quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Parabéns Diamante Negro


Neste dia 6 de setembro ele completaria 99 anos de vida. Leônidas da Silva, o popular Diamante Negro, o primeiro “Pelé” de nosso país, o homem que revelou ao mundo a magia do nosso futebol, a partir da Copa do Mundo de 1938, está a um ano do seu centenário. Uma data marcante para o futebol brasileiro, ainda mais quando essa data acontecerá no ano pré-Copa do Mundo disputada em nossas terras.

Leônidas morreu em 2004, aos 90 anos, deixando seu nome inscrito para sempre na história do futebol paulista e brasileiro. Abaixo, Literatura na Arquibancada apresenta o prefácio de sua biografia “Diamante Negro” (Cia dos Livros, 2010), além do texto de apresentação de seu autor, o jornalista André Ribeiro.

Picasso, Borges, Newton, Einstein e Leônidas
Por José Roberto Torero

Desde que Adão comeu aquela maldita maçã e fomos expulsos do paraíso, nos esforçamos para recuperar um pouco da nossa natureza divina. Não gostamos dessa ideia de sermos pertencentes ao reino animal. O que queremos mesmo é ser deuses. Uns dizem que quem mais chega perto disso são os artistas porque, com sua arte, eles conseguem criar algo novo do nada, tal e qual o Todo-Poderoso. Os que pensam dessa forma citam muitos exemplos, como Picasso, o criador do Cubismo, ou Borges, inventor de tantos labirintos literários.

Mas, há quem diga que quem mais se aproxima da essência de Deus são os cientistas, pois eles decifram a natureza e nos ensinam a dominá-la. Os defensores dessa teoria põem em seu altar homens como Newton, que descobriu a lei de gravidade, e Einstein, que formulou a teoria da relatividade.

Há os que acham, como o André Ribeiro, que quem chegou mesmo perto da essência divina foi Leônidas da Silva, porque ele era ao mesmo tempo artista e inventor. O Leônidas artista fez jogadas cubistas que despedaçaram as defesas adversárias, e com seus dribles desenhou labirintos onde alguns zagueiros devem estar perdidos até hoje. O Leônidas inventor criou a bicicleta, jogada que despreza a lei da gravidade e comprova a teoria da relatividade.

Portanto, seja o leitor a favor dos artistas ou dos cientistas, há de reconhecer que Leônidas foi divino. Mesmo que ele tenha cometido todos os sete pecados capitais. Não negava sua soberba, assumiu a cobiça quando defendeu a seleção por dinheiro, tinha uma justa fama de luxurioso, a ira era sua companheira desde os tempos de menino, confessou ter inveja, possuía uma insaciável “gula” de gols e, por fim, tinha tanta preguiça que em sua principal jogada ele deitava no ar.

Porém, mesmo pecador, ele, como Deus, criou algo novo, inventou o que não havia. 

Usou também o barro, só que o dos campos de futebol e, se não trouxe luz às trevas, não há como negar que tenha sido um jogador iluminado.

Leônidas foi um deus negro e pagão que andou por estas terras e fez seus milagres. 

Alguns deles estão contidos nesta bíblia que está agora em suas mãos. Vamos ler e orar, amém.

Introdução
Por André Ribeiro

Os torcedores brasileiros, especialmente os mais jovens, apaixonados por futebol, talvez nunca tenham ouvido falar no nome LEÔNIDAS DA SILVA. Com certeza, não sabem que foi esse homem, negro, de baixa estatura, dentes branquíssimos e sorriso largo, o primeiro “rei” de nossos gramados por mais de vinte anos. Leônidas foi absoluto no futebol durante as décadas de 1930 e 1940.

Se Pelé fascinou o mundo a partir de meados dos anos 1950, Leônidas foi o responsável por revelar, muito antes, aos quatro cantos do planeta, a magia e o talento do jogador brasileiro. Por ter nascido e jogado numa época em que a televisão ainda não fabricava seus ídolos, sua fama não ganhou a dimensão de vários outros craques do nosso futebol.

Leônidas da Silva e Getúlio Vargas.
Apenas os mais antigos, uns poucos jornalistas, escritores e velhos torcedores, foram responsáveis pelos raros relatos sobre a sua vida, encontrados em bibliotecas e arquivos dos jornais de todo o Brasil. Ainda bem que Leônidas sabia de sua importância dentro do futebol e, por isso mesmo, em 1964 decidiu publicar suas memórias no extinto jornal Última Hora, deixando uma fonte imprescindível para a reconstituição da sua vida. Esse material, base deste livro, chegou às minhas mãos por intermédio de sua esposa, Albertina Santos, sem cuja ajuda seria praticamente impossível escrever esta biografia.

Importantes, também, foram as contribuições de outros contemporâneos de Leônidas da Silva. Uns, como Luiz Mendes, locutor esportivo do Rio de Janeiro, e Ary Silva, cronista paulista, em depoimentos verbais, lembrando passagens marcantes da vida do craque. Outros, como o jornalista e escritor Mário Filho, e o jornalista Geraldo Romualdo da Silva, jornalista carioca, através de preciosos documentos escritos. O legado de Geraldo Romualdo, especialmente, foi fundamental para que este livro pudesse ser realizado. Amigo particular de Leônidas da Silva durante muitos anos, Geraldo foi, com certeza, a pessoa que mais escreveu sobre ele. Sua admiração pelo craque e amigo, traduzida em crônicas, notícias e reportagens, possibilitou o resgate de informações essenciais sobre a vida de Leônidas. Igualmente indispensável foi a contribuição de Agnelo Di Lorenzo, um arquivo vivo da história do São Paulo Futebol Clube e, por extensão, do futebol brasileiro.

Carregado pela multidão, Leônidas da Silva
chega a São Paulo.
Pode parecer exagero, mas todos os que o viram Leônidas jogar são unânimes em afirmar que, se ele tivesse jogado no “tempo da televisão’, a história do nosso futebol poderia ter sido escrita de maneira diferente. Resgatar e revelar, principalmente às novas gerações, a importância desse homem dentro do futebol, a maior paixão do povo brasileiro, é objetivo deste livro. 

Ninguém pretende tirar a soberania de Pelé, mas, como afirma Luiz Mendes:

“Leônidas não foi melhor que Pelé. Pior ele não foi...”.

Apresentação e agradecimentos à segunda edição
Por André Ribeiro (setembro/2010)

Leônidas e Friedenreich
Onze anos se passaram e a biografia de Leônidas da Silva, finalmente, ganha uma edição revisada. Após o lançamento de sua primeira versão, em 1999, muitos fatos ocorreram. Como se estivesse adormecida na história, a vida de Leônidas da Silva passou a ter um novo reconhecimento. O drama de sua doença e a agonia dos últimos dias de vida rendeu centenas de reportagens, nacionais e internacionais.

Vários personagens que colaboraram com a primeira versão deste livro, infelizmente, já não estão mais entre nós. Do texto de apresentação, perdemos a doce presença de Agnelo di Lorenzo, pesquisador e historiador do São Paulo Futebol Clube, morto em agosto de 2007, e de Ary Silva, pioneiro da Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo (Aceesp), que partiu no dia 6 de abril de 2001, aos 83 anos de idade.

Outras figuras importantes para a construção da biografia de Leônidas também partiram como, Bauer, Flávio Costa, Noronha e Zizinho (o mestre Ziza). O personagem central deste livro também morreu em janeiro de 2004. Descanso merecido para quem havia vinte anos sofria com os efeitos de uma doença terrível, o Alzheimer. Nesse intervalo de tempo, entre sua morte e a publicação desta nova edição atualizada, Albertina Santos, sua eterna companheira, mantém vivo o legado deixado por sua maior paixão. Antes mesmo de 2013, ano do centenário de Leônidas da Silva, o Diamante Negro tem, merecidamente, sua biografia atualizada.

Agradeço imensamente o esforço e a compreensão da Editora Cia. dos Livros, especialmente às figuras de Eduardo Botino e Vitório Rocha, responsáveis por esta nova edição do Diamante Eterno.

Um comentário:

  1. Nossa André,
    Sua biografia é fantástica.
    Bom te encontrar por aqui.
    Valeu!

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