domingo, 22 de setembro de 2013

Parabéns Ronaldo Fenômeno


38 anos de um fenômeno. Nunca um apelido foi tão justificado na história de um jogador de futebol como o de Ronaldo. Fenômeno. Mais do que apelido, um adjetivo. Uma vida nos gramados marcada pelas conquistas e a constante superação devido às graves contusões sofridas.

Renasceu em momentos que poucos imaginavam voltar a ver o “Fenômeno” em campo.
Literatura na Arquibancada resgata abaixo parte do texto dedicado a Ronaldo no livro A Magia da Camisa 10 (Verus Editora, 2006).

Antes que o leitor ache estranho, no livro, o Fenômeno integra um capítulo dedicado aos “10 que não eram 10”. Ou seja, apesar de entrar para a história do futebol mundial como um dos maiores centroavantes de todos os tempos, poderia muito bem vestir o “manto sagrado” reservado aos eternos camisas 10 do planeta.

Na literatura esportiva brasileira e mundial existem alguns livros sobre o craque fenômeno.

Um deles foi escrito pelo jornalista inglês James Mosley, publicado no Brasil, em 2005, pela Verus Editora com o título “Ronaldo – A jornada de um gênio”.

Antes deste, em 2002, já havia sido lançado “Ronaldo: Glória e Drama no Futebol Globalizado” (Editora 34), de Jorge Caldeira.

E mais antigo ainda, há a biografia, “Carrasco de goleiros – Um fenômeno chamado Ronaldinho” (Editora Palavra Mágica), do trio de autores Luiz Puntel, Luiz Carlos Ramos e Brás Henrique.

Na Itália, outro lançamento, mas sem publicação no Brasil: “Ronaldo – La vera storia del fenômeno”.












10 que não eram 10
Por André Ribeiro e Vladir Lemos

Ronaldo Luiz Nazário de Lima nasceu em 22 de setembro de 1976. Filho de uma família pobre, ganhou a primeira bola de plástico com quatro anos de idade. Nem mesmo a forte marcação da mãe impediu suas escapadas, que tinham como destino os campinhos do bairro de Bento Ribeiro, na zona norte do Rio de Janeiro. Com oito anos já participava dos treinos e amistosos do Valqueire Tênis Clube. Como a equipe não tinha jogadores das categorias menores, precisou ter paciência até poder estrear.

Seu talento impressionava, e Ronaldo foi levado por seu treinador para um time de futebol de salão, o Social Ramos Clube, que lhe pagava a condução e lhe dava, além do lanche, um par de tênis para jogar. Diz a lenda que, em um confronto com o Clube Municipal terminado em 12 a 1, Ronaldo marcou nada menos que 11 gols. Seus dribles curtos foram ficando cada vez mais perfeitos, e a condição constante de artilheiro levou-o para o modesto São Cristóvão. Ronaldo queria mais. Fez testes no Flamengo e no Fluminense e só não ficou porque os dois clubes deixaram de lhe oferecer o dinheiro para o transporte.

Como o lateral Araty um dia se encantou com o futebol de Garrincha, Jairzinho, companheiro de Pelé na Copa de 1970, ao se deparar com o talento de Ronaldo, decidiu comprar o passe do garoto. Pagou por ele sete mil dólares. Em dois anos de São Cristóvão Ronaldo marcou 44 gols. Antes mesmo de completar 17 anos, foi negociado com o Cruzeiro. Seu passe era estimado em um milhão de dólares, mas, se o clube mineiro pagasse 40 mil dólares, ficaria com o candidato a craque. Contratado para defender os times de base, em cinco meses chegou à equipe principal e, depois de um começo tímido, revelou sua imensa vocação para o gol. 

Virou o preferido da torcida e com apenas 17 anos foi convocado para defender a seleção brasileira na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Precisou lidar com o desgosto de não entrar em campo durante a campanha que levou o Brasil ao quarto título mundial. Anos mais tarde descobriria que a experiência não teria sido em vão. Mesmo sem jogar, Ronaldo passou a ser visto como uma grande estrela e não escapou das exigências feitas por essa condição. Despertou o interesse de grandes clubes europeus e acabou negociado com o PSV, da Holanda, que pagou sete milhões de dólares por seu passe, a maior negociação do futebol brasileiro até aquele momento. Os cuidados dispensados por seu novo clube incluíram um programa de fortalecimento cujos resultados foram impressionantes. Em pouco mais de um ano, Ronaldo ganhou seis quilos e quatro centímetros.

No final de 1995, ano em que conquistou a Copa da Holanda e transformou-se em artilheiro nacional, Ronaldo começou a sofrer com os constantes problemas no joelho. Mesmo operado em fevereiro do ano seguinte, foi vendido ao Barcelona pela fortuna de 20 milhões de dólares. Era muito pouco perto do encanto que Ronaldo causaria na torcida catalã com seus incríveis gols.

Ronaldo ganhou nova dimensão. Já não era possível sair às ruas como um cidadão comum. A Espanha vivia a febre da “Ronaldomania”. Como no PSV, tornou-se artilheiro na temporada de estreia. Conquistou a Supercopa e a Recopa Europeia e incendiou os bastidores do Camp Nou ao ser vendido para a Inter de Milão, por 42 milhões de dólares. Foi recebido no Estádio Giuseppe Meazza por nada menos do que 50 mil torcedores. Os 25 gols marcados não garantiram o título, mas Ronaldo passou a ser o maior artilheiro do Campeonato Italiano na condição de estreante. O ano de 1997, no entanto, não ficou sem uma conquista. O triunfo na Copa da Uefa deu ao menino de Bento Ribeiro um novo apelido: Fenômeno.

Em 1998, na Copa da França, os joelhos de Ronaldo podiam não estar na melhor forma, mas o mundo se rendera ao seu talento. A campanha brasileira, especialmente na semifinal contra a Holanda, reforçou esse sentimento. Na final contra a França parecia que o mundo estava prestes a conhecer um novo rei. Horas antes da partida decisiva, porém, ao que tudo indica, Ronaldo sucumbiu às pressões que sua própria história lhe havia imposto. Vítima de uma convulsão, supostamente causada por estresse, chegou a ficar de fora do time que entraria em campo. Depois de uma bateria de exames realizada em um hospital de Paris, ganhou de volta um lugar no time. Contudo, esteve irreconhecível. Em nenhum momento mostrou-se aquele jogador fatal. A equipe brasileira, dividida entre o desejo de um novo título e a necessidade de superar a tragédia recente, acabou goleada pelos donos da casa por 3 a 0. Nenhuma derrota poderia ter sido mais contundente. Era o início de um longo calvário, abrandado pela conquista da Copa América, em 1999. Em novembro desse mesmo ano, durante uma partida contra o Lecce, pelo Campeonato Italiano, Ronaldo deixou o campo mancando. Exames revelaram o rompimento do tendão da rótula. A cirurgia para restaurá-lo afastou o jogador dos gramados por cinco meses.

O retorno tão esperado se deu no dia 12 de abril de 2000, na primeira partida da final da Copa da Itália, contra a Lazio. Corria o segundo tempo quando o técnico Marcelo Lippi chamou o Fenômeno. Incentivado pela torcida, Ronaldo, seis minutos após entrar em campo, recebeu a bola na entrada da área adversária, fez uma finta com o corpo e desabou. Silêncio. O joelho deslocado era uma imagem impressionante, acentuada pelo desespero da dor. A patela do joelho direito rompida dividiu a opinião de especialistas sobre a possibilidade de o jogador voltar ao futebol. Afinal, a contusão era novamente no joelho recém-operado. Um longo e delicado tratamento manteve Ronaldo ausente por 17 meses e 8 dias. Mesmo sem escapar dos problemas musculares comuns aos atletas que passam por períodos prolongados de inatividade, o Fenômeno voltou.

Em 2002, na Copa da Ásia, seduziu os olhares do mundo. Nem mesmo o maior craque do planeta, Pelé, escaparia da fome de vitória de Ronaldo: “Vou para o campo pensando apenas neste jogo. Quero conquistar o penta. Minhas contusões não foram e nem são psicológicas, como disse o Pelé. Só eu sei o que senti. Mas não adianta polemizar. O jogo é jogado e não falado”.

Marcado pela dor e endeusado pelo talento e obstinação, Ronaldo viveria seu maior momento como jogador naquela Copa. Fez de tudo, até gol de bico, e, ao marcar os dois gols na vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, na final do Mundial da Coréia e Japão, deu novo rumo à própria história. Calou seus críticos e terminou o torneio como artilheiro, com oito gols.

Ronaldo transferiu-se para o Real Madrid depois do Mundial da Ásia e reafirmou o ótimo momento ao marcar os gols que deram o título do Campeonato Mundial Interclubes de 2002, ano em que recebeu da Fifa, pela terceira vez, o prêmio de melhor jogador do mundo.
A troca da Inter de Milão pelo Real Madrid gerou polêmica. Ronaldo foi acusado pelos torcedores italianos de traidor. Preferiu calar-se durante três meses, mas depois justificou a saída creditando ao técnico da Inter sua decisão: “Sei que com ele [Héctor Cúper] pus em risco minha carreira”.

Em 2003 Ronaldo ajudou o time merengue a ficar com a taça do Campeonato Espanhol pela 29ª vez. Na sequência, conquistou a Supercopa da Espanha, e em 2007, o trigésimo título do Real Madrid.

Na Copa de 2006, o Brasil acabou eliminado nas quartas de final pela França de Zidane. Era o último mundial disputado por Ronaldo que entrava para a história das copas o recorde de 15 gols marcados em 3 edições jogadas.

Após a Copa da Alemanha, Ronaldo aparecia nas manchetes do mundo inteiro mais pelo peso, ostentando uma bela “barriga”. Acabou deixando o Real Madrid em 2007 para jogar (ou tentar) no Milan onde o sonho de voltar a brilhar tornou-se um verdadeiro martírio na vida do craque fenômeno.

Em fevereiro de 2008 sofreu nova contusão que o afastou por vários meses dos gramados. Retornou ao Brasil para encerrar a carreira de maneira gloriosa, no Corinthians. Dentro dos gramados, não conseguiu trazer para o Timão o tão sonhado título da Libertadores, mas ajudou o clube alvinegro a se estruturar definitivamente fora dele, com estrutura profissional para jogadores e campanhas de marketing jamais vistas e alcançadas pelo Corinthians.

Ronaldo Fenômeno teve duas despedidas inesquecíveis: pelo Corinthians e Seleção Brasileira. Deixou os gramados para entrar definitivamente na história do futebol mundial.

* Estatísticas levantadas pelo excelente site www.imortaisdofutebol.com onde o leitor pode encontrar também bela perfil de Ronaldo Fenômeno.

Clubes: Cruzeiro-BRA (1993-1994), PSV-HOL (1994-1996), Barcelona-ESP (1996-1997), Internazionale-ITA (1997-2002), Real Madrid-ESP (2002-2007), Milan-ITA (2007-2008) e Corinthians-BRA (2009-2011).
Principais títulos por clubes: 1 Copa do Brasil (1993) e 1 Campeonato Mineiro (1994) pelo Cruzeiro.
1 Copa da Holanda (1996) pelo PSV.
1 Recopa Europeia (1997), 1 Copa do Rei (1997) e 1 Supercopa da Espanha (1996) pelo Barcelona.
1 Copa da UEFA (1998) pela Internazionale.
1 Mundial Interclubes (2002), 2 Campeonatos Espanhóis (2003 e 2007) e 1 Supercopa da Espanha (2003) pelo Real Madrid.
1 Copa do Brasil (2009) e 1 Campeonato Paulista (2009) pelo Corinthians.
Principais títulos por seleção: 2 Copas do Mundo (1994 e 2002), 2 Copas América (1997 e 1999), 1 Copa das Confederações (1997) e 1 Medalha de Bronze Olímpica (1996) pelo Brasil.

Principais títulos individuais:
Melhor Jogador do Mundo pela FIFA: 1996, 1997 e 2002
Bola de Ouro da Revista France Football: 1997 e 2002
Onze d´Or: 1997 e 2002
Melhor Jogador do Mundo pela Revista World Soccer: 1996, 1997 e 2002
Chuteira de Ouro da UEFA: 1997
Melhor Jogador da Copa do Mundo FIFA: 1998
Melhor Jogador do Mundial Interclubes: 2002
FIFA 100: 2004
Artilharias:
Supercopa Libertadores de 1993 (12 gols)
Campeonato Mineiro de 1994 (23 gols)
Campeonato Holandês de 1994/95 (30 gols)
Campeonato Espanhol de 1996/97 (34 gols)
Copa América de 1999 (5 gols)
Copa do Mundo de 2002 (8 gols)
Campeonato Espanhol de 2003/04 (25 gols)
Maior artilheiro da história das Copas do Mundo (15 gols em 4 edições): 1994 (não jogou), 1998 (4 gols), 2002 (8 gols) e 2006 (3 gols)


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