quarta-feira, 30 de abril de 2014

O País da Bola

Uma “viagem” literal através do país do futebol. Um livro importante na história da literatura esportiva brasileira foi reeditado. A obra é “O País da Bola”, de Betty Milan, lançado em 1989 pela Editora Record, ganha agora, em 2014, nova edição, atualizada, com prefácio da autora.

Literatura na Arquibancada reproduz abaixo o texto de apresentação da primeira edição, além do primeiro capítulo da obra.

Sinopse (da editora):

Se a cultura francesa privilegia o direito - le droit -, a inglesa o fairplay e a espanhola a honra - el honor -, a brasileira, segundo Betty Milan, privilegia o brincar. Aconteça o que acontecer, diz ela, nós brincamos. Podemos prescindir de tudo, porque sabemos recorrer à imaginação. O resultado dessa cultura do brincar é um futebol particularmente inventivo, que produz jogadores capazes do impossível e propicia continuamente a surpresa. A autora mostra o que fez do football o futebol e dos nossos jogadores figuras lendárias. Com O país da bola, o leitor entra no Braaasilll, o Brasil que mais faz sonhar. Veja mais no site: www.bettymilan.com.br .






Introdução
Por Betty Milan



A cultura francesa privilegia o droit, a inglesa o fair play e a espanhola el honor. Nós, brasileiros, privilegiamos o brincar. Aconteça o que acontecer, nós brincamos, porque para isso podemos prescindir de tudo, só precisamos da imaginação. O samba que o diga:

Com pandeiro ou sem pandeiro
E, ê, ê, ê, eu brinco
Com dinheiro ou sem dinheiro
E, ê, ê, ê, ê eu brinco
(PEDRO CAETANO e CLAUDIONOR CRUZ, 1944)

Tanto podemos abrir mão do pandeiro quanto do dinheiro por sermos capazes de improvisar o que desejamos, valendo-nos do que estiver ao alcance da mão. Os brasileiros de todas as classes são escolados na improvisação, que pode mesmo ser considerada um traço cultural.

Essa tendência se manifesta claramente, por exemplo, no Carnaval, festa em que é hábito recorrermos ao que está no armário para fazer a fantasia. Assim, a partir de um top chegamos a uma bailarina, acrescentando apenas um saiote de tule e um chapeuzinho redondo feito com tampa de caixa de queijo e tecido bicolor. Uma frente única, um fuseau e alguns colares de pérolas falsas compõem a roupa da fantasia de turca, que só requer a compra de um chapéu — a menos que também o façamos em casa com feltro e pingente de borla.

O luxo da cultura brasileira é a imaginação, que nós muito valorizamos. As histórias infantis induzem a contornar o impossível imaginando e a realizar assim o desejo.

“Queres ir ao céu?”, pergunta o narrador de uma delas, já respondendo: “Toma o pó de pirlimpimpim”. Pó que, nós, crianças, tomávamos para com os personagens desembarcar na Lua, ver São Jorge espetar o dragão de língua vermelha com ponta de flecha e olhos de fogo. “Queres encontrar Branca de Neve, Peter Pan, Capitão Gancho, Dom Quixote e Sancho Pança, Aladim e Xerazade reunidos? Senta no tapete voador para ver”. E nós assistíamos à chegada simultânea deles todos no Brasil.

Somos formados desde pequenos para inventar e, por isso, o futebol brasileiro é particularmente criativo, produzindo jogadores capazes de fazer o impossível acontecer, propiciar a experiência da surpresa de que necessitamos para aplacar a nostalgia da infância, época em que todo dia deparávamos com alguma novidade absoluta. O estilo do nosso jogo é o de um povo que se entrega à imaginação porque vê nela uma saída.

Interessa aqui focalizar o estilo deste povo e, para isso, nós atravessaremos o país da bola, indicando o que faz do football o futebol e dos nossos jogadores, figuras lendárias. Na travessia, o leitor enveredará pelo Brasil que faz sonhar, o Braaasilll, e ele talvez se diga que o gol bem pode nos representar.

FUTEBOL ESPERANÇA

“Na França, um vilarejo é uma torre de igreja; no Brasil, uma bomba de gasolina e um campo de futebol”, me disse um jornalista esportivo francês voltando da Transamazônica. “Os brasileiros são feitos para o jogo e este para eles”, escreveu outro, acrescentando que os cariocas, antes de serem cristãos, comunistas, brancos ou negros, eram torcedores de Vasco, Fluminense, Flamengo ou Botafogo.

Tamanha paixão que o calendário esportivo serve para tudo rememorar — até a data do casamento, como na briga de marido e mulher narrada por um radialista mineiro:

— Você só pensa em futebol. Vai ver que já nem lembra do dia do nosso casamento, diz a esposa.
— Claro que me lembro! Foi na véspera de um jogo entre o Santos e o Corinthians, jogaço, Santos 4 a 1.

Os homens brasileiros sabem de si pelo futebol, cujos fatos conhecem a ponto de descrever gols ocorridos décadas atrás, a formação da jogada, a reação do goleiro etc.

O jogo a eles importa tanto quanto a vida, como é patente no diálogo seguinte:

— Você reza?
— Às vezes.
— Às vezes como?
— Andando de avião eu rezo.
— E quando mais?
— Quando o meu time joga, o Botafogo.

O sujeito ora pela vida e pela vitória do time, que é a da identidade. Ora para conjurar o risco da ferida narcísica que o fracasso imporia. Do jogo depende o seu ser, que assim se diz no cotidiano através das expressões do futebol.

Sentindo-se querido ou cobiçado, o brasileiro garante que o outro lhe “deu bola”. Tendo enganado o opositor, vangloria-se com o verbo “driblar”. Tendo se enganado, confessa que “pisou na bola”. Se excluído de atividade ou grupo, está “fora da jogada”. Se em dificuldade, mas com intenção de vencer, vai “derrubar a barreira” e então clama “bola pra frente”. Caso, no entanto, abra mão da luta, anuncia que “tira o time de campo”. Ameaça aposentar-se “pendurando as chuteiras”, seja homem ou mulher, presidente da República ou cantora de sucesso. O ex-presidente Jânio Quadros, eleito prefeito de São Paulo, então não mandou pendurar as suas no gabinete, para assim garantir que nunca mais se candidataria? Elis Regina declarou à imprensa que teria um dia a dignidade de “pegar a chuteira e pendurar, porque aí já era”.

A língua fez o football passar a futebol, deixando-se moldar por este. Já não bastaria isso para privilegiarmos o jogo? O futebol indubitavelmente nos espelha e a sua tática serve para diferenciar as nações. Isso não escapou ao estrategista Henry Kissinger. A seleção alemã, segundo ele, joga como o estado-maior se preparava para a guerra. Jogadas meticulosamente planejadas, homens treinadíssimos para o ataque e a defesa, tendo considerado tudo o que era humanamente previsível. Já a seleção italiana procura economizar energia para a tarefa decisiva e forçar o adversário a abrir mão da tática planejada. Daí ser defensiva, além de demolidora. O Brasil se caracteriza, em contrapartida, pelos jogadores mais acrobáticos do mundo, capazes até de esquecer que o objetivo do jogo é marcar gols, convencidos de que a virtude sem alegria é uma contradição; individualistas, porém dispostos aos ajustes práticos necessários a um desempenho eficiente.

Tanto pela tática quanto pelo modo de falar do jogo, diferenciamos um país do outro. Assim, em entrevista a Marguerite Duras, Michel Platini diz que o futebol não tem nenhuma lei e não é necessariamente o mais forte que ganha. Basta o goleiro escorregar e a seleção perde. Acrescenta que não terá sido culpa daquele, pois o futebol é feito de erros. Ninguém errasse, o resultado seria 0 a 0 — jogo perfeito, mas sem nenhum gol.

A interpretação de Platini é, para nós brasileiros, absolutamente surpreendente. Jamais assimilaríamos o escorregão ao erro. Tendemos antes a pensar no azar, invocar uma força desconhecida para a explicação do fato. Para os franceses, o limite da sua ação está no desempenho. Já nós nos consideramos sujeitos a algo que nos ultrapassa, que não podemos controlar e é absolutamente determinante. Por outro lado, jamais nos ocorreria que o jogo pudesse ser perfeito sem gols. Só o seria por uma goleada excepcional e lances inacreditáveis. Em suma, pela irrealidade. O critério da excelência da partida é a sua magia.

O futebol brasileiro, diz Roberto DaMatta, não é sport — como para americanos e ingleses —, é jogo, e por isso só dizemos jogo de futebol. Além de implicar sorte, depende de malícia. Isso porque o futebol nasce como brinquedo, brincadeira de bola, e não renuncia depois ao brincar, que se associa à manha. Garrincha teria sido Alegria do Povo se não fosse manhoso como era, sem tanto driblar?

À criança europeia, o adulto ensina com Chapeuzinho Vermelho a não desobedecer e com Pinóquio a não mentir. À brasileira, ensinamos com Emília, personagem de Monteiro Lobato, a fazer de conta. Vira e mexe, a ousada boneca zomba da “gente grande”, que é “bicho bobo”,
pois desconhece “essa coisa tão simples que é o faz de conta”, permite negar a geografia e a cronologia, encontrar o herói grego Belerofonte no Sítio do Pica-Pau Amarelo e os moradores desses confins paulistas na Grécia de Péricles.

Através da boneca, Lobato faz pouco de quem “não sabe se regalar com as delícias do brincar”, incitando a criança a desconfiar do adulto e este a gozar ainda das regalias daquela, desrecalcar-se tomando e distribuindo, se preciso for, o pó de pirlimpimpim, como supostamente fazia Pelé, segundo um torcedor.

O fato é que nós muito brincamos. No cotidiano, fazendo pouco do que nos incomoda ou mesmo fazendo de conta que é outra a realidade. O ano inteiro brincando com a pelota e todo ano no Carnaval. Se para jogar não dispusermos de bola oficial, improvisaremos uma. Que se
faça uma bola com as meias disponíveis no quarteirão! Se para sambar não houver instrumento, com uma lata qualquer nos bastamos:

Já que não temos pandeiro
Para fazer a nossa batucada
Todo mundo vai batendo
Para poder formar no samba
Para entrar na batucada
Fabriquei o meu pandeiro
De lata de goiabada
Sai do meio do brinquedo
Não se meta, Dona Irene,
Porque fiz o meu pandeiro
De lata de querosene...
(JOÃO DE BARRO e ALMIRANTE, 1931)

Precisamente porque vivemos sob o imperativo do brincar, o Carnaval e o futebol são paixões nacionais. O espanhol não se concebe sem a tourada, nós, sem os dois rituais em que existimos autorizados, como na infância, a fazer de conta, realizando a fantasia universal de apesar da idade poder brincar, beber assim na fonte de Juventa. Subversão de valores através de uma contracultura de massa, a cultura do faz de conta e do driblar.

Jogar futebol no Brasil é, portanto, natural. Se o menino inglês, italiano ou francês chega ao clube para aprender, o nosso já chega fazendo tudo com a bola e dizendo que, tirante o goleiro, ele brinca nas dez posições. O treinador não ensina o primeiro chute, seleciona entre moleques capazes de amortecer a bola em plena corrida, driblar e chutar com os dois pés.

Ganhando a Copa ou não, somos campeões na paixão pelo jogo, que nos dá a certeza de sermos quem imaginávamos e confirma assim a identidade. Mais ainda: ele oferece a realidade igualitária com que sonhamos. O futebol, no Brasil, não é exclusividade de ninguém. Quem não joga no clube joga na várzea ou na praia. Qualquer um pode, desde que no time haja vaga e o candidato tenha a palavra certa para entrar. O que vigora é a regra, a civilidade.

A todos, pois, é dado brincar e mesmo tentar a sorte na vida pelo jogo, onde só o desempenho conta. “Ninguém pode ser promovido a astro do futebol pela família, pelo compadre ou por decreto presidencial.”

Ascensão e queda só dependem da competência, e não das relações pessoais, como normalmente ocorre na sociedade brasileira, na qual “quem é bom já nasce feito”, rico e destinado a ser doutor.

O sucesso no jogo sendo sinônimo de talento, o futebol significa, para os deserdados, uma promessa de renascimento. O jogador, como o sambista, não se faz pelo berço e faz pouco do bacharelado. O grande compositor Lamartine Babo que o diga:

Para fazer meu samba
Não tirei diploma
(LAMARTINE BABO, 1931)

O fato é que, entre nós, futebol é democracia. Todos iguais perante ele, ainda que desiguais perante as leis.

Regras universais inalteráveis no jogo, leis sujeitas a casuísmo na política. Razão demais para se privilegiar o futebol, experiência de legitimidade e acatamento das leis.

Isso explica o ocorrido na Copa de 1970. A palavra de ordem da oposição à ditadura militar era, então, de que se torcesse contra a Seleção Brasileira. Qual nada! A consciência crítica não resistiu ao nosso primeiro ataque bem-sucedido. A cada vitória dos “canarinhos” era um Carnaval espontâneo nas ruas das grandes cidades, e, no dia do tricampeonato, o país inteiro se entregou à folia, apossou-se das praças e das ruas, celebrando freneticamente o título.

Braaasilll! gritava a multidão entre as escolas de samba, os blocos e as bandinhas mais eufóricas. O país da bola raiou e pôde a pátria ser amada, o dramaturgo Nelson Rodrigues declarar oportunamente que já não era preciso ter vergonha de ser patriota.

Do Braaasilll pudemos nos orgulhar. Deu as copas, fazendo jus à palavra democracia. No seu espaço vigorava a lei e também a sanção. Já isso bastaria para que o país da bola servisse de exemplo ao outro.

Nós, brasileiros, mais nos fazemos através do Braaasilll, e é por isso que na Copa do Mundo nos vestimos de verde e amarelo, nos apropriamos da bandeira para agitar no estádio ou no corso e assim, torcendo, nos certificamos da unidade nacional. Nossa identidade não se molda através do Estado, da Igreja ou da Universidade. Os nossos heróis são os jogadores e os carnavalescos, os homens que desafiam em campo a própria lei da gravidade e os que vemos sambar numa corola iluminada de penas e de plumas, nos carros alegóricos da Avenida. São humanos como eu ou serão divinas estas aparições da Maravilha?, perguntamo-nos extasiados, querendo neles todos nos espelhar.

Sou quem?, indaga o nosso guri, sabendo-se do povo de Pelé, já dependendo do futebol para amar a si mesmo, comemorar nas ruas a sua existência ou se recolher arrasado pela derrota. Quem se esquece do silêncio que na Copa de 1986 tomou o país, se alastrou como a peste, esvaziando as ruas da cidade? O jogo contra a França perdido por um pênalti! Teria mesmo sido possível?, indagávamos sem falar, pois que brasileiramente não fazíamos alarde da tristeza.

Trancafiados em casa e em nós mesmos, esperávamos só do tempo a cura daquela ferida narcísica. O “canarinho” já não retornaria glorioso, o Braaasilll havia soçobrado como o Titanic.

Adeus, vitória!

De luto estávamos porque, no Brasil, o futebol nos leva ao céu, mas também pode se converter numa tragédia.

Assim foi em 1950.

Sobre a autora:
Betty Milan é paulista. Autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. Suas obras também foram publicadas na França, Argentina e China. Colaborou nos principais jornais brasileiros e foi colunista da Folha de S. Paulo e da Veja. Trabalhou para o Parlamento Internacional dos Escritores, sediado em Estrasburgo, na França. Em março de 1998, foi convidada de honra do Salão do Livro de Paris, cujo tema era o Brasil. Antes de se tornar escritora, formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo e especializou-se em psicanálise na França com Jacques Lacan.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Palmeiras - 100 anos de Academia

2014, ano do centenário de mais um grande clube brasileiro. Desta vez, o Palmeiras, ou Palestra, para os saudosos. E o “livro oficial” do clube é assinado por um “time” de craques do jornalismo. O multimídia Mauro Beting, palestrino de corpo e alma, coordenou a equipe formada por Fabio Chiorino, Marcelo Mendez, Leandro Beguoci e Gino Bardelli.

Palmeiras – 100 anos de Academia”, da Editora Magma Cultural, é livro mais do que importante para a literatura esportiva brasileira. É obrigatório, para torcedores, jornalistas e amantes da boa leitura.

Apresentação

Amor de Palmeiras para filhos
Por Mauro Beting

Quem me fez palmeirense foi bater uma bolinha divina com Waldemar Fiúme, Junqueira, Julinho, Jair Rosa Pinto, Heitor e companhia ilimitada na semana da mudança de A para B de um clube fora de série. Foi ali, na UTI, do baixo dos meus 46 anos, que aprendi que nada é para sempre.

Ou melhor: eterno é o amor incondicional que temos pelos pais que me fizeram Palmeiras, logo gente. Tutti buona gente que se ama e se desentende pelo nostro Palestra Italia centenário, pelo Palmeiras que, há 72 anos, nasceu campeão.

Meu pai, que me deu tudo junto com minha mãe, deixou-nos pouco depois de o nosso time ter caído. Mas não rebaixado. Nunca falei com ele a respeito da queda. Só sei que todos os palmeirenses vivos ou eternos celebraram o novo acesso. Algumas vezes, de raiva – que faz parte. Tantas vezes, acessos de riso, alegria, paixão. De Palmeiras – que faz festa.

Minha vida é você, Verdão – que veio, que venceu, que na veia se guarda, que de velho nos faz mais jovens a cada tempo de jogo, a cada etapa de vida.

Não estaria aqui se não fosse Palmeiras. Não seríamos todos nós se fossemos outra coisa, outro credo, outras cores.

Não precisa ser o time que mais venceu títulos nacionais no país que mais venceu títulos mundiais. Não precisa. Preciso é o Palmeiras. Não somos mais. Não somos menos. Somos Palmeiras. Basta!

Um livro de 100 anos de histórias e glórias não conta tudo. Nada precisa ser decantado para quem não fica contando quantos canecos incontáveis na galeria de troféus, quantas cabeças passaram pelas catracas dos campos, quantos corações pulsaram pelo Alviverde inteiro.

O Palmeiras é o amor de pai para filho. Passa para os netos com a categoria de Romeu. Repassa para bisnetos que nem nasceram com a classe dos dois Djalmas de todos os Dias. Amores que nascem incondicionais como nosso time. Crianças verdes de esperança que já são palmeirenses impagáveis da linhagem dos Imparatos. DNA verde. Herança genética e estética: na nossa casa, pode tudo porque só pode Palmeiras.

Clube de colônia que não renega raiz e planta Palmeiras pelo Brasil. Era bianco, verde e rosso como a Itália do Palestra. É verde, branco, pardo, negro, amarelo, vermelho, cafuzo, confusa aquarela do Brasil que ele abraçou. Do país que foi Palmeiras em 1951. Do Palmeiras que foi Brasil em 1965. Do meu time que é de todos nós. Do nosso time que é todo seu, centenário palestrino. Eterno palmeirense.

O que ganhamos nos gramados é o que vencemos na vida por ter como marca de nascença um P no peito. Tanto quanto um passe de Ademir da Guia, o que nos ganha é um toque do nosso hino imponente. Tanto quanto seguir o que ensina o Pai da Bola Waldemar Fiúme é ser filho da mesma fé que nos faz acreditar e cornetar na mesma frase, na mesma fase. Tanto quanto um carrinho de Junqueira é o carinho do toque da nossa camisa em nossa pele. Tanto quanto uma espalmada do anjo guardião Marcos são as mãos dadas com nosso filho na arquibancada do Palestra. Tanto quanto uma penalidade máxima guardada por Evair é a alma molhada e lavada na alegria máxima de um 12 de junho dos Namorados. Tanto quanto um drible de Julinho é a finta e a ginga para ouvir pelo rádio o que nossos olhos não creem pela TV. Tanto quanto perder a respiração e ganhar um jogo num lance de Luís Pereira é ler o minuto a minuto de uma partida pela Internet e a cada segundo se saber mais torcedor.  Tanto quanto honrar e encharcar a camisa como Djalma Santos é chegar e encher a nossa casa de espetáculos que não tem cabimento para tanta paixão.

Stadium Palestra Itália dos devotos de São Marcos, dos filhos do Divino Ademir que nos dá Guia. Ponto de encontro de almas e desencontros de opiniões de periquitos e porcos. Festa no chiqueiro de Perdizes, no poleiro da Água Branca. No Parque Antarctica da Turiaçu. No Jardim Suspenso do Allianz Parque. Na nossa casa. Onde todos berram e todos têm alguma razão. E toda a emoção sem noção na nação palmeirense de Felipão, Luxemburgo, Filpo e Brandão. Da TUP que nasceu em 1969 e canta por Leivinha, e da Mancha Verde que surgiu em 1983 e vibra por Rivaldo. Do palmeirense que faz parte de uma sociedade que não precisa de carteirinha para ser fã.  Do sócio que só precisa do SEP no endereço. No berço.

Gritar gol do Palmeiras só é menos importante que apenas sussurrar "Palmeiras" no ouvido da mulher amada de olhos e corações verdes. De ensinar Palmeiras aos filhos que sorriem e se saciam só de ouvir a palavra. Mantra que cobre como manto o lindo estádio de espírito que é sempre nosso pelo nosso canto – que faz de todo gramado verde o nosso cantinho alviverde, o campinho de casa.

Filhos de periquitos que são porquinhos que cresceram ouvindo proezas que podem ver pela tecnologia que perpetua 100 anos de aulas das Academias. Milagres de Marcos, divindades de Dudu e da Guia, chapéus de Alex, canetas de Edmundo, louros de Césares Sampaio e Maluco, loucos pazzi de tantos Palmeiras.

As novas técnicas podem conservar tudo que se fez. Mas nada inventado desde 26 de agosto de 1914 encerra tudo que abre a nossa alma com tamanha técnica catedrática em campo, com grandes técnicos no banco com crédito. Tudo e muito mais que aqui tentamos lembrar. Tudo que nosso clube fez. Tudo que nossa gente faz. Tudo que a escola do Palmeiras que nos acolhe apresenta. A Academia que o mundo aprendeu a respeitar. Palestra que nos ensina a amar. Sem condição. Só com Palmeiras.

Resumo da obra
Por Mauro Beting

São 350 páginas de textos e fotos do Palmeiras no único livro oficial da história palestrina-palmeirense. Oficial, mas não chapa branca. Apenas Alviverde. Fui convidado pela direção do clube e pela editora Magma para escrever o livro em outubro de 2013. Chamei um time de palmeirense para ajudar na reportagem, redação e produção: Fabio Chiorino, Marcelo Mendez, Leandro Beguoci e Gino Bardelli.

Juntos escrevemos. No final, canetei e assinei todo o texto. Imenso desafio por já ter escrito outros livros do Palmeiras: O dia em que me tornei palmeirense (Panda, 2007); Os 10 Mais do Palmeiras (Maquinária Editora, 2009); Memórias Futebolísticas de Mauro Beting – Palmeiras: Futebol é com a Rádio Bandeirantes (Panda Books, 2012); Os 20 Jogos Eternos do Palmeiras (Maquinária Editora, 2013); Nunca fui santo – O livro oficial de Marcos (Universo dos Livros, 2012, em parceria com Marcos Reis) e Sociedade Esportiva Palmeiras: 1993. O fim do jejum, o início da lenda (BB Editora, 2013, em parceria com Fernando Galuppo e Evair Aparecido Paulino).

Escrever algo diferente é outro enorme desafio. Por isso chamei mais gente para me ajudar, até por estar, ao mesmo tempo, fora o trabalho normal no Fox Sports, Rádio Bandeirantes, LANCE!, LANCENET! E Sporting Quiz, e mais palestras e apresentação de eventos, também estar entrevistando Luiz Thunderbird para uma autobiografia, estar preparando uma biografia do Osmar Santos, estar começando a escrever a de Zico, finalizar meu primeiro documentário – 12 de junho de 1993: O dia da paixão palmeirense, estar dirigindo uma série de cinco programas dos 100 anos da Seleção Brasileira para National Geographic e Fox Sports, e ainda ter assumido a curadoria do Museu da CBF e de uma exposição no Museu do Pelé. Tudo isso ao mesmo tempo. Meus companheiros me ajudaram demais. Mas tive de tentar dar uma identidade nos textos para o livro que, de fato, tem apenas a minha assinatura.

Honra maior que não esperava ainda ter depois de ter escrito as autobiografias de Marcos e Evair.

Honra de ser um dos cinco embaixadores do centenário, ao lado de Ademir da Guia, Dudu, Evair e Marcos.

E, agora, o privilégio de assinar o livro oficial de texto do centenário. O único.

Haverá outro de fotos, muito bonito, da Toriba.

Outro muito bom do Luciano Ubiraraja Nasser, mais temático, um grande almanaque.

E esse que conta a nossa história. Sobretudo a do futebol palestrino. Como é um livro oficial, não entro nas questões políticas mais profundamente. Em respeito aos próprios personagens. E, principalmente, ao clube. Todos os presidentes são citados. Os principais feitos também. Os problemas também são apresentados, dentro e fora de campo. Mas com o máximo possível de isenção e com a independência dada pela direção do clube.

Não me foi pedida uma linha de texto. Não foi cortada uma letra.

E, claro, ainda haverá polêmica. É do futebol. É do Palmeiras.

Falo também de acertos e erros de arbitragem. Mas sem vestir a camisa.

Até por não precisar ser palmeirense para tanto. O Palmeiras fala por ele próprio. Se fez por elas próprias.

Faz a nossa vida melhor há 100 anos.

Por isso a enorme honra de assinar um trabalho para mim eterno como o Palmeiras.

Sobre os autores:
Mauro Beting. Neto, filho, sobrinho, primo, e irmão de jornalistas, está na imprensa por esporte desde 1990. Fez curso de arbitragem para aprender a ser xingado, fez curso de treinador para aprender a ser chamado de burro, e tenta não ser clubista, bairrista e achista no meio mais passional, parcial e subjetivo que existe. Comenta futebol nos Canais Fox Sports, Rádio Bandeirantes, Yahoo!-Esporte Interativo e no PES 2015; apresenta futebol no Fox Sports; escreve futebol duas vezes por semana no LANCE!. Escreveu 14 livros. Dirige e roteiriza documentários futebolísticos para TV e cinema. Curador do Museu da CBF. Vale acessar também: http://www.literaturanaarquibancada.com/2011/10/o-multimidia-mauro-beting.html

Fabio Chiorino formou-se em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu e começou a trabalhar em jornais e revistas de bairro. Atuou durante três anos como redator da Agência Folha, antes de partir para a comunicação corporativa. Em 2006, entrou para a equipe da agência XComunicação e no mesmo ano concluiu a pós-graduação em Comunicação com o Mercado pela Escola Superior de Propaganda & Marketing. Em 2009, ministrou a disciplina “Relacionamento com a Imprensa” para turmas de pós-graduação lato sensu da Universidade Cruzeiro do Sul. É co-autor de dois livros: “Haja Saco – O Blog” e “Esporte Fino – O Esporte Além dos Resultados”.

Marcelo Mendez é uma espécie de Hunter Thompson de Puma suede a vagar de óculos escuros pelo ABC paulista. Jornalista, roqueiro, cronista do jornal ABCD Maior, Terra Magazine e outros blues.

Leandro Beguoci é editor-chefe da F451 (empresa que publica o Gizmodo e a Trivela). É ainda professor da pós-graduação em comunicação multimídia da FAAP, professor da Escola São Paulo, colunista da revista VIP, editor da revista digital Oene e membro da OrbitaLAB (um laboratório de inovação em jornalismo e comunicação). Trabalhou na Folha de S.Paulo, Veja e criou o departamento de internet do grupo FOX no Brasil.

Gino Bardelli trabalha na Rádio Sul América Trânsito. Trabalhou na Rádio Estadão ESPN. É formado pela UMESP – Universidade Metodista de São Paulo.


sexta-feira, 25 de abril de 2014

A Grande História dos Mundiais

Muito mais do que uma “coleção”. Uma obra monumental sobre as Copas do Mundo de Futebol. “A Grande História dos Mundiais”, de Max Gehringer tem o tamanho da dedicação, pesquisa e elaboração para que tudo isso chegasse a nós, leitores. Um trabalho de “formiga”, mais de 20 anos juntando pequenos e grandes detalhes. Sete volumes históricos sobre as Copas do Mundo, o maior evento esportivo do planeta. Tanta informação assim merece a justificativa do próprio autor. E a resposta de Max Gehringer explica tudo: “Nenhuma outra competição esportiva se compara à Copa do Mundo. Nenhuma gera tantas histórias, lendas ou infindáveis discussões que vão continuar a ser repetidas e repisadas por décadas a fio.”

Uma obra com essa dimensão não caberia toda em papel e por essa razão só poderia ser publicada no formato e-book. Como nem todos ainda estão acostumados a esse novo formato de leitura, vale acessar informações no site da editora: http://blog.e-galaxia.com.br/todas-as-copas-do-mundo/ .

Sinopse (da editora):

"A Grande História dos Mundiais" se destaca entre a bibliografia sobre as Copas do Mundo não só pela extensa pesquisa, de mais de 20 anos, nas mais variadas fontes, dentro e fora do Brasil, mas por seu autor: o já consagrado Max Gehringer.

A proposta desta série de livros, que cobre todas as Copas, é trazer a história completa dos jogos, as fichas técnicas comentadas em detalhes, minibiografias das equipes vencedoras, os festejos dos campeões; e ainda nos levar por uma viagem deliciosa pelos pôsteres, mascotes e transmissões das partidas. 

A seção “Enquanto isso, no Brasil...” relata a preparação da seleção brasileira, lembrando desentendimentos, polêmicas e confusões. Fatos curiosos sobre o Brasil no ano de cada Copa situam o leitor no tempo.

Nada é deixado de fora em "A Grande História dos Mundiais". 

Combinando rigor de pesquisa com o já conhecido estilo agradável e bem-humorado do autor, você vai conhecer novos fatos e relembrar outros tantos sobre o mais popular evento esportivo do planeta: a Copa do Mundo de futebol, essa competição em que um único erro individual põe tudo a perder por quatro anos. 

Este e-book é para fanáticos por futebol, como o autor, mas também para curiosos, que poderão conhecer a história do século XX de uma perspectiva inesperada. 

"A Grande História dos Mundiais" é um gol de placa de Max Gehringer. 



Antes que a bola comece a rolar...
Por Max Gehringer

Nenhuma outra competição esportiva se compara à Copa do Mundo. Nenhuma gera tantas histórias, lendas ou infindáveis discussões que vão continuar a ser repetidas e repisadas por décadas a fio. Tal fascínio pode ser explicado por dois motivos.

O primeiro é a periodicidade. Disputadas a cada quatro anos, as Copas possuem um reduzidíssimo número de vencedores. Se houvesse uma Copa por ano, como ocorre com os campeonatos nacionais e estaduais, teríamos quase uma centena de campeões mundiais desde 1930 e ninguém conseguiria mais se lembrar quem venceu quando. Assim como as Copas, os Jogos Olímpicos também são quatrienais, mas as conquistas que entram para a história são principalmente as individuais, e a atenção se concentra no número de medalhas, não importa de que esporte elas venham.

O segundo motivo é o sistema de disputa, por eliminação direta, ou mata-mata. Pode não ser o critério mais justo para se definir um campeão, mas é incomparavelmente o mais emocionante. Das oitavas de final em diante, cada partida é uma decisão, e em todas elas a glória e o drama convivem durante 90 minutos. E surpresas não são tão raras. No futebol, ao contrário do que acontece em qualquer outro esporte coletivo, uma equipe mais fraca pode vencer outra que lhe seja muito superior tecnicamente, o que acontece pelo menos uma vez em cada Copa. Além disso, há o fator humano – um simples erro de um jogador, que resulte na eliminação de seu país, nunca mais poderá ser consertado.

Foram esses dois motivos que me levaram a pesquisar a história das Copas. Mas, além deles, interessei-me também em tentar descobrir fatos pouco conhecidos e curiosos, como, por exemplo, a incrível aventura da delegação do México para chegar ao Uruguai em 1930. Comecei a garimpar dados ainda na era pré-internet, sempre usando como referência jornais da época, que registraram os fatos no momento em que eles aconteceram.

Fui duas vezes à biblioteca pública de Montevidéu para levantar informações sobre 1930 e 1950, e na Suíça tive acesso ao arquivo do jornal Sport, preciso nos fatos e neutro nas opiniões. Tive apenas a decepção de descobrir, em Zurique, que a FIFA não mantinha em seus arquivos nem as súmulas dos jogos da Copa, nem os relatórios dos árbitros, documentos vitais que ficam em poder das federações dos países-sede dos torneios. O atual site da FIFA, portanto, é uma das fontes possíveis de serem consultadas, mas não é a palavra final, por ter sido construído a partir de outras fontes.

Já em tempos de internet, muitas hemerotecas digitalizadas se tornaram públicas nos últimos anos, principalmente da Europa, o que me permitiu revisar meus textos e agregar a eles mais uma infinidade de fatos relatados no calor do momento. Tive também a preocupação de procurar em jornais antigos, dentro e fora do Brasil, referências a histórias repetidas através dos anos e aceitas como verdadeiras, como é o “gol descalço” de Leônidas em 1938. Com certa decepção, constatei que muitas dessas saborosas histórias foram, simplesmente, invenções de jornalistas brasileiros interessados em turbinar a venda de seus periódicos. Aprendi muito, também, nas reuniões do Memofut, um grupo cujo objetivo é preservar a memória do futebol e que se reúne mensalmente no auditório do Estádio do Pacaembu. Lá descobri que, por mais que um apresentador saiba sobre um assunto, tem sempre alguém na plateia que sabe alguma coisinha a mais.

Em 2006, publiquei pela primeira vez meus textos na revista Placar (A Epopeia da Jules Rimet, em nove fascículos que cobriam as Copas de 1930 a 1970). Fiquei orgulhoso por esse trabalho ter merecido uma coluna no prestigioso site da BBC de Londres, embora não pelo motivo que eu gostaria – o irado repórter me desancou por eu ter afirmado que a Inglaterra venceu a Copa de 1966 com um gol inexistente e outro irregular na prorrogação, além de outras benevolências da arbitragem no decorrer da competição.

Em 2010, publiquei o Almanaque dos Mundiais pela Editora Globo, mas com somente 20% do material que dispunha. Meu camarada Celso Unzelte ficou encarregado de tesourar a obra para que ela coubesse em um livro impresso, um trabalho que declinei de fazer, já que autores se recusam até a suprimir uma vírgula dos textos que escrevem, quanto mais páginas inteiras deles.

Eu já havia me convencido de que meu material integral jamais viria a público, dada a impossibilidade de encaixá-lo em livros analógicos (no total, são perto de 4 mil páginas), quando surgiu o milagre do e-book – no qual, ao contrário do que ocorre em outros departamentos, tamanho não é documento. Assim, com o apoio da e-galáxia, pude finalmente trazer a público mais de vinte anos de pesquisas, com todos os pontos e vírgulas intactos.

Antes de passarmos ao que interessa, uma breve explicação quanto ao formato. Cada Copa está dividida em quatro blocos. No primeiro, é mostrado como o país-sede ganhou o direito de promover a fase final e alguns detalhes específicos relacionados a ela (o pôster, a música oficial, as mascotes, os estádios e suas capacidades, as transmissões por rádio e televisão, os investimentos etc.).

No segundo bloco, é contada em detalhes a história das Eliminatórias. Fui fundo nessa parte (normalmente citada somente de passagem), porque, a partir da década de 1960, quando a quantidade de países inscritos passou a ser muito maior que o número de vagas oferecidas, as Eliminatórias assumiram um papel de “pequena Copa” para a maioria das nações do mundo, aquelas cujas chances de classificação são remotas ou nulas, e cuja glória muitas vezes consiste em conseguir uma única vitória nas partidas eliminatórias. Ou mesmo um único lance, como no caso do gol-relâmpago de San Marino contra a Inglaterra em 1993.

No terceiro bloco (“Enquanto isso no Brasil”), está o relato da preparação da seleção brasileira, não raramente cercada por desentendimentos, polêmicas e confusões. Esse bloco se inicia com uma lista de dados, fatos e curiosidades sobre o Brasil no ano da Copa, para que o leitor possa se situar melhor no tempo e, dependendo da idade, relembrar coisas de sua infância.

O quarto bloco é o que se convencionou chamar de “a Copa” – a fase final do torneio. A separação é feita por grupos, com a sequência cronológica de jogos em cada um deles. Na abertura, há um quadro mostrando o retrospecto dos países que compõem cada grupo. No exemplo a seguir, referente ao Grupo 2 da Copa de 1974, a primeira coluna mostra que o Brasil já havia disputado nove Copas, a Iugoslávia cinco, a Escócia duas e o Zaire nenhuma. Nas colunas seguintes, vê-se que o Brasil disputara 38 jogos nos nove torneios anteriores, com 26 vitórias, cinco empates e sete derrotas, marcando 103 gols (GF) e sofrendo 49 (GC).

Grupo 2               Copas   Jogos    Vit.        Emp.     Derr.     GF          GC
Brasil                  9            38          26          5           7            103         49
Iugoslávia           5            19          9            3           7            33           27
Escócia 2            5             0            1            4           4            14
Zaire                   0

A seguir, são mostradas as fichas técnicas de todos os jogos, com comentários sobre cada um deles (mais longos nos casos dos jogos do Brasil). Na primeira faixa da ficha há três números, como se vê no exemplo abaixo. O maior, no canto direito, indica a ordem cronológica da partida desde a primeira Copa, em 1930. Brasil e Zaire disputavam então a partida de número 250 da história. Os números menores, após os nomes dos países, mostram que aquela era a 41ª partida do Brasil e a 3ª do Zaire.

Brasil 41                     3                             Zaire 3                   0                          250

Na parte final do quarto bloco, são apresentadas minibiografias do artilheiro, do juiz da final e dos jogadores da equipe campeã, além das repercussões da Copa no Brasil, com as costumeiras lamentações e acusações nas derrotas e os grandes festejos nas vitórias.

Estes e-books encerram o assunto? Nem de longe. É provável que existam alguns enganos (sempre existem, para desespero dos autores) e há informações que poderão ser acrescentadas, mas que só irei descobrir quando novas hemerotecas internacionais forem disponibilizadas pela Internet. A história das Copas jamais terá fim, e este é só o começo.

Já que você foi condescendente e leu até aqui, aguente, por gentileza, este derradeiro parágrafo. Muita gente me pergunta por que resolvi escrever sobre futebol, posto que me tornei mais ou menos conhecido por discorrer na mídia sobre carreiras e empregos. A resposta é simples. Eu comecei a me interessar pelo futebol em geral – e pelas Copas em particular – pelo menos dez anos antes de pensar em ingressar no mercado de trabalho. E não creio estar cometendo nenhuma heresia ao confessar que discuto futebol com muito mais paixão do que discuto currículos. Espero que os fanáticos por Copas como eu possam apreciar a leitura com a mesma satisfação que me dediquei às pesquisas e à redação.

Boa leitura!

Sobre o autor:
Max Gehringer é formado em Administração e pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Apesar da carreira bem-sucedida como executivo de grandes empresas (Pepsi-Cola, Pullman/Santista Alimentos, Elma Chips, Frito Lay, nos Estados Unidos), Max abriu mão do poder e decidiu dividir sua experiência ministrando palestras pelo Brasil.