quinta-feira, 20 de março de 2014

Joel Rufino: História Política do Futebol Brasileiro



Um dos maiores historiadores do país, Joel Rufino dos Santos, deu à literatura esportiva um dos livros mais importantes, fundamental para aqueles que querem conhecer as raízes do nosso futebol, especialmente pesquisadores, jornalistas e estudiosos do tema.
História Política do Futebol Brasileiro” (Editora Brasiliense, 1981) é, portanto, leitura obrigatória. O autor mostra logo no prefácio que é apaixonado pelo tema futebol, não apenas pelas histórias geradas, mas também pelo folclore e lendas geradas por ele: “Este livro é dedicado a Mão de Vaca, único goleiro vesgo da História do Brasil, que, no falecido campo do Tomás Coelho F.C., se especializou em defender pênaltis em tardes de domingo. E a Paulo César Lima, que conhece o poder da bola”.

Literatura na Arquibancada destaca abaixo dois trechos da obra. Primeiro a introdução. E logo a seguir, um dos capítulos batizado por “Juventude” (referente ao período que o futebol atravessou em sua história). Tanto na introdução como neste capítulo, Joel Rufino dos Santos destaca a importância de um dos craques do futebol brasileiro no contexto da “história política” do futebol brasileiro, tema da obra. Trata-se de Fausto, apelidado de “A Maravilha Negra”, que morreu precocemente, aos 34 anos, no ano de 1939. Portanto, em 28 de março de 2014, são 75 anos de sua morte.

Introdução
Por Joel Rufino dos Santos

Dori Kruschner
Certa manhã de fevereiro de 1937, desembarcou, todo lampeiro, na Praça Mauá, Rio de Janeiro, o técnico húngaro Dori Kruschner. Vinha precedido, naturalmente, do enorme prestígio que sempre cerca, no Brasil, os técnicos de qualquer coisa. (Alguns anos antes, por exemplo, um geólogo americano, Mr. Oppenheim, levantara tremenda polêmica no país, ao afirmar, categoricamente, que não tínhamos petróleo.) Dia seguinte já estava exibindo na Gávea, o boné quadriculado, o apito na boca, as pernas de leite.

Nossos times arrumavam-se em campo ainda como no tempo de Charles Miller: goleiro – dois zagueiros – três médios – cinco atacantes. Kruschener vinha trazer uma outra arrumação, considerada superior, o WM: goleiro – três zagueiros – dois médios – dois meias – três atacantes. Trazia, além disso, o individual, ginástica puxada, sem bola. E a medicine-ball. O Feiticeiro de Viena, embora ele fosse de Budapeste, ia atualizar o nosso futebol.

Naquele primeiro treino, ele escalou um negrão alto e magro de zagueiro, para jogar entre os outros dois. Sua função principal era marcar o centroavante adversário. O negrão torceu o nariz mas não disse nada. Quinze minutos de treino, tinha-se mandado dezenas de vezes ao ataque, como sempre fizeram os centro-médios brasileiros. O húngaro parava o ensaio, o negrão se mandava de novo. O cartola José Padilha se invocou. Enquanto fosse o presidente do Flamengo aquele moleque não vestiria mais a camisa rubro-negra! O jogador levou a questão à Primeira Vara Cível, pedindo passe livre. Perdeu.

Meses a fio, comparecia ao escritório do cartola. Não era recebido. Os amigos pediram por ele: afinal, se tratava da melhor bola do país. “Só se pedir penico. E publicamente”, respondia o dirigente. Um dia, os jornais apareceram com uma estranha carta: “rogando ao muito digno técnico de futebol do Flamengo a grande gentileza de desfazer, perante o Sr. Padilha, o mal-entendido”...E cocoreco, cocoreco, bico de pato. A maior humilhação a que um jogador de futebol já foi submetido neste país. Arriava as calças.

Quando saiu a convocação para a seleção da Copa do Mundo de 1938, ele estava tuberculoso. Ninguém falou na carta, nem da doença. Muito menos na relação entre as duas. No primeiro individual de 1939, o crioulo teve uma hemoptise.

– Você tem de se internar – diziam os amigos.

– Ainda não – ele respondia. – Quero mostrar que sou mais eu. E gringo nenhum, de fala difícil, é melhor do que o papai.

– O futebol evoluiu – insistiam. – A nova lei do impedimento acabou com o centro-médio.

Ele, que sempre tinha respostas prontas, baixava a cabeça.

Manhã de 28 de março de 1939. Um sanatório perdido nos cafundós de Minas. A irmã bate na sala do diretor para avisar que o 301 morreu. O diretor assume um ar de critério e pergunta:

– Sabe quem era aquele crioulo?

– ...

– Era...Era a Maravilha Negra.

É difícil encontrar um brasileiro que não tenha a sua história de futebol. Meu pai, por exemplo, contava que viu Lelé arrancar as balizas do velho campo do Madureira com um petardo da zona do agrião. Eu prefiro esta, de Fausto dos Santos, a Maravilha Negra, embora seja uma história triste. É que nela está o retrato de corpo inteiro do nosso futebol: a arte popular em luta contra os sistemas de jogo importados.

Quando a Maravilha Negra morreu, 1939, o futebol atingia, no Brasil, a sua idade adulta. Estava definitivamente popularizado e profissionalizado. Durante os vinte anos seguintes viveu, então, o seu apogeu, para declinar – talvez – em seguida. (“Talvez” porque ninguém, exceto as ciganas, pode adiantar o futuro.)

Assim, na primeira parte deste livro, vou mostrar como e por que o brasileiro começou a jogar futebol – entre 1894 e 1920.

Na segunda, mostrarei como e por que o futebol se popularizou, virando uma profissão – mais ou menos entre 1920 e 1940 – passando por uma transição que sacrificou a muitos, e, em especial, a este gigante que foi Fausto.

Na terceira parte retratarei o apogeu do nosso futebol – de 1940 a 1960. E, finalmente, na última seção do livro, buscarei, junto com o leitor, as razões da crise atual.

Como nas melhores novelas policiais é esta uma história de sangue, amor e subversão numa trama diabólica.


Juventude

Um pretinho do Maranhão foi o pai dos centros-médios brasileiros

“Fausto trabalha como um escravo. É possível que todos os center-halves brasileiros trabalhem como escravos? Será por isso que todos eles são negros?” Será por isso que todos eles são negros?” Isto está escrito, no El Diluvio, um jornal de Madri, no ano de 1931.
Quem foi o maior craque do Brasil?

Cada qual tem a sua resposta. O mais seguro, porém, é responder à mineira: depende. 

Cada época teve o seu maior, aquele que desequilibrava jogo. Na época do amadorismo, foi Fried, disparado. 

Na fase de transição do amadorismo para o regime profissional – adotado em todo o país no ano de 1933 – foi um preto maranhense que deslumbrou o Brasil, a Europa e o Rio da Prata. 

Fausto dos Santos, a Maravilha Negra. 

Fausto, com a camisa do Barcelona
Sabemos muito pouco da sua infância: nasceu no interior do Maranhão, numa família paupérrima, no ano de 1905. O futebol mal tinha se firmado no Rio e em São Paulo e o pretinho alto e bem equilibrado já chutava uma bola de bexiga numa fazenda de Codó. Em 1926, jogava nos amadores do Bangu, time de fábrica da Capital Federal, já impressionando pelas qualidades que desenvolveu depois: o controle da bola, a visão de jogo, a elegância e a garra com que disputava uma partida, do começo ao fim. Em 1927, transferiu-se para o Vasco da Gama, primeiro time brasileiro a aceitar crioulos no seu plantel. Iniciava, sem saber, a sua via crucis.

Por que via crucis? Fausto sempre jogou futebol com raiva. Ia na bola como num prato de comida. Jogava sério e encarava o futebol como meio de escapar à pobreza, ganhar dinheiro para poder desfrutar a vida em gafieiras e rendez-vous, muita cachaça e violão. Os críticos chamavam-no de tudo – mercenário, acomplexado, exibido – as mesmas acusações que fizeram depois, em outras épocas, a Zizinho, a Jair, a Didi, e, hoje em dia, a Paulo César.

Só não o chamavam de ingênuo. Fausto nunca confiou em cartolas. Nem teve ilusões sobre a discriminação racial, que no seu tempo já era ostensiva. Não alisava o cabelo. Não frequentava a alta sociedade, embora por curto tempo andasse com o bolso recheado e o retrato diariamente nos jornais. Quando tentavam feri-lo dava o troco na hora, ganhando a fama de rebelde, mas também o respeito dos que jogavam com ele.

Fausto gozou da máxima popularidade permitida a um artista, antes do advento do rádio. Até mesmo Fried, que fora longe demais, ficou em segundo plano, pois Fausto se exibiu para plateias muito maiores, no Brasil e exterior. A diferença maior entre os dois estava, porém, naquilo que ambos pensavam de si próprios. Fried encarava o futebol como status, Fausto como profissão. Ele foi, com efeito, o primeiro proletário consciente do nosso futebol.

Das conversas com sua mãe, e com os amigos – o incrível Jaguaré da Saúde, Tinoco, Russinho –, das muitas entrevistas que dava, sempre de cara amarrada, se deduz que todo seu esforço era para viver do futebol – não se promover através dele, mas viver dele. Tal esforço, numa fase carregada ainda de preconceito contra o jogador profissional, sobretudo o de origem pobre, consumiu-o.

A carga era, de fato, pesada. De amador – e nunca lhe pagaram a metade do que valia – queria passar a profissional; da várzea, queria passar a estrela internacional – e todos os seus contratos no exterior foram rescindidos dramaticamente, no Uruguai, na Espanha, na Suíça; de “carregador de piano”, no modesto Bangu, quis passar a primeira estrela do Vasco e do Flamengo – e a cartolagem, certa feita, chegou a impedi-lo de jogar, acionando, para consumar a arbitrariedade, até mesmo o Departamento de Censura Federal.

O conflito com Kruschner, técnico húngaro de enorme prestígio nos anos 30, que o empurrou para a humilhação e o sacrifício, ficou como exemplo do massacre a que estão sujeitos os que não se submetem – mas são fracos, e isolados, para resistir. Formalmente, o técnico estrangeiro tinha razão: a nova lei do impedimento, editada em 1925, matara o centro-médio. A questão, porém, era de fundo: arte popular contra sistemas importados de jogo. As poucas vozes que então se ergueram para aprofundar o problema foram abafadas por um velho e arraigado preconceito da nossa crônica esportiva: o de que futebol nada tem a ver com política.

Nos dois últimos anos de vida, Fausto criou a escola de centro-médios brasileiros: matada no peito, passadas elegantes, cabeça em pé, passe perfeito a qualquer distância. O meio de campo se tornou depois dele – e ainda é, cinquenta anos depois – a posição do “cobra” do time.

A cada jogo, precisava provar que aquela inovação do WM era má. Terminava o primeiro tempo botando os bofes pela boca, e não aguentava o segundo. Ou invertia, poupando-se no primeiro para deslanchar no segundo. Adiantava? Não. Os críticos se enchiam mais de razão: Kruschner é que estava certo. O futebol tinha de evoluir. Em todo o país, começou a se jogar no WM.

Diante da realidade, o menino preto de Codó, que um dia pusera a Europa de joelhos, mais parecia um guerrilheiro desarmado.

Sobre o autor:
Joel Rufino dos Santos é carioca nascido em Cascadura, subúrbio do Rio de Janeiro. Historiador, Doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ. Foi professor da Graduação e da Pós-Graduação nas Faculdades de Letras e Comunicação da UFRJ. Foi co-autor de um dos marcos da historiografia do Brasil com o livro História Nova do Brasil. Foi preso político na ditadura e escreveu de dentro do presídio cartas a seu filho Nelson a fim de explicá-lo de que não tinha feito nada de errado. Num misto de poesia, história, realidade e ficção, Joel Rufino faz florescer sua literatura para crianças. As cartas foram publicadas em 2000 no livro Quando voltei tive uma surpresa. Foi com seus textos infantojuvenis que recebeu dois prêmios Jabutis e duas indicações ao Prêmio Hans Christian Andersen (Dinamarca), considerado o prêmio Nobel da literatura infantil e juvenil. Em uma fase grande de sua vida, militou em prol dos negros e da visibilidade da cultura popular brasileira. Sempre a favor dos menos abastecidos, como ele foi, aceitava com simpatia os cargos públicos que possibilitavam lutar a favor da cultura afrobrasileira. Morreu em setembro de 2015.

3 comentários:

  1. 1/CARLOS DE ASSUMPÇÃO – O maior poeta negro da historia do Brasil autor do poema o PROTESTO Hino Nacional da luta da Consciência Negra Afro-brasileira, em celebração completou 87 anos de vida. CARLOS DE ASSUMPÇÃO nasceu 23 de maio de 1927 em Tiete-SP na sexta feira passada completou 87 anos de vida com sua família, amigos e nós da ORGANIZAÇÃO NEGRA NACIONAL QUILOMBO O. N. N. Q. FUNDADO 20/11/1970 (E diversas entidades e admiradores parabenizam o aniversario de 87 anos do mestre poeta negro Carlos Assumpção) tivemos a honra orgulho e satisfação de ligar para a histórica pessoa desejando felicidades, saúde e agradecer a Carlos de Assunpção pela sua obra gigante, em especial o poema o Protesto que para muitos é o maior e o mais significante poema dos afros brasileiros o Hino Nacional dos negros. “O Protesto” é o poema mais emblemático dos Afros Brasileiros e uns das América Negra, a escravidão em sua dor e as cicatrizes contemporâneas da inconsciência pragmática da alta sociedade permanente perversa no Poema “O Protesto” foi lançado 1958, na alegria do Brasil campeão de futebol, mas havia impropriedades e povo brasileiro era mal condicionado e hoje na Copa Mundial de Futebol no Brasil 2014 o poema “O Protesto” de Carlos de Assunpção está mais vivo com o povo na revolução para (Queda da Bas. Brasil.tilha) as manifestações reivindicatórias por justiça social econômica do povo brasileiro que desperta na reflexão do vivo protesto.
    O mestre Milton Santos dizia os versos do Protesto e o discurso de Martin Luther King, Jr. em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos da América, em 28 de Agosto de 1963, após a Marcha para Washington. «I have a Dream» (Eu tenho um sonho) foram os dois maiores clamores pela liberdade, direitos, paz e justiça dos afros americanos. São centenas de jornalistas, críticos e intelectuais do Brasil e de todo mundo que elogia a (O Protesto) (Manifestação que é negra essência poderosa na transformação dos ideais do povo) obra enaltece com eloquência o divisor de águas inquestionável do racismo e cordialidade vigente do Brasil Mas a ditadura e o monopólio da mídia e manipulação das elites que dominam o Brasil censuram o poema Protesto de Carlos de Assunpção que é nosso protesto histórico e renasce e manifesta e congregam os negros e todos os oprimidos, injustiçados desta nação que faz a Copa do Mundo gastando bilhões para uma ilusão de um mês que poderá ser triste ou alegre para o povo brasileiro este mesmo que às vezes não tem ou economiza centavos para as necessidades básicas e até para sua sobrevivência e dos seus. No Brasil
    .

    Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –
    quilombonnq@bol.com.br

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  2. Poema. Protesto de Carlos de Assunpção

    Mesmo que voltem as costas
    Às minhas palavras de fogo
    Não pararei de gritar
    Não pararei
    Não pararei de gritar

    Senhores
    Eu fui enviado ao mundo
    Para protestar
    Mentiras ouropéis nada
    Nada me fará calar

    Senhores
    Atrás do muro da noite
    Sem que ninguém o perceba
    Muitos dos meus ancestrais
    Já mortos há muito tempo
    Reúnem-se em minha casa
    E nos pomos a conversar
    Sobre coisas amargas
    Sobre grilhões e correntes
    Que no passado eram visíveis
    Sobre grilhões e correntes
    Que no presente são invisíveis
    Invisíveis mas existentes
    Nos braços no pensamento
    Nos passos nos sonhos na vida
    De cada um dos que vivem
    Juntos comigo enjeitados da Pátria

    Senhores
    O sangue dos meus avós
    Que corre nas minhas veias
    São gritos de rebeldia

    Um dia talvez alguém perguntará
    Comovido ante meu sofrimento
    Quem é que esta gritando
    Quem é que lamenta assim
    Quem é

    E eu responderei
    Sou eu irmão
    Irmão tu me desconheces
    Sou eu aquele que se tornara
    Vitima dos homens
    Sou eu aquele que sendo homem
    Foi vendido pelos homens
    Em leilões em praça pública
    Que foi vendido ou trocado
    Como instrumento qualquer
    Sou eu aquele que plantara
    Os canaviais e cafezais
    E os regou com suor e sangue
    Aquele que sustentou
    Sobre os ombros negros e fortes
    O progresso do País
    O que sofrera mil torturas
    O que chorara inutilmente
    O que dera tudo o que tinha
    E hoje em dia não tem nada
    Mas hoje grito não é
    Pelo que já se passou
    Que se passou é passado
    Meu coração já perdoou
    Hoje grito meu irmão
    É porque depois de tudo
    A justiça não chegou

    Sou eu quem grita sou eu
    O enganado no passado
    Preterido no presente
    Sou eu quem grita sou eu
    Sou eu meu irmão aquele
    Que viveu na prisão
    Que trabalhou na prisão
    Que sofreu na prisão
    Para que fosse construído
    O alicerce da nação
    O alicerce da nação
    Tem as pedras dos meus braços
    Tem a cal das minhas lágrima
    Por isso a nação é triste
    É muito grande mas triste
    É entre tanta gente triste
    Irmão sou eu o mais triste

    A minha história é contada
    Com tintas de amargura
    Um dia sob ovações e rosas de alegria
    Jogaram-me de repente
    Da prisão em que me achava
    Para uma prisão mais ampla
    Foi um cavalo de Tróia
    A liberdade que me deram
    Havia serpentes futuras
    Sob o manto do entusiasmo
    Um dia jogaram-me de repente
    Como bagaços de cana
    Como palhas de café
    Como coisa imprestável
    Que não servia mais pra nada
    Um dia jogaram-me de repente
    Nas sarjetas da rua do desamparo
    Sob ovações e rosas de alegria

    Sempre sonhara com a liberdade
    Mas a liberdade que me deram
    Foi mais ilusão que liberdade

    Irmão sou eu quem grita
    Eu tenho fortes razões
    Irmão sou eu quem grita
    Tenho mais necessidade
    De gritar que de respirar
    Mas irmão fica sabendo
    Piedade não é o que eu quero
    Piedade não me interessa
    Os fracos pedem piedade
    Eu quero coisa melhor
    Eu não quero mais viver
    No porão da sociedade
    Não quero ser marginal
    Quero entrar em toda parte
    Quero ser bem recebido
    Basta de humilhações
    Minh'alma já está cansada
    Eu quero o sol que é de todos
    Ou alcanço tudo o que eu quero
    Ou gritarei a noite inteira
    Como gritam os vulcões
    Como gritam os vendavais
    Como grita o mar
    E nem a morte terá força
    Para me fazer calar.
    Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –
    quilombonnq@bol.com.br

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