quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Os números do jogo



Tem gente que não acredita ou absolutamente ignora as tais “estatísticas” apresentadas sobre um jogo de futebol. Para essas pessoas e também para os que adoram analisar “números dos jogos”, um livro imperdível. Trata-se de “Os números do jogo - Por que tudo o que você sabe sobre futebol está errado” (Companhia das Letras). Os autores são dois especialistas: David Sally, especialista em estratégias e o estatístico Chris Anderson. A tradução do jornalista André Fontenelle.

Literatura na Arquibancada destaca abaixo o prefácio da edição brasileira, assinado por um apaixonado pelos números, o jornalista Paulo Vinícius Coelho, o PVC e também a introdução da obra, que também pode ser acessada na íntegra, na página da editora:

Prefácio à edição brasileira
Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC


Lançamentos longos criam mais chances de gol que cruzamentos? Tentar o drible na própria metade do campo pode prejudicar sua equipe? O 4-4-2 é uma formação mais eficiente que o 4-3-3? Sob que condições e contra que rivais?

Sabemos que no futebol não existe fórmula para a vitória, mas a “dataficação” da vida está se infiltrando no esporte, mostrando a treinadores, jogadores, torcedores e comentaristas que o jeito como as coisas sempre foram feitas não é, necessariamente, a forma como elas devem ser feitas.

Cientistas e estatísticos criaram formas diferentes para compreender o papel da previsibilidade e da aleatoriedade no futebol, mas a questão essencial que muitos deles discutem atualmente é a mesma. Também é, por acaso, a mesma questão que Charles Reep, o inventor das estatísticas do futebol, tentou responder na década de 1950: partidas de futebol e campeonatos são decididos pelo talento ou pela sorte?

De forma surpreendente, o estatístico Chris Anderson e o especialista em estratégias David Sally mostram por que os números do jogo podem nos ajudar a compreender o futebol em sua essência. Ao ler este livro, você vai descobrir por que os escanteios devem ser cobrados curtinho, por que o futebol é um esporte do elo mais fraco e por que demitir o treinador não resolve absolutamente nada.


Introdução:
Futebol para os céticos — a contrarreforma

“No esporte, o fato é mais poderoso do que aquilo em que você acredita. 

Só ele pode lhe dar alguma vantagem”.
Bill James

Durante muito tempo, quatro palavras dominaram o futebol:

Sempre foi feito assim.

O jogo bonito está arraigado na tradição. O jogo bonito agarra-se a seus dogmas e truísmos, a suas crenças e credos. O jogo bonito pertence a homens que não querem ver seu domínio ameaçado por intrusos que sabem que enxergam o jogo como ele realmente é. Esses homens não querem que lhes digam que há mais de um século eles estão deixando de perceber alguns fatos. Que existe um conhecimento que eles não possuem. Que o jeito como eles sempre fizeram as coisas não é como as coisas devem ser feitas.

O jogo bonito é deliberadamente ignorante. O jogo bonito está maduro para a mudança.

E no cerne dessa mudança estão os números. São os números que vão desafiar as ideias preconcebidas e subverter as normas, renovar as práticas e demolir antigas crenças. São os números que vão nos permitir ver o jogo como nunca o vimos antes.

Todo clube de nível mundial sabe disso. Todos empregam equipes de analistas — especialistas na coleta e na interpretação de dados — que usam a informação que conseguem reunir para planejar treinos, criar sistemas de jogo, preparar negociações. Milhões de dólares e centenas de títulos estão em jogo. Todo clube está preparado para fazer o que for preciso para obter a mais ínfima vantagem.


Mas o que nenhum desses clubes fez, até agora, foi pegar esses números e reconhecer a verdade recôndita. Não é só uma questão de coletar dados. É preciso saber o que fazer com eles.

Essa é a nova fronteira do futebol. Costuma-se dizer que não se pode, ou não se deve, reduzir o futebol a meras estatísticas. Isso, dizem os críticos, tira a beleza do jogo. Mas não é o que pensam os clubes que lutam para conquistar a Champions League ou a Premier League (o campeonato inglês), ou os países na disputa para ganhar a Copa do Mundo. Tampouco é o que nós pensamos. Acreditamos que cada fiapo de conhecimento que juntamos nos ajuda a amar ainda mais o futebol, em toda a sua gloriosa complexidade. Esse é o futuro.

Não há como interrompê-lo. Não dá para dizer que todas as tradições do futebol estão erradas. Os dados que hoje podemos reunir e analisar confirmam que parte daquilo que sempre se acreditou ser verdade é, de fato, verdade. Para além disso, porém, os números nos oferecem outras verdades, esclarecem coisas que não temos como saber intuitivamente e expõem a falsidade do “sempre foi feito assim”. O maior problema de seguir uma tradição venerável e um dogma estabelecido é que ambos raramente são questionados. O conhecimento fica estagnado, enquanto o próprio esporte e o mundo em torno dele mudam.

Fazendo Perguntas

Rory Delap, cobrando lateral no Stoke City.

Era uma pergunta simples, tão comum entre os americanos que falam de futebol.

“Por que eles fazem isso?”

Dave e eu estávamos assistindo aos melhores momentos de uma partida da primeira divisão inglesa, quando algo chamou sua atenção. Não foi nenhum lance de incrível habilidade ou de beleza hipnotizante, nem um erro grosseiro de arbitragem, mas algo muito mais prosaico. Dave estava pasmo, da mesma forma que inúmeros zagueiros antes dele, pelos arremessos laterais longos de Rory Delap.

Toda vez que o Stoke City tinha que cobrar um arremesso lateral ao alcance da área adversária, Delap trotava ao longo da linha lateral, enxugava a bola com a camisa — ou, quando o time jogava em casa, com uma toalha estrategicamente posicionada para esse objetivo — e a catapultava para a área, uma, duas, três, quantas vezes pudesse.

Para mim, que sou um ex-goleiro, era evidente a vantagem dos arremessos de Delap. Eu expliquei a Dave: o time do Stoke era razoável, mas faltava um pouco de velocidade e, mais que isso, faltava talento. O que não faltava a seus jogadores, porém, era tamanho. Por que não, então, quando a bola saía pela linha lateral, aproveitar a oportunidade para criar uma chance de gol? Por que não semear um pouco de confusão nas hostes adversárias? Aparentemente dava certo.

Mas não foi o bastante para saciar a curiosidade de Dave. Só serviu para que ele fizesse a inevitável pergunta seguinte.

“Então por que nem todo mundo faz assim?”


A resposta era igualmente óbvia: nem todo time tem um Rory Delap, alguém capaz de arremessar a bola a uma grande distância com a mesma trajetória regular, tal qual uma pedra, que deixa os zagueiros em pânico, e os goleiros, confusos.

Dave, um ex-arremessador de beisebol, tentou outra abordagem: “Mas não dá para procurar e achar um outro Rory Delap? Ou mandar um jogador do time levantar peso e treinar lançamento de dardo e de martelo?”.

Não era tão simples assim. Sim, as perguntas de Dave estavam ficando chatas, como as de uma criança insistente; o mais irritante é que eu não tinha uma boa resposta.

“Você pode jogar como o Stoke”, contra-argumentei, “se você tem um Delap e um monte de zagueiros altos. Mas não é um jogo muito atraente. Não é assim que se faz, a não ser quando não há outro jeito.”

É isso. Tudo o que me restava, como se eu fosse um pai incapaz de responder. “Porque sim.”

Porque, sim, há coisas que não se fazem quando se joga futebol. Porque, sim, embora um gol surgido de lateral valha o mesmo que um gol oriundo de uma troca de passes habilidosa, é como se esse gol não valesse a mesma coisa. Porque, sim, para um purista, um gol assim é menos merecido.

Mas as intermináveis perguntas de Dave — Por quê? Por quê? Por quê? — me importunavam. Se dá certo para o Stoke, por que outros times não fazem o mesmo? Quem tinha razão? Os Stoke, responsável por um terço das chances de gol a partir de arremessos laterais no Campeonato Inglês daquele ano — ou os outros times, que claramente não sentiam necessidade, ou não queriam, incluir o arremesso longo em seu arsenal?

David Sally e Chris Anderson.

Por que existem coisas que simplesmente “não se fazem”?

Por que o futebol é jogado como ele é jogado?

Tentamos responder essas duas importantíssimas perguntas usando nossos conhecimentos e nossas habilidades — eu, como especialista em economia política, e Dave, como especialista em economia comportamental —, nossa disciplina de cientistas sociais, nossas experiências como goleiro e arremessador de beisebol e nosso amor pelo esporte e pela solução de problemas complicados. O resultado é este e está em suas mãos — um livro sobre futebol e números.

O futebol sempre foi um jogo de números: 1 x 1, 4-4-2, os grandes camisas 9, a sagrada camisa 10. Isso não vai mudar, e não queremos que mude jamais. Mas há uma “contrarreforma” ganhando corpo, que pode tornar outro grupo de números igualmente importante: 2,66; 50-50; 53,4; <58<73<79 e 0>1 vão se mostrar fundamentais para o futuro do futebol.

Este é um livro sobre a essência do futebol — o gol, o acaso, a tática, o ataque e a defesa, a posse de bola, os superastros, os pontos fracos, a preparação e o treinamento, os cartões vermelhos e as substituições, a liderança eficiente, a contratação e a demissão de treinadores — e a forma como tudo isso se relaciona com os números.

Sobre os autores:

David Sally, é ex-jogador de beisebol e professor na Tuck School of Business na Faculdade Darmouth, em Hanover, New Hampshire (EUA), onde analisa as estratégias de pessoas ao jogar, competir, negociar e tomar decisões. É conselheiro de diversos clubes e outras organizações da indústria do futebol mundial.


Chris Anderson. Aos dezessete anos, foi goleiro de um time da quarta divisão na Alemanha Ocidental. Hoje, é professor de estatística na Universidade Cornell, em Ithaca, Nova York (EUA). Já prestou consultoria a alguns dos mais importantes clubes de futebol do mundo.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Neymar de A a Z



Neymar, o maior craque brasileiro do século XXI ganha sua primeira biografia oficial: Neymar Jr. De A a Z (Panda Books). Mais um gol de placa do editor Marcelo Duarte. No país onde reina a ideia de que bom biografado é aquele que já morreu, o primeiro livro sobre Neymar é bem-vindo, especialmente para o público leitor mais jovem. Neymar tem sua vida contada de um jeito moderno e irreverente.

Literatura na Arquibancada agradece a Panda Books pela cessão de alguns verbetes da obra.

Sinopse (da editora)


Dentro e fora de campo não há jogador de futebol mais comentado que ele. Neymar Jr. já chamava a atenção desde que chegou ao Santos em 2003, aos 11 anos de idade. 

A aposta deu certo! Com o clube Neymar Jr. cresceu, e, desde 2009 entre os profissionais, o que se viu em campo foi a essência do futebol brasileiro em seu estado puro.

Ricamente ilustrado, Neymar Jr. de A a Z traz tudo sobre a vida profissional e pessoal do maior craque do Brasil do século XXI, desde a sua infância simples em São Vicente (SP) até a sua transferência para o Barcelona, por meio de verbetes organizados em ordem alfabética.



As chuteiras de Neymar Jr.

Acompanhe a evolução das chuteiras do jogador, suas mais significativas camisas, a relação de prêmios conquistados pela sua atuação no Santos e na Seleção Brasileira, os diferentes cortes de cabelo do craque, os hobbies, a descrição dos gols mais bonitos (e não foram poucos), a íntegra da mensagem de despedida e muito mais.

Neymar Jr. de A a Z está em sistema de pré-venda e à disposição do público a partir do dia 26 de agosto. 

Para reservar o seu, é só acessar o link

A partir dessa data, a obra estará nas prateleiras das principais livrarias de todo o Brasil.

Apresentação


Da infância humilde no litoral de São Paulo aos gramados da Europa, Neymar Jr. teve – e ainda tem – uma trajetória de muito trabalho, talento e sucesso. O menino franzino e tímido que chegou ao Santos aos 11 anos, em 2003, conquistou títu­los e fãs por todo o Brasil ao longo dos quase dez anos que viveu no time da Vila Belmiro.

Mais do que dinheiro e sucesso, Neymar Jr. simboliza um tipo de futebol que há muito parecia estar em extinção: o futebol-arte. Ele deixou de lado o jogo chato, voltado ape­nas para o resultado, e encheu os olhos da torcida nos qua­tro anos em que jogou como profissional no Brasil.


Não é à toa que desperta tanta atenção, curiosidade e admiração. Os dias que antecederam sua decisão sobre qual time da Europa escolheria para jogar demonstraram isso. Inúmeras páginas de jornais, revistas e sites se dedica­ram a vislumbrar qual seria a decisão do atacante, a melhor opção para ele e os prós e contras de cada possibilidade.


Todos queriam saber para onde iria o menino que enchia de ousadia e alegria os gramados brasileiros. A decisão che­gou e o adeus também – seu destino foi o Barcelona, um dos times mais envolventes da última década e que preza por um estilo de jogo que tem tudo a ver com o craque. Neymar Jr. não é mais só do Brasil, é do mundo.

Mas tudo isso só foi possível graças à sua trajetória vito­riosa, feita de momentos que merecem ser lembrados e re­contados para registrar a história de um dos maiores ídolos do nosso futebol recente. Então, mãos à obra e boa leitura!

A

ARTILHEIRO
Neymar Jr. esteve entre os jogadores que mais marcou gols em praticamente todos os torneios que disputou como profissional. Essa série come­çou na Copa do Brasil de 2010, em que o Santos foi campeão. Ele foi o artilheiro da competição, com 11 gols.

 
Em 2011 também foi o artilheiro do Sul-Americano Sub-20 com nove gols e vice-artilheiro da Liber­tadores, com seis. No ano seguinte, foi quem mais marcou no Campeonato Paulista, com vinte gols, e foi artilheiro da Libertadores, com oito.

Ele também detém o recorde de maior número de gols pela Seleção Brasileira no período de Mano Menezes, com 19 gols em 37 jogos. No Santos, ele é o 13o maior goleador da história – ou o primeiro após a era Pelé –, com 138 tentos.

AUTÓGRAFO

Por onde ele passa, sempre há alguém querendo uma as­sinatura. O autógrafo de Neymar Jr. é hoje um dos mais requi­sitados entre os jogadores brasileiros e não há concentração, dentro ou fora do Brasil, em que grupos de fãs e torcedores não estejam de plantão na porta do hotel esperando para conse­guir uma assinatura do craque.

 
Neymar Jr. já trocou três vezes de autógrafo desde que ficou famoso. Normalmente, o atleta assina “Neymar Jr.”, com o N e o J bem grandes, acompanhado de uma mensagem para o desti­natário do autógrafo (1). Às vezes, porém, adota uma versão mais curta e rápida do autógrafo, quando a demanda é grande (2). O assédio é tanto que até o cineasta e ator norte-americano Spike Lee foi atrás do craque para conseguir uma assinatura quando esteve no Brasil, em 2012. E conseguiu.

B

BARCELONA

Depois de praticamente uma década no Santos, aonde chegou ainda com 11 anos para treinar nas categorias de base, Neymar Jr. deixou o time praia­no em maio de 2013 de mudança para a Espanha. O craque, considerado uma das maiores revelações do futebol nacional e requisitado por várias equipes europeias, decidiu se transferir para o Barcelona, em uma negociação que já estava sendo tentada há anos pelo time catalão.

 
Curiosamente, Neymar Jr. já havia estado no mesmo gramado que o Barcelona, mas em lados opostos do campo: a equipe espanhola, que havia sido campeã da Liga dos Campeões da Europa, enfrentou o Santos no Mundial de Clubes de 2011. O Barça acabou ganhando de 4 X 0 e se sagrou campeão mundial.

BETINHO

Roberto Antonio dos Santos, o Betinho, foi o olheiro que des­cobriu o talento do jogador. Ele viu Neymar Jr. pela primeira vez na praia de Itararé, em São Vicente, no litoral de São Paulo. Na ocasião, foi montada uma quadra de futebol soçaite na praia, e quem jogava era o pai de Neymar Jr. Ele atuava em uma partida do Recanto da Vila contra o Tumiaru. Betinho re­parou no menino franzino, com menos de dez anos, que corria muito rápido nas arquibancadas.

Time dos Portuários, comandado por Betinho. Neymar (3º agachado, dir/esq)
 
Encantado com a agilidade e com o talento do menino, Be­tinho pediu que o levassem no dia seguinte ao Tumiaru, clu­be de São Vicente. Lá, viu Neymar Jr. treinar com a equipe e percebeu que diante dele havia um craque. Levou-o para a Portuguesa Santista, time do qual era treinador da categoria de base, e para outros no futebol de salão, nos quais o jovem jogador aprimorou suas técnicas de drible e de passe.

BOLA

Neymar Jr. gostava tanto de bola que, na infância, estava sempre com uma. Quando ainda era criança, chegou a ter quase cinquenta bolas dentro de casa. “Eu comecei em casa, quebrando as coisas da minha mãe. Depois fui para a rua, acabando com os portões dos vizinhos. Até que entrei no salão e no futebol de campo para poder treinar”, contou Neymar Jr. em uma entrevista à Santos TV.

BOLA DE OURO (FIFA)

Desde 2004, ano em que a Fifa passou a fazer uma lista com os indicados para ganhar o prêmio de Melhor Jogador de Futebol do Mundo, a Bola de Ouro, apenas Rogério Ceni e o argentino Juan Román Riquelme haviam sido indicados sem pertencer a um clube europeu. Neymar Jr. quebrou esse tabu e constou na lista por duas vezes seguidas, jogando no Santos.

A primeira foi em 2011, quando tinha apenas 19 anos de ida­de e foi listado como um dos melhores atletas do mundo junto de nomes como Leonel Messi e Cristiano Ronaldo. “Estou muito feliz só de estar entre os 23 melhores. Já é um título conquistado”, afirmou, na época. Ele ficou em décimo lugar, após a votação de jogadores, jornalistas e técnicos que elegem os melhores. No ano seguinte, foi o único brasileiro a constar na pré-lista de 23 nomes que concorriam ao prêmio. Acabou em 13o. Nesses dois anos, ele foi o único brasileiro que atuava no Brasil a ser indica­do para a lista.

BOLA DE OURO HORS-CONCOURS


Por suas atuações de encher os olhos do público e cativar a crítica esportiva, Neymar Jr. recebeu, em 2012, um prêmio que, antes dele, somente Pelé havia recebido. Trata-se da Bola de Ouro Hors-Concurs da revista Placar, que é concedida apenas em casos em que um jogador destoa tanto dos outros que é considerado “fora da disputa” pelas premiações normais.

“Neymar Jr. havia sido elevado a outra categoria, de seres que não estão neste planeta. Um caminho que ele provou ao receber a rara nota 10 da Placar, na vitória do Santos por 4 X 0 sobre o Cruzeiro, em 3 de novembro. Ali começava a trajetória de imortal. Havia um fosso entre o santista e os outros jogado­res”, justificou a revista.

CAPAS DE REVISTA

A fama conquistada pelo que faz dentro das quatro linhas levou as principais revistas do Brasil e do mundo a darem destaque especial para Ney­mar Jr. Ele já estrelou a capa de praticamente to­das as mais importantes revistas do país.

Na Placar, especializada em esporte, foram ao menos cinco aparições como foto de capa. Além disso, já esteve na página principal de revistas jor­nalísticas como Veja e IstoÉ, em títulos voltados a adolescentes como Atrevida e Capricho e até na conceituada revista americana Time.

CARRINHOS

Quando criança, Neymar Jr. quase não largava a bola de futebol por causa da sua paixão pelo esporte. Quando fazia isso, acabava partindo para a sua outra brincadeira favorita: os vários carrinhos que colecionava. Para lembrar essa segunda paixão de criança, ele até já foi fotografado com o pai brincando de carrinhos de controle remoto para uma matéria da revista Alpha, em 2011.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Futebol e Vida



Quantas vezes você, leitor, já ouviu falar sobre o tal “futebol como uma metáfora da vida”? Centenas de estudos acadêmicos já esquadrinharam essa relação social. Agora, de maneira muito simples e direta, o professor piauiense Raimundo Clementino Neto, cordelista de mão cheia, escreveu o livro Futebol e Vida – Qualquer semelhança é mera coincidência (edição do autor).

Na quarta capa da obra, a definição do olhar do autor sobre o tema:

“Os problemas da vida são infinitamente superiores aos problemas encontrados no futebol. Devido tanto complexidade, deveriam ser encarados com muito mais seriedade, o que nem sempre acontece, talvez por acomodação e/ou circunstâncias outras. Cada “não” que se recebe na vida, é como se fosse uma bolada dentro de campo. A vida é um jogo sério e decisivo, o futebol é um alerta, está a serviço das pessoas, é o deslumbramento da arte num verdadeiro encantamento através do qual percebemos que é possível brincar de viver”.

Literatura na Arquibancada destaca abaixo o texto de apresentação da obra de Raimundo Neto, e logo a seguir, um dos capítulos de Futebol e Vida – Qualquer semelhança é mera coincidência.

Apresentação
Por Raimundo Clementino Neto


Antes que o leitor venha a se perguntar coincidências entre futebol e vida, para que serve, o que é que eu tenho a ver com isso? – Exatamente. Podemos viver sem futebol, mas no lumiar do abstracionismo, surgem novas interrogações. Por que tão rapidamente tornou-se o esporte mais popular do planeta? Será que a humanidade consegue enxergar no futebol uma alternativa para um melhor entendimento entre as pessoas? Por que é tão envolvente?

Pegar o exemplo, do futebol, dentro das quatro linhas, e trazer para a vida, constitui uma das principais metas, ou o principal objetivo que se espera alcançar, com a publicação deste trabalho. Claramente percebe-se que o futebol é um laboratório de experimentos para a vida.

A essência deste esporte, quando detalhada e estudada minuciosamente, ajuda a esclarecer melhor os “por quês” de certos comportamentos e atitudes das pessoas, assim como facilita a compreensão de vários problemas do nosso dia-a-dia. Através do futebol, podemos melhorar o nosso relacionamento, com toda certeza. “Posso até ser um sonhador, mas não sou o único”, você também há de concordar comigo. O famoso cronista Rubem Alves, (2006, p.10) – analisa a questão deste modo: “...E fico sonhando com a possibilidade de se transferir um pouco do entusiasmo do futebol para as coisas sérias da vida.” Já o jornalista Moacir Japiassu, (2011, p.7) abordando o mesmo assunto, faz a seguinte análise:


“Se a vida é um jogo, como insistem alguns torcedores, então pode ser mesmo comparada ao futebol, com suas paixões mais ardentes e as alegrias, tristezas e entreveros de cada dia”.

O mundo fala vários idiomas, mas a linguagem dos jogadores é única e todos entendem. Com a simplicidade e popularidade do futebol, não se faz necessário o uso de um vocabulário tão sofisticado. A leitura fácil e agradável, já é um estímulo para o leitor, que quer entrar no jogo, sem sair das páginas do livro. 1º Tempo, 2º Tempo, Prorrogação e Pênaltis, encontrados entre as páginas, apenas subdividem o trabalho em pequenos trechos fracionados, para um melhor entendimento da nossa mensagem.

No papel de melhorar o mundo, sua tarefa, caro amigo, é trazer para a vida, o exemplo verificado dentro de campo. Experimente, use o futebol para ser um vencedor no campeonato da vida. Faça sua parte!

A ESCALAÇÃO DA EQUIPE
Por Raimundo Clementino Neto


Imagine um time com a seguinte formação em ordem alfabética:  André, Bartolomeu, Felipe, João Evangelista, Judas Iscariotes, Judas Tadeu, Mateus, Pedro, Simão, Tiago (o maior), Tiago (o menor) e Tomé.

Você sabe que time é este?

Facilmente percebe-se que esses foram os escolhidos ou enviados como Apóstolos. Era uma equipe formada por doze membros, cujo objetivo principal era melhorar as relações entre as pessoas, divulgando algo capaz de transformar o mundo e demonstrar como isso seria possível, através do cultivo do perdão, da caridade, da misericórdia, ou seja, fazer o bem habitar a mente das pessoas e os corações da humanidade.

Assim como os Apóstolos, os jogadores de futebol também têm uma missão específica. Muitos acreditam que Deus os escolheu para executarem tal tarefa, exatamente porque os fez nascer com talento.

Aqui no nosso trabalho, o futebol é visto como um mecanismo universal abrangente, que, a partir de doze componentes, onze jogadores e um juiz, mesma quantidade de Apóstolos, procura estabelecer um relacionamento mais justo e humanitário entre os povos. 


Relacionamento este, cuja eficácia vai depender da intensidade com que colocarmos o futebol a serviço da vida.                        

Voltando ao gramado, observamos que todos os princípios de igualdade são praticados dentro do campo de jogo.

Os jogadores têm os mesmos direitos na disputa entre as quatro linhas e, se não bastasse ainda, o futebol vai além das condições de igualdade, com a ausência total de discriminação. Vemos isso no contato físico, no compartilhamento do mesmo suor entre seus praticantes, verificado nos encontrões e nas faltas.

A bola, instrumento de interação do grupo ou ferramenta de trabalho, pelo seu formato esférico pode seguir igualmente infinitas direções, no sentido de chegar a qualquer jogador, sem distinção.

O juiz é uma autoridade legalmente constituída com idoneidade e competência técnica e moral, para dirigir o espetáculo e impor respeito. 


Quanto aos jogadores, estes são os “iluminados” ou “escolhidos”. Não é todo mundo que serve para ser jogador de futebol, o autêntico craque já nasce feito, ao descobrir que tem potencial para executar sua arte, só precisa dedicação e aprimoramento. Quando “Deus fez o homem à sua imagem e semelhança”, com sua sabedoria, não levou em consideração tão somente a parte física/imagem. A parte intuitiva, (o raciocínio, o pensar) - também ficou implícita em cada pessoa distintamente, em alguns de forma leve, sutil ou tangenciada superficialmente, em outros de forma mais aprofundada.

O bom artista tem, dentro de si, um diferencial divino na arte que executa, é um privilegiado.
O jogador de futebol é um destes artistas, não adianta querer ser jogador “na marra”, é necessário nascer com os requisitos mínimos exigíveis. Estes requisitos somente os “iluminados” possuem. E porque só eles possuem? Ninguém sabe ao certo. Ser um “enviado” é um mistério da divindade, foi assim com os Apóstolos, é um supremo e sagrado segredo indecifrável, tal qual a morte que é desprovida de clareza e explicações, caso contrário, todos queriam ter este privilégio, que está ao alcance de uma minoria, que são os verdadeiros “escolhidos” para darem ao mundo, através do futebol, o real sentido da boa convivência, diante da emoção que nos proporcionam e através dos bons exemplos praticados dentro de campo na hora do jogo. E a humanidade que os siga!   

Dentro das quatro linhas, estão jogando somente pessoas que o destino escolheu “a dedos” para execução da tarefa, são os “escolhidos”, os “iluminados”, ou mesmo “os guerreiros de Deus”, que nos fazem lembrar a bela canção “Guerreiro Menino” do saudoso poeta Gonzaguinha. Parece até participarem de uma suposta guerra santa. 


O futebol nos remete à batalha da vida, assemelhando-se com uma simulação bem distante da guerra, através do sentimento de rivalidade e do seu vocabulário, com a utilização de, entre outros, os seguintes termos: tiro de meta, artilheiro, guerreiro, canhão, atirou, fuzilou, ataque, defesa, recuo, arremesso, desarmes, linha de frente, retaguarda, arqueiro, pontaria...

O autêntico craque já nasce com a particularidade de dominar a bola com os pés, sem olhar para ela, e olhar sim, para os companheiros, os adversários, só assim, terá uma melhor visão de jogo, sem perder o controle da bola. Consideramos esta a principal, a imprescindível e a mais difícil exigência para o elemento se tornar um verdadeiro jogador de futebol. Não é fácil dominar, correr com a bola, sempre de cabeça erguida, sem perder o controle, como deveria ser na vida, a pessoa ter domínio sobre os obstáculos e estar sempre de cabeça levantada para seguir em frente.

A vocação é o caminho mais próximo para Deus e o bom jogador tem que ter, antes de tudo, vocação, no caso do futebol, seria ter domínio da bola, mas sem baixar a vista, manter o controle da mesma e conseguir êxito na armação e execução das jogadas, assim como, ter facilidade nos desarmes, enfim, jogar se divertindo. Se divertir, seria a forma ideal de remunerar o Homem, quando ele fizesse sua parte, na tarefa de melhorar o mundo, - afinal, ninguém gosta de fazer nada de graça. E jogar é um prazer para quem está em campo e uma grande diversão para quem assiste.                   

Não existe faculdade para formar jogadores. Um extraordinário jogador jamais será revelado em um centro de ensino ou uma escola especializada. Este se limitará ao aperfeiçoamento das técnicas. É uma grande piada no futebol, se falar em cotas raciais para pobres, índios e afrodescendentes, criadas para amenizar a desigualdade social. No campo de jogo, todos têm os mesmos direitos!


A Copa do Mundo de Futebol, evento promovido pela FIFA, que acontece de quatro em quatro anos, é uma boa oportunidade de se observar que estão em campo jogando apenas seres “iluminados”. Somente privilegiados fazem parte da escalação da equipe, são os legítimos representantes de um país, que assumem a responsabilidade de bem representá-lo. Quantos queriam estar ali! O mundo inteiro fica de olho em tudo que acontece naquela arena sagrada. Dentre os responsáveis pelo espetáculo, cada qual quer dar o melhor de si, quer se doar inteiramente, para que sirva de exemplo. Enxergo naqueles atletas, os “escolhidos”, ou “enviados”, por quem os criou, para promoverem numa sintonia universal, o alinhamento humano de um planeta em desalinho, através de uma arte contagiante que desenvolvem e que consegue adentrar os mais incrédulos corações.

Já passou da hora de formarmos a nossa equipe com o objetivo de sairmos vitoriosos no jogo da construção de um mundo melhor, para nós mesmos e nossos semelhantes. Todos estão escalados, nesse time não existem reservas.

Sobre o autor

Raimundo Clementino Neto nasceu em Bocaina, Piauí, em 17 de setembro de 1959. Adolescente ainda, foi morar em São Paulo, onde estudava regularmente e concluiu o Curso de Engenharia, tem Especialização em Linguística. De volta ao Piauí monta então uma pequena gráfica em Teresina (gráfica rima) e começa a investir mais em seus trabalhos literários. É professor da rede pública de ensino. Começou escrevendo Cordel, de onde pegou uma sólida base de rima e métrica que são características marcantes em seu trabalho poético. É letrista e escreve espetáculos musicais, além de oficinas de Literatura de Cordel. Escreve uma poesia bem humorada, de temas e formas diversificadas, como a poesia de amor, de crítica social, filosófica, histórica, satírica, em estilos variados.

Serviço: para os interessados em adquirir o livro, acessar: