quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O time da Estrela Solitária


São vários os clubes brasileiros que surgiram antes de se tornarem famosos e com enormes torcidas no futebol brasileiro. No entanto, só os mais apaixonados, hoje, conhecem ou procuram se informar sobre as origens dessa paixão. Sorte do Botafogo do Rio de Janeiro ter o escritor Rafael Casé, autor de vários livros consagrados na literatura esportiva sobre o seu, mais do que clube de coração. E ele acaba de chegar com mais uma história incrível sobre o “clube da estrela solitária”...E tudo há de ter uma razão...até mesmo o significado deste que é um dos escudos mais bonitos e famosos do planeta.

Sinopse (da Editora):

Armando Albano (centro)
Em “Como esta estrela veio parar no meu peito - Os 70 anos da fusão do Botafogo” (Maquinária Editora), o jornalista alvinegro Rafael Casé revive um dos episódios mais bonitos e dramáticos da história do futebol brasileiro. Foi há 70 anos quando houve a fusão do Botafogo Futebol Clube com o Botafogo de Regatas. Num jogo de basquete entre os dois clubes (que tinham sedes e estatutos diferentes) ocorreu uma grande tragédia. Em plena quadra, morria, vítima de um mal súbito, um jogador do Botafogo Futebol, Armando Albano, craque também da seleção brasileira. Foi uma comoção tão grande que, a partir dali, os dois Botafogos viraram um só, dando origem ao escudo da Estrela Solitária. Para contar essa história, Rafael Casé foi fundo. Além de uma pesquisa minuciosa que reproduz toda a trajetória esportiva do Rio de Janeiro desde o fim do século XIX, o autor encontrou em São Paulo o filho de Armando Albano, do qual, além de conseguir uma bela entrevista, recebeu de presente a camisa que o atleta alvinegro usava quando morreu. Trata-se de uma história comovente que reafirmará o orgulho de ser botafoguense. O livro é ilustrado com fotos raras e o prefácio é do jornalista Arthur Dapieve.

O RAIAR DE UMA ESTRELA
Por Rafael Casé

Eu não conheço um botafoguense sequer que não tenha orgulho de ostentar nossa Estrela Solitária no peito. Já conheci vários, inclusive, que não se contentaram em tê-la estampada na camisa e a tatuaram na própria pele. Mas, o certo é que mais do que na bandeira, na camisa, no boné, na faixa de campeão ou na própria pele, o botafoguense leva a Estrela Solitária dentro do peito.

Daí o título deste livro que celebra os 70 anos da fusão do Botafogo Football Club com o Club de Regatas Botafogo, formando o glorioso Botafogo de Futebol e Regatas, pois foi justamente esta fusão que colocou a estrela d’ alva, que guiava nossos remadores, no peito de todos os botafoguenses.

O torcedor alvinegro, como poucos, venera sua história, seus craques, suas conquistas. Por isso mesmo, esse livro pretende resgatar uma das passagens mais importantes da trajetória dos dois clubes de Botafogo que se tornaram um só.

"O Paraíso das Lacraias", primeira sede do
Club de Regatas Botafogo, em 1900.
Nas próximas páginas vou convidar você a viajar no tempo. Voltaremos até a época em que o Rio de Janeiro, então sede da Corte Imperial, e o esporte não conviviam. Um tempo em que, no máximo, havia touradas e eventuais corridas de cavalo para entreter a população. A partir de então seguiremos mostrando como as atividades físicas começaram a fazer parte do dia a dia da cidade, principalmente por influência dos imigrantes que aqui chegaram.

Você vai ver que o turfe, durante muitos anos foi o principal atrativo esportivo do Rio de Janeiro e de que forma ele foi suplantado pelo remo, esporte responsável pelo surgimento de alguns dos grandes clubes cariocas como, por exemplo, o nosso Botafogo, fundado em 1894, já no Brasil República.

Ainda por conta da influência estrangeira e de muitos brasileiros que lá fora estudaram, o futebol plantou sua semente em terras tupiniquins. Veremos como ela brotou fácil e cresceu forte. O Botafogo Football Club se tornou o primeiro clube formado apenas por brasileiros. O Fluminense, por exemplo, era quase um protetorado britânico situado no bairro das Laranjeiras.

Última foto, tirada no intervalo da
partida fatal de Armando Albano.
Conhecer as trajetórias dos dois Botafogo, desconhecidas para muitos, é fundamental para entendermos os alicerces da nossa paixão em preto e branco. São histórias que transcorreram em paralelo, até que um episódio trágico as unisse. A morte do jogador de basquete Armando Albano, em pela quadra, numa partida entre o Botafogo F.C e o C.R. Botafogo foi o estopim de uma união que parecia óbvia, mas que teimava em não se concretizar.

O livro presta um tributo a Armando Albano e mostra que ele foi muito mais que apenas um nome nessa história. Habilidoso e determinado, conseguiu todos os maiores títulos que poderia conquistar em sua época, integrando, inclusive, a primeira delegação brasileira de basquetebol em Jogos Olímpicos, em Berlim, 1936. A camisa alvinegra ensanguentada que ele usava na fatídica partida, até hoje guardada pela família, é um símbolo do amor pelo clube e um relíquia histórica para o Botafogo.

Então, vamos entrar nessa máquina do tempo e descobrir, de vez, como é que essa estrela veio parar em nosso peito?

PREFÁCIO

Sofrimento, solidariedade, elegância
Por Arthur Dapieve

Último título de Albano, Campeão do Torneio Aberto da
Federação Metropolitana de Basketball, em 1942.
Toda boa causa necessita de um mártir. Com o Botafogo não foi diferente. Foi preciso que um jogador de basquete – Armando Albano – morresse em quadra para que algo hoje aparentemente tão lógico pudesse acontecer em 1942: a fusão do Botafogo Football Club e do Clube de Regatas Botafogo. Foi só a partir dessa tragédia, ainda hoje sem explicação médica, que os presidentes das duas agremiações do bairro carioca, agremiações que já compartilhavam muitos sócios, além das cores preta e branca, começaram a tratar da união. Antes deles, os jogadores do Regatas haviam renunciado cavalheirescamente ao prosseguimento da partida, para congelar o placar no qual o Futebol – de Albano – era vitorioso por 23 a 21. Fica a lição, para nós, seus torcedores: o Botafogo de Futebol e Regatas nasceu do sofrimento, da solidariedade e da elegância.

O sofrimento continua nas arquibancadas; a solidariedade também está lá, entre os que a frequentam ou, ressabiados com recentes frustrações, assistem aos jogos protegidos pela TV; e a elegância está no peito de todos: a estrela solitária. Esta foi a contribuição mais marcante do Clube de Regatas Botafogo ao novo Botafogo de Futebol e Regatas. Ao acordarem para remar, os seus atletas viam brilhando no céu a Estrela d’Alva (na verdade, o planeta Vênus, batizado em honra à deusa romana do amor e da beleza), e ela acabou se fixando sobre o fundo preto de suas camisetas. Com a fusão, a Estrela Solitária ganhou, como símbolo do recém-criado Botafogo de Futebol e Regatas, do monograma BFC do Botafogo Football Club.

Aliás, não tinha como não ganhar. Não existe símbolo tão forte no universo do futebol. Em qualquer eleição honesta de design mais belo ou de mais bonito escudo de um time de futebol internacional, sua elegante simplicidade triunfa sobre a profusão de letras e desenhos rococós que representa todos os outros clubes da Terra. Coletada em Como essa estrela veio parar no meu peito, este livro no qual o pesquisador alvinegro Rafael Casé historia não só a fusão como a vida dos dois clubes até a morte de Albano, a opinião de um designer brasileiro é de que “tecnicamente, o escudo possui altíssimos níveis de legibilidade, redução, reprodução (inclusive dentro do mais baixo custo de reprodução gráfica, em preto e branco, em qualquer técnica), reversibilidade, pregnância, simplicidade, o máximo da concisão sem perder o impacto”.

Instintivamente, o torcedor sabe disso desde criancinha. Eu soube disso tudo desde criancinha. Estava com meu pai, assistindo a um circo estrangeiro no Maracanãzinho, no final dos anos 60. Generoso, vascaíno e desapegado do futebol desde que presenciara o Maracanazo de 1950, ele me disse para escolher a bandeira que eu quisesse entre as carregadas por um vendedor – e que eu torceria pelo time nela representado. Como poderia uma criança de quatro ou cinco anos resistir ao pavilhão listrado em preto e branco, à estrela branca de cinco pontas sobre fundo preto no canto superior esquerdo? Não podia. É isso: eu não me tornei botafoguense por causa de Jairzinho, Gérson, Paulo César, Roberto e Rogério, os craques daquele tempo; tornei-me botafoguense por causa da Estrela Solitária. Só depois descobri que ganhara a sua bandeira e, “de brinde”, recebera um time brilhante e uma história gloriosa. Nada mau.

Com o passar do tempo fui colecionando histórias que confirmam o poder do símbolo maior do Botafogo, a sua enorme força gravitacional. Como a do conhecido de um conhecido que, ao passar por um píer em Estocolmo, descobriu entre as velas ali ancoradas uma estrela solitária sobre fundo negro. Seria coincidência? Não, não era, apuraria o meu conhecido em segundo grau. O proprietário do barco se enamorara pelo Botafogo durante uma excursão do time pela Suécia, colecionava recortes e decidira embelezar a vela com a Estrela Solitária.

Ou ainda como a história do meu amigo francês (e alvinegro) a quem presenteei com a camisa vintage do Garrincha. Ele a estava vestindo no metrô de Paris quando um jovem compatriota, filho de imigrantes africanos, se aproximou fascinado e perguntou, puxando assunto: “Esta não é a camisa de um clube de futebol chamado Botafogo, senhor?” Ou como o momento dos anos 80 em que foi moda, nas discotecas de Londres, ir dançar vestindo a nossa camisa alvinegra, entendida como peça de bom gosto, preto e branco básico. Cores chapadas ou listras horizontais, além de tudo, engordam.

Claro que não adiantaria ter no peito um símbolo tão poderoso se o Botafogo de Futebol e Regatas – e, antes dele, o Clube de Regatas Botafogo e o Botafogo Football Club – não tivesse se coberto de glórias nas águas e nos campos de futebol do Rio e do mundo. Glórias que despertaram o entusiasmo de poetas, como Olavo Bilac, Augusto Frederico Schmidt (que, aliás, era presidente do Regatas quando da morte de Armando Albano e da fusão), Paulo Mendes Campos e Vinicius de Moraes. Se olhar para o céu e sonhar com as estrelas é coisa de poetas, somos todos poetas, nós que carregamos a Estrela Solitária do lado de fora e do lado de dentro do peito.

Sobre Rafael Casé:
Apesar de trabalhar há 20 anos com TV, a alma e o coração de Rafael Casé são e sempre foram em preto e branco. Marido de Fernanda e pai de Clara, que também possui genes alvinegros, é jornalista e relações públicas, formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. E é na própria Uerj que dá aulas de Jornalismo. Também é editor-executivo do programa “Observatório da Imprensa”, da TV Brasil. Já escreveu outros cinco livros: “Programa Casé – O rádio começou aqui”; “De Homem pra Homem – Manual de Sobrevivência para Solteiros e Descasados na Cozinha”, “100 Anos Gloriosos – Almanaque do Centenário do Botafogo”, este, em parceria com o também jornalista Roberto Falcão, "21 depois de 21", em parceria com Paulo Marcelo Sampaio e “Quarentinha – O artilheiro que não sorria”.

2 comentários:

  1. Nossa.
    sou apaixona por futebol...
    Estou ficando apaixona pelo seu blog.
    Maravilha de histórias nos conta.
    Um abração.

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  2. Interessante!
    a História do meu Xará...
    e do meu Time de Coração!
    é Xará em dose Dupla..
    hehehe!!!

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