terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Futebol Brasil Memória

A Copa do Mundo no Brasil está chegando e conhecer nossa própria história dentro do futebol é quase obrigação. E um livro importante da literatura esportiva “Futebol Brasil Memória – De Oscar Cox a Leônidas da Silva” (Editora Senac, 2006), cumpre magistralmente bem essa necessidade.

Claudio Nogueira, experiente jornalista esportivo, fez um recorte na história do futebol brasileiro optando por um dos períodos mais ricos em termos de informação que ajudam a compreender essa verdadeira paixão brasileira chamada futebol. As três primeiras décadas do século 20, considerada a fase “romântica” do futebol brasileiro, revelam como o futebol se transformou em símbolo de identidade nacional.

Sinopse (da editora):

O futebol é uma paixão nacional que integra as pessoas. Disso ninguém duvida. No Brasil, ele abrange rituais, ídolos adorados, fervorosos torcedores que comemoram um gol, um título de clube popular ou da seleção brasileira na Copa do Mundo. Esse fenômeno globalizado tem uma importância fundamental para a nossa sociedade, e é uma diversão indiscutível e um meio de se praticar uma competição honesta, na qual um time fraco pode enfrentar um mais forte e ter a possibilidade de ganhar. Esta obra faz uma volta no tempo e situa o futebol em um contexto social e político, desde seu surgimento, em 1897, até a década de 1930. Por isso, contribui significativamente para que o público entenda os primórdios desse esporte e sua importância.

Apresentação
Por Claudio Nogueira

Quando e como se originou a paixão do brasileiro pelo esporte que veio importado da Inglaterra? Essa indagação deve ter passado pela cabeça de todos os brasileiros que amam o futebol. Indagação que envolve um quê de mistério: ao falar do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, que completou cem anos este ano (2006), a intenção é tentar desvendar esse enigma.

Mas o livro não se limitará a isso.

A obra nasceu de uma vontade e de uma constatação. Da vontade de trazer à tona um dos capítulos mais curiosos e saborosos da história social do país, que é o desenvolvimento do futebol no Brasil e especificamente no Rio de Janeiro. E da constatação de que os cariocas amam demais o futebol, mas sabem pouco sobre o surgimento, no Rio, do enorme fenômeno social em que esse esporte se converteu.

O começo não foi fácil, nem linear. Foi abrupto, polêmico e expressou conflitos e divisões existentes nas sociedades brasileira e carioca da época. Zona Sul e subúrbio; brancos e negros; elites e classes operárias; ricos e trabalhadores; amadores e profissionais. Todos, de alguma forma, foram atores nesse teatro de formação do futebol carioca. Será que alguns desses conflitos não duram até hoje?

O futebol chegou ao Brasil e ao Rio, especificamente, nas malas de jovens estudantes da elite, que haviam estudado na Europa, como um presente que se traz para pessoas amigas. Mas o povo se apropriou dele, e ao mesmo tempo em que os analfabetos e os pobres invadiram os campos e as arquibancadas dos clubes elegantes, foi tomando gosto e se apaixonando por esse esporte até então estranho, no qual os homens traçavam planos e estratégias para fazer com que uma bola impulsionada pelos pés invadisse as redes adversárias. Mais ou menos como o povo pobre, trabalhador e negro invadiu – como penetra – as festas da elite, dos ricos e dos brancos que jogavam futebol no final do século XIX e começo do século XX.

O objetivo deste livro não é o de contar campeonato por campeonato, mas o de narrar como ocorreu o processo de chegada, da aceitação, do desenvolvimento e de popularização do futebol no Rio.

Oscar Cox
Foi escolhido um período para tratar do tema. Do fim do século XIX, quando o carioca Oscar Cox trouxe as primeiras bolas de futebol e o livro de regras, até 1937, quando terminam as divisões entre ligas rivais que existiam na cidade e o futebol carioca se unifica na chamada pacificação. Paralelamente, vão ser enfocados aspectos da vida política, musical, literária, social e econômica de um Brasil em transformação, entre o período pós-Abolição e o Governo Vargas. E todos esses aspectos serão povoados por personagens de época, os jogadores, os torcedores, gente que viveu o período abordado pelo livro.

O futebol era tema de debate. Em 1921, por exemplo, o escritor Graciliano Ramos, vaticinava: “O futebol não pega, tenham a certeza.” Também no início dos anos 1920, Lima Barreto fundou a “Liga contra o Football”. Com argumentos contundentes: “É o primado da ignorância e da imbecilidade.” Não faltaram, porém, os defensores do novo esporte, como o escritor Coelho Neto, um ardoroso torcedor do Fluminense. Em estrofes de um antigo hino do clube, ele demonstrava sua admiração pelo esporte: “Assim nas lutas se congraça / Em torno de um ideal viril / A gente moça, a nova raça / Do nosso Brasil.”

O foco central do livro é mostrar que quando o futebol chegou ao Brasil o mundo da cultura vivia a chamada Belle Époque, que influenciou a moda, o comportamento, a arquitetura e a literatura. Tomando-se por base esse eixo entre a Belle Époque e o futebol, o trabalho é desenvolvido. Em meio a um cenário de sofisticação e bom gosto, o novo esporte foi se tornando pouco a pouco uma parte da própria cultura do Brasil, entendendo-se tal conceito não como quantidade de conhecimentos, mas como a maneira pela qual um povo expressa suas crenças, valores e modo de ver e de viver a vida. Hoje seria praticamente impensável falar em cultura brasileira sem citar o futebol como um de seus principais elementos.

Também no fim do século XIX e início do XX, o Rio passou por uma série de transformações em seu cenário urbano. Foi nesse terreno que o futebol fincou suas raízes.

O futebol foi conquistando multidões no Rio e no país, graças a grandes craques e a equipes cuja popularidade é capaz de lotar estádios. Detalhar essa transformação – de uma modalidade praticada por uma minoria para um fenômeno de massas – é uma das fortes intenções do livro.

Os apaixonados por estatísticas e apostas terão à disposição listas de campeões estaduais, de taças Guanabara, taças Rio, além dos títulos mais importantes dos mais vitoriosos clubes do Rio e do país.


Sobre o autor:


 
Claudio da Silva Nogueira trabalha há 19 anos no jornal O Globo, 13 dos quais na reportagem esportiva. Na Editoria de Esportes, participou de várias coberturas esportivas, entre elas: Mundial de Futebol Júnior, no Qatar, em 1995; Mundial de Natação em Piscina Curta, no Rio, em 1995; várias edições do GP do Brasil de Fórmula 1, em São Paulo; quatro GPs de Fórmula Mundial do Rio; diversas edições do GP do Brasil do Mundial de Motovelocidade, no Rio; Mundial de Basquete, nos Estados Unidos, em 2002; Jogos Pan-americanos de 1999, no Canadá, e de 2003, na República Dominicana, e Olimpíadas de Atenas de 2004. É também autor de "Zeros à Direita - Marketing e Mídia no Esporte" (iVentura, 2010) e Os dez mais do Vasco da Gama, em parceria com Rodrigo Taves, é o seu primeiro livro pela (Maquinária Editora, 2011).


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