sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Psicologia, Esporte e Valores Olímpicos


Mais um livro de referência para a literatura esportiva brasileira, especialmente, para os leitores amigos do tema “esporte olímpico”. Mais um livro para a coleção de títulos já publicados por ela, uma das maiores especialistas neste tema. A obra da vez é Psicologia, Esporte e Valores Olímpicos (Editora Casa do Psicólogo). E tudo que sai da “caixola” dela é recomendadíssimo. Dra. Katia Rubio em crônicas, muito mais do que instrutivas, mas saborosas. Literatura na Arquibancada já publicou neste espaço algumas delas, que podem ser acessadas nos links ao final deste artigo. Abaixo, confira o prefácio, assinado pelo comentarista dos canais ESPN, Paulo Calçade, e o texto de apresentação da obra assinado pela Dra. Katia Rubio.

Prefácio
Por Paulo Calçade 

Ao cravar limites na trajetória do ser humano deixamos de acreditar em nós mesmos. Provavelmente nenhuma outra atividade nos confronte tanto com o desejo de ir além, de superar limites e de conquistar, como o esporte.

Durante os Jogos Olímpicos de Londres, a professora Katia Rubio nos emprestou um pouco do seu conhecimento em 17 programas realizados na ESPN com o sugestivo nome de Segredos do Esporte.

O objetivo não era analisar o dia a dia da competição. Como anunciava um dos quadros da atração, nosso desejo era tentar desvendar o que estava por trás da imagem, os Jogos Olímpicos.

Tenho convicção de que fizemos um bom programa e que atingimos o objetivo de oferecer aos fãs de esporte um viés positivo e otimista, procurando entender todos os lados da grande competição, mesmo quando os nossos temas esbarravam na incompetência dos dirigentes ou na má gestão dos recursos do esporte.

Jogos Olímpicos de Londres, 2012.
Nos divertimos muito e aprendemos demais. Contribuímos.

Com seu trabalho sustentado por uma linha de pesquisa que deveria ter sido aplaudida pelo Comitê Olímpico Brasileiro desde o primeiro momento e não ameaçada por contribuir, esta obra também deve ser encarada como mais uma vitória.

Talvez a reação inicial do COB não tenha ocorrido apenas por mera indelicadeza, mas orientada pelo constrangimento de quem se considera dono da história.

Realmente deve ser desagradável quando alguém trabalha e pensa por você. Nada como a transparência e o tempo!

Katia Rubio, na Universidade de Birmingham.
“Por que pesquiso? Porque quero respostas menos óbvias para questões que parecem resolvidas ou insolúveis”, diz Rubio. É o que move o conhecimento.

Tenho quase três décadas dedicadas ao jornalismo, uma escolha bastante óbvia para quem imaginava ser incapaz de viver longe do esporte, logo transformado em trabalho sério e dedicado.

O esporte que eu imaginava saber tudo aos 20 anos de idade não existe mais. Aliás, nunca existiu. Hoje a complexidade desse fenômeno está clara, nas mais variadas áreas da ciência.

Enxergá-lo numa dimensão mais próxima da realidade da indústria do entretenimento tornou-se uma imposição, uma necessidade para continuarmos nos divertindo e nos emocionando.

Esse é o desafio: perceber o impacto do conhecimento na linha de chegada e tratar de questões eminentemente técnicas sem perder a emoção, a matéria-prima mais importante.

Da psicologia à gestão, das ciências do treinamento ao desenvolvimento de novos materiais não há limite para o saber e nem há motivo para buscar o ponto final da capacidade humana.

A melhor sensação é a de que estamos livres para aprender, refletir e experimentar. E que temos muito a fazer.

O que fazer com um limão? A título de introdução.
Por Katia Rubio

Em janeiro de 2010 a vida me pregou uma daquelas peças que a gente busca apagar da história de vida, mas sem contar com essa possibilidade no menu de opções, passamos adiante, ou seja, relevamos, sem no entanto esquecer.

Naquele fim de férias de verão fui surpreendida por uma intimação por parte do Comitê Olímpico Brasileiro para recolher o livro Esporte, Educação e Valores Olímpicos por não poder  “fazer uso da palavra” olímpico sem prévia autorização do COB. O que parecia uma piada ganhou a proporção de um caso internacional de censura e abuso de poder que culminou em um recuo por parte do Comitê e um posterior pedido de desculpas. O que no princípio foi quase uma tragédia pessoal acabou por se transformar em uma possibilidade de ampliação de horizontes, fosse pelo contato com pessoas de toda a parte do mundo que fizeram questão de mostrar sua indignação e manifestar seu apoio de diferentes formas, como também me proporcionou a possibilidade de ter um canal de divulgação daquilo que penso e observo tanto na Psicologia do Esporte como nos Estudos Olímpicos, seja no Brasil seja por esse mundo de meu deus.

Katia Rubio nos arquivos da USP. Mais de 500 horas de
gravações com atletas olímpicos.
Os textos aqui apresentados são uma coletânea do que publiquei ao longo desses dois últimos anos no endereço eletrônico www.blog.cev.org.br/katiarubio, espaço virtual privilegiado que me foi cedido pelo Professor Laercio Elias Pereira no auge da passagem desse furacão. Criado para que eu pudesse divulgar o que ocorria naquele momento ele depois ganhou vida própria e me permitiu exercitar, com uma linguagem menos formal que a acadêmica, a leitura das coisas que acontecem com o esporte no Brasil. Mais do que dar receitas ou dicas sobre preparação psicológica trouxe a público minhas inquietações sobre o que observo do cotidiano do ambiente esportivo e também um pouco dos bastidores do projeto de pesquisa que realizo sobre os atletas olímpicos brasileiros (1) de todos os tempos.

Aqui se encontra um pouco do making off dessa pesquisa, aventuras, reflexões pós-entrevistas, angústias que trouxe para casa após as viagens.  Em formato de pseudo crônicas tento por meios delas compartilhar um pouco do muito que esses atletas e suas histórias representam para as futuras gerações e o Olimpismo no Brasil e também a construção de uma metodologia de pesquisa em ciências humanas que pode ajudar em muito a conhecer o esporte olímpico brasileiro.

Como se pode ver, de um limão atirado em nossas cabeças se pode fazer não apenas uma limonada, mas também mousses maravilhosas, temperos variados ou um belo chá para se aquecer no inverno.

E para que esses textos ganhassem a forma de um livro, uma vez mais contei com o apoio de meu editor Ingo Guntert, que ao longo desses 12 anos de parceria, não apenas acreditou em projetos improváveis, como sempre caminhou junto contribuindo para uma linha editorial que inexistia no Brasil.

Ao meu advogado naquele processo insano Alberto Murray Neto, que assim que foi consultado sobre o que ocorria prontamente se prontificou em me defender, não apenas de um processo, mas acima de tudo de um absurdo.

Ao amigo Juca Kfouri, que assim como meu advogado, não apenas se indignou com o ocorrido como se pôs em movimento de imediato para que aquele quadro se revertesse.
Ao Professor Laercio Elias Pereira que iniciou o movimento de divulgação do fato, me “deu de presente” o blog que depois levou à produção de todos esses textos e me ensinou como usar essa ferramenta.

A todos que, depois de tudo, me ajudaram a olhar e enxergar fatos, histórias, memórias, lembranças, mensagens em vidas ainda públicas ou encobertas e escondidas por cidades e recantos desse país, ou mundo afora, e que contam a história do esporte olímpico brasileiro.

Meu muito obrigada.

O projeto Memórias Olímpicas por atletas olímpicos brasileiros é uma pesquisa realizada sob minha coordenação pelo Grupo de Estudos Olímpicos, do Centro de Estudos Socioculturais do Movimento Humano, da Escola de Educação Física e Esporte, da Universidade de São Paulo e tem o apoio da Fapesp e da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP.

Crônicas já publicadas no Literatura na Arquibancada de autoria da Dra. Katia Rubio:

As aventuras de uma pesquisadora olímpica

As palavras mal-ditas

Nota sobre um trabalho de base

Heroínas olímpicas brasileiras

O peso de ser olímpico

Quando falta inspiração

A César o que é de César


Serviço:
O lançamento do livro acontece na sexta-feira, 14 de dezembro, 19h, Rua Simão Álvares, 1020 - Pinheiros -São Paulo-SP.

Sobre Katia Rubio:
Psicóloga, professora Associada da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo. Mestre em Educação Física e doutora em Educação. Ex-presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte. Autora e organizadora de 16 livros e vários artigos em revistas nacionais e internacionais. Membro da Academia Olímpica Brasileira e pesquisadora de Estudos Olímpicos e Psicologia do Esporte.


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