quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Teixeira Heizer: 80 anos de bola e talento

Teixeira Heizer

Conforme prometido, no início das atividades do Literatura na Arquibancada, todos os finais de ano homenagearemos personagens do jornalismo e da literatura esportiva pela excelência de seus trabalhos. Em 2012, não teremos apenas um, mas dois homenageados. O primeiro você confere logo abaixo, e o segundo, nos próximos dias, até o Natal.

Teixeira Heizer, eis o nome de nosso primeiro homenageado. Melhor ainda que ele esteja completando 80 anos de uma vida quase inteira dedicada às letras do esporte brasileiro.

Não é preciso dizer mais nada depois de assistir aos depoimentos coletados pelo site do programa Redação Sportv (Ferreira Gullar, Luiz Fernando Lima, Mário Jorge Guimarães e Raul Quadros). O mais emocionante de todos, o de Raul Quadros.


E para conhecê-lo em detalhes, Literatura na Arquibancada apresenta abaixo texto extraído do site da Rede Globo, na seção “Memória Globo”.

“Teixeira Heizer nasceu em 16 de dezembro de 1932, no Rio de Janeiro. Formou-se em Direito na Universidade Federal Fluminense (UFF). Trabalhou como professor, mas foi sua atuação na imprensa esportiva que o tornou conhecido. O primeiro trabalho no jornalismo foi na redação do Correio Fluminense, em 1953. Um ano depois, já fazia parte da equipe de repórteres da Emissora Continental. No início da década de 1960, começou a trabalhar como comentarista esportivo na Rádio Globo, ao lado de profissionais como Waldir Amaral, Luiz Mendes e Raul Brunini. Pela rádio participou da cobertura da Copa do Mundo do Chile (1962), quando a seleção brasileira de futebol comandada por Garrincha conquistou o segundo título mundial. No ano seguinte, fez parte da equipe que cobriu uma excursão da seleção brasileira pela Europa. Essa cobertura deu à Rádio Globo o primeiro lugar de audiência entre as emissoras cariocas na época. 


Além do trabalho na rádio, Teixeira Heizer também exerceu a função de secretário de revistas da Rio Gráfica Editora em meados da década de 1960. O jornalista fez parte da equipe de profissionais que auxiliaram na inauguração da TV Globo, em 1965, e foi contratado, em janeiro de 1964, com o crachá número 01 da empresa. Heizer foi o responsável também pela criação dos primeiros programas esportivos da emissora, como o Em cima do Lance e Por Dentro da Jogada. Fazia parte também do Tele Globo e chegou a apresentar o programa ao lado de Nathalia Timberg e Hilton Gomes. O telejornal foi o primeiro a ser exibido pela emissora. 
  
Teixeira Heizer também planejou a primeira transmissão de um jogo de futebol na TV Globo, em 1965. A partida foi disputada entre o Brasil e a URSS no Maracanã. Na época, ainda não existia tecnologia que permitisse as transmissões ao vivo, que só foram possíveis a partir da Copa do Mundo do México (1970). Para exibir o jogo, a solução encontrada por Heizer foi gravar a partida em filmes, em partes, e mandar os rolos para a emissora para montá-los rapidamente. O jornalista fez a narração por cima das imagens já editadas, e a partida foi exibida pouco depois do seu início. 


Teixeira Heizer saiu da TV Globo pouco tempo depois da exibição dessa primeira transmissão de futebol. Em sua carreira de jornalista, já escreveu para diversos veículos na imprensa do Rio e de São Paulo, como Diário da Noite, Diário de Notícias, Última Hora, O Dia, Placar, Veja e Estado de S. Paulo. Também trabalhou como comentarista no canal Sportv, da Globosat. 

Em junho de 2010, lançou o livro Maracanazo - Tragédias e Epopeias de um Estádio com Alma, contando suas memórias sobre a final da Copa do Mundo de 1950, quando a seleção brasileira foi derrotada pela uruguaia”.

O livro mais marcante, pelo menos para o Literatura na Arquibancada e para o craque do jornalismo brasileiro, Villas-Boas Corrêa, é o “Jogo Bruto das Copas” (Mauad Editora, 2001). Abaixo, fragmento do texto de apresentação de Villas, e o belo texto de introdução do grande Teixeira Heizer. Parabéns Teixeira.

Uma Copa puxa a outra
Por Villas-Boas Corrêa


(...)

O coração tricolor de Teixeira Heizer pulsa aqui e ali na cadência da paixão. Quando não sincroniza os batimentos pela pauta da amizade. E a fluência do estilo, com extraordinária força descritiva, não disfarça a emoção com que pinta quadros de ontem, revive craques de todas as épocas. Preferências, simpatias, amizades cunhadas em 40 anos de ininterrupta atividade profissional. Exercida com competência, brio e caráter. Meu amigo Teixeira Heizer é um homem de bem. Não mente, não inventa, não mistifica, não se esconde. As qualidades do repórter somam-se às do memorialista que nada esquece, às do aplicado estudioso de truques e táticas. Pesquisador obstinado que não se contenta com as versões e vai fundo, restaurando a verdade em episódios fundamentais. Como as muitas lendas penduradas no infortúnio de 50 e nos galhos frágeis de 54 e desmontadas com o testemunho dos que viveram assemelhadas, mas não idênticas amarguras no Maracanã e na Suíça.

Brasil x Uruguai, 1950.

Copas contadas com mais e menos paixão. Como é natural. Irretocável as reconstituições de 50 e 54, exigindo segunda leitura. E não há uma só página que não mereça as horas que escoam imperceptíveis, no crescente fascínio de história contada em capítulos que se encadeiam, integram-se, cruzam-se e iluminam o fundo de coerência de vitórias e derrotas, na composição do mais vasto quadro panorâmico da participação do futebol brasileiro na disputa de todas as Copas do Mundo. (...) A história do futebol é escrita pelo craque Teixeira Heizer, craque na sua profissão, é lógico. Conta a história das Copas pelos depoimentos dos craques. Os personagens falam, atualizam seus testemunhos. E como as bonecas russas que se encaixam para formar uma só, a história de cada Copa puxa a outra. E formam uma única história, com começo, enredo, heróis e vilões, tragédia e pitoresco, no desfile de cada quatro anos. Uma história sem fim.

A sublimação do estilo selvagem
Por Teixeira Heizer

O goleiro Barbosa, após o fatídico gol uruguaio em 1950.

O apito final do último jogo não termina a Copa do Mundo. Sequer as súmulas e atas burocráticas encerram a competição. No máximo, têm um efeito de consagrar, como laureado, este ou aquele país, além, é claro, de hierarquizar episodicamente, por quatro anos, os demais concorrentes. Essas sentenças, proferidas pela poderosa FIFA, são, no mínimo, preguiçosas, historicamente falando, na medida em que operam como simples indicadoras dos vitoriosos. Os intestinos das disputas continuam camuflados. Na verdade, são explorados pela imprensa esportiva nas épocas próprias – em grande estilo, por sinal – mas com tratamento jornalístico em que se manifestam os conceitos de atualidade e proximidade, desprezando-se os demais, esses sim, capazes de alavancar um turbilhão de emoções.

Gol da Hungria contra o Uruguai, Copa de 1954.

As margens das Copas e seu mundo interior quase nunca prevalecem na pequena bibliografia existente. Mas elas transcendem a competição propriamente dita e podem derramar-se por situações geradoras de uma literatura emocionante, capaz de narrar a singular coreografia vivida dentro das quatro linhas, com suas cenas pitorescas e suas imagens trágicas, o mesmo ocorrendo fora delas, na medida em que se desnude a vida de seus participantes e se avalie a emoção dos que habitam a sua periferia. Imagine-se uma história do que acontece por dentro e por fora da jogada, com os ingredientes picantes que quase nunca afloraram à publicidade. A violência selvagem é uma nuvem cinzenta que tolda o balé dos virtuosos. É um componente impossível de desprezar-se. Faz parte do jogo bruto que custou o sacrifício de nervos, músculos e ossos que ainda estalam em nossos ouvidos.

Foto histórica da Copa de 1982.

Há quem pense que, ao contar a história do jogo, através dos meios produzidos pela tecnologia e pela ciência da comunicação, usou-se um plano fechado. Ao abrir-se a lente, entretanto, eis que se encontra um espectro de fatos merecedores de uma decupagem mais vigorosa. Até aqui, acentue-se, todo o contingente de jornalistas, radialistas e demais comunicadores moveu-se na expectativa de pintar a ação gloriosa do atleta, deixando, para segundo plano, o torcedor, imaginando-o, apenas, um figurante secundário da história. Pretende-se sustentar uma teoria, mais frágil do que um cristal, segundo a qual o jogo se restringe à sua arena e as emoções aos seus praticantes. Até pelo contrário. Os jogadores podem explorar toda sua técnica e usar sua garra, impelindo o jogo a nível dramático. É a sua superação, sublimação mesmo. Mas suas emoções, quase sempre, estão controladas. Afinal, sensações não são privilégios dos atletas. Com maior força, avançam pelo universo das torcidas, eletrizando-as por longo tempo.



Mais um livro de Teixeira Heizer

A bibliografia esportiva está longe de compatibilizar-se com os feitos épicos do futebol brasileiro. Edita-se pouco porque se escreve pouco. Lê-se menos. Os autores mais qualificados nunca enveredaram pelos caminhos do futebol. Os que exploraram essa rota – com poucas exceções – fizeram-no por diletantismo, amadoristicamente. As brilhantes exceções, Mário Filho, Armando Nogueira, Thomaz Mazzoni, Geraldo Romualdo da Silva, Paulo Perdigão, Nélson Rodrigues, Octávio Faria, Orlando Duarte, Marcos de Castro, João Máximo, João Saldanha, Sandro Moreyra e poucos outros mergulharam, com vigor, nesse rico manancial de glórias e tragédias. Na esteira de seus méritos, atrevo-me a, também, envolver-me nas epopeias dos mundiais de futebol. E o faço ancorado numa carreira profissional de mais de 40 anos, metade deles dedicada ao jornalismo esportivo impresso, de TV e de rádio, veículos que melhor reproduziram o que aconteceu no futebol, de 1930 a 1988. Muitas vezes, vi-me enroscado nas disputas. Até aos prantos.

Absorvi os códigos e, agora, decidi, também, tentar decifrá-los. Imagino que esse texto seja uma evocação, ainda que modesta, da competição propriamente dita – aquela em que os músculos e os cérebros se mixam para delírio do torcedor – com seus sucessos e malogros. Não se pode, por questões de veracidade, descartas as súmulas, que hão de configurar numa completa prova documental do evento. Não pensei em renunciar à história oficial, mas, sim, serpentear no viés recheado dos desvãos inexplorados e periferias incógnitas que, afinal, constroem a roupagem saborosa do mundo da bola.

Seleção Brasileira de 1950

Pretendo, com humildade, repousar esse trabalho sobre verdades verdadeiras, perdoem-me a redundância tosca. É certo que me deterei nas Copas de 50 – uma bomba de nitroglicerina pura que, com sua explosão, alterou o curso da história esportiva brasileira. Cuidados especiais, também, para o dramático Mundial de 1954, cheio de ódio e amor. 

Ao investigar o drama de 50 e o desastre de 54, não pretendo machucar os corações dos personagens ainda vivos, nem desrespeitar os mortos. Afinal, eles foram as cobaias do laboratório que se construiu, a partir de seu fracasso, visando a situar o futebol brasileiro em primeiro lugar no ranking mundial. Contudo, advirto, não pensei em camuflar os fatos, ou mesmo disfarçá-los.

Com efeito, o Maracanazo daquele inverno de 1950 arrebentou a alma de jogadores e técnicos, e, em igual intensidade, destroçou os sonhos dos torcedores. A oportunidade de reabilitação, no Mundial da loura Suíça, quatro anos depois, igualmente frustrou aquela ideia, quase utópica, de sermos os donos da bola. Opondo-se ao selecionado brasileiro, aquele extraordinário time húngaro, de Puskas, que jogava em ritmo de rapsódia, devolveu-nos à posição anterior, de simples aspirantes ao título. Mas foi nas barricadas do Maracanã, em 1950, e de Berna, em 1954, que os brasileiros aprenderam a lutar com bravura. E a vencer.

Um comentário:

  1. Anônimo10:55

    Bom dia , interessante a história do nosso futebol , bom meu nome é Ronaldo Mazotto .
    E hj sou proprietario de um jogo de carteirinhas nº1 do SPFC , em nome do Sr. Nestor de Almeida um dos fundadores do SPFC e tem em sua carteirinhas o nº1 do SPFC , tem a história destas carteirinhas e do Senhor Nestor que foram idealizadas no programa "Que fim levou" do milton neves , as carteirinhas são opriginais e unicas nem mesmo o SPFC as tem . e alem de fazer parte da his´ria do clube tambem como da história do futebol brasileiro , qq interesse me coloco a disposiçaõ .
    Ronaldo Mazotto
    16 – 991866588
    http://terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/nestor-de-almeida-1598

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