sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Inter: hoje e sempre



Um livro para encantar os torcedores do Internacional de Porto Alegre. Inter hoje e sempre – A história colorada em cada dia do ano (Editora Dublinense) tem um formato curioso e interessante, com destaque às conquistas mais importantes da história colorada em cada dia do ano. Grandes craques do Inter como Figueiroa, Iarley, Célio Silva, Fernandão, Valdomiro, Larry, Taffarel e muitos outros, relembram o passado de glórias da tradicional equipe gaúcha.

A bela edição de Inter hoje e sempre, dos autores Douglas Ceconello e Daniel Cassol , tem ilustrações do craque Rogê Pedro Antonio. Este é o segundo volume da Coleção Impedimento, da Editora Dublinense. O primeiro foi dedicado ao rival colorado. Para adquirir a obra, acessar: http://www.dublinense.com.br/livros/inter-hoje-e-sempre/. Vale ainda a visita ao blog da dupla de autores: http://impedimento.org/.

Julho
Um testaço e o milésimo gol e Gre-Nal

Passados 95 anos de enroscos intermináveis dentro de campo, discussões gratuitas, goleadas, placares em branco, carrinhos e uma das maiores rivalidades do futebol mundial, a tarde fria de 10 de julho de 2004, no Beira-Rio, era o cenário do Gre-Nal 360, válido pelo Campeonato Brasileiro. Não era um clássico qualquer (como se algum fosse), pois havia a expectativa de que acontecesse o milésimo gol no confronto – até ali, as estatísticas apontavam 998 gols na história.

A partida transcorria morna, acirrada e sem grandes chances de gol, o que, segundo estudos empíricos, acontece em 98% dos clássicos – para gremistas e colorados, não existir jogo é justamente parte do charme do Gre-Nal. Para um mero espectador que torça para outro time, pode ser um tédio interminável, mas, para os gaúchos, um arremesso lateral para o rival parece uma prévia do apocalipse. Estando aquele clássico modorrento ou trepidante, fato é que a cabeçada do zagueiro colorado Vinícius para as redes incendiou o jogo, pois, a partir daquele momento, quem comparecesse às redes entraria para a história como autor do milésimo gol em clássicos.

É neste ponto que as entidades que desde 1909 determinam a história do clássico começaram a mexer seus pauzinhos.

Naquela tarde, estreava no Inter um reforço trazido do futebol francês por Fernando Carvalho. Atacante alto e de longas melenas, Fernandão pretendia retomar a carreira no Brasil e optou pelo Internacional. Tendo entrado na segunda etapa, Fernandão posicionou-se no meio da área quando o lateral Élder Granja recebeu a bola pela direita, aos 33 minutos. O cruzamento saiu alto, com efeito, e o atacante subiu até quase enxergar o Guaíba, alçado por Bodinho, Claudiomiro, Escurinho e Gérson, entre outros tantos centroavantes que ajudaram o Colorado a construir sua superioridade em clássicos. O testaço saiu forte, certeiro, no canto do goleiro Tavarelli. O placar apontava 2 a 0 para o Inter. A história apontava a milésima vez que a bola estufava a rede em clássicos.

Quando voltou a pisar na grama, uns vinte e oito segundos depois de pular, Fernandão imediatamente se ajoelhou, colocou as mãos no rosto e agradeceu – pela sorte, destino, alegria extrema de iniciar sua trajetória no Inter marcando gol em clássico. Mas não pelo Gol 1000.

No momento, o atacante não percebeu a importância do gol e foi necessário Rafael Sobis alertá-lo de que, a partir daquele momento, Fernandão entrava na história do futebol gaúcho. “Quando eu estava comemorando, o Sobis me avisou que aquele era o gol mil da história do clássico Gre-Nal. Ali, de joelhos no gramado do Beira-Rio, eu tive a certeza: escolhi o time certo. Começou naquele momento uma caminhada de sucesso e grandes conquistas no Internacional”, recorda Fernandão.

Não poderia haver uma estreia mais sintomática para o jogador que marcaria sua história não apenas com frequentes e importantes gols em clássicos, mas conduzindo o Inter às maiores conquistas de sua história. Muitos são os jogadores que brilham em apenas um Gre-Nal, que marcam gols decisivos que muitas vezes lhe garantem anos de reconhecimento e manutenção da carreira. Com Fernandão, foi diferente: aquele testaço violento, o primeiro de tantos com a camisa vermelha, que lhe rendeu até placa no vestiário e uma série limitada de camisas comemorativas, era apenas uma das tantas passagens inesquecíveis que o maior levantador de taças da história colorada viveria no Beira-Rio.

1 de Julho
1945
Futebol em pleno voo

Na inauguração das arquibancadas do Estádio da Gávea, Flamengo e Inter empataram em 2 a 2, no Rio de Janeiro. O fato mais curioso ocorreu antes e depois da partida: a viagem de ida e de volta foi feita em um avião de uma empresa importadora de automóveis. Como só havia assentos laterais, os jogadores passaram o tempo jogando bola durante o voo.

Aconteceu também:
1976

O centroavante Dadá Maravilha foi recebido com festa no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e já deu sua primeira declaração que ficou para a história: “Com Dadá em ação, golos em profusão”.

1974

O Internacional definiu a contratação do goleiro Manga, que estava no Nacional de Montevidéu e já defendera o Botafogo e a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966.

2 de Julho
1997
Arrancada de Fabiano para o título

Com uma arrancada fenomenal no começo do segundo tempo, o ponta-direita Fabiano marcou o único gol do Gre-Nal que garantiu o título gaúcho à equipe colorada treinada por Celso Roth. Cerca de 40 mil colorados compareceram ao Beira-Rio para comemorar na fria noite de inverno. Ainda na emoção do jogo, questionado pelos repórteres a quem dedicava o gol, Fabiano disse, ofegante: “Este gol é... Este gol é... Este gol é pra todo mundo!”.

1969
Garrincha no Beira-Rio

O amistoso entre Inter e Novo Hamburgo, no Beira-Rio, teve um traço inusitado: Garrincha no ataque do time anilado. Sem clube e com problemas de lesão, Mané viajou a Porto Alegre para acompanhar a namorada Elza Soares em um show. Acabou atuando pelo Novo Hamburgo, que perdeu por 3 a 1 para o Inter, com gols de Sérgio, Tovar e Chiquinho.

Aconteceu também:
1930

Em Porto Alegre, nasceu Odorico Araújo Goulart, meio-campista que integrou o time do Rolinho, sendo cinco vezes campeão gaúcho e participando da conquista do Pan-Americano de 1956 pela Seleção Brasileira.

3 de Julho
2003
Campeão Gaúcho pela 35ª vez

Jogando no Beira-Rio, o Inter conquistou seu 35° Gauchão ao vencer o 15 de Novembro, de Campo Bom, por 1 a 0. O gol do título foi marcado por Flávio, aos 32 minutos do segundo tempo. Em dez partidas, o Inter do técnico Muricy Ramalho obteve sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

4 de Julho
1985
Nasce Rentería

Em Quibdó, Colômbia, nasceu Wason Libardo Rentería Cuesta. O atacante chegou ao Beira-Rio em 2005 e se destacou no Campeonato Brasileiro daquele ano. Folclórico, caiu nas graças da torcida ao imitar o Saci na comemoração. Marcou gols decisivos no título da Libertadores de 2006, mas ficou de fora do Mundial de Clubes devido a uma lesão.

1976
Estreia de Dadá quita passe

Um grande público assistiu, no Beira-Rio, à estreia de Dadá Maravilha com a camiseta do Internacional. E o centroavante não decepcionou, marcando um dos gols da vitória sobre o Esportivo por 3 a 0, em jogo do Campeonato Gaúcho. Com os 715 mil cruzeiros da renda, um recorde contra times do interior, o Inter quitou a dívida ao Sport Recife pela contratação de Dadá, que custou no total 2,35 milhões de cruzeiros.

Aconteceu também:
2010

Na parada para a Copa do Mundo da África do Sul, o Inter jogou amistoso contra o Peñarol em Rivera, na fronteira entre Brasil e Uruguai. Após 0 a 0 no tempo normal, vitória colorada nos pênaltis por 2 a 1 e conquista da Taça Fronteira da Paz.

5 de Julho
1935
Nasce Ibsen Pinheiro

Em São Borja, nasceu Ibsen Valls Pinheiro, jornalista, advogado, político e dirigente do Internacional. Ele foi um dos integrante do grupo dos “mandarins” que mudaram a filosofia do Inter na virada das décadas de 60 e 70. Em 2013, foi eleito presidente do Conselho Deliberativo do clube.

Aconteceu também:
1947

O Nacional de Porto Alegre impôs dificuldades ao Inter nos Eucaliptos, mas, no final, os diabos rubros venceram a partida, válida pelo Citadino, por 4 a 2.

6 de Julho
1997
Estreia com triplete de Christian

No Campeonato Brasileiro de 1997, o Internacional atropelou adversários e acabou em segundo lugar na primeira fase da competição. Nos quadrangulares finais, porém, problemas na equipe tiraram a classificação do Inter. Mas isso não apagou a brilhante campanha do time dirigido por Celso Roth. Christian se tornou o maior artilheiro colorado na competição. E o começo foi arrasador. Na primeira rodada do Brasileiro, o Inter foi ao Pacaembu e bateu o Corinthians por 3 a 1, três gols de Christian.

Aconteceu também:
2012

O Inter anunciou a contratação do uruguaio Diego Forlán, 33 anos, jogador da Inter de Milão, eleito o craque da Copa do Mundo da África do Sul, realizada dois anos antes.

7 de Julho
1963
Lançada a pedra fundamental do Beira-Rio

Foi lançada a pedra fundamental das obras do Estádio Beira-Rio, com uma missa conduzida pelo bispo de Porto Alegre, Dom Edmundo Kuntz, e a participação da Banda Marcial Dorense, do Colégio N. Sra. das Dores. “Aqui, todos serão iguais, sem diferenças ideológicas, políticas, religiosas e sociais, todos serão irmãos”, declarou, na ocasião, Dom Edmundo, que também era conselheiro do Inter. As primeiras estacas na área do futuro Beira-Rio haviam sido cravadas em 1959, e o Gigante ficaria pronto em 1969, com a participação decisiva dos torcedores colorados na construção, através da doação de tijolos e cimento para a obra.

1944
Estatuto abre o clube para negros

O novo estatuto do clube determinou a criação de um fundo especial para a manutenção e melhorias no Estádio dos Eucaliptos e decidiu abrir o clube para sócios negros.

Sobre os autores:
Douglas Ceconello é jornalista formado pela UFRGS. Desde 2003, participa desse delírio coletivo chamado Impedimento. No início dos anos 80, resistiu bravamente às manobras traiçoeiras de gremistas próximos e forjou seu coloradismo naquela época de inferno vermelho. Nunca teve medo de bicho-papão, mas ainda sente calafrios quando mencionam Jorge Veras. A primeira partida que assistiu no Beira- Rio foi um 3 a 0 no Bahia, em 1988, uma vitória que aconteceu no momento errado. Tornou-se extremamente perturbado e impertinente na semana que antecedeu a final da Libertadores de 2006, mas ainda sente sincera dúvida entre escolher o Mundial de Clubes ou o Gre-Nal do Século.


Daniel Cassol é jornalista formado pela UFRGS em 2003 e um dos responsáveis pelo site Impedimento. Se perguntado, dirá que sua primeira memória detalhada de um jogo do Internacional data de 12 de fevereiro de 1989, no Gre-Nal do Século. Em 21 de abril de 1991, foi ao Beira-Rio pela primeira vez, no empate contra o Atlético Mineiro por 2 a 2. Antes desse jogo, seu pai o alertou para o risco do Inter perder. Era o que costumava acontecer naqueles tempos. Amadureceu o coloradismo na penúria dos anos 90 e passou a ver o futebol de uma forma diferente a partir da noite de 16 de agosto de 2006.



2 comentários:

  1. Excelente post. Já está marcado nos meus favoritos, irei recomendar para a redação do
    jornal para uma pauta, gostei muito bom.

    Fernanda Araujo - Swing
    Analista de programação swing para Site de Swing no jornal do povo

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