terça-feira, 20 de novembro de 2012

Campos: Saudosas Pelejas


Para a história da literatura esportiva, pouco importa se o clube ou jogador é famoso, que vivia nas manchetes dos principais jornais brasileiros. Preservar e resgatar a história de clubes e craques do passado é a obrigação de todo e qualquer pesquisador que se interesse pelo tema futebol. E quando o clube não é badalado na dita “grande imprensa”, mais louvável se torna o trabalho de um pesquisador. É o caso, agora, de Wesley Machado, um jovem jornalista e já escritor da terra de Oldemário Touguinhó (um dos grandes nomes do jornalismo esportivo brasileiro), Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

Wesley está relançando agora a 2ª edição revisada e ampliada do livro Saudosas Pelejas - A História Centenária do Campos Athletic Association. O livro é resultado da pesquisa que ele fez para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Jornalismo no ano de 2008 na Faculdade de Filosofia de Campos.

Editado pela Grafimar Editora (mas bancado com recursos do próprio autor), o livro tem 192 páginas com capítulos que contam as histórias dos cinco títulos citadinos do "Antigo Leão da Coroa" nos anos de 1918, 1924, 1932, 1956 e 1976. Saudosas Pelejas traz ainda histórias curiosas, como a do jogo em que o Roxinho, como é conhecido, fez seis gols, sendo três contra, e a partida terminou empatada em 3 a 3. Uma notícia do assassinato de um jogador do Campos também é registrada no livro.

"Saudosas Pelejas" tem apresentação do craque Afonsinho, que chegou a disputar um amistoso pelo Campos contra o Palmeiras em 1974 e atualmente escreve para a revista Carta Capital; e prefácio de Péris Ribeiro, autor da biografia de Didi "Folha Seca", vencedor do Prêmio João Saldanha de Jornalismo Esportivo em 2011, que Literatura na Arquibancada traz abaixo.

Apresentação

Campos A. A., um foco de luz no meu caminho dentro do futebol
Por Afonso Celso Garcia Reis (Afonsinho)

Time do Campos com Afonsinho. 
A palavra Campos por si sempre revela a ideia da força histórica do povo dessa região. Ficou em relevo na minha memória a participação naquele jogo maravilhoso contra o Palmeiras. Até hoje não compreendo bem como foi possível o alviverde paulista se apresentar num amistoso com todos seus “cobras”, boa parte deles da seleção brasileira e dirigidos pelo exigente Brandão, um dos treinadores mais vencedores do futebol sul-americano.

Mais uma demonstração do poder da gente campista.Também não sei de quem partiu a inspiração de me convidar para o grande evento. Os grandes acontecimentos surgem de ideias ousadas de pioneiros iluminados. O Campos fez uma jogada de grande efeito.

Afonsinho
A importância da partida, para mim, sei de boa consciência, o seu valor. Havia conquistado o “Passe Livre”, que cravou minha carreira para sempre. Mas e agora? Numa atividade coletiva, dependendo de companheiros e adversários, instalações e outras condições necessárias, como seguir em frente? Fiz alguns jogos “avulsos”, pelo menos dois, o de Campos e o da estreia do Edu Coimbra pelo Bahia para o qual ele se transferiu saindo do Flamengo.

Esse jogo também foi marcante. O extraordinário craque fez um gol de bicicleta da meia lua num lançamento meu que não foi forte o suficiente para chegar na sua frente e o obrigou ao recurso genial da pedalada aérea. Ficou um bom tempo servindo de abertura do programa de esporte da hora do almoço na Bahia.


Em pé: Aílton Pelé, Marcio, Dedé, Fagner, Zorba Devagar,
Marcolino (Goytacaz) e Cadô (XV de Jaú).
Abaixados: Moraes Moreira, Abel Silva, Paulinho da Viola,
Afonsinho, Gato Félix (Novos Baiano) e Cristiano Menezes
(jornalista). No Trem da Alegria jogaram campeões mundiais
como Garrincha, Nilton Santos, Paulo César Caju,
Jair Marinho e Altair.
 
O passo seguinte foi reunir alguns companheiros sem contrato (extinção dos aspirantes) e fundarmos um time para podermos continuar jogando profissionalmente. Nasceu o Trem da Alegria, que teve o campista Marcolino (morto em 2011) e que tem o nome em homenagem ao Garrincha (Alegria do Povo), que também foi fundador. Até hoje seguimos atuando amistosamente.

Campos sempre presente na voz do queridíssimo Roberto Ribeiro apenas para citar um de tantos amigos e companheiros desde o juvenil do Botafogo e outros clubes (o Flu tinha vários campistas) passando pela escola de Medicina e outros campos de atuação.

Enfim, o Campos é uma marca profunda gravada com Alegria no meu couro curtido de tantas estradas. Torcemos para que aproveite o entusiasmo do seu Centenário e retome sua trajetória de Glorias.

Prefácio
Reverenciando a história
Por Péris Ribeiro

Péris Ribeiro, o Perinho.
Um dos heroicos fundadores da Liga Campista de Desportos, no ano de 1914, o Campos Atlético Associação estava, de há muito, à espera de alguém que se propusesse a registrar o seu vasto e belo legado para as novas gerações. Um legado que fala de uma história deveras singular, onde as glórias e as lutas pela sobrevivência sempre se misturaram com a mais densa intensidade.

Campeão campista em 1918, já ali o celebrado “Leão da Coroa” deixava evidenciado que jamais iria temer os confrontos com os poderosos Americano, Goytacaz e Rio Branco. E foi essa, por sinal, a tônica do seu desempenho décadas a fio, transformando o  Estádio Ângelo de Carvalho em um verdadeiro “ alçapão” para os grandes. Nele, o Campos  raramente perdia. E se isso acontecia, a vitória adversária só vinha depois de muita luta, muito sofrimento, muita raça mostrada em campo.

Campeão da cidade mais quatro vezes, dono de várias outras conquistas em torneios amistosos e campeão, também, nos eletrizantes Torneios Início – competição tradicional, que marcava festivamente o começo de cada temporada-, o Campos Atlético Associação merece ser saudado, sempre, como um autêntico orgulho do desporto campista. E é isso, efetivamente, o que presenciamos agora.

Aliás, não custa lembrar que a história está aí mesmo para ser estudada, vivida. Não tem como passara ao largo, fingir desconhecimento. Ainda mais que, desconhecendo o passado, sequer dimensionamos o presente. Muito menos, somos capazes de projetar o futuro. A história é tudo!

Só que, neste país chamado Brasil, é comum ter-se medo, um grande medo da história. Daí o falso desdém, com frases do tipo “quem gosta de passado é museu”, “história é coisa de gente velha”... Coisa típica de um país de mentalidade leviana. Que projeta uma população capaz de registrar os mais  elevados índices  de analfabetismo, em qualquer pesquisa nos mais variados órgãos especializados da ONU.

Ainda bem que, vez por outra, surge alguém como esse Wesley Machado. Um jovem desabrido em sua sede de pesquisas, capaz de mergulhar com contagiante entusiasmo no mágico “ faz de conta” dos heróis de outros tempos. Ainda bem!

Com este livro sobre o Campos A. A., tenho certeza, Wesley não só crava a sua marca como o mais promissor dos jovens pesquisadores do esporte campista. Vai além. Insere-se  - e insere-se com méritos  - como um novo nome no olimpo dos jovens escritores esportivos do nosso país. Que o futuro lhe seja promissor.

Sobre Wesley Machado:
É jornalista formado em 2008 pela Faculdade de Filosofia de Campos. Atualmente trabalha como repórter na Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Campos. No início dos anos 2000, durante o Fórum Social Mundial, organizou a Pelada Social Mundial, que reuniu deficientes físicos, índios e rappers paulistas em Porto Alegre-RS.

No final do primeiro ano da segunda década do século 21, Wesley teve a crônica "O Palito de Churrasco" (http://estrelasolitarianocoracao.blogspot.com.br/2011/10/o-palito-de-churrasco.html) selecionada no 2º Concurso de Crônicas Alvinegras do Botafogo de Futebol e Regatas e publicada no livro "A Magia do 7" (http://www.livrosilimitados.com.br/loja/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&codigo_produto=145), editado pela "Livros Ilimitados". Outros projetos de literatura de Wesley relacionados a futebol são o livro sobre a questão do negro no futebol, fazendo referência à obra clássica de Mario Filho e trazendo à tona novas "descobertas", o livro sobre o centenário do Americano Futebol Clube, de Campos-RJ; que será comemorado em 2014, ano da Copa no Brasil; e a biografia de Amarildo, "O Possesso", campeão mundial com a Seleção Brasileira em 1962 no Chile.

4 comentários:

  1. Wesley, Perinho, Afonsinho...

    Caraca! Só fera...

    100 anos do famoso "Campo do Campos" como eu dizia na época de menino, morador da Rua Teixeira de Melo.

    Tenho que ir ao lançamento de SAUDOSAS PELEJAS.

    Já é.

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  2. Como faço para adquirir um exemplar do livro? Meu pai jogou no Campos. Ramon, camisa 10 do grande time 74. A camisa do Ademir da Guia daquele hoje aindavesta guardada. Ele está na foto do time que enfrentou o Palmeiras agachado com as mãos na bola. Parabéns pela iniciativa e pela obra.

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  3. A camisa do Ademir da Guia daquele jogo está guardada até hoje!

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  4. Caro Gustavo,

    Só agora estou vendo suas mensagens.

    Procurei seu perfil no Facebook e não achei.

    Entre em contato comigo pelo e-mail: wmescreve@gmail.com

    Atenciosamente,

    Wesley Machado
    (Autor do Livro do Centenário do Campos)

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