sábado, 12 de janeiro de 2013

O megafone do esporte: 100 anos do Diamante Negro

Arte: Zuca Sardan
Desde o dia 15/12/2012, um espaço nobre dentro do conteúdo do Literatura na Arquibancada. Deixa Falar: o megafone do esporte surgiu da cabeça de um mestre, o historiador e apaixonado pelo esporte (especialmente quando o tema for o seu querido Botafogo), Raul Milliet Filho.

Deixa Falar: o megafone do esporte é um espaço que estará aqui no Literatura na Arquibancada , no blog do Juca (http://blogdojuca.uol.com.br/ )e na Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br) quinzenalmente, sábado sim, sábado não, debatendo o esporte em geral e o futebol em particular, dialogando com a História, Política, Música, Economia, Literatura, Cinema, Teatro, Humor etc.

Arte: Zuca Sardan

O Megafone do esporte não tem medo de bola dividida e não vai tirar o pé diante de fatos cotidianos polêmicos, assim como não deixará de reverenciar a memória de ícones do esporte brasileiro. 

Mas tudo sempre pautado pelo bom humor e aberto ao contraditório, pois Megafone que se preze não é dono da verdade: Deixa Falar.

O time do Deixa Falar: o megafone do esporte tem treze participantes (confira no final o time de craques). 

O grupo é plural, com opiniões diferentes nos assuntos, nas ideias e também nas idades de seus componentes, que variam dos 30 aos 80 anos.

Arte: Zuca Sardan




Nesta terceira edição (divida em dois artigos),uma homenagem do mestre Sebastião Witter a um dos maiores jogadores de futebol do planeta bola: Leônidas da Silva. No ano do centenário do Diamante Negro, Witter, que está completando 80 anos de vida, teve o privilégio de ver Leônidas desfilar seu talento dentro dos gramados. Deixa Falar: o megafone do esporte e Literatura na Arquibancada parabeniza esses dois verdadeiros craques, dentro e fora dos gramados. 

Leônidas da Silva, nasceu no dia 06 de setembro de 1913 e morreu no dia 24 de janeiro de 2004. 

No segundo artigo, em outro post, a recordação do escritor Flavio Carneiro sobre as lentes do histórico Canal 100.



Leônidas da Silva em São Paulo
Por Sebastião Witter

Arte: Zuca Sardan

Na década de quarenta do século XX, quando ainda acontecia a Segunda Guerra Mundial, o craque insuperável, Leônidas da Silva, veio para São Paulo, contratado pelo São Paulo Futebol Clube. Já veterano, para a época, o São Paulo iniciou uma prática e que mantém até os tempos atuais: contratar veteranos para jogar com os seus jovens iniciados, atualmente nos seus setores de treinamento e, então, no Canindé, onde, hoje a Portuguesa tem seu estádio.

Leônidas foi uma aquisição incomparável do tricolor paulista e ajudou a equipe a conquistar tudo nas décadas de 1940 e 1950; creio que este período só comparável ao de Gerson, quando também veio, veterano e também do Rio para fazer o São Paulo crescer.


Mas fiquemos com Leônidas – o Diamante Negro – sobre quem voltarei a falar, neste mesmo espaço, em momento oportuno. Creio que não exagero em dizer, pois eu o vi jogar, que ele só não é mais lembrado porque, então, não havia vídeo para eternizá-lo e divulgar suas jogadas espetaculares nos canais de televisão. Com ele o São Paulo fez um time que, os antigos como eu, o têm na ponta da língua: King, Piolim e Virgilio; Zezé, Zarzur e Noronha; Luisinho, Sastre, Leônidas, Remo e Pardal (depois Teixeirinha).

Nesses mesmos anos, em que os são-paulinos dizem desses jogadores, também os corintianos, palmeirenses e ipiranguistas, santistas, jabaquarenses, etc, dirão dos seus. Eram times que jogavam juntos por muitos anos e não se podia substituir jogadores (mesmo machucados) durante uma partida. Nada era como na atualidade em que, a cada partida, joga um grupo diferente. E por isso mesmo não se fala mais em time do São Paulo, time do Santos ou do Corinthians ou do Palmeiras, Flamengo, Vasco, enfim; fala-se em Grupo de jogadores do Fluminense ou Grupo Unido da Seleção tal ou qual.


Mas, Leônidas da Silva veio como craque, não agradou de pronto e passou até a ser chamado de “bonde” pela imprensa paulistana até começar a brilhar e se transformar no grande craque do futebol paulista. Eu tive o privilégio de vê-lo, em sua estreia no Pacaembu, em 1942, e de acompanhar sua trajetória toda como jogador e depois como treinador e cronista esportivo.

Imaginem os leitores, a emoção que me toma ao estar repensando e, por isso, revivendo o espetáculo de 71 anos atrás, vivido pelo menino de 9 anos num Pacaembu da Concha Acústica! Ninguém pode sentir o que se passa na alma do velho professor que conviveu com esse momento histórico. Então, naquele estádio lotado o menino via do alambrado o jogador que ele somente conhecia das figurinhas da ‘bala futebol’, que a gente colecionava em álbuns que nunca se completavam porque as ‘carimbadas’, e Leônidas era uma delas, quase nunca chegavam às nossas mãos. Mas eu tinha um Leônidas com carimbo e tudo... Era um outro momento do nosso futebol!


Leônidas da Silva acabou vivendo sua grande história e sempre foi lembrado como o ‘homem da bicicleta’, eternizada por uma foto que existe lá no Morumbi, em um memorial bem montado pelo clube que o consagrou e o apoiou sempre até seus últimos dias.

Já nos tempos de cronista esportivo, Leônidas teve quem concordasse e quem não concordasse com ele, mas sempre foi um homem de opiniões firmes e muito bem informado.

O tempo passou, o São Paulo, o Corinthians, o Palmeiras, a Portuguesa, o Santos, para falar somente dos maiores clubes, montaram grandes equipes e chegaram a ter conquistas memoráveis, que também marcaram época, mas, nestes tempos de século vinte e um parece que estamos a carecer de mais futebol e mais craques em todos os clubes brasileiros, pois, embora o Brasileirão seja, no meu entender um dos grandes campeonatos do mundo, está a exigir mais organização e através desta o essencial: público. “E, bola pra frente...”.

Sobre Sebastião Witter:

É torcedor do São Paulo, professor emérito da USP e professor normalista. Foi um dos pioneiros na introdução do futebol como objeto de estudo na Universidade, assunto até então estigmatizado. Foi também Supervisor do Arquivo Público do Estado de São Paulo Secretaria da Cultura (1977/1988); Diretor do Centro de Apoio à Pesquisa Histórica (CAPH) Sérgio Buarque de Holanda USP (1988/1992); Diretor do Instituto de Estudos Brasileiros IEB USP (1990/1994); Coordenador Geral da Coordenadoria de Comunicação Social (CODAC) USP (1991/1994); Diretor Geral do Museu Paulista da Universidade de São Paulo / Museu do Ipiranga USP (1994/1999). Além de assinar diversas publicações: inúmeros livros, artigos, resenhas e crônicas. Atualmente é Diretor Presidente da WITTER & WITTER ASSESSORIA E CONSULTORIA EDUCACIONAL LTDA. 

*Deixa Falar: o megafone do esporte, espaço de debates idealizado e editado por Raul Milliet Filho.  

Sobre os autores do Megafone do Esporte:


Ademir Gebara – graduado em História e Educação Física, mestre em História pela USP, PH D em História pela London School of Economics and Political Science, ex-diretor e coordenador de Pós da FEF Unicamp, professor visitante Universidade Federal da Grande Dourados.


Antonio Edmilson Rodrigues – é América, livre docente em História, professor da UERJ e da PUC-RJ, pesquisador de História do Rio de Janeiro, escritor de temas vinculados à história urbana, coordenador do projeto Conversa de Botequim e autor de João do Rio, a cidade e o poeta.


Bernardo Buarque – professor da Escola Superior de Ciências Sociais (FGV) e pesquisador do CPDOC/FGV. `É editor da coleção Visão de Campo (7 Letras). Em 2012, publicou o livro ABC de José Lins do Rego (Editora José Olympio).


Flavio Carneiro – é botafoguense, além de escritor, roteirista e professor de literatura na UERJ.www.flaviocarneiro.com.br.


José Paulo Pessoa – é botafoguense, ator, advogado, que achava o Didi mais impressionante que o Garrincha (que foi o maior que já vi!). Diretor, cantor e compositor do Bloco das Carmelitas, de Santa Teresa (RJ).


Luiz Carlos Ribeiro – professor de História da Universidade Federal do Paraná e coordenador do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade.


Marcelo W. Proni – economista, doutor em Educação Física pela Unicamp, professor do Instituto de Economia da Unicamp, torcedor do Botafogo de Ribeirão Preto.


Marcos Alvito –  é carioca de Botafogo e Flamengo até morrer.  É um antropólogo que dá aula de História na UFF desde o longínquo ano de 1984.  Perna-de-pau consagrado, estuda um jogo que nunca conseguiu jogar direito: o futebol. Mas encara qualquer um no futebol de botão. Acaba de publicar A Rainha de Chuteiras: um ano de futebol na Inglaterra (www.clubedeautores.com.br)


Ricardo Oliveira – é Vasco, jornalista, educador da prefeitura do Rio de Janeiro e pesquisador da História do futebol. Coordenador da pesquisa do livro Vida que Segue: João Saldanha e as Copas de 1966 e 1970.


Wanderley Marchi Jr – doutor em Educação Física e Sociologia do Esporte e professor da Universidade Federal do Paraná/BRA e da West Virginia University/USA.


Raul Milliet Filho – é botafoguense, mestre em História Política pela UERJ, doutor em História Social pela USP. Como professor, pesquisador e autor prioriza a cultura popular. Gestor de políticas sociais, idealizou e coordenou o Recriança, projeto de democratização esportiva para crianças e jovens. Escreveu Mario Monicelli e o samba carioca: um diálogo possível e irreverente, para o  XXVI  Simpósio Nacional da Anpuh( Associação Nacional de Historia) em 2011 e que pode ser acessado aqui: http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1308100822_ARQUIVO_MarioMonicellieosambacarioca.pdf.


Zuca Sardan (Carlos Felipe Saldanha) – É torcedor do Vasco, nasceu no Rio de Janeiro em 1933, mas vive em Hamburgo, na Alemanha. Estudou arquitetura, mas fez diplomacia. Estudou desenho, mas fez letras. Hoje dedica-se a desenhos, vinhetas, poesias e folhetins. Entre seus livros, estão: Ás de coletepoesias, desenhos e Osso do Coração.





Confira os outros artigos já publicados do Deixa Falar: o megafone do esporte:




Nenhum comentário:

Postar um comentário