quinta-feira, 13 de março de 2014

É Tetra!

Ficamos 24 anos sem conquistar um título mundial de futebol (1970-1994), a tão sonhada “Copa do Mundo”, e, quando conseguimos quebrar essa triste marca muitos preferiram descartá-la da memória. Por essa razão, talvez, poucos tenham se atrevido a relembrar detalhadamente aquela importante conquista mundial. Mas eis que a dupla Michel Costa e André Rocha uniu-se para nos presentear com “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil” (Editora Via Escrita). A “costura” feita pelos autores para relembrar aquele título mundial com diversos “links” históricos, entre personagens e fatos marcantes da sociedade, torna a obra referência na literatura esportiva.

Gostemos ou não da “Era Dunga”, não podemos (e devemos) renegar o que já é nosso. Melhor entender e compreender como tudo aconteceu há 20 anos...

Prefácio
Bom, não-bonito e caro
Por Mauro Beting

Eu trocaria o gol que o Brasil não fez na Itália em 120 minutos de calor em Pasadena em 1994 pelo pesadelo de ter feito um gol a menos que Paolo Rossi em Sarriá, em 1982.

Revejo com prazer até mesmo aquela derrota do Brasil de Telê e do mundo da bola na Copa da Espanha. Revejo com algum pesar muitos dos jogos do Brasil de Parreira tetracampeão nos Estados Unidos.

Respeito todos os campeões. Nem sempre os admiro. Reverencio eternamente times que não ganharam mundiais, mas conquistaram corações planetários. Como a Hungria-54. A Holanda-74. O Brasil-82.

Em menor escala e escola de futebol, também o Brasil de 1986. Eliminado nos pênaltis por uma França melhor que a de 1998. Mas que também parou antes. Ficou pelo caminho que o Brasil de 1994 superou. Também nas cobranças que a seleção desperdiçou no México. Numa tarde louca em que Zico, Sócrates e Platini perderam suas penalidades mais que máximas.

O pênalti perdido por Baggio na Copa 1994.
Baresi e Baggio, craques da Azzurra, desperdiçaram os pênaltis deles na final de 1994. Romário, o cara que nos levou para a Copa contra o Uruguai, em 1993, e que nos trouxe o caneco de volta depois de 24 anos, lá dos EUA, quase perdeu o dele. Bateu na trave e entrou.

Era para ser assim. Como não fora antes. Como voltou a ser em 2002. Acontece com as melhores famílias. Scolari ou não. Também com as grandes escolas. Joguem bonito como nos três primeiros títulos. Joguem bem como nos tetra e no penta.

O Brasil consegue ser campeão de todo jeito. Até sem muito jeito. Faz parte do jogo. O futebol aceita vários tipos de gente, de ginga, de jeito, de jogo. O brasileiro é que nem sempre aceita um outro futebol.

O melhor time de 1994 foi o campeão. Poderia ter jogado melhor, mais bonito, mais solto, mais ousado, mais brasileiro o time de Romário e Bebeto. Mas, talvez, teria perdido a força, fatos e feitos. Para não arriscar o tetra, Parreira optou por arriscar pouco. Deu certo.

Um chute errado de Baggio nos deu o tetra. Mas a justiça que nos faltou em 1982 sobrou em 1994. Ainda que pudesse jogar mais, não teve time melhor naquela Copa. O Brasil de ótima defesa, excelente disposição defensiva, boa organização na armação tolhida por uma camisa-de-força tática, e um ataque seminal.

Não teve time melhor que aquele em 1994. Vencedor com mérito. Campeão sem contestação. Mas com um futebol discutível para quem tinha de um gênio como Romário para fazer os gols que o time bem armado não tomou nos Estados Unidos.

Não é Copa para rever os jogos - exceto o excelente segundo tempo de Brasil x Holanda. Mas é Mundial que serviu como resgate para o mundo rever o Brasil campeão.

Ótima oportunidade para ler o excelente trabalho de uma dupla que sabe de futebol. André Rocha e Michel Costa são Romário e Bebeto. Têm ótima retaguarda e conhecimento de causa para analisar friamente (mas sempre com a necessária paixão) uma Seleção que fez história. Um campeão que sempre vai se discutir. Com razão ou apenas emoção. Com birra e aos berros.

A dupla deste livro destrincha o time, os rivais, os jogos, a Copa. Também o Brasil que viu Senna partir e o real chegar. Abre o jogo, fecha aspas, levanta questões, reponde dúvidas.

Como em 1994, você pode discutir o estilo e a escola. Mas não o resultado final: é um trabalho campeão.

Apresentação
É Tetra!

1994. Para uma renomada seleção como a brasileira, 24 anos sem conquistar um título mundial é uma eternidade. Some-se a isso o período histórico e econômico instável do início da década de 1990, a perda de um ídolo nacional como Ayrton Senna e as poucas glórias no esporte se resumindo a uma medalha olímpica no vôlei - um esporte ainda não tão popular - e teremos um cenário particularmente hostil quando o técnico Carlos Alberto Parreira e seus comandados embarcaram para os Estados Unidos em busca de um troféu que parecia improvável.

A maior esperança brasileira em território norte-americano atendia pelo nome de Romário. Talentosíssimo goleador, o atacante vivia a melhor fase de sua carreira no Barcelona de Johan Cruyff. No imaginário popular estavam os dois gols que o Baixinho havia marcado diante do Uruguai no Maracanã na vitória por 2x0 que sacramentou a classificação para a Copa.  Ao lado de Bebeto, Romário formava uma dupla de ataque capaz de marcar contra qualquer defesa. Todas menos uma: A Itália de Arrigo Sacchi. Neste momento, o destino da Seleção Brasileira ficou nas mãos do goleiro Taffarel.

Capítulo 1
A Era Dunga

1990. Copa do Mundo da Itália. No estádio Delle Alpi em Turim, Brasil e Argentina fazem boa partida pelas oitavas-de-final. Para muitos, a melhor apresentação da Seleção Brasileira naquele Mundial. Boas ocasiões de gol passavam pelos pés de Careca e Müller, enquanto o volante Dunga via a bola que cabeceou explodir na trave de Goycochea. Ao todo, a baliza do goleiro argentino seria atingida três vezes até que aos 35 minutos do segundo tempo a bola chegou à canhota de Diego Maradona. Mesmo sofrendo com fortes dores em seu tornozelo esquerdo, o camisa 10 argentino avançou pelo meio-campo, passou por Alemão, Dunga e Ricardo Rocha, e deixou o companheiro Claudio Caniggia totalmente livre para driblar o arqueiro Taffarel e marcar aquele que seria o único tento daquela partida.

O Brasil ainda buscou o gol de empate – novamente com Müller – mas viu suas últimas esperanças ruírem quando Ricardo Gomes, na tentativa de interromper um contra-ataque, desferiu um carrinho por trás e deixou a Seleção com apenas dez em campo. Após a vitória, Maradona, que era companheiro de Alemão e Careca no Napoli, declarou: “O Brasil merecia ganhar, mas o futebol é assim mesmo.” A Argentina ainda avançaria até a final onde reencontraria a Alemanha Ocidental, vice-campeã na edição anterior. Porém, um pênalti duvidoso de Roberto Sensini em Rudi Völler e cobrado por Andreas Brehme decretou que o tricampeonato em disputa seria germânico. No comando da Nationalmannschaft novamente estava Franz Beckenbauer, ex-líbero da seleção e uma das maiores lendas do futebol.

Horas depois da derrota nas oitavas, o ala esquerdo Branco fez uma grave denúncia ao dizer que bebeu um pouco de água oferecida pelos argentinos ao final do primeiro tempo e que se sentiu mal logo no intervalo: “Me deu uma tonteira, uma bobeira.” Apesar da relevância da declaração, a história foi quase esquecida, até que, anos depois, Maradona contou num programa de televisão que realmente havia sonífero na água consumida pelo camisa 6 brasileiro. A razão para tal iniciativa seria a preocupação do técnico Carlos Bilardo com as descidas ao ataque de Jorginho e Branco.

Nunca houve uma investigação mais severa sobre o caso, mas como sempre ocorre após cada eliminação brasileira, era a hora de procurar culpados pela derrota. Alguns dedos apontaram para o atacante Müller que depois da derrota para Argentina teria deixado a delegação dirigindo sua Ferrari como se nada tivesse acontecido. Outros se lembraram da relação conflituosa daquele grupo de jogadores, alguns mais preocupados com patrocínios e premiações do que com a Copa que se aproximava. Tornou-se célebre a foto oficial em que os jogadores posavam de agasalho e usavam a mão direita para cobrir o logo da patrocinadora Pepsi. O que à distância poderia parecer um sinal de patriotismo era, na verdade, um gesto de descontentamento com o percentual desse recurso estipulado para os atletas. Também são conhecidas as histórias de pessoas estranhas à concentração circulando livremente pelas dependências que deveriam ser local de descanso e preparação.  

O técnico Sebastião Lazaroni sofria com as críticas direcionadas a adoção do sistema tático 3-5-2 utilizado por grande parte dos selecionados que disputaram aquela Copa. Na Itália, a meta foi defendida por Taffarel, a zaga era formada por Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Mauro Galvão, este atuando na sobra, as alas ficaram a cargo de Jorginho e Branco, o meio-campo era composto por Dunga, Alemão e Valdo, enquanto o ataque era representado por Careca e Müller. Para o torcedor brasileiro, usar uma defesa com três zagueiros e ainda escalar dois volantes era quase um crime lesa-pátria, uma afronta às tradições ofensivas da Seleção.

Paralelamente, o trânsito de Lazaroni pelos vestiários também não era dos mais tranquilos. Preterido por Müller, que havia formado dupla de ataque com Careca no São Paulo, Bebeto cobrava oportunidades abertamente. Certa vez, ao ouvir que cada atacante tinha o seu parceiro ideal e que o dele era o lesionado Romário, o baiano não titubeou: “Então eu já sei que não vou jogar. Meu parceiro está machucado.” Todos, inclusive Romário, deram risada com o comentário. O zagueiro Aldair foi outro que no desembarque no Brasil cobrou promessas de titularidade. A tudo isso, some-se o modo rebuscado como o treinador se manifestava - ironicamente batizado de “Lazaronês” - e tínhamos um homem que não despertava a simpatia de torcida, imprensa e jogadores. 

No entanto, o nome que ficou marcado por aquele fracasso foi Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga. Volante voluntarioso, Dunga foi eleito por Lazaroni como o símbolo de uma equipe que imaginava ser dedicada e vigorosa, estabelecendo, em sua visão, um contraponto aos times comandados por Telê Santana em 1982 e 1986 onde o talento se sobrepunha ao sentido de marcação que o técnico julgava necessário. Foi ao microfone do repórter Oldemário Touguinhó, do “Jornal do Brasil”, a primeira referência à escolha do jogador, então com 26 anos, como exemplo de um time comprometido com a vitória. Ao final da partida contra a Argentina, a “Era Dunga” se tornou um carimbo indelével na carreira do meio-campista.

Por coincidência, o mesmo Dunga assinava um “diário” da Copa do Mundo para a revista Placar. Nessa página, o jogador passava suas impressões sobre o ambiente da Seleção, a rotina de treinos e exercícios, os passeios pela região de Piemonte, a ansiedade antes dos jogos e, claro, alguma animosidade que desde aquela época já existia entre ele e a imprensa. Chama a atenção o número de vezes em que Dunga cita a desconfiança da mídia sobre a sua participação na estreia diante da Suécia. Os jornalistas que acompanhavam a Seleção reportavam as preocupações com seu estado físico uma vez que dores na perna direita o impediam de treinar com bola. Dunga, por sua vez, tentava afastar os boatos sobre sua ausência, mas deixava claro que a insistência da imprensa incomodava. Para alívio geral, o então centro-campista da Fiorentina foi a campo, mas houve uma amostra de que ali estava uma relação que nunca seria das melhores.

Após a derrota para a Argentina, Dunga ficaria dois anos sem ser convocado. Seu pecado? Ser um jogador esforçado que cumpriu as funções táticas determinadas pelo treinador e que tinha a capacidade de marcação como seu maior trunfo. Nunca foi habilidoso, mas tinha ótimo passe e um bom arremate de média distância. Um jogador utilíssimo, mas subvalorizado no Brasil. A eliminação também marcava a saída de Sebastião Lazaroni do comando técnico, enquanto o País lamentava o futebol duro praticado na 14ª Copa do Mundo. Completavam-se ali, vinte anos desde a última conquista mundial, o tricampeonato no México em 1970, e esse tempo também poderia ser interpretado como vinte quatro anos, pois uma nova oportunidade só seria possível quatro anos depois nos Estados Unidos.

Para uma nação conhecida como “o país do futebol”, vinte e quatro anos sem um título mundial é quase uma eternidade. Pessoas que haviam nascido a partir do fim da década de 1960, nunca tinham visto sua seleção campeã do mundo. À altura da Copa da Itália, isso já representava considerável parcela da população brasileira. Muitos desses torcedores passaram a acreditar que as únicas lembranças de um passado glorioso se resumiriam a desgastadas imagens em preto-e-branco onde a exibição apenas dos melhores momentos transformavam os jogadores do passado em deuses inalcançáveis, figuras que nosso futebol havia deixado de produzir por algum capricho da natureza ou, quem sabe, pelas amarras táticas de técnicos retranqueiros. Para a baixíssima autoestima do povo brasileiro do início dos anos 1990, não ganhar nada no futebol era só mais uma chaga daqueles tempos difíceis.

Tempos em que a inflação era o maior fantasma a assombrar a vida do brasileiro. Em 1989, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, mediu a inflação anual em absurdos 1764%. A título de comparação, a inflação calculada para o ano de 2012 girou em torno de 5,43%. Combater o aumento desenfreado dos preços e restabelecer a economia eram duas das missões do presidente recém-eleito Fernando Collor de Mello, vencedor da primeira eleição direta no Brasil desde 1960, tendo derrotado nas urnas Luiz Inácio “Lula” da Silva. Conhecido como “Caçador de Marajás” por seu combate a altos salários e aposentadorias de funcionários públicos durante o período em que foi governador do estado de Alagoas, Collor teve a presença de Dunga entre seus inúmeros entusiastas.

Entusiasmo que começou a se esvair conforme seu governo caminhou. Logo após sua posse, Collor e sua equipe econômica chefiada pela ministra Zélia Cardoso de Mello anunciaram uma série de medidas que objetivavam controlar as finanças do país. Em 16 de março de 1990 o chamado “Plano Collor” confiscou 80% de todos os depósitos das contas correntes e cadernetas de poupança que excedessem a quantia de 50 mil cruzados novos (pouco mais de 5500 reais em valores atuais). Essas medidas tiveram o impacto de uma bomba e causaram pânico na população. Do dia para a noite, pessoas comuns que guardavam seu dinheiro para comprar uma casa ou um automóvel viram suas economias desaparecerem sob a falsa promessa de devolução após 18 meses. Como outra medida de combate à inflação, os preços e os salários foram congelados algo que, na prática, fez muito produtos sumirem do mercado. Por fim, o cruzado novo foi substituído pelo cruzeiro, o que fez pouca diferença, uma vez que dinheiro havia se tornado artigo de luxo.

E mesmo investidores maiores sofreram com o plano econômico. As medidas afetaram até os bem remunerados jogadores de futebol. Em entrevista concedida à revista Placar durante a Copa do Mundo, o atacante Walter Casagrande, atuando no Ascoli da Itália, comemorava o fato de não ter sido convocado para poder cuidar de seus negócios no Brasil e ainda poder aproveitar suas férias. Mesmo quando se constata a autêntica sinceridade de Casagrande, saber que os planos do governo colocaram em risco até os investimentos de um atleta que atuava no exterior estabelece uma boa referência do que aquele momento representou. Num período em que o povo brasileiro estava quase sem esperança, um título mundial seria muito bem-vindo para amenizar um pouco a tristeza.

Não resta dúvida de que o futebol representa um aspecto sociocultural fundamental na construção de nossa identidade. Observar o escrete canarinho colhendo resultados pífios pelos cantos do mundo era, além de tudo, um golpe no ego do brasileiro. Nos versos de “Inútil” da banda Ultraje a Rigor, canção lançada em 1983, talvez esteja a melhor expressão de como a população se sentia e se comportava na ocasião: “A gente não sabemos escolher presidente”, “a gente pede grana e não consegue pagar”, “a gente joga bola e não consegue ganhar”, “Inúteu, a gente somos inúteu” [sic]. Em curtas frases, toda decepção e revolta, mesmo que sob um viés cômico, com a incapacidade de o brasileiro votar em bons candidatos, com as dívidas, com os problemas educacionais e, obviamente, com o futebol.

Contudo, existia alguém que representava o Brasil que dava certo. No início daquela década, ninguém era mais amado, respeitado e idolatrado do que Ayrton Senna. Piloto de Fórmula 1, Senna era considerado um herói autenticamente brasileiro, envergando um capacete com as cores verde e amarelo, tremulando a bandeira nacional a cada vitória, dedicando conquistas ao povo, em suma, dando tudo aquilo que as pessoas mais queriam e talvez precisassem. Naquela época, acordar de madrugada para ver Senna acelerar sua McLaren não era nenhum sacrifício. Tudo era válido para testemunhar aquele punhado de alegria que o arrojado corredor tinha a oferecer. Tudo, inclusive, estabelecer uma rivalidade que trafegava pelo tênue limite da ética com seu ex-companheiro de equipe, o francês Alain Prost.

O ano de 1990 começou com então vice-campeão Senna novamente se defrontando com o campeão Prost que ora estava a bordo de uma Ferrari. O brasileiro já possuía um título mundial na carreira, conquistado em 1988, e queria mais. A disputa pelo campeonato se estendeu até o circuito de Suzuka no Japão, palco onde o piloto paulistano havia perdido o campeonato do ano anterior após uma manobra desleal do francês. Ayrton, que ocupava a primeira colocação no certame, marcou a pole position, mas dividiu a fila com Prost. Ainda na largada, Prost assumiu a liderança da prova, até que na primeira curva, Senna tocou sua roda traseira na Ferrari adversária e ambos saíram da pista para não mais retornar. Deste modo, Senna alcançava seu segundo título na carreira e devolvia “na mesma moeda” a artimanha usada pelo rival. Dilema moral? Nenhum. Pelo menos para os milhões de brasileiros que vibravam ao som da voz de Galvão Bueno, narrador oficial da Rede Globo e amigo particular de Senna.

Bicampeão do mundo, rico e bonito, Ayrton Senna era a imagem vencedora que o País almejava. Suas conquistas eram vistas como um presente para o povo. Eram, como dizia a letra de “Saudades do Galinho” de Moraes Moreira, uma vingança de toda derrota da vida. Só que ao contrário da versão inspirada em Zico, lendário craque do Flamengo, as vitórias do corintiano Senna eram democraticamente recebidas por seus fãs. E não só as conquistas das pistas, mas também as de fora delas. Em sua invejável coleção de namoradas estava a modelo e apresentadora Xuxa Meneghel, a “Rainha dos Baixinhos” que animava as manhãs globais. A mesma Xuxa que havia se tornado nacionalmente conhecida por ter namorado o Rei Pelé, talvez o último grande símbolo de um futebol brasileiro vitorioso e vistoso. Antítese do que Dunga e sua geração representavam naquele momento.

Aposentado dos campos havia 13 anos, quando pendurou as chuteiras pelo New York Cosmos, Pelé foi o primeiro nome em que Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), pensou para substituir Sebastião Lazaroni. Uma escolha que, mesmo naquela ocasião, seria considerada polêmica. Todavia, alegando compromissos contratuais com a Warner Brothers, o Rei se recusou a assumir a Seleção.  Foi quando o nome de outro ex-craque do futebol brasileiro entrou em pauta.

Sobre os autores:
Michel Costa: Formado em Administração pela UFSJ no período em que o Brasil finalmente derrotou o monstro da inflação, conheceu o futebol através de um grande clube carioca, mas teve o despertar dessa paixão provocada pela Seleção Brasileira e os gols arrebatadores de Romário contra o Uruguai em 1993. Gols que levaram a Seleção à Copa do Mundo e, em seguida, ao sonhado tetracampeonato mundial nos Estados Unidos. Hoje, enxerga a camisa amarela como se fosse a do próprio time do coração.

André Rocha: é carioca e jornalista. Administra o blog Olho Tático e é comentarista da ESPN Brasil. Nasceu em 1973 e comemorou o tetra aos prantos. Por Romário e seus companheiros, mas também por Ayrton Senna.

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