terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Filosofia e Futebol


Um time de primeira da Academia reunido em uma obra de referência da literatura esportiva:"Filosofia e Futebol: troca de passes" (Editora Sulina, 2012).

Sinopse (da editora):

“Filosofia e Futebol: troca de passes” é uma mostra de talento na filosofia. A obra reúne acadêmicos de diferentes especialidades – sociologia, comunicação, filosofia, educação física e psicologia –, que nos convidam, cada um a sua maneira, a pensar filosoficamente o futebol. Os autores tratam de temas pouco explorados, mesmo inéditos, no “país do futebol”. Em estilo ensaístico e acadêmico, o multifacetado mundo do futebol ganha tratamento envolvente. A leitura, do aquecimento ao apito final, evidencia como a ética, a estética e a ontologia, entre outras áreas da filosofia, podem desvelar aspectos fundamentais e conduzir a novas interrogações sobre o futebol. O livro é da máxima relevância para todos que querem conhecer como a filosofia e o futebol se entrelaçam de maneira instigante, criativa e original. Pela atualidade, a obra reveste-se de significado especial. O país prepara-se para sediar o maior evento de futebol do planeta, e uma reflexão filosófica sobre esse fascinante esporte se faz mais que necessária.

AQUECIMENTO:

A Filosofia aplicada ao futebol
Luiz Rohden, Marco Azevedo e Celso Cândido de Azambuja

Eduardo Galeano

“Um vazio assombroso: a história oficial ignora o futebol. Os textos de História Contemporânea não o mencionam, nem de passagem, em países onde o futebol foi e continua sendo um símbolo primordial de identidade coletiva. Jogo, logo sou: o estilo de jogar é uma maneira de ser, que revela o perfil próprio de cada comunidade e reafirma seu direito à diferença”. (Eduardo Galeano - Futebol, ao sol e à sombra, LP&M)

“No Brasil, muito pouco tem-se pensado sobre o futebol em termos filosóficos. Isso não deixa de ser surpreendente, pois desde que Charles Miller trouxe da Inglaterra, em 1894, duas bolas usadas, um par de chuteiras e alguns uniformes que nós, brasileiros, encantados, passamos a jogar e fizemos deste país a terra desse esporte. O futebol, é verdade, vem sendo tema de estudos e livros em várias áreas das ciências humanas. Ronaldo Helal, Hugo Lovisolo e Edison Gastaldo (do time de autores deste livro) estão entre os que vêm fazendo do futebol um tema sério de estudos em sociologia, antropologia e em ciências da comunicação. Profissionais e pesquisadores da área da saúde, principalmente da educação física, vêm estudando o futebol; isso sem falar nos historiadores. Em que pesem esses esforços, a verdade é que, no Brasil, o “futebol é bastante jogado e insuficientemente pensado”.


Esporte e futebol, entretanto, são objetos de estudos filosóficos sérios em outros países. Uma prova disso é a existência da Associação Internacional para a Filosofia do Esporte (IAPS), fundada em 1972 (http://iaps.net/) com o propósito de estimular, encorajar e promover estudos, pesquisas e escritos em filosofia do esporte e atividades correlatas, além de demonstrar a relevância do pensamento filosófico concernente a temas esportivos de interesse profissional. Ela é responsável pela publicação de uma renomada revista especializada, o Journal of Philosophy of Sport (http://journals.humankinetics.com/jps), editado pela Human Kinetics Journals, com mais de três dezenas de volumes editados. A filosofia do esporte, embora jovem, é uma área de crescente interesse tanto interdisciplinar como específico. Robert Scott Kretchmar, da Universidade da Pensilvânia, uma das referências internacionais nessa nova área, mostra como as questões erguidas pelos que estudam o tema podem ser vistas como questões filosóficas. Uma questão simples como “jogar é bom tanto para adultos como para crianças?” pode ser, diz ele, encaminhada de formas bastante diversas, a depender da perspectiva que se tome.


Por exemplo, um fisiologista pode questionar-se se o jogo afeta o desenvolvimento fisiológico de crianças e adultos, ou como o jogo afeta certos sistemas orgânicos. Um filósofo, por seu lado, pode colocar questões gerais como “o que é jogar?”, ou questionar-se sobre “que tipo de experiência humana é essa, o jogo?”. Questões dessa natureza buscam respostas conceituais, ou mesmo existenciais, cuja natureza explanatória não é simplesmente empírica. Não se trata, nesse caso, de apresentar hipóteses explicativas capazes de comprovação mediante experimentos ou observações sistemáticas. Antes é preciso compreender a própria natureza da questão, o que exige análise conceitual, esforço hermenêutico e o emprego dialético de conceitos e teorias filosóficas.

Vários temas serão examinados aqui de forma entrecruzada em capítulos escritos em diversos estilos. Como o leitor notará, há um grupo de artigos, que dá abertura ao livro (o “Primeiro Tempo”), que preservam um estilo ensaístico e exploratório. São textos escritos com certa informalidade, muitos contando experiências em primeira pessoa. O outro grupo de textos (“Segundo Tempo”) preserva o estilo formal mais comum aos artigos acadêmicos.

Neste Aquecimento, apresentaremos os fios condutores do diálogo implícito entre os autores deste livro. Como se verá, há um interessante “jogo dialético” de proximidade e diferença entre eles.

Futebol: Entre o lúdico e a seriedade

Jean Baudrillard

“Se o jogo tivesse alguma finalidade, o único verdadeiro jogador seria o trapaceiro”. A advertência, lembra Donaldo Schüler no capítulo Reflexões esferocêntricas, é de Baudrillard. Mas Maradona já fez gol com a mão; logo, a trapaça também faz parte do jogo. “Quem desespera na derrota, confunde um jogo malogrado com o fracasso da vida. O segredo está em desviar o olhar do fim e deliciar-se com o espetáculo”, conclui o professor Donaldo. A seriedade, portanto, não pode fazer parte do jogo. O que importa é o jogo, não o resultado – pois o resultado nos deixa “enfarados ou desesperados” (como pensava Blaise Pascal).
Donaldo Schüler conta-nos de suas experiências, quando jovem, com o futebol. Recentemente, diz, conheceu Kasparov e jogou (depois de muitos anos parado) xadrez.

Kasparov leva o xadrez a sério: é sua profissão. Por causa do xadrez, diz Kasparov, sua casa é o avião. Bem, a linguagem do jogo de xadrez não é no fundo diferente da linguagem do futebol. Ambos são jogos; ambos fazem parte da vida de seus jogadores. Observando a vida, especula o professor Donaldo, talvez tudo o que façamos seja de algum modo um movimento (inteligente ou não) num grande campo, num grande tabuleiro – será que a vida não é um jogo que jogamos sem saber que de fato jogamos?


Bernard Suits pensou sobre isso uma vez, em Is life a game we are playing? Logo depois, Suits reverberou essa tese na boca de seu imaginário Gafanhoto em The Grasshopper: games, life and utopia.

A descoberta de que a vida é um jogo, diz Suits, poderia ser desesperadora; ou seria, antes... reveladora? De qualquer modo, diz o filósofo canadense, se a vida for realmente um jogo, o Homo ludens seria na verdade o único verus homus (quiçá a única forma autêntica de se viver a vida).

Indagar-se não somente acerca de por que jogamos jogos, ou de por que gostamos deles, mas sobre qual sua importância (e de suas formas modernas, como os esportes) em nossas vidas, e, é claro, na vida dos atletas e dos que vivem disso, não pode ser, com certeza, uma banalidade, uma mera “perda de tempo”. Pensar o futebol é um assunto divertido, prazeroso; mas, além disso, é pertinente, pois diz respeito hoje a milhões de seres humanos.


Este é um dos temas tratado de forma horizontal neste livro: o tema da seriedade contrastada à arte e ao lúdico. Futebol é um jogo, e jogos são práticas lúdicas – o contrário, portanto, de empreendimentos sérios. Mas o que diriam os fatos? Afinal, há muito dinheiro hoje envolvido com o futebol. Não é à toa que, atualmente, o futebol é tomado por seus atletas, pelos clubes, pelos patrocinadores, pelos gerentes e funcionários dos clubes, pelos dirigentes, pelos jornalistas, e também pelos torcedores como um assunto sério. Para os atletas, ele é seu meio de vida; o mesmo se pode dizer de árbitros, treinadores e funcionários dos clubes. E quanto aos jornalistas? Todos vivem do futebol, sua vida está vinculada ao futebol. Onde está o lúdico? Onde está a arte? E o que significa, afinal, seriedade?

Dentre os que vivem do futebol, e que não podem brincar em serviço, estão os árbitros. Todos parecem concordar que no futebol estão envolvidas as emoções; mas isso não parece se aplicar aos árbitros.


Imparcialidade é uma virtude de todo juiz, pois a emoção afeta o juízo imparcial e justo. Mas não deveria um árbitro, justamente para que ele seja um bom árbitro, ser também um amante do futebol? Hugo Lovisolo e Ronaldo Helal examinam esse tema no capítulo Sobre os juízes de futebol: competência, imparcialidade e influência. Se as emoções não importassem, ironizam Lovisolo e Helal, sujeitos como o Sr. Spock é que representariam o modelo de imparcialidade ideal para a função. O mesmo se aplica a outras funções semelhantes: será que magistrados não deveriam ser pessoas igualmente desvencilhadas de suas emoções durante o trabalho? Mas seria isso possível? No caso do futebol, parece estranho querer que alguém se torne um bom árbitro sem gostar ao mesmo tempo do futebol. Mas, além disso, seria possível gostar de futebol sem simpatizar com algum clube, ou com alguma seleção? É claro que a imparcialidade é uma virtude do juiz.

E é claro que é preciso lidar com o problema do natural “conflito de interesses”. Alguns acreditam que a imparcialidade dos árbitros poderia ser facilitada se lhes oferecêssemos auxílio tecnológico. Mas por que muitos resistem a tais inovações? O problema da imparcialidade na arbitragem, e de como favorecê-la (considere a dificuldade gerada ao árbitro pelo “fator local”), é um problema central em filosofia moral e política do futebol.

Mas afinal, por que se exigem árbitros nos jogos? Se jogos são esportes lúdicos, por que precisaríamos deles? A preocupação em garantir que o resultado do jogo seja justo, e que as regras do jogo, e apenas as regras do jogo, sejam seguidas, é uma preocupação certamente relevante. Mas o que podemos chamar de justo num jogo? Não seria o resultado? Por outro lado, da arte não se diz que é justa ou injusta. O contraste entre futebol-arte e futebol de resultados parece, com efeito, um conflito imanente a esse esporte.


Então: seriedade ou diversão? Força ou arte? Luiz Rohden, em Filosofia em jogo no futebol-arte, aborda o tema conversando com uma variedade de autores que reconhecem no futebol um jogo sério, mas o compreendem sobretudo como uma combinação de arte e técnica. Uma trama aparentemente paradoxal. De todo modo, é o futebol-arte, e não o futebol-força, segundo Rohden, que tem a virtude de combinar ambos os traços. No termo arte, diz Rohden, “encontramos estampadas duas lógicas, duas racionalidades que marcam os caminhos do jogo de futebol”. A primeira, diz, “prima pela técnica, pela eficiência, pela ênfase restrita ao produto final retratável no futebol-força”; a segunda “concede ênfase à criação, ao inusitado, ao imprevisto e retrata-se no belo futebol-arte que também visa ao gol”.

Rohden, compartilhando opiniões de Galeano e Manoel Sérgio, lastima o fato de vivermos num tempo que “substitui a beleza pela utilidade e eficiência”. Mas isso não significa absolutamente que a arte tenha se extinguido, pois a essência do futebol, para Rohden, é justamente a “criação artística”. Isso explicaria porque, de tempos em tempos, “como a Fênix que ressurge das cinzas, o futebol-arte ressurge em nossos campos” (como exemplo, Rohden lembra o fantástico jogo entre Santos e Flamengo na 12ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2011 - Em 27/07/2011, o Flamengo derrotou o Santos em plena Vila Belmiro por 5 a 4, num jogo histórico, cheio de emoções e jogadas geniais de Neymar e Ronaldinho Gaúcho. O primeiro gol de Neymar no jogo foi inclusive premiado pela FIFA como o gol mais bonito do ano de 2011).


Rohden sustenta que o futebol-arte identifica um traço essencial do futebol brasileiro (e indica razões históricas e sociais para que se pense assim). A ênfase atual no futebol-força seria, porém, uma forma de desencaminhamento do futebol, algo como uma traição à nossa identidade como brasileiros.

Beleza ou força? Seriedade ou brincadeira? Estaria a seriedade condenada a viver apartada do lúdico? Rohden pensa que não. Mas para tanto, recomenda, é preciso viver o futebol-arte (espelho da própria vida), pois é nele que se pode conjugar a seriedade com a gratuita alegria, isto é, “o aperfeiçoamento científico-técnico com o desenvolvimento da capacidade criativa, lúdica”.

Álvaro Valls também defende que o futebol combina o lúdico com o sério. Em No futebol, a gente ganha, empata ou perde, possibilidade versus probabilidade. Valls lembra que o “lúdico se opõe a um tipo de seriedade (‘Estás brincando, ou falando sério?’), embora possua a sua própria seriedade (‘Não venha atrapalhar o nosso jogo, não seja um estraga-prazeres!)”. Mas o tema principal do professor Valls é outro: a contingência do jogo. Seu artigo pode ser classificado como uma reflexão em metafísica prática. No futebol – e isso parece óbvio – pode-se ganhar, perder ou empatar; mas não há como fazer previsões absolutas. Apesar de saberem isso, as pessoas sentem-se instadas a dar palpites. Mas como adivinhar resultados?


Comentaristas, no entanto, usualmente fazem previsões sobre as possibilidades de desfecho de um jogo. Mas, “no mundo da contingência, as coisas podem acontecer, ou não acontecer”. Trata-se de uma verdade metafísica: pode-se vencer, perder ou empatar. Isso é de importância crucial para os jogadores e torcedores. O que não impede, ao contrário, que, no futebol, todos cantem suas vitórias (ou chorem suas derrotas). Assim, todos, de algum modo, valem-se desse traço essencial do jogo. Então...

Viva a contingência! Como lembra Kierkegaard, a contingência, ou a possibilidade, “é como o oxigênio, sem o qual nós sufocamos”.

Elio Carravetta e Rafael Kasper, em Dois conceitos de futebol, também abordam o contraste entre a arte e a força, o lúdico e o sério, mas sob um viés ligeiramente (e originalmente) distinto: como um dualismo conceitual, o do futebol de performance e o do futebol de resultados. No primeiro tipo, a ênfase dá-se nas diferentes formas de execução do esporte capazes de agradar um espectador; no segundo, a ênfase recai sobre a competição, sobre o placar final: o resultado do jogo. Carravetta e Kasper lembram que, para os antigos, a execução contava tanto quanto o objetivo a ser alcançado. Nas artes performativas, muito apreciadas pelos antigos gregos, “o ‘produto’ é a própria execução, e o autor é inseparável da ‘obra’” (diferentemente das artes poéticas, ressaltam os autores, em que a atividade precede à obra – poetas primeiro escrevem, depois encenam).


O nascimento do futebol na Inglaterra já carregava esse dualismo entre performance e resultados. Não obstante, a ênfase que a elite promotora desse esporte conferia ao amadorismo estava ligada a sua preocupação em preservar a virtude atlética como um bem em si, e isso algo independentemente dos resultados sociais que o novo esporte presumivelmente era capaz de gerar. Carravetta e Kasper entendem que a popularização moderna do futebol, bem como sua transformação em artigo econômico, também dependem do fato de ele ter preservado esse caráter performativo de suas origens. Essa conexão explicaria também porque os torcedores se mantém ligados a seu time preferido mesmo quando não há bons resultados.

Edison Gastaldo também reexamina esse tema de fundo, sob a temática específica da importância do jogo na cultura, a partir da recuperação das ideias de um dos pensadores mais originais do último século, Johan Huizinga. Nascido na Holanda no final do século XIX, Huizinga conviveu com os efeitos das grandes guerras e com a ascensão do nazismo. Gastaldo apresenta-nos um resumo da vida e das ideias principais de uma das principais obras de Huizinga, o Homo ludens, dentre as quais a ideia de que o “espírito do jogo” preside todas as formas de manifestação da cultura, em todas as épocas e sociedades. No entanto, Huizinga via os esportes modernos, e o futebol principalmente, com grande ceticismo. O profissionalismo, e toda seriedade envolvida na busca por renda e prestígio, representava para ele uma “espécie de perversão do impulso puro” do espírito lúdico.


Gastaldo, por sua vez, pensa que as ideias de Huizinga podem ser interpretadas de modo positivo. O futebol profissional, diz Gastaldo, mesmo sendo hoje exageradamente comprometido com o resultado financeiro, tem o potencial de representar um “elemento de libertação e humanização dos seres humanos”, pois “as apropriações feitas pelas pessoas comuns a partir dos fatos do jogo (...) mostram-se como um tema de infinitos desdobramentos em suas vidas cotidianas, com imenso potencial de narratividade, de aposta, de discussão, de provocação e de boas risadas”. Assim, o “o futebol não é só bom para jogar. É, também, bom para pensar, para brincar e para viver”.

Mas que forma de interação humana é essa, o futebol? Como competição e cooperação podem combinar-se numa atividade produtiva? Marcelo Dascal, em Futebol e filosofia, ressalta um traço fundamental dessa invenção cultural que é o futebol. O futebol não é um jogo individual, ele não é uma competição entre indivíduos. O futebol é um jogo coletivo. É da essência do futebol que ele seja cooperativo, em que vitória e derrota são resultado do efeito da ação de um grupo inteiro. Mesmo a jogada, a defesa ou o gol mais fantásticos são resultado de uma ação orquestrada, coletiva. Nossa satisfação estética com o futebol não está apenas na satisfação em ver o craque jogando, mas em ver o jogo, um empreendimento essencialmente coletivo. Como lembra Dascal, no futebol jogadores individualistas, que não jogam para o grupo, não são bem vistos, são “fominhas” que irritam os torcedores e companheiros de time.


Dascal vê a tendência a subordinar a cooperação à competição como um grave erro. O traço cooperativo pode combinar-se com o elemento competitivo, mas não é preciso que se subordine a ele. O conflito, no entanto, não precisa ser visto como um entrave à cooperação.

“Na verdade”, afirma Dascal, “competição e cooperação, que parecem ser fenômenos completamente opostos, não o são”. Dascal lembra que, na ciência, também há “competição”, divergência e conflito. E nas ciências, a divergência desempenha um papel fundamental em seu desenvolvimento. O essencial para a evolução na ciência vem sendo justamente o fato de que os cientistas, em geral, não estão de acordo uns com a posição dos outros, isso mesmo que se eles estejam tratando de um mesmo problema. Competir parece ser uma tendência algo natural entre os seres humanos. Essa tendência convive com outra, não menos natural: a tendência a viver juntos. Mas o aperfeiçoamento das qualidades humanas em conflito, o que Dascal chama de o ‘fazer bem’, somente ocorre quando se as exercita num ambiente cooperativo. É nessas circunstâncias que o fazer bem no futebol se revela a seus expectadores como uma forma de beleza estética. Como diria Luiz Rohden, o futebol consegue expressar ambas numa harmonia esteticamente sublime.

Nenhum comentário:

Postar um comentário