quinta-feira, 15 de novembro de 2012

1992 - O mundo em três cores


Há 20 anos o São Paulo Futebol Clube conseguia “conquistar o mundo” ao derrotar no Japão, a toda poderosa equipe do Barcelona. E para relembrar aquela trajetória a literatura esportiva está ganhando de presente mais um livro sobre aquela conquista: 1992 – O mundo em três cores. Desta vez o feito é detalhado por nada menos que o líder daquela equipe: Raí. A obra é assinada com o jornalista André Plihal, dos canais ESPN.

1992 – O mundo em três cores
(sinopse, da editora)

“O início dos anos 1990 estava difícil para o futebol brasileiro. A recente derrota na Copa da Itália para a Argentina, os campeonatos internos desprestigiados, o público deixando as arquibancadas... o sentimento de tristeza imperava na alma do então tricampeão do mundo.

É nesse cenário que começa a surgir um grupo de jogadores comandados por um mestre que transformava depressão em euforia. Pela primeira vez o São Paulo se tornaria campeão do mundo, desbancando um dos maiores clubes do mundo, o Barcelona. O líder da equipe, Raí, e o jornalista André Plihal contam em 1992 – O mundo em três cores de que forma o time cresceu e virou uma máquina de ganhar títulos, jogando o mais puro futebol brasileiro, em toda a sua essência. Raí faz um retrato fiel de Telê Santana, de como o técnico unia e comandava os jogadores, e explica a importância de cada integrante do esquadrão, exaltando o trabalho em equipe e o respeito que tinham um pelo outro.

O livro ainda traz a ficha técnica de todos os jogos da temporada de 1992 e um caderno de fotos para nenhum fanático botar defeito. Na caixa também vem um flipbook com os dois golaços de Raí na final contra o Barcelona, para o torcedor rever os momentos decisivos da partida a qualquer hora”.

Em seu site, Raí explicou a razão do livro: “Escrever este livro não é dar a fórmula do sucesso, mas, sim, compartilhar os aprendizados e as sensações daquele sucesso”. (...) “Dividir aquele momento é, também, reviver a magia, além de compartilhar vários aspectos e ângulos de quem esteve lá dentro.”

Enquanto o livro não é lançado, relembre o que o craque Raí descreve sobre aquela decisão histórica, contra o Barcelona, em artigo escrito para o Estadão, no espaço “O jogo da minha vida” (http://infograficos.estadao.com.br/jogo_da_minha_vida/rai).

“Ser campeão mundial foi uma sensação tão surreal que, quando eu consegui dormir, sonhei que estava fazendo o terceiro gol. Não queria que acabasse nunca. Lembro que chegamos bastante confiantes porque tínhamos feito um jogo contra o Barcelona em agosto e ganhamos por 4 a 1. Mesmo assim, sabíamos que eles tinham o melhor time do mundo e precisávamos estar muito concentrados. Chegamos ao Japão muito focados, pensando apenas no jogo. Já o Barcelona chegou mais autoconfiante, teve até um certo exagero.

Nós também fizemos um bom relacionamento com os japoneses. Havia muitos parentes de brasileiros, estávamos nos sentindo absolutamente em casa. Me recordo ainda de um detalhe que pouca gente sabe. No vestiário, antes do jogo, de repente, o Zetti e o Pintado apareceram com uma tinta usada por jogadores de futebol americano debaixo do olho. Era uma coisa de guerreiro.

Aquilo influenciou o nosso ritual, o clima entre os jogadores. Sabíamos que não podíamos deixar essa chance escapar. A gente não sabia se teria outra oportunidade. Eu, pouco antes de entrar no campo, ainda falei que o jogo seria equilibrado porque os dois times eram muito fortes, mas que eles não tinham a mesma união que nós. A gente tinha uma amizade muito forte.

Quando começou o jogo, porém, sofremos uma ducha de água fria com o gol, demoramos uns cinco minutos para acalmar. A experiência do Cerezo, Zetti e do Ronaldão foi importante. A confiança voltou, e melhorou ainda mais quando empatamos o jogo. O gol saiu em uma jogada que eu já conhecia do Müller.

Ele sempre cruzava com efeito. Eu sabia que era só deixar bater porque a bola já tomaria o caminho certo se pegasse em qualquer lugar do corpo. Acabei pegando de barriga, não teve jeito.

Fomos para o intervalo com o jogo empatado, e o seu Telê estava tranquilo, nunca o tinha visto assim. Se preocupou muito mais em orientar, corrigir um detalhe, ao invés de cobrar. Era uma coisa fora do normal, o Telê sempre foi agitado. Sei que o time voltou confiante por causa disso.

O jogo continuou equilibrado até que conseguimos marcar o segundo gol. Saiu em uma falta que treinamos o ano inteiro, mas nunca havia dado certo. Mas naquele momento foi perfeito. Sempre perfeccionista, o seu Telê cobrava muito nos treinos. Quando a bola entrou, não pensei em nada, não foi programado, mas fui abraçá-lo.

Não porque ele cobrava nos treinos de faltas, mas porque merecia o título por tudo que havia feito pelo futebol, foi como entregar um prêmio. Depois disso, foram 11 minutos, mas poderiam ser 20, 30 que não iríamos perder, ninguém iria tirar o título da gente. Lembro que, depois do jogo, o Cruyff disse: ‘Se é para ser atropelado, que se já por uma Ferrari’. Ele tinha razão: tínhamos um timaço”.

Para matar a saudade dos tricolores, o jogo contra o Barcelona:


Nenhum comentário:

Postar um comentário