmo tempo, fora o trabalho normal no Fox Sports, Rádio Bandeirantes, LANCE!, LANCENET! E Sporting Quiz, e mais palestras e apresentação de eventos, também estar entrevistando Luiz Thunderbird para uma autobiografia, estar preparando uma biografia do Osmar Santos, estar começando a escrever a de Zico, finalizar meu primeiro documentário – 12 de junho de 1993: O dia da paixão palmeirense, estar dirigindo uma série de cinco programas dos 100 anos da Seleção Brasileira para National Geographic e Fox Sports, e ainda ter assumido a curadoria do Museu da CBF e de uma exposição no Museu do Pelé. Tudo isso ao mesmo tempo. Meus companheiros me ajudaram demais. Mas tive de tentar dar uma identidade nos textos para o livro que, de fato, tem apenas a minha assinatura.

Honra maior que não esperava ainda ter depois de ter escrito as autobiografias de Marcos e Evair.

Honra de ser um dos cinco embaixadores do centenário, ao lado de Ademir da Guia, Dudu, Evair e Marcos.

E, agora, o privilégio de assinar o livro oficial de texto do centenário. O único.

Haverá outro de fotos, muito bonito, da Toriba.

Outro muito bom do Luciano Ubiraraja Nasser, mais temático, um grande almanaque.

E esse que conta a nossa história. Sobretudo a do futebol palestrino. Como é um livro oficial, não entro nas questões políticas mais profundamente. Em respeito aos próprios personagens. E, principalmente, ao clube. Todos os presidentes são citados. Os principais feitos também. Os problemas também são apresentados, dentro e fora de campo. Mas com o máximo possível de isenção e com a independência dada pela direção do clube.

Não me foi pedida uma linha de texto. Não foi cortada uma letra.

E, claro, ainda haverá polêmica. É do futebol. É do Palmeiras.

Falo também de acertos e erros de arbitragem. Mas sem vestir a camisa.

Até por não precisar ser palmeirense para tanto. O Palmeiras fala por ele próprio. Se fez por elas próprias.

Faz a nossa vida melhor há 100 anos.

Por isso a enorme honra de assinar um trabalho para mim eterno como o Palmeiras.

Sobre os autores:
Mauro Beting. Neto, filho, sobrinho, primo, e irmão de jornalistas, está na imprensa por esporte desde 1990. Fez curso de arbitragem para aprender a ser xingado, fez curso de treinador para aprender a ser chamado de burro, e tenta não ser clubista, bairrista e achista no meio mais passional, parcial e subjetivo que existe. Comenta futebol nos Canais Fox Sports, Rádio Bandeirantes, Yahoo!-Esporte Interativo e no PES 2015; apresenta futebol no Fox Sports; escreve futebol duas vezes por semana no LANCE!. Escreveu 14 livros. Dirige e roteiriza documentários futebolísticos para TV e cinema. Curador do Museu da CBF. Vale acessar também: http://www.literaturanaarquibancada.com/2011/10/o-multimidia-mauro-beting.html

Fabio Chiorino formou-se em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu e começou a trabalhar em jornais e revistas de bairro. Atuou durante três anos como redator da Agência Folha, antes de partir para a comunicação corporativa. Em 2006, entrou para a equipe da agência XComunicação e no mesmo ano concluiu a pós-graduação em Comunicação com o Mercado pela Escola Superior de Propaganda & Marketing. Em 2009, ministrou a disciplina “Relacionamento com a Imprensa” para turmas de pós-graduação lato sensu da Universidade Cruzeiro do Sul. É co-autor de dois livros: “Haja Saco – O Blog” e “Esporte Fino – O Esporte Além dos Resultados”.

Marcelo Mendez é uma espécie de Hunter Thompson de Puma suede a vagar de óculos escuros pelo ABC paulista. Jornalista, roqueiro, cronista do jornal ABCD Maior, Terra Magazine e outros blues.

Leandro Beguoci é editor-chefe da F451 (empresa que publica o Gizmodo e a Trivela). É ainda professor da pós-graduação em comunicação multimídia da FAAP, professor da Escola São Paulo, colunista da revista VIP, editor da revista digital Oene e membro da OrbitaLAB (um laboratório de inovação em jornalismo e comunicação). Trabalhou na Folha de S.Paulo, Veja e criou o departamento de internet do grupo FOX no Brasil.

Gino Bardelli trabalha na Rádio Sul América Trânsito. Trabalhou na Rádio Estadão ESPN. É formado pela UMESP – Universidade Metodista de São Paulo.


Um comentário:

  1. Aviso: Sou Flamenguista.
    Mas, gosto do Palestra.. rsrs
    Beijão.

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