terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A alma dos palmeirenses


No dia do jogo de despedida do goleiro Marcos, o palmeirense recebe de presente de Natal antecipado um livro importante e diferente para a literatura esportiva. Se dentro de campo o time decepcionou seus torcedores, dois deles, os cartunistas Custódio e Fernandes decidiram não ficar nas lamentações. A dupla craque dos quadrinhos está lançando neste dia 11 de dezembro, na livraria HQ Mix, o livro “Alma - A história da arena esportiva mais antiga do país”.

A obra inédita no formato, saiu porque a dupla foi uma das vencedoras do ProAc, programa de incentivo e patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Inédito também é o título do livro, mas há explicação como revela Custódio, um dos autores: “O livro não é específico sobre o Palmeiras, e sim sobre o espaço físico que hoje se edifica a arena. Contamos a alma que habita aquele lugar”.

Ou “as almas” de diversos palmeirenses e vários craques históricos do futebol brasileiro. Ali, no Parque Antarctica, uma das arenas esportivas mais antigas do Brasil, aconteceram eventos históricos, como a primeira partida do primeiro campeonato oficial do país, entre Germânia e Mackenzie. Mas não era só de futebol que o Parque Antarctica vivia. Ali também eram disputados esportes como o boxe, tênis, ou ainda a primeira corrida de automóveis da América Latina e o pouso do primeiro avião do correio aéreo.

Quando a nova Arena estiver pronta e o torcedor ali presente se sentar para assistir aos jogos, com certeza, terá a “alma” de vários craques do futebol brasileiro que ali jogaram como Charles Miller, Friedenreich, Leônidas,  Oberdan Cattani, Garrincha, Ademir da Guia, Pelé, Ronaldinho Gaúcho, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Marcos e Neymar.

Para conhecer mais detalhes sobre o livro da dupla Custódio e Fernandes, vale acessar a página na internet http://almaolivro.com/ .

Literatura na Arquibancada também recomenda a leitura na íntegra da entrevista que o artista gráfico e ilustrador Orlando Pedroso fez com a dupla de autores. Abaixo, um pequeno trecho do bate-papo (http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/):

blogdoorlando - quanto tempo vcs levaram entre pesquisas e ter o material pronto?

Custódio - Eu acumulo coisas faz alguns anos. A primeira idéia clara que eu tive foi numa Fnac, uns 10 anos atrás, quando vi um livro de mapas e tinha lá um mapa da cidade de São Paulo com um bairro chamado Palmeiras. Eu nunca tinha ouvido falar naquilo. Anotei o nome do livro em algum lugar, porque eu queria mencionar isso um dia.

Perdi a anotação, procurei o mapa desesperadamente e só achei, em uma página da prefeitura, já com o trabalho em andamento. O mapa é de 1905. O bairro existiu mesmo e acho que, no clube, pouca gente saiba disso. Era onde tem a Rua das Palmeiras, no centro. A rua foi o que sobrou do bairro. Um dos limites do bairro era quase na Turiaçu.

Então essas coisinhas iam se acumulando ao longo dos anos mas, pra valer mesmo, tudo começou em novembro/dezembro do ano passado. O Fernandes foi muito prejudicado pelo meu ritmo de trabalho, acho que ele pegou as coisas só a partir de fevereiro.
Ele sofreu na minha mão.

Fernandes – Tive muita dificuldade com as cores (não pelo fato de eu ser daltônico), mas não encontrava fotografias antigas coloridas e ficava difícil saber cores de uniformes. Às vezes a mesma fotografia tinha cores diferentes em sites ou publicações distintos. O caminho foi usar e abusar do sépia.

Como era a chuteira de tal época? Quantos cravos tinha? Tudo isso precisava ser pesquisado.
Foram 8 meses de prancheta e troca de figurinhas com o Custódio.

blogdoorlando - o palmeiras ajudou em algo no processo seja com informações ou financeiramente?

Custódio - Não. Na verdade, talvez não tenhamos procurado eles direito, não sei. Não havia “alguém” com quem conversar no clube, alguém que decidisse. Ou não soubemos como chegar. Como tínhamos prazo para entrega, porque vencemos o ProAc, que é um edital, precisávamos agilizar e não houve tempo para costurar algo “oficial”. Mas é importante salientar que o nome do clube e o escudo não estão na capa, contra-capa nem nos releases, site, etc…

O conteúdo, o miolo, é histórico-cultural, não pode ser tomado como exploração comercial, mas a parte externa e de divulgação, cuidamos para não usar a marca do clube. Quem sabe eles gostem e se interessem um dia. Estamos lançando de forma independente até para manter abertos leques futuros. O trabalho nos pertence, podemos fazer o que quisermos com ele.

Ah.. a W Torre acabou sendo muito simpática. Quando tudo já estava indo pra gráfica, eles compraram um pequeno lote que nos permitiu manter um preço de venda acessível pra um livro de capa-dura e colorido.

blogdoorlando - como foi trabalhar a quatro mãos?

Custódio - Eu acho o Fernandes um dos 5 maiores caricaturistas do mundo. O que ninguém sabe é que ele faz quadrinhos, assim como charge, ilustração e escultura, no mesmo nível.
Eu apresentei o projeto pro Fernandes por que queria fazer a Anita, então não haveria tempo.
Hoje eu não consigo sequer imaginar o livro com outro desenho.

O livro, como objeto e material gráfico, é dele. O Chico Buarque falava que ninguém emprestava uma música pra Elis Regina. Quando ela gravava, a música ficava dela.
Se a voz toma posse da letra, as imagens do Fernandes tomaram posse do livro.

Fernandes - Espero que esse livro contribua para levantar a autoestima do Palmeirense ou com um pouco de pretensão até mesmo dos jogadores, o livro mostra que o Palmeiras tem uma história rica e que esta atual fase é passageira.


Sobre os autores:
Custódio (textos): paulistano, nascido em 1967, cartunista, chargista, ilustrador, e autor de histórias em quadrinhos desde 1988. Foi premiado em diversos salões de humor e venceu o prêmio de tiras do jornal O Estado de São Paulo em 2008.

Fernandes (ilustrações): natural de Avaré, nascido em 1959. É ilustrador, caricaturista com mais de 40 prêmios no Brasil e no exterior, chargista e escultor. Já ilustrou mais de 150 livros e venceu dois HQ Mix: de "Melhor livro de ilustração infantil" (1997) e "Melhor caricaturista do Brasil" (2010).

Nenhum comentário:

Postar um comentário