terça-feira, 30 de abril de 2013

A Guerra do Futebol

É comum (e ridículo) ouvir de jogadores, principalmente, brasileiros, que o “jogo de hoje será uma guerra”.  Na maioria das vezes, perdem-se em campo, com nervos à flor da pele. Expulsos, como um guerreiro abatido na batalha, deixam os gramados abatidos por adversários, muitas vezes, inferiores tecnicamente.

No futebol mundial há uma história ímpar que ilustra verdadeiramente um conflito entre dois países e em plena eliminatórias de Copa do Mundo. Às vésperas da disputa de mais um Mundial no Brasil, Literatura na Arquibancada recomenda a leitura da obra do jornalista polonês Ryszard Kapuscinski, “A Guerra do Futebol” (Companhia das Letras, 2008).  

Kapuscinski estava bem próximo dos acontecimentos trágicos ocorridos entre Honduras e El Salvador, em 1969, quando os dois países disputavam as eliminatórias para a Copa de 1970. O futebol acabou como pretexto para um conflito armado e real fora dos gramados.


Foram três jogos marcados por fatos tristes e incríveis, até o suicídio de uma torcedora salvadorenha por causa da derrota do país, no primeiro confronto entre os dois países. Sua morte causou comoção nacional e no segundo jogo a torcida de Honduras foi duramente hostilizada. Saldo da tragédia: dois mortos, dezenas de feridos e 150 carros incendiados. Era o pretexto que faltava para os governantes dos dois países para um conflito armado.

Kapuscinski, morto em 2007, era o único repórter estrangeiro próximo aos dois países quando os conflitos começaram. Uma guerra curta, apenas quatro dias, mas com um saldo terrível: 6 mil mortos e dezenas de milhares de feridos.

Literatura na Arquibancada resgata um trecho desta história. O dia em que “A Guerra do Futebol” tornou-se realidade.

Sinopse (da editora)

Ryszard Kapuscinski

É inevitável que um grande repórter se torne um escritor - um grande escritor, no caso do polonês Ryszard Kapuscinski. Entre 1958 e 1980, Kapuscinski foi correspondente da Agência Polonesa de Imprensa na África, América Latina e Oriente Médio, e são suas incríveis aventuras por esses continentes conflagrados que ele compartilha com seus leitores em A guerra do futebol. Voando de uma crise política a outra, esse literato com vocação jornalística (ou vice-versa) viveu e relatou bom número de guerras e revoluções, munido tão-somente de caderninho de anotações, coragem romântica e imensa curiosidade pela experiência humana em situações-limite.

Em textos que reúnem beleza dramática e urgência jornalística, Kapuscinski desenhou perfis de líderes políticos, revolucionários e malucos em geral, aprendendo a arte quase suicida de viver no olho do furacão. Ao mesmo tempo, conviveu longa e intensamente com pessoas comuns, em suas casas, barracos ou na rua, em todos os países pelos quais passou.

"Quando os filhos dos nossos filhos quiserem se informar sobre as crueldades da segunda metade do século XX, eles terão de ler Ryszard Kapuscinski." - Wall Street Journal

A Guerra do Futebol
Por Ryszard Kapuscinski


"Luiz Suarez disse que haveria uma guerra, e eu acreditava piamente em tudo que Luis Suarez dizia. Nós dois morávamos no México, e Luis me dava aulas sobre a América Latina - de como ela era e como devia ser entendida. Ele conseguia prever muitos acontecimentos. Acertara sobre a queda de Goulart no Brasil, a queda de Bosch na República Dominicana e de Jimenez na Venezuela. Ainda muito antes do retorno de Perón, acreditava que o velho caudilho voltaria a assumir a presidência da Argentina, previu o iminente falecimento do ditador do Haiti - François Duvalier, a quem muitos davam muitos anos de vida. Luis sabia se mover nas areias movediças da política local, nas quais amadores como eu afundavam impreterivelmente, cometendo erros a cada passo.

Dessa vez, Luis Emitiu sua opinião sobre uma guerra inevitável assim que pôs de lado um jornal no qual lera a reportagem sobre uma partida de futebol entre Honduras e El Salvador. Os dois países disputavam uma vaga para próxima Copa do Mundo, programada para o verão de 1970 no México.

O primeiro confronto ocorreu num domingo, 8 de março de 1969, em Tegucigalpa, capital de Honduras.

Ninguém no mundo deu importância a esse acontecimento. 


O time de El Salvador chegou a Tegucigalpa no sábado e passou uma noite insone no hotel. Não pôde dormir, alvo que foi de uma guerra psicológica deflagrada pelos torcedores hondurenhos. O hotel foi cercado por uma multidão que atirava pedras nas janelas dos quartos dos jogadores e batia em tambores de lata ou em tonéis vazios. De vez em quando, ouviam-se explosões de foguetes. Centenas de carros estacionados diante do hotel buzinavam sem parar. Os torcedores assobiavam, berravam, gritavam palavras de ordem. Aquilo durou a noite toda, para que o time adversário, insone, nervoso e cansado, perdesse a partida do dia seguinte. Na América Latina, tal comportamento é muito comum e não espanta ninguém.
No dia seguinte, Honduras derrotou o maldormido time salvadorenho por 1 a 0.

Quando o atacante de Honduras Roberto Cardona fez o gol da vitória no último minuto do jogo, Amelia Bolanios, uma jovem salvadorenha de dezoito anos que assistia à partida pela televisão em San Salvador, levantou-se da cadeira, correu até uma escrivaninha em cuja gaveta estava o revólver de seu pai e disparou a arma no coração. 'A jovem não suportou ver seu país posto de joelhos', escreveu, no dia seguinte, El Nacional, diário de San Salvador. O enterro de Amelia Bolanios foi transmitido pela TV e acompanhado por toda a população da capital. O cortejo era precedido por um destacamento militar, com um estandarte. Atrás do caixão, coberto pela bandeira nacional, caminhavam o presidente da República e todos os seus ministros, seguidos pelos onze jogadores da seleção salvadorenha, que, vaiada, debochada e ofendida no aeroporto de Tegucigalpa, retornara ao país naquela madrugada num avião especial. 


Uma semana depois, no estádio com o belo nome de Flor Blanca de San Salvador, foi realizada a segunda partida. Dessa vez, foi o time de Honduras que passou a noite em claro: os enfurecidos torcedores salvadorenhos quebraram as vidraças de todas as janelas do hotel, atirando para dentro dos quartos toneladas de ovos podres, ratos mortos e panos fedorentos. Os competidores foram levados ao estádio em carros de combate da Divisão Motorizada de San Salvador, o que os salvou de uma vingança sangrenta da multidão, que acompanhou o trajeto carregando fotografias da heroína nacional Amelia Bolanios.

O estádio foi cercado por tropas de elite - a Guardia Nacional - munidas de metralhadoras. Durante a execução do hino hondurenho, o público vaiava e assobiava. Em seguida, em vez da bandeira nacional de Honduras, que fora queimada diante do olhar extasiado da multidão, os organizadores da partida içaram no mastro um pano esfarrapado. Era totalmente compreensível que, nessas circunstâncias, os jogadores de Honduras não pensassem na partida, mas se perguntassem se sairiam dali com vida. 'A nossa sorte foi termos perdido aquele jogo', declarou, aliviado, o técnico hondurenho, Mario Griffin.

El Salvador ganhou por 3 a 0. 


Logo após a partida, a equipe hondurenha foi levada, nos mesmos carros de combate, diretamente para o aeroporto. Seus torcedores não tiveram a mesma sorte: agredidos a pauladas e pontapés, fugiram em direção à fronteira, sendo que dois foram mortos pelo caminho e dezenas de outros acabaram hospitalizados. Cento e cinqüenta automóveis dos visitantes foram incendiados. Horas depois, a fronteira entre os dois países foi fechada.

Fora isso que Luis lera no jornal antes de afirmar que haveria uma guerra. Ele fora um repórter experimentado e conhecia muito bem o seu terreno.

Segundo ele, na América Latina a fronteira entre futebol e política é extremamente tênue. A lista de governos que foram derrubados por causa de uma derrota de sua seleção é extensa. Os profissionais da equipe derrotada costumam ser chamados de 'traidores da pátria'. Quando o Brasil conquistou a Copa do Mundo no México, um amigo meu brasileiro - um asilado político - ficou desesperado. 'Os militares da direita', disse, 'acabaram de assegurar mais cinco anos de governo pacífico'. Em sua trajetória para a conquista da Copa, o Brasil derrotara a Inglaterra. O diário carioca Jornal dos Esportes, num artigo intitulado 'Jesus defende o Brasil', explica da seguinte forma o motivo da vitória: 'Toda vez que a bola corria em direção à nossa defesa e o gol parecia inevitável, Jesus baixava a Sua perna do céu e chutava a bola para fora'. O artigo era complementado por desenhos que ilustravam aquele milagre". 

Com os dois resultados das duas primeiras partidas houve a necessidade de um jogo desempate, ocorrido no estádio Asteca, no México. No tempo normal, o jogo terminou 2 a 2. E na prorrogação El Salvador marcou o gol que o levaria à Copa do Mundo de 1970, no México. No dia deste jogo desempate, os dois países fecharam suas fronteiras e mobilizaram suas tropas. A Guerra estava em campo.
 


Sobre o autor:

Ryszard Kapuscinski nasceu em 1932, em Pinsk, então pertencente à Polônia e hoje território da Belarus. Trabalhou durante quarenta anos para a PAP, agência de notícias polonesa, como correspondente estrangeiro na África e na América Latina. Realizou matérias sobre 27 revoluções, golpes de Estado e insurreições diversas. Kapuscinski morreu em 2007, em Varsóvia.

domingo, 21 de abril de 2013

Friedenreich: a saga de um craque



Conhecer a história. Perpetuar seus ídolos. É isso o que a literatura esportiva nas últimas décadas tem procurado ofertar ao público leitor-torcedor. E, finalmente, o primeiro de seus grandes ídolos, Arthur Friedenreich, entra em pauta novamente. Primeiro foi Alexandre da Costa com “O Tigre do Futebol” (DBA, 1999) e agora, com o belíssimo “Friedenreich – A saga de um craque nos primeiros tempos do futebol brasileiro” (Casa Maior Editorial), de Luiz Carlos Duarte. E ainda há o projeto da autobiografia, descoberta pelo editor Cesar Oliveira.

Fried, como é conhecido no meio do futebol, merece muito mais. O primeiro grande ídolo do futebol brasileiro, lá do céu, agradece. Literatura na Arquibancada apresenta abaixo, um dos capítulos da obra de Luiz Carlos Duarte, onde vemos o ídolo após o encerramento de carreira e as diversas polêmicas que se formaram em torna de sua trajetória, especialmente, a do recorde de gols marcados.

Nova vida, novos mitos e lendas
Por Luiz Carlos Duarte

 
Beneficiado pelos laços estreitos que sempre manteve com a comunidade germânica, Friedenreich recebe uma proposta para iniciar uma vida profissional longe do futebol. A Companhia Antarctica Paulista, dirigida por alemães, o contrata como propagandista com um salário mensal de 600 mil réis, após indicação feita pelo jornalista Cásper Líbero, fã declarado do ex-craque. A empresa também teria comprado a casa em que Fried vivia, na rua Cunha Gago, 678, em Pinheiros, e a transferido para ele.

Admitido no dia 1º de setembro de 1938, ele iria percorrer muito chão, como certa vez descreveu em carta ao amigo Max Valentim, “carregando os jornais como distração nas constantes viagens de trem e de ônibus, conduzindo-me ao faroeste do Estado, quando não no próprio sertão de Minas, Goiás, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina”.

Seu modo de trabalhar seguia um ritual. Sempre bem-vestido, de terno e gravata e sapatos lustrosos, entrava em um bar ou restaurante, sentava-se à mesa e pedia uma bebida da empresa que representava. Caso o estabelecimento não a tivesse, insistia alegremente no pedido até convencer os proprietários a prometerem fazer uma encomenda de refrigerantes e cervejas.

 
Certa vez ele é flagrado em Blumenau (SC), no Café Pinguim, tradicional ponto que reunia os torcedores de futebol. Numa mesa servida por extensas rodadas de copos duplos de cerveja, Fried dá entrevista a um repórter do jornal Cidade de Blumenau. Relembra o único tropeço da histórica excursão do Paulistano à Europa. Diz que o Cette era uma equipe inferior, mas entusiasta, em um campo diminuto e coberto de neve. E afirma que o Paulistano teve 35 escanteios a favor somente no primeiro tempo, “número jamais registrado no futebol”, enfatiza. Trata-se obviamente de uma situação inverossímil. Naquele tempo, o jogo de futebol era dividido em dois tempos de 40 minutos. Não cabem 35 escanteios em um tempo só!

Os exageros também vão moldar uma passagem de Friedenreich em Presidente Prudente, no oeste do Estado de São Paulo, onde encara o desafio de enfrentar a mulher mais beberrona da cidade, que também era dona de um bar. Por mais de seis horas, ambos esvaziam alguns engradados de cerveja, até que a mulher desiste e Fried vence a prova ao beber a 55a garrafa.

Mas havia quem visse o velho El Tigre em situação mais serena, sem arroubos, como o cronista Rubem Braga, na crônica intitulada “O Emprego de Friedenreich”. Em um texto de reminiscências sobre a São Paulo antiga, por volta de 1941, ele se lembra de um café que frequentava no largo São Bento.

 
O café o atraía por duas coisas especiais. “No fundo, várias mesas em que sempre estavam surdos-mudos a conversar com as mãos. Era o ponto de encontro deles. À direita de quem entrava, sentado atrás de um balcão, um mulato vendia passagens de ônibus interurbanos, jardineiras. O nome dele: Arthur Friedenreich.”

Braga conta que haviam arranjado aquele emprego por Friedenreich ter “sido o melhor jogador brasileiro, sem discussão: um grande nome nacional, temido e respeitado em todo o mundo do futebol.”

Não há registro de que Friedenreich tivesse trocado o emprego na Antarctica. O mais crível é que, por estar sempre viajando, tornara-se um habitué de estações de trens, de pequenas rodoviárias e de pontos de partidas de ônibus. Nesses locais, poderia ajudar algum parceiro ou até exercer algum bico.

Seu nome ainda seria lembrado nas efemérides e nas comemorações de várias passagens do futebol brasileiro, como em janeiro de 1954, numa festa grandiosa do Flamengo para celebrar a conquista do Campeonato Carioca, em partida contra o Botafogo. A solenidade no Maracanã transcende os limites do regionalismo e reverencia os velhos e os novos tempos do futebol brasileiro.

 
Após a entrega de faixas aos flamenguistas, entram em campo os campeões do Pan-Americano de 1952, vestindo o novo uniforme da seleção brasileira — camisas amarelas, calções azuis e meias brancas —, que se perpetuaria até os nossos dias. No céu, surge um helicóptero trazendo uma bandeira brasileira, um oferecimento da Academia Militar de Agulhas Negras à delegação que iria disputar a Copa do Mundo de 54, na Suíça.

Ao som do hino nacional, a bandeira é hasteada diante dos atletas perfilados. Em seguida, uma cena tocante: os alto-falantes anunciam os campeões sul-americanos de 1919, e um a um eles vão se apresentando no gramado: Marcos, Píndaro, Bianco, Amílcar, Neco, Heitor e por fim, diz a crônica, “o lépido e elegante Arthur Friedenreich, aplaudidíssimo pelo público”.

A apoteose acontece quando três jogadores começam a dar a volta olímpica, representando diferentes épocas do futebol brasileiro. Arthur Friedenreich, Leônidas da Silva, ambos vestidos de terno e gravata, e Ademir de Menezes, com o novo uniforme da seleção, são aplaudidos demoradamente em uma homenagem antológica diante da multidão de cem mil torcedores.

 
À medida que Fried vai se firmando no panteão dos grandes nomes do futebol, mitos e lendas também são criados e disseminados em torno de supostas passagens de sua vida.

Uma delas trata do gol que teria marcado no jogo em que o Paulistano realizou contra a seleção da Inglaterra, em Londres. O jogo estava empatado por 1 a 1 e, no último minuto, Fried arranca, dribla os zagueiros, o goleiro e manda a bola para a rede. O juiz decide anular o golaço. O brasileiro o interpela em francês e recebe como resposta que um jogador não poderia fazer algo semelhante na frente do rei e da rainha da Inglaterra. Na verdade, nunca houve essa partida e tampouco o gol. O Paulistano nunca foi a Londres.

Outra lenda famosa que correria o país fala de uma bandeira brasileira queimada. Segundo uma de suas versões, em um jogo na Argentina, após a vitória do Paulistano por 1 a 0, a torcida revoltada ateou fogo em uma bandeira brasileira que estava hasteada. Friedenreich subiu no pequeno mastro e salvou o pavilhão, apertando-o contra o peito para debelar as chamas. O herói guardaria a bandeira até os últimos dias de sua vida. A história seria repetida durante anos pelos jornais e acabaria sendo impressa no catálogo da exposição que a Pinacoteca do Estado fez em homenagem ao centenário de nascimento de Fried, em 1992. Até no dia do enterro do craque, a bandeira se tornaria um mistério.

 
Entre as várias cidades visitadas por Friedenreich em suas viagens a trabalho, Santos recebe um carinho especial e torna-se um destino frequente nos fins de semana de lazer. Adepto da pescaria com os amigos, seu lugar predileto é a ilha das Palmas, sede do Clube de Pesca de Santos.

“Se me demoro um pouco mais a rever Santos, a dor da saudade se torna tão insuportável que o remédio mesmo é entrar num ônibus, descer a serra gigante e vir abraçar essa cidade a quem tanto e tanto quero”, disse ele em uma entrevista ao jornalista De Vaney, em uma tarde de janeiro de 1957, no Café da Bolsa, no coração da cidade. Na roda de amigos que o cercavam estava Mario Andrada, seu ex-parceiro do Paulistano, que havia se transferido para a Baixada Santista após abandonar o futebol.

De Vaney será o responsável pela criação do maior mito sobre Friedenreich. Nascido em Ribeirão Preto, ele perdeu o pai aos 11 anos, quando se mudou com a família para o Rio de Janeiro. Ingressou no jornalismo logo cedo, atuou em vários jornais e cobriu as Copas de 1930 e 1934. Optou por morar em Santos após ser aprovado em um concurso público. Além de escrever para A Tribuna, dedicou-se intensamente a pesquisar a história do futebol, o que o fez vencedor de um concurso sobre os 60 anos de história do futebol paulista, superando os conceituados Tomás Mazzoni e Paulo Varzea.

 
A conversa com Friedenreich, no Café da Bolsa, rendeu a De Vaney uma página de exaltação à carreira do craque, mas nenhuma novidade ao que já se sabia dele. O único detalhe a chamar a atenção é a descrição que Friedenreich faz do histórico gol sobre o Uruguai, em 1919. Na sua nova versão, ele diz que matou a bola no peito antes de chutar para o gol, contrariando o relato que havia feito nos anos 40 ao jornalista Max Valentim. Seis meses após esse encontro no Café da Bolsa, Mario Andrada morreria de infarto, em 6 de agosto de 1957.

Apaixonado pela história do futebol, De Vaney começa a publicar uma série de perfis biográficos de grandes craques, na seção Os Imortais do Nosso Futebol, nas páginas de A Tribuna, no período de 21 de agosto de 1962 a 29 de janeiro de 1963. Posteriormente, todo esse material seria editado no livro Os Imortais do Nosso Futebol, de 488 páginas, em 1963.

O segundo capítulo do livro é dedicado a Friedenreich, sob o título “Um Nome Legenda”, e traz os principais momentos da carreira do craque, além de estatísticas. A certa altura, De Vaney apresenta seus dados: “Nos 24 campeonatos paulistas em que tomou parte, e dos quais foi, durante vários anos, o principal goleador, Arthur Friedenreich marcou 354 tentos. No selecionado paulista assinalou 62 gols e na representação brasileira anotou 13 pontos, num total de 429 oficiais. Somados os amistosos, Fried marcou mais de mil gols.”

 
A maior surpresa, porém, viria no livro Gigantes do Futebol Brasileiro, de João Máximo e Marcos de Castro, lançado em novembro de 1965, com os perfis de 15 grandes jogadores brasileiros. Friedenreich é o primeiro deles.

Os autores citam “estudos sérios” do jornalista Adriano Neiva da Mota e Silva, o De Vaney, para dizer o seguinte: “Nenhum outro jogador no futebol sul-americano alcançou, até hoje, o número de gols por ele conquistados, desde sua primeira partida oficial: 1.329 gols registrados pela CBD, reconhecidos pela Fifa e admirados por várias gerações de futebol.”

A grande questão que fica no ar é a seguinte: por que De Vaney não publicou esses dados no perfil que escreveu sobre Friedenreich no livro Os Imortais do Nosso Futebol, lançado dois anos antes?

Não há uma explicação plausível para isso. Anos depois, em um texto publicado em 1978, na seção “Minhas Memórias”, em A Tribuna, De Vaney relembra a história da suposta lista de gols de Friedenreich.

“Eu estive com essa relação nas mãos. Ela pertencia, por cópia, a um seu amigo e colega da equipe do Paulistano, o Mario Andrada, que me prometeu tirar uma cópia (não havia, ainda, o xerox). Não chegou a transcorrer um mês que Mario Andrada me fizera esse oferecimento, e eis que ele, ao vir dirigindo seu carro, de São Vicente para Santos, em cuja praça cafeeira era corretor, sofreu um infarto que o matou logo após estacionar o automóvel. Deixei transcorrer três meses e pouco e fui à casa de Mario. Foram baldados todos os esforços de sua viúva e de seu filho no sentido de ser encontrado o envelope, tipo ofício, em que Mario guardava a relação dos gols de Friedenreich.”

 
Relata ainda que percorreu escolas de datilografia de Santos e de São Paulo, presumindo que Mario tivesse deixado a relação em uma delas para copiá-la.

Entre outros esforços, ele conta que procurou o pai de Friedenreich. “Avisteime com o sr. Oscar Friedenreich, que reafirmou a existência da lista com os 1.329 gols (muitos deles por clubes do interior de São Paulo, de Minas, do Paraná e de clubes de Curitiba, Florianópolis, Espírito Santos etc.). Indicou-me um senhor chamado Faria, grande amigo de Fried, mas a quem jamais consegui localizar.”

É nesse parágrafo que reside o grande lapso da história de De Vaney. Era impossível ele ter se avistado com o pai de Fried, já que Oscar Friedenreich havia morrido em fevereiro de 1929, 28 anos antes da morte de Mario Andrada.

A própria família de Mario mostra-se refratária à hipótese da existência da lista. O jornalista Mario Andrada e Silva, neto do jogador, ao ser questionado sobre o assunto pelo historiador Domingos D’Angelo, respondeu: “Minha avó nunca falou do caso. Não creio que seja totalmente verdadeira a história de ela jogar tudo fora. Minha avó era uma intelectual. Escreveu livros de educação infantil e tinha a mania de guardar jornais e papéis velhos (todo texto de jornal de que ela gostava, por um motivo ou outro, ela guardava). Quando ela não tinha tempo de ler o jornal em um dia, ela guardava para ler no dia seguinte. O programa dela nos sábados era ler os jornais que não teve tempo de ler na semana”.

 
Essa versão de De Vaney, de que teria procurado a família três meses após a morte de Mario Andrada, ou seja, no final de 1957, também reforça a pergunta. Se sabia dessa história, por que não a publicou no perfil que produziu em Os Imortais do Nosso Futebol, publicado seis anos depois?

O resultado é que o mito dos 1.329 gols se propagou por décadas, conferindo a Friedenreich a lenda de ter marcado mais gols do que Pelé. Essa versão correu por incalculáveis páginas de jornais, livros e sites da internet, espalhando-se por todo o planeta. O ex-jogador Franz Beckenbauer, antes da Copa de 2006, chegou a citar a lenda em conversa com jornalistas brasileiros. O escritor uruguaio Eduardo Galeano, no livro Futebol ao Sol e à Sombra, dedicou um texto a Friedenreich. “Ninguém fez mais gols que ele na história do futebol. Fez mais gols que o outro grande artilheiro, Pelé, também brasileiro, que foi o maior goleador do futebol profissional. Friedenreich somou 1.329 gols. Pelé, 1.279.”

A polêmica motivou o jornalista Alexandre da Costa a realizar um levantamento minucioso dos gols nas coleções de jornais antigos. No livro O Tigre do Futebol, lançado em 1999, ele apresentou seus números: foram 554 gols em 561 partidas. Pelos seus cálculos, a média de gols de Friedenreich por partida (0,987) é superior à de Pelé (0,931). Nos mais recentes levantamentos, Costa confere 568 gols em 580 jogos para Fried (média de 0,98). Por sua vez, Pelé anunciou 1.282 gols, confirmando a média de 0,93 por jogo.

 
Em 2011, quando saiu a segunda edição do livro Gigantes do Futebol Brasileiro, os autores retiraram o trecho que falava do levantamento de De Vaney. “Outra lenda sobre o artilheiro, em cuja armadilha a primeira edição deste livro caiu, foi o levantamento divulgado pelo pesquisador Adriano Neiva da Mota e Silva, o De Vaney, sobre os títulos conquistados e gols marcados por Friedenreich. Os gols, 1.329!”, diz um trecho do livro, que acaba citando
o levantamento feito por Alexandre da Costa como “mais perto da verdade”.

O mito dos 1.329 gols, ao enfatizar apenas o lado artilheiro de Fried, acabou por encobrir a real importância do jogador na gênese do futebol brasileiro. Friedenreich foi um dos pioneiros a contribuir para a criação do DNA da escola brasileira de futebol. Ele e demais craques de sua geração, como Neco, Heitor e Formiga, entre outros, criaram um estilo, uma forma de jogar baseada em uma variedade de dribles criativos, troca rápida de passes, toques de primeira, infiltrações e arrancadas fulminantes ao ataque.

Fried foi o primeiro grande centroavante a executar dribles curtos que lhe permitiam abrir espaços para os chutes com efeito, que também fizeram história. Tinha também uma notável mobilidade para recuar, buscar o jogo e sair distribuindo passes para os companheiros de frente. Traços e propriedades que ajudaram a formatar o modo brasileiro de jogar futebol.

Sobre Luiz Carlos Duarte:
 
É jornalista, formado na Fundação Armando Alvares Penteado. Ocupa o cargo de editor-geral do jornal “Agora São Paulo” desde o lançamento da publicação, em 1999. Também no Grupo Folha, já desempenhou as funções de repórter e de editor-assistente na “Folha de S. Paulo”. Foi coordenador de reportagem na sucursal de Brasília e coordenador assistente da Agência Folha. Também foi secretário de Redação do Departamento de Esportes da TV Cultura (1988-1989).

sábado, 20 de abril de 2013

Megafone do esporte: o craque Thomaz Mazzoni

Arte: Zuca Sardan


“Deixa Falar: o megafone do esporte”, espaço de debates que sai quinzenalmente, sábado sim, sábado não, aqui, no Literatura na Arquibancada, na Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br), no blog do Juca (http://blogdojuca.uol.com.br/ ) e no Centro Esportivo Virtual (CEV) (http://cev.org.br/), debatendo o esporte em geral e o futebol em particular, dialogando com a História, Política, Música, Economia, Literatura, Cinema, Humor, traz nesta edição artigo sobre o mestre do jornalismo esportivo, Thomaz Mazzoni. O autor é nosso convidado especial, Rafael Silva, mestre em História pela PUC-RJ.

Um mestre do jornalismo esportivo brasileiro
Por Rafael Silva

Arte: Zuca Sardan

Thomaz Mazzoni foi um dos mais importantes jornalistas esportivos da história da imprensa brasileira, destacando-se por seu trabalho em jornais, obras publicadas e revistas de São Paulo na primeira metade do século XX.  Seu livro História do Futebol no Brasil 1894 – 1950” é referência obrigatória para jornalistas, acadêmicos e aficionados de uma maneira geral.

Italiano de nascimento, mas brasileiro por escolha – naturalizou-se em 1945 −, Mazzoni chegou ainda criança ao Brasil em 1909, junto com toda a família Mazzoni. Criou-se na região do Braz, na Rua do Gasômetro, reduto da crescente colônia italiana na cidade de São Paulo. Segundo relatos de familiares, teria sido um bom ponta-esquerda quando jogava na “Várzea do Carmo”. Além disso, teria fundado com um de seus irmãos um time chamado “Polignare a Mare FC”, e tendo jogado também no “Eduardo Prado” e no “São Cristóvão”. 


Seu primeiro trabalho como jornalista esportivo foi no semanário S. Paulo Sportivo, em meados de 1922, e a partir de 1925, tornou-se gerente desta publicação. Ao longo da década de 1920 também passou por outras folhas como: O Combate; São Paulo Jornal; Diário Nacional, além de se tornar diretor de outro semanário, o Estampa Esportiva. Esta primeira etapa da carreira de Thomaz Mazzoni chamou atenção do empresário e proprietário d’ A Gazeta, Cásper Líbero, que o levou para o seu jornal em 1928 para trabalhar com Leopoldo Sant’Anna.

Foi em A Gazeta que Thomaz Mazzoni consolidou sua carreira de jornalista, tendo trabalhado no grupo até o seu falecimento. No ano seguinte à sua chegada, lançou sua primeira publicação, o Almanach Esportivo1928. Depois vieram os almanaques dos anos de 1929 a 1934, com um período de interrupção até 1939, quando passou a ser lançado todos os anos até 1941 – desta data em diante o cronista continuou a escrever, mas vendeu os direitos autorais e financeiros para uma editora.


Em 1930, Thomaz Mazzoni, passou a ser o redator e editor-chefe de “Todos os esportes” - caderno esportivo d’ A Gazeta. E foi a partir desse dia que o jornalista passou a publicar a sua grande marca, a coluna “Olimpicus”, que saía todos os dias na primeira página da seção esportiva - o nome da coluna é fruto do pseudônimo com o qual assinava suas crônicas neste espaço. Aqui, Mazzoni estabeleceu um diálogo direto com o leitor do jornal através de uma escrita simples, repleta de gírias e expressões populares, a qual usava para criticar o que considerava “males do esporte”. Por outro lado, a coluna foi espaço para comentários apaixonados e carregados de emoção sobre os jogos, e análises dos mais diferentes campeonatos e times.

Nas páginas d’A Gazeta Thomaz Mazzoni usou todo seu talento ao criar os mascotes e apelidos de alguns times de São Paulo –“Clube da Fé”, ao São Paulo, “Timão e Mosqueteiro”, ao Corinthians, “Campeoníssimo”, ao Palmeiras, “Moleque Travesso”, ao Juventus, e “Nhô Quim”, ao XV de Piracicaba, entre outros - e batizar os grandes clássicos da capital paulistana – “Choque Rei, “Derby Paulista, “Majestoso e “San-São


A década de 1930 foi, sem dúvida, a de maior produção bibliográfica de Mazzoni. Além dos cinco “Almanaques Esportivos”, em 1933 publicou seu primeiro livro, “Hockey”. No ano seguinte, o primeiro volume de sua autoria sobre um clube de futebol específico, “Histórico do Palestra”. Em 1937, publicou a obra “Ciclismo para todos”, onde, além do histórico deste esporte no Brasil e no mundo, abordava os recordes, resultados e diferentes tipos de treinamento. No ano seguinte, foi publicado seu livro de maior sucesso editorial, “O Brasil na Taça do Mundo”. Nesta obra, através de crônicas saborosas, comentou e criticou os diversos aspectos que cercaram a campanha da seleção brasileira de futebol no mundial da França, em 1938. Nos dois anos seguintes publicou, em sequência, “Problemas e aspectos do nosso futebol” e “Flô, o melhor goleiro do mundo”, primeiro romance que tratou especificamente do futebol em nosso país.

A década de 1940 começou com outra obra do jornalista, “lançada sob os auspícios da criação do Conselho Nacional de Desportos- CND”, “O esporte a serviço da pátria”. Em 1942, ganhou o “Concurso Literário do SPFC”, publicando uma compilação de crônicas que abordavam os mais diferentes aspectos do esporte brasileiro. No ano seguinte, publicou um novo histórico sobre uma equipe de São Paulo, “Histórico do S. Paulo FC”. Em 1945, em função da realização do Campeonato Sul-Americano no Chile, publicou “O Brasil no campeonato Sul-americano de futebol” com o “histórico da participação do Brasil no torneio continental”. Com um apetite literário interminável, em 1947, lançou mais duas obras, que tratavam de dois dos mais antigos “grêmios da capital paulista”, “Histórico do Ypiranga” e “Histórico do Corinthians”. Neste mesmo ano, Thomaz Mazzoni passou a trabalhar no mais novo periódico esportivo da capital paulista, a Gazeta Esportiva, onde, como redator-chefe, continuou publicando a coluna “Olimpicus”, ajudando a fazer deste o jornal esportivo de maior tiragem da capital paulista nas três décadas seguintes.


Em 1950, em homenagem à Copa do Mundo, lançou o livro que pode ser considerado a “bíblia” para os interessados nos resultados e estatísticas dos primeiros 56 anos do futebol brasileiro, História do Futebol no Brasil 1894 – 1950”. Como o planejado livro sobre a vitória brasileira em 1950 não saiu do papel, em função da derrota para o Uruguai, em 1958 lançou o livro cujo título expressava claramente o sentimento que a vitória da seleção brasileira sobre a Suécia causou nos brasileiros: ”O mundo aos pés do Brasil: a desforra de 38, 50 e 54”. Este seria o último livro de fôlego da carreira do jornalista. Mas ele ainda contribuiu em obras como “O ano de ouro do esporte brasileiro”, “Eu sou Pelé”, entre outros.

Seguidas vezes ganhou o prêmio “Pena de Ouro do Brasil”. Também ganhou comendas de três presidentes da República pelo reconhecimento de seu trabalho e ações dentro do jornalismo esportivo. Participou de inúmeras mesas-redondas, onde chamava atenção pelo seu espírito explosivo, levando os convidados e até o moderador a provocarem-no ainda mais, o que contribuía para um considerável aumento na audiência do programa.

Faleceu meses antes da Copa do Mundo do México, de 1970, não testemunhando a vitória do Brasil, mas com seu estilo militante e ousado deixou gravado o seu nome no jornalismo esportivo brasileiro e sua obra como legado histórico para os admiradores do futebol nacional.

Sobre Rafael Silva:
 
Convidado do “Deixa Falar: o megafone do esporte” é Graduado e Mestre em História pela PUC - RJ, pesquisa imprensa esportiva paulista nas décadas de 1920 até 1950.









Deixa Falar: o megafone do esporte, criação e edição de Raul Milliet Filho.

Sobre os autores do “Deixa Falar: o megafone do esporte”

 
Ademir Gebara Graduado em História e Educação Física, mestre em História pela USP, PH D em História pela London School of Economics and Political Science., ex-diretor e coordenador de Pós da FEF Unicamp, professor visitante da Universidade Federal da Grande Dourados.


Antonio Edmilson Rodrigues – é América, livre docente em História, professor da UERJ e da PUC-RJ, pesquisador de História do Rio de Janeiro, escritor de temas vinculados à história urbana, coordenador do projeto Conversa de Botequim e autor de João do Rio, a cidade e o poeta.


Bernardo Buarque – professor da Escola Superior de Ciências Sociais (FGV) e pesquisador do CPDOC/FGV. `É editor da coleção Visão de Campo (7 Letras). Em 2012, publicou o livro ABC de José Lins do Rego (Editora José Olympio).

 
Flavio Carneiro - é botafoguense, além de escritor, roteirista e professor de literatura na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).www.flaviocarneiro.com.br.


José Paulo Pessoa – é botafoguense, ator, advogado, que achava o Didi mais impressionante que o Garrincha (que foi o maior que já vi!). Diretor, cantor e compositor do Bloco das Carmelitas, de Santa Teresa (RJ).


José Sebastião Witter – é torcedor do São Paulo, professor emérito da USP e professor normalista.


Luiz Carlos Ribeiro é professor do Departamento de História da UFPR e coordenador do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade.


Marcelo W. Proni – economista, doutor em Educação Física pela Unicamp, professor do Instituto de Economia da Unicamp, torcedor do Botafogo de Ribeirão Preto.

 
Marcos Alvito - É carioca de Botafogo e Flamengo até morrer.  É um antropólogo que dá aula de História na UFF desde o longínquo ano de 1984.  Perna-de-pau consagrado, estuda um jogo que nunca conseguiu jogar direito: o futebol. Mas encara qualquer um no futebol de botão. Acaba de publicar A Rainha de Chuteiras: um ano de futebol na Inglaterra (www.clubedeautores.com.br)


Ney Costa Santos - É Flamengo, Mestre em Comunicação Social e Professor da PUC-Rio. Cineasta, dirigiu os filmes Heleno e Garrincha, Meu Glorioso São Cristovão, O Pulo do Gato, Cinema Interior, Cole in Rio e Padre-Mestre.

 
Raul Milliet Filho – é botafoguense, mestre em História Política pela UERJ, doutor em História Social pela USP. Como professor, pesquisador e autor prioriza a cultura popular. Gestor de políticas sociais, idealizou e coordenou o Recriança, projeto de democratização esportiva para crianças e jovens.


Ricardo Oliveira – é Vasco, jornalista, educador da prefeitura do Rio de Janeiro e pesquisador da História do futebol. Coordenador da pesquisa do livro Vida que Segue: João Saldanha e as Copas de 1966 e 1970.


Wanderley Marchi Jr – doutor em Educação Física e Sociologia do Esporte e professor da Universidade Federal do Paraná/BRA e da West Virginia University/USA.


Zuca Sardan (Carlos Felipe Saldanha) – É torcedor do Vasco, nasceu no Rio de Janeiro em 1933, mas vive em Hamburgo, na Alemanha. Estudou arquitetura, mas fez diplomacia. Estudou desenho, mas fez letras. Hoje dedica-se a desenhos, vinhetas, poesias e folhetins. Entre seus livros, estão: Ás de coletepoesias, desenhos e Osso do Coração.

Acompanhe as outras edições do Deixa Falar: o megafone do esporte nos links abaixo:

Arte: Zuca Sardan.