sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Craques da literatura em campo

Graciliano Ramos

Em pouco mais de um ano de vida, Literatura na Arquibancada resgatou textos e obras de um seleto time de escritores do Brasil e outros países. Alguns escreviam sobre o tema futebol com maior regularidade do que outros. Em comum, o talento de enxergar de maneira diferenciada o esporte que fascina multidões no mundo inteiro.


Começamos por Décio Pignatari, que partiu no dia 02 de dezembro do ano passado. Décio era poeta, ensaísta, tradutor, contista, romancista, dramaturgo, advogado e professor. Foi um dos criadores do movimento da poesia concreta e um dos maiores especialistas no estudo e análise dos meios de comunicação de massa, especialmente a televisão. 


Em 2012 Graciliano Ramos completou 120 anos. O autor de “Vidas Secas” e “Memórias do Cárcere” também escreveu sobre o futebol causando enorme polêmica, não apenas em sua época, mas para sempre. Em especial, uma crônica publicada pela primeira vez em "O Índio", jornal de Palmeira dos Índios (AL), sua terra natal, em 1921, com o pseudônimo de J. Calisto.


Um artigo espetacular do historiador Raul Milliet Filho sobre Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do século XX. 


Outra enorme perda em 2012 para a imprensa e literatura esportiva foi Ivan Lessa. Torcedor apaixonado pelo Botafogo, Ivan, que era filho do escritor Orígenes Lessa, nasceu em São Paulo, mas cresceu na cidade do Rio de Janeiro. Depois, escolheu Londres para morar com a mulher e a filha, de onde passou a manter uma coluna na BBC Brasil com crônicas bem-humoradas, sua marca registrada.


Rubem Alves, um dos intelectuais mais famosos e respeitados do Brasil. Rubem Alves tem livros publicados sobre diversos temas como religião, teologia, filosofia da ciência e da educação, crônicas de meditação, poesia, literatura infanto-juvenil. Mesmo não sendo aficionado pelo futebol escreveu uma obra-prima chamada “O futebol levado a riso: lições do bobo da corte”. 


Carlos Heitor Cony é um dos maiores escritores do país e completou em 2012, 86 anos de uma vida quase inteira dedicada ao jornalismo e a literatura brasileira. E o futebol sempre esteve presente em suas reflexões, nos diversos veículos de comunicação e livros que já escreveu. Chegou até mesmo a cobrir Copas do Mundo para o jornal Folha de S. Paulo. Mas Cony não é daqueles autores consagrados que chegam em cima da hora dos grandes eventos para falar como um “famoso da literatura”, mas como quem já viu em campo como torcedor e fã, craques do passado.


Entre os vários craques da literatura brasileira que já passaram pelo Literatura na Arquibancada, Leminski talvez seja o que menos tenha escrito sobre o tema futebol, o que não o impedia, claro, de torcer pelo seu clube de coração a sua maneira. E a descoberta do tal time e de que maneira o poeta Leminski lidava com o futebol estão abaixo: um atleticano, com certeza.


Gilberto Freyre é considerado um dos maiores sociólogos do século 20. É autor da obra-prima da literatura brasileira “Casa Grande & Senzala”, mas também se preocupou desde o início de sua trajetória literária com o tema futebol. De seus textos sobre o esporte, o mais famoso é, sem dúvida, o segundo que publicou. Trata-se do prefácio que redigiu para O negro no futebol brasileiro que se transformou em um clássico da sociologia do futebol brasileiro. 


A literatura brasileira perdeu há dois anos uma de suas referências: Moacyr Scliar. Você já ouviu falar no “Estádio do Pau Seco Futebol Clube”? E que o “grande” estádio acabou demolido para a construção de um cemitério vertical? Esses são os cenários principais do divertido romance escrito por Scliar.


Gay Talese, um dos principais ícones do que ficou conhecido como “novo jornalismo” escreveu muitos livros de enorme sucesso mundial. Mas ele também deixou em seu “Vida de Escritor” (Companhia das Letras, 2009), livro autobiográfico, uma verdadeira obra-prima sobre sua prosa com várias passagens sobre o tema esporte, especialmente o futebol. E não o futebol dos homens, mas sobre o futebol feminino. Talese também revela outras duas paixões esportivas: beisebol e boxe.


Rubem Fonseca é um dos maiores “contistas” da literatura brasileira e por pouco muito a literatura esportiva perde um dos mais belos contos já escrito sobre o tema futebol. Tudo porque Rubem Fonseca teve o seu livro “Feliz Ano Novo”, proibido pela censura durante o regime militar no ano de 1975. O livro de contos foi recolhido das livrarias em todo o país, por ter "matéria contrária à moral e aos bons costumes".


Já no epitáfio deixado por ele, “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino”, começamos a entender porque o escritor e jornalista mineiro gostava tanto de futebol. Como a grande maioria das crianças brasileiras, Sabino sempre teve paixão pelo futebol. Fernando Sabino chegou a realizar a cobertura da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, para o Jornal do Brasil.


Mário Vargas Llosa, escritor, dramaturgo, poeta, ensaísta, crítico literário, jornalista e candidato derrotado a presidente no Peru, também é apaixonado pelo tema futebol, tanto que, logo após a entrega do Prêmio Nobel, Llosa, quando recebeu a pergunta do jornalista espanhol do El País “se haveria alguma semelhança entre escritores e jogadores de futebol”, ele garantiu que a comparação era possível, sim, e emendou: “um escritor, como um atleta, é construído com disciplina e obstinação".


A paixão do poeta Ferreira Gullar pelo futebol:


Flávio Carneiro, escritor, crítico literário, roteirista, professor de literatura da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), autor de treze livros e mais dois roteiros para cinema é ligadíssimo no tema futebol. Não só pelo talento que tem para escrever, mas pelo fato de quase ter sido um jogador de futebol.


Mia Couto, ícone da literatura mundial, nunca escondeu sua paixão pelo futebol: “A partida de futebol é sempre mais que o resultado. O mais belo num jogo é o que não se converte em pontos de classificação, é aquilo que escapa ao relatador da rádio”. 


Rubem Braga, considerado um dos maiores cronistas do país, também adorava o futebol, tanto que em várias de suas crônicas o tema é recorrente. Em uma trilogia, ele resgata suas experiências de menino, na terra natal, em Cachoeiro de Itapemerim, no Espírito Santo.


Paulo Mendes Campos, fervoroso torcedor do Botafogo carioca, decidiu aposentar-se precocemente das arquibancadas dos estádios. Mas não poderia fazer isso sem deixar um texto magnífico que só mesmo ele, um dos maiores nomes da literatura brasileira poderia fazer.


Um dos maiores escritores da atualidade, o colombiano Gabriel Gárcia Márquez, deixou entre milhares de seus escritos, vários textos sobre o futebol e também alguns sobre um astro do boxe mundial, Joe Louis. 

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