segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O maior acervo histórico do futebol mundial

José Renato Sátiro Santiago Jr.
Os homenageados do Literatura na Arquibancada, em 2012, pela excelência de seus trabalhos em favor da literatura esportiva foram dois homens apaixonados pelo futebol e pelos livros. O primeiro, o jornalista Teixeira Heizer, se você não conferiu, pode acessar http://www.literaturanaarquibancada.com/2012/12/teixeira-heizer-80-anos-de-bola-e.html, e o segundo, é um engenheiro apaixonado pela história e a memória do futebol brasileiro.


José Renato Sátiro Santiago Jr é o que se pode dizer, um aficionado pelo futebol. Transformou a paixão em conhecimento e no maior acervo particular de livros, revistas e jornais esportivos do país. Os números impressionam: são 2.500 livros, 15.565 revistas, 5.732 posters, 3.023 jornais (160 títulos diferentes do Brasil e quase 50 países). Tudo isso, reunido em torno de uma história diferente, herança da relação entre familiares.



Não bastasse esse enorme acervo histórico, José Renato Sátiro criou também um site de memória espetacular, referência no esporte brasileiro: o www.memoriafutebol.com.br .
Além do maior acervo de livros sobre futebol, Sátiro também coleciona camisas de times, compradas exclusivamente em visitas a cidades. Hoje, final de 2012, já são quase 600 camisas e centenas de flâmulas.




José Renato Sátiro nasceu em São Paulo, mas como ele mesmo gosta de dizer, é cearense de coração. Nascido em São Paulo em 1970, é engenheiro e atua nas áreas de tecnologia e inovação. Ao longo de sua vida profissional desenvolveu inúmeros projetos voltados para a criação e disseminação de conhecimentos. É mestre em Engenharia de Produção pela USP, com pós-graduação em Marketing pela ESPM e em Engenharia da Qualidade pela USP.



Apesar de toda essa expertise, afirma que foi “alfabetizado lendo a revista Placar”. Em sua casa de campo, na cidade de Mairiporã, na Grande São Paulo, ele mantém esse rico e precioso acervo do esporte brasileiro com o maior cuidado e organização possíveis. Os dados (milhares) todos listados em planilhas. Cada item está registrado em banco de dados, com indicação de localização na prateleira, por assunto, editora, ano de lançamento, nome, autor, e em caso de jornais, também consta dia e mês. A preservação de todo esse verdadeiro tesouro, que se desgasta naturalmente com o tempo, não é simples. Os materiais são guardados em plásticos, em local com proteção contra umidade e, principalmente, contra pragas e cupins.

O sonho de José Renato Sátiro é transformar todo esse acervo em museu mantido pelo poder público. Neste ano de 2012, ele bem que tentou, mas “No começo do ano contatei vários órgãos de todo o Brasil e não tive qualquer retorno”. Enquanto esse espaço único no Brasil permanece fechado à visitação pública, José Renato segue com suas “criações”. Neste ano, em parceria com John Mills (biógrafo de Charles Miller), Marcelo Unti e o vereador Floriano Pesaro, trabalhou na criação do “Dia em Memória do Futebol Brasileiro”, ratificado na LEI paulista nº 15.522. Ou seja, todo 24 de novembro (data de aniversário de Charles Miller, o pai do futebol no Brasil) é o “Dia da Memória do Futebol Brasileiro”. Neste ano foram perpetuados vários “marcos históricos do futebol brasileiro”, na cidade de São Paulo.

Um dos livros escritos
por José Renato Sátiro.
Por conta de todas essas atividades é difícil imaginar como José Renato Sátiro encontra tempo para escrever seus próprios livros. Mas ele dribla mais essa dificuldade. Já são oito livros, cinco deles sobre futebol: ‘Clubes do Futebol Brasileiro’, ‘Os Arquivos dos Campeonatos Brasileiros’, ‘Campeonato Brasileiro 1971 – 2006’, ‘Copas do Mundo – Das Eliminatórias ao Título’ e ‘Os Distintivos de Futebol mais curiosos do Mundo’.

Literatura na Arquibancada apresenta abaixo uma entrevista exclusiva com José Renato Sátiro onde ele revela desde suas origens, a paixão pelo futebol e detalhes da formação de seu enorme acervo.




As origens e ligações com o futebol

José Renato, com a camisa do Ceará, aos
7 anos. Ao seu lado, o primo André.
Nasci em São Paulo, mas não sou paulistano. Porque tem um ditado na cidade do meu avô que diz o seguinte: “Gato que dá cria dentro do fogão, são gatinhos, não são biscoitos”. Seguindo essa linha, meu pai e minha mãe são cearenses e eu nasci em São Paulo. Nunca morei no Ceará, mas tenho uma ligação muito forte com esse Estado. Nasci no dia 13 de setembro de 1970, às 5 e 35 da tarde. Por que me lembro disso? Porque foi o último dia do campeonato paulista de 1970, o São Paulo jogava com o Corinthians. Tenho o jornal do dia do nascimento. No dia 9 o SPFC foi campeão depois de 13 anos em cima do Guarani, de Campinas. O jogo contra o Corinthians não valia mais nada. O SPFC ganhou de 1 a 0, gol de Terto. Meu pai estava na maternidade São Paulo, na Rua Frei Caneca, acompanhando o jogo pelo rádio quando o “Tertuliano” fez o gol...Esperei o Terto fazer um gol para nascer em seguida.

Minha família é muito ligada em futebol. Minha avó, Noelzinda Sátiro Santiago, foi vereadora em Fortaleza. O pai dela, Manoel Sátiro, deputado federal, e tinha, na época (entre as décadas de 1920 e 1930), uma vida muito boa, muito presente na sociedade de Fortaleza. O tio da minha avó (por parte de pai), Alcides Santos, fundou o Fortaleza e as cores do clube se devem a uma viagem que ele fez para a França, e adotou as cores da bandeira do País, vermelho, azul e branco. Alcides Santos foi estudar em Paris (final da década de 1910) e achou bonita essas cores e decidiu criar o Fortaleza (em 1918).

Com a taça na mão, Roberto, o avô de
José Renato Sátiro Jr,. No centro, seu avô.
E com a bola na mão, José Renato, seu pai.
O uniforme é do Floresta EC.
Por parte de mãe, tivemos jogadores que jogaram no Fortaleza, na década de 60 (irmãos da minha mãe: Evandro (Fortaleza) e Everardo (América). Por parte de pai, tio dele e irmão da minha avó: Walter (Maguary). Padrinho do meu pai e irmão da minha avó: Eldair (Maguary). Primo de primeiro grau do meu pai: Fernando Sátiro (Gentilândia, São Paulo, Ferroviária, XV de Piracicaba e Fortaleza). O vizinho da minha avó, Valdemar Caracas, fundou o Ferroviário Atlético Clube. Está vivo, com 105 anos! 

Ele tomava conta da estação Mondubim (estação e bairro de Fortaleza que fica ao lado do bairro Manoel Sátiro) da ferrovia (RFFSA). Cuidava da manutenção e no final do dia organizava “peladas”, entre os times das oficinas. 

Cada time tinha o apelido de uma vegetação da época: matapasto, uma graminha que as vaquinhas comiam e jurubeba. Matapasto e Jurubeba formaram certo dia, um time para jogar contra o time de outro bairro. E foi daí que surgiu o Ferroviário, campeão amador vários anos. Esse era o vizinho da minha avó.

Inauguração do Estádio da Vila Manoel Sátiro.
Atualmente, o estádio se chama Felipe de Lima Santiago.
Sou torcedor do Ceará, apesar de nunca ter morado por lá. Na minha família são muitos os torcedores do Fortaleza. Meu pai é torcedor do Ferroviário, mas meu avô (por parte de pai), que me influenciou muito, criou, na década de 1950, um time de futebol amador chamado Floresta. Seu nome: Felipe de Lima Santiago, torcedor do Ceará. Tem até estádio com o nome dele. Minha avó tinha um sítio dentro da cidade de Fortaleza e como meu avô criou esse time em 1954, eles jogavam futebol (pelada), no sítio da minha avó. E quando o PV, estádio Presidente Vargas, foi reformado a primeira vez, na década de 1960, suas arquibancadas ao invés de serem jogadas fora foram doadas para o quintal da minha avó !!! Coisa de louco !!! As arquibancadas do PV, da década de 60, estão no sítio da minha avó!!! São vários conjuntos e ainda estão lá, até hoje. Meu avô nunca trabalhou com o futebol. Era funcionário da empresa inglesa “Linhas Corrente”. Ele mandou murar o lugar e criou o estádio Manoel Sátiro. Quando ia para Fortaleza, de férias, no quintal da minha avó havia um estádio. E tem até hoje, um estádio murado, com arquibancada, dimensões profissionais.

Quando meu avô morreu, em 1987, o estádio passou a se chamar, Felipe de Lima Santiago. Estádio do Floresta Esporte Clube, um time de futebol amador, que chegou a jogar em São Paulo, na década de 70. Dentro do Ceará, era um time conceituado. Chegou a mandar muitos jogadores para o futebol de Pernambuco.

De óculos, com camisa branca, Felipe de
Lima Santiago, o avô de José Renato,
durante a inauguração do estádio
Floresta EC.
O primo do meu pai jogava no Gentilândia, um time do subúrbio, que foi campeão cearense em 1956. Neste ano, o Vasco da Gama esteve por lá e quis contratar esse meu tio, Fernando Sátiro. 

Só que seu pai, um médico, não queria e não aceitou a proposta do Vasco. 

Em 1957, o SPFC foi campeão paulista no dia 29 de dezembro, 3 a 1 contra o Corinthians. Uma semana depois o SPFC viajou para o Nordeste. 

Muitos titulares não acompanharam essa excursão.  No primeiro jogo, em 1958, o jogo foi São Paulo x Ceará, em Fortaleza. 

Fernando Sátiro, no Gentilândia.







O Ceará também estava desfalcado e por isso acabaram chamando meu tio para completar o time. Meu tio não queria ir, tinha de viajar com uma namorada. Acabou indo, de má vontade. Com 5 minutos de jogo, ele marca um gol, só que contra. Meu tio ficou preocupado, pensou com ele mesmo: “agora tenho de correr, porque se não os caras vão me dar porrada”. Ele correu muito, mas muito mesmo. Acabou o jogo 2 a 2. Os dirigentes do SPFC procuraram os dirigentes do Ceará para convidar o “rapaz do primeiro tempo” para seguir com a delegação até Pernambuco, pois o SPFC não iria ter jogador suficiente. Airton do Monte, um jogador do Gentilândia, disse a Manoel Raymundo Paes de Almeida (diretor e patrono do SPFC) que ele teria de abordar seu Mair Sátiro (pai de Fernando Sátiro) dizendo que seu filho iria para São Paulo também para estudar e não só jogar futebol.

Fernando Sátiro, perfilado no dia da inauguração do
Moruumbi, no dia 02/10/1960.
Meu tio acabou vindo e seu pai também. Por isso a maior parte da família acabou virando são-paulina.  Meu tio acabou jogando cinco anos pelo SPFC. Fez o primeiro jogo do time no Morumbi. Tá lá a foto dele. Não jogou mais porque o titular era o Dino Sani. Teve muita proposta, até para o México. Acabou contratado pela Ferroviária de Araraquara, no time em que o Dudu (ex-Palmeiras) começou a jogar.

A paixão pelas estatísticas e a mania de colecionar

O estádio da Vila Manoel Sátiro com as arquibancadas que
eram do estádio Presidente Vargas, PV.
Não tenho mais nenhum parente aqui em São Paulo, a não ser esse meu tio que jogou no SPFC. Todos os anos íamos para Fortaleza, de carro. Parávamos em Salvador, dois dias, porque tínhamos um tio que morava lá. Ia assistir jogo na Fonte Nova com 7 anos de idade. Quando chegava em Fortaleza, todos os finais de semana, assistia aos jogos do primeiro e segundo quadros do Floresta, que ficava no quintal da minha avó. Meu avô sentava-se sempre na mesma posição na arquibancada. Tinha uma almofadinha e uma caderneta que usava para fazer scout dos jogos. Anotava tudo, quem fez os gols, pênalti, faltas...Tinha o acompanhamento da campanha do Floresta durante o ano inteiro. Ele marcava a hora do gol !!! E eu o ajudava nisso. Ele comprava camisa de vários times para mim. Outra mania dele era dormir numa rede, e do lado dela, sempre havia duas colunas de jornais. Ele guardava tanto o jornal O Povo como o jornal Diário do Nordeste. No primeiro ano que fui pra lá comecei a separar as páginas da seção de Esporte e a guardar para mim. Só fiz isso no primeiro ano, porque nos outros ele passou a fazer isso. Nessa época, eu também colecionava pôster de futebol.

A coleção de posters

Comecei a colecionar posters no final de 1980, quando a revista Placar saiu com a edição de 20 posters de times campeões. Como passei a colecionar os pôsters, comecei a torcer para times das cidades que eu ainda não tinha pôster. Uma coisa absurda, mas tinha que ter critérios. A maioria era de time campeão. Um dos critérios era achar o nome legal. No Rio de Janeiro, por exemplo, Goytacaz. Em Minas, durante muito tempo o Atlético ganhava tudo, então queria ter o pôster do Cruzeiro. Mas comecei a torcer pelo Valeriodoce.


No Rio Grande do Sul, tinha Inter e Grêmio, mas torcia para o  Caxias. Na Bahia, que eu ia sempre, o Bahia ganhava sempre, então, torcia para o Itabuna, terra de Jorge Amado. Em cada Estado, o critério maior era torcer para o time difícil de ser campeão. Com 11 anos, fui morar em Manaus, e apesar da revista Placar chegar só nos finais de semana, eu tinha muito pôster de time amazonense. O Nacional ganhava sempre, mas passei a torcer pelo Fast, tricolor de quatro cores, vermelho, azul, branco e amarelo. Não dei muita sorte porque ele nunca foi campeão, só na década de 1970.


O cobiçado poster do Ferroviário.
Na coleção de pôster, um dos mais difíceis de conseguir foi um da terra de meus parentes. Tinha loucura por pôster do Ferroviário. No Ceará, tinha uma budega (cearenses chamam bar assim). E lá tinha um pôster enorme do Ferroviário. Passei anos indo pra lá sonhando ter aquele pôster. Com vergonha, não pedia. Até que um dia, depois de 3 ou 4 anos, tomei coragem e pedi para o dono. Na coleção, está até com o reboque da parede colado atrás dele. Morei em Santa Isabel também. E lá tinha um borracheiro com o pôster do Santo André, campeão da segunda divisão de 1976. O cara não entendeu nada. Esse, convenci o meu irmão a pedir, porque tinha vergonha.

A leitura do primeiro livro

Meu primeiro livro foi “As copas que ninguém viu”, de Solange Bibas. Meu pai quem me deu, quando veio a São Paulo, às vésperas da Copa de 1982. Li rapidinho. E naquele momento pensei: “quando escrever, se escrevesse, tinha de ser sobre Copa”. 1982 foi a minha Copa. 

A seleção que eu trocaria qualquer título por aquele de 1982. Passei a ter livros pontuais. Gostava muito de Copa. E de pôster. Meu negócio era pôster. Em São Paulo, sabia que existia uma banca que recebia uma revista com todos os pôsters dos times italianos. Mas era caríssimo. Então economizava semanas de mesada, comia menos para poder comprar a revista. Mas meu negócio mesmo era livro sobre Copa.

Em 1997, comecei a comprar livros com outras temáticas, livros que iria ler. A primeira biografia, por exemplo, foi a do Leônidas. Não tinha o hábito de comprar por comprar, para colecionar. 

Quando percebi que começaram a sair livros com mais qualidade, com pesquisas mais bem fundamentadas, passei a ir atrás. Adquiri o livro do Thomaz Mazzoni, História do futebol no Brasil. Aquilo é um livro informativo e não opinativo. Comecei a adquirir livros “diferentes”, como o do De Vaney, A verdadeira história sobre Pelé. Ele é opinativo e parei com a história de achar que livro não tem que ter opinião. 

Mas também passei a comprar com critério, porque a produção de livros aumentou muito, no começo dos anos 2000, mas também tinha muita coisa ruim. E até hoje é assim.


Detalhes do acervo de José Renato Sátiro
Comecei a comprar livros como colecionador, após o livro do Thomaz Mazzoni. Ia a sebos. 

Primeiramente, ia muito à livraria Pontes, em Campinas. Depois, do Airton Fontenelle, que escreve sobre Copa do Mundo, e é de Fortaleza. 

Carlos Zamith, em Manaus. Passei a ter muito contato direto com os autores e a comprar sem intermediários.




O livro de número 2.500 da coleção.
Livro de Frederico Maia sobre
o futebol cearense, um dos
mais valiosos para José Renato,
por questões sentimentais.


Carlos Celso Cordeiro, em Pernambuco. Para mim, o futebol pernambucano é o que tem a história mais bem registrada. São vários autores: Roberto Vieira, Lucídio José de Oliveira, Carlos Celso Cordeiro, Lenivaldo Aragão, todos torcedores do Náutico. 

Compro livros direto de autores, do Brasil inteiro, mas especialmente das regiões Norte e Nordeste. Não compro livro em lançamento. Não tenho pressa. O preço acaba caindo.
Tenho livros raros, como “Copa Rio Branco, 1932”, do Mário Filho. Os almanaques do Thomaz Mazzoni. Veteranos e Campeões, do Leopoldo Santana, de 1924.

O primeiro livro publicado

Um dos livros escritos
por José Renato Sátiro

O primeiro livro que escrevi eu banquei. Foi na época do meu mestrado. Resolvi escrever sobre aquilo que mais gosto: o futebol. Eu guardava em um documento do word todos os times que já havia ouvido falar. Tinha muita coisa dos 22 estados. Era um desafio encontrar tantos times. Então, listava os títulos de cada time. Foram mais de 3 mil times. Procurei uma editora, mas aí constatei (final dos anos 90) que o mais difícil não era escrever um livro, mas publicá-lo. Não consegui com ninguém. Fiquei “p” da vida. Fiz parceria com um cara para um livro sobre demanda. Se o leitor entrasse no site e comprasse, ele (editor) mandava fazer. Foi a única forma que encontrei sem ter de investir muita coisa. 

O livro chama-se “Clubes do Futebol Brasileiro”. Com esse livro as pessoas começaram a me conhecer. E o livro vendeu bem. Com o resultado das vendas, não queria dinheiro, queria mais livros para vender.

O segundo livro foi “Os arquivos do campeonato brasileiro”. O primeiro livro que tinha todas as séries do campeonato, A, B, C...As pessoas passaram a me conhecer mais. Mas faltava ainda escrever o livro sobre Copas. Em 2006, lancei o livro “Copas – Das eliminatórias ao título”, escrito em parceria com o Gustavo Longhi. Tem muita estatística, mas queria um livro com curiosidades dos países, um livro para o leitor que não goste só de números. Então, pegava curiosidades históricas de todo país, até daqueles das eliminatórias.

O livro dos distintivos
Em 2006, um editor português quis publicar um livro sobre o Campeonato Brasileiro, só da primeira divisão. “Campeonato Brasileiro 1971-2006”, mas foi lançado só em Portugal e na Inglaterra.

O outro livro foi sobre distintivos, mas esse só terminei. O Luiz Fernando Bindi, só o conhecia por e-mail. Pouco tempo depois da morte dele, Marcelo Duarte, que trabalhava com ele na Band, e a Eliane, viúva dele, perguntaram se eu não gostaria de terminar o livro que ele começara. A Eliane me deu um “cadernão” com vários distintivos catalogados pelo Bindi. “Os distintivos mais curiosos do mundo”.

Tenho oito livros publicados, cinco de futebol e três na área de administração.

A coleção de revistas

Nos anos 90, comecei a comprar revistas. Primeiro, comprei a coleção da revista Placar. Não tinha ou havia perdido vários números e aí surgiu um cara vendendo a coleção por R$ 1,00 o exemplar. Com as constantes mudanças de casa, não tinha várias edições. Mulher e mãe são as maiores inimigas de qualquer colecionador. Sempre que some, são as nossas revistas, nunca é o conjunto de talher, é uma perda seletiva, digamos assim.

Começo a partir daí a descobrir a Revista do Esporte, Gazeta Esportiva Ilustrada, Sport Ilustrado. Conseguia muito “picado” as revistas. A Revista do Esporte, por exemplo, consegui um dia em que estava em Fortaleza. Um rapaz, o Eugênio, era porteiro de um condomínio de prédios populares. 

Ele anotava tudo sobre o Ceará, Fortaleza e Ferroviário. A patroa dele estava vendendo a coleção de livros do marido que havia acabado de morrer, assassinado. Ele me disse que essa pessoa tinha a coleção inteira da Revista do Esporte

Foi a primeira vez que a mulher voltava na casa depois da morte do marido. Foi uma coisa triste, ela começou a chorar. Mas a coleção inteira da revista estava lá. Só que ela queria muito dinheiro. Estava vendendo caro. 

Disse a ela, então, “deixa pra lá”...Mas ela insistiu, “pode levar”. No Ceará, quando a pessoa faz isso a gente diz que está “fazendo boneco”...Barganhando.

A coleção da revista Gazeta Esportiva Ilustrada
Depois consegui a coleção da revista Gazeta Esportiva Ilustrada, cuja primeira edição é de 1950, mas as edições regulares começaram em 1952. 

Um rapaz iria se casar e mudar-se com a noiva do lugar. E a noiva disse: “ou eu ou a coleção”. 

No dia seguinte eu estava lá...Consegui a coleção completa!












O Instituto de História e Memória

O IBHME, Instituto Brasileiro de História e Memória do Esporte foi criado com o intuito de potencializar a realização e  compartilhamento de iniciativas em prol da memória do esporte.

O instituto conta com a participação de dois amigos, Marcelo Unti e André Megalle.

Através de parcerias com universidades e instituições de renome internacional serão desenvolvidos eventos, projetos, congressos e viabilizada a publicação de artigo, revistas e livros.

O motivo de sua criação decorre da identificação da demanda de se democratizar o acesso as iniciativas relacionadas a memória o que não deve ficar concentrada a poucas pessoas.

Leônidas da Silva, o Diamante Negro,
homenageado no ano de seu centenário.
Para o ano de 2013 já estão sendo programadas cinco iniciativas:

- O primeiro congresso internacional de Memória do Futebol, evento que será realizado em parceria com universidades britânicas.

- A estruturação da Academia Brasileira de Letras Esportivas

- A adoção do ano em homenagem ao Centenário de Leônidas da Silva

- A segunda edição do prêmio Marcos do Futebol Brasileiro

- Exposição temática sobre Personalidades Esportivas

Abaixo, algumas flâmulas e bandeiras da coleção de José Renato Sátiro:






Alguns jornais da coleção de José Renato:






Prateleiras da coleção de José Renato.



12 comentários:

  1. Sensacional, André.
    Não conhecia a história do José Renato, embora tenha dois livros dele.
    Parabéns, meu caro. Seus posts, como sempre, imperdíveis.
    Abraços e bom 2013.
    Anderson Olivieri Mendes

    ResponderExcluir
  2. Parabéns Andre, maravilha o que você possui. Eu também tenho muito disso: Revista do Esporte (inclusive essa nº 1 com Pelé na capa), Gazeta Esportiva Ilustrada, O Cruzeiro, posters do São Paulo principalmente.Tenho 67 anos , sou professor de educação física aposentado formado em 1967 em São Carlos (onde também estudou Fernando Sátiro) e meu irmão Gilberto conheceu pois eram da mesma época !! Gostaria de saber se voce tem a Gazeta Esportiva Ilustrada de outubro de 1966 (parece que tem um jogador do Palmeiras na capa).Na época eu era correspondente da Revista e enviei uma reportagem sobre o time de futebol de salão aqui de minha cidade (Pedregulho- SP) . Emprestei a tal revista não lembro para quem e nunca mais me devolveram !! Se voce possuir essa revista peço que me comunique. milton.paranhos@gmail.com. Sobre o jogo de 1970 em que o SPFC foi campeão eu estava no estádio (9/9/1970) apesar de morar a 330 kms de Campinas.!!
    Um abraço e parabéns novamente.
    Milton viana Paranhos

    ResponderExcluir
  3. Anônimo13:47

    Ótimo Zé Renato, eu vi sua matéria no Globo Espote de hoje, e achei muito interessante, gostaria de saber como faço para doar uma revista que fala tudo sobre a Copa de Mundo de 1950 editada logo após do termino da Copa, ficaria muito orgulhoso que ela fizesse parte do seu Acervo.Abraço. meu E-mail é solemarimoveis@ig.com.br

    ResponderExcluir
  4. Não da para mensurar a importância do trabalho.
    Apenas, para dizer, MARAVILHA!!!

    Andre, meu querido, desejo a ti tudo de bom neste Natal.
    FELIZ ANO!

    Obrigada por compartilhar o seu maravilhoso trabalho.

    Beijo grande.

    ResponderExcluir
  5. Anônimo12:14

    Renato, boa tarde! Tudo bem? Primeiro parabenizo pelo seu empenho, tenho interesse em trazer uma exposição com seu acervo para um grande shopping em São Paulo, como faço para entrar em contato. Se possivel me envie seu e-mail. Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Anônimo". Envie seu nome e e-mail que encaminharemos sua mensagem ao José Renato Sátiro. abs equipe Literatura na Arquibancada

      Excluir
  6. Anônimo16:17

    Olá! Sou o professor Adilson Oliveira. Agora em março, a editora Giostri lançará o meu livro "Metáforas em campo: o futebol brasileiro no jornalismo popular", que surgiu, primeiro, como dissertação de mestrado. Adoraria conhecer a sua coleção de livros, jornais e revistas. Moro em São Paulo. Meu nome é Adilson Oliveira e meu e-mail é adilsonsoliveira@uol.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Prof. Adilson, vou encaminhar seu pedido ao José Renato. Também gostaria de obter material sobre o seu livro para um post aqui no Literatura na Arquibancada. Meu contato: andreribeiro2050@gmail.com abs

      Excluir
  7. meu nome é Ronaldo Mazotto
    e gostaria de dividir com todos o orgulho em ter conhecido o Sr. Nestor de Almeida o nº 1 do SPFC e meados de 1986 eu trabalhava no parque da agua branca e conheçi o Sr. Nestor que morava na turiassu e fazi caminhadas no parque e nos tormamos amigos e me contava muitas historias do SPFC inclusive me contou que junto com amigos resolveram fundar um time de futebom que se chamaria São Paulo Futebol Clube e resolveram fazer as carteirinhs pois todos eram sócios athetas e como ele era o goleio sua carterinha ficou a nº1 , e ele trouxe estas carterinhas poara mim e dizendo que niguem da familia dela iria dar valor acabou me presenteou com o jogo de carteirnha nº1 do SPFC e teho elas ate hj , mandei elas para que o comentarista de futbo fizsse uma homenagem a ela no programa que fim levou e milton neves fez estou mandando o link da materia do milton neves e tambem gostaria de prestigiar o Sr Nestor meu amigo e estas carteirihas que são as coisa mais raras do SPFC nem o proprio SPFC tem as originas apenas eu , ja tive muitas ofertas , mas ate agora não tive vontade de fazer négocio mas em virtude de estarpassando muitas necessidade gostaria de organizar um leilão !! segue link http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_interna.php?id=1598&sessao=f , ou procure no google - nestor de almeida n►71 spfc milton neves - e veras qualquer interese entrar e contato rmazotto@hotmail.com

    ResponderExcluir
  8. e acho q estas carteirnhas são a história pura do SPFC e tambem da história do futebol Brasileiro se quizer ver as fotos delas, rmazotto@hotmail.com ou pelo face mazotto lima

    ResponderExcluir
  9. meu nome é Ronaldo Mazotto
    e gostaria de dividir com todos o orgulho em ter conhecido o Sr. Nestor de Almeida o nº 1 do SPFC e meados de 1986 eu trabalhava no parque da agua branca e conheçi o Sr. Nestor que morava na turiassu e fazi caminhadas no parque e nos tormamos amigos e me contava muitas historias do SPFC inclusive me contou que junto com amigos resolveram fundar um time de futebom que se chamaria São Paulo Futebol Clube e resolveram fazer as carteirinhs pois todos eram sócios athetas e como ele era o goleio sua carterinha ficou a nº1 , e ele trouxe estas carterinhas poara mim e dizendo que niguem da familia dela iria dar valor acabou me presenteou com o jogo de carteirnha nº1 do SPFC e teho elas ate hj , mandei elas para que o comentarista de futbo fizsse uma homenagem a ela no programa que fim levou e milton neves fez estou mandando o link da materia do milton neves e tambem gostaria de prestigiar o Sr Nestor meu amigo e estas carteirihas que são as coisa mais raras do SPFC nem o proprio SPFC tem as originas apenas eu , ja tive muitas ofertas , mas ate agora não tive vontade de fazer négocio mas em virtude de estarpassando muitas necessidade gostaria de organizar um leilão !! segue link http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_interna.php?id=1598&sessao=f , ou procure no google - nestor de almeida n►71 spfc milton neves - e veras qualquer interese entrar e contato rmazotto@hotmail.com

    ResponderExcluir
  10. Bom dia, tenho muita quantidade de revista de esporte, década de 30,40,50 e 60, tem algum interesse em adquirir? Se souber alguém estou negociando!! Entrar em contato e-mail jfontes-3@hotmail.com

    ResponderExcluir