quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Flamengo: o 13 da sorte


13 é um número místico. Zagallo que o diga. Para muitos, número de sorte ou azar. Mas para a maior torcida do país, 13 tornou-se um dia “mágico”, apesar de toda a mística negativa que cercava o número, pelo menos até aquele 13 de dezembro 1981, quando o Flamengo conquistou seu primeiro título mundial, no Japão, contra os ingleses do Liverpool.

Em 2011, o jornalista da ESPN, Eduardo Monsanto, lançou o seu “1981 – O ano rubro-negro” (Editora Panda Books) e é em uma simples “orelha”, aquele texto impresso nas abas laterais de quase todo livro, que o craque da imprensa brasileira, Geneton Moraes Neto deixou eternizado o 13 de dezembro.








13 DE DEZEMRO É FERIADO NA REPÚBLICA RUBRO-NEGRA DO FLAMENGO.
Por Geneton Moraes Neto

Ah, os dias 13 de dezembro...

“Pai, afasta de mim este cálice”: num 13 de dezembro, em 1968, o regime militar baixou o AI-5, o Ato Institucional que jogou a República Federativa do Brasil numa ditadura escancarada.
Em outro 13 de dezembro, o de 1981, um general de nome esquisito – Jaruzelsky – tentou sufocar, com a imposição da Lei Marcial, um dos mais arrebatadores movimentos de oposição surgidos no mundo comunista: o Sindicato Solidariedade, na Rzeczpospolita Polska (ou sejam República da Polônia).

Ah, a urucubaca dos 13 de dezembro...Que estranha maldição é essa que persegue a data?
Um torcedor do Flamengo bradaria: “Nenhuma! Nunca houve maldição!”.

Corvos, façam o favor de voar para bem longe! Mensageiros de mau agouro, tratem de sumir do mapa com suas bruxarias sobre o número 13! Porque, para as multidões que habitam a República Rubro-Negra do Flamengo, o 13 de dezembro haverá de ser, para sempre, feriado nacional.

Num 13 de dezembro, 11 rubro-negros entraram em campo no Japão para tentar conquistar o mais importante título da história do Flamengo: o de campeão mundial interclubes. Conseguiram. O Liverpool desabou por 3 x 0.

Eduardo Monsanto fez o que todo jornalista interessado em reconstruir uma história deve fazer: uma pesquisa exaustiva, tratando de ouvir os personagens envolvidos. Em suma: fez reportagem. Não fez tese. Ainda bem. Porque não há, no jornalismo, nada tão importante quanto sua excelência, o fato. E o fato mais importante da história do Flamengo é descrito aqui com detalhes.

O resultado: um livro que guardará, “para todo o sempre”, a memória daquela jornada épica.
A garimpagem feita por Monsanto não trata apenas do jogo no Japão: reconstitui todo o caminho que o Flamengo trilhou – nos campeonatos carioca e nacional e na Libertadores – até desembarcar em Tóquio. Aqui estão as derrotas, as frustrações, as conquistas, os tropeços, as dúvidas que foram pavimentando o caminho até o encontro histórico com o Liverpool.

Um detalhe pode ajudar a explicar a vitória: quando estava se preparando para entrar em campo, o time do Flamengo fez uma corrente de oração. Jogadores do Liverpool riram da cena. O riso – provavelmente irônico – foi suficiente para “mexer com os brios” dos brasileiros. Quando entraram em campo, os representantes da República Rubro-Negra do Flamengo trataram de mostrar que não estavam ali para brincadeiras.

É impossível saber ao certo se aqueles risos britânicos tiveram uma influência decisiva no ânimo dos brasileiros. Talvez sim, talvez não. Independentemente de qualquer provocação, é claro que eles seriam capazes de derramar sangue para ganhar o jogo. Porque sabiam que, pelo menos para aquela geração, não haveria outra chance. Mas é tentador imaginar que um riso de escárnio teria despertado o furor dos guerreiros. Não é assim que nascem as lendas do futebol?

Que assim seja.

O Flamengo, além de fazer o Liverpool chorar, conseguiu criar uma nova crença: a partir daquele dia, pelo menos para a República Rubro-Negra, o 13 de dezembro passou, sim, a ser um dia de sorte. Então, bye, bye, AI-5, Adiós, Jaruzelsky. Podem entrar, Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior, Adílio, Andrade, Zico, Tita, Lico e Nunes. O 13 de dezembro vai ser sempre de vocês.

Geneton Moraes Neto
É repórter. Entre outros títulos, publicou Dossiê 50, livro que reúne depoimentos dos 11 jogadores brasileiros que pertenceram a Copa de 1950 no Maracanã.







Sobre o autor:
Eduardo Monsanto
Nasceu em Petrópolis (RJ) e é jornalista formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). Militando na imprensa esportiva desde 1998, é narrador e apresentador dos canais ESPN, onde chegou em 2005. Pela emissora cobriu a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e os Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim. Apresenta ao lado de José Trajano o Pontapé Inicial, programa matinal da ESPN Brasil que mistura esportes e cultura.

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