domingo, 29 de julho de 2012

Osmar Santos: o pai da matéria


Há 65 anos nascia um dos maiores nomes do rádio esportivo brasileiro. No dia 28 de julho de 1949, na cidade de Oswaldo Cruz, interior de São Paulo, Osmar Santos começava sua trajetória de vida. Vida esta interrompida tragicamente no dia 22 de dezembro de 1994 quando sofreu um grave acidente automobilístico. O locutor que encantava multidões com seu estilo único de narração perdeu o maior dom que Deus lhe dera: a voz.


Mas surgia aí também o que seu biógrafo, Paulo Mattiussi, definiu muito bem no subtítulo do livro publicado em 2004, pela Editora Sapienza: “Osmar Santos – O milagre da vida”. 

Isso mesmo, um milagre fez com que Osmar continuasse a batalha pela vida. Virou artista e continua perambulando por aí, nos estádios e na mídia, com todas as limitações físicas que lhe foram impostas. 

Quem o viu narrar, jamais se esquecerá do estilo inconfundível. Parabéns Osmar Santos. E “pimba na gorduchinha” porque o jogo da vida tem que continuar.


Literatura na Arquibancada destaca abaixo fragmentos da obra de Paulo Mattiussi, que acabou morrendo três anos após o lançamento da biografia do amigo Osmar Santos. Um livro emocionante, obrigatório em qualquer biblioteca dos amantes da literatura esportiva.

“Nasceu na roça, filho de colono sem-terra. Construiu o seu sonho. Conquistou fama, dinheiro, reconhecimento, idolatria. Nunca perdeu sua família de vista. Arriscou tudo na luta pela redemocratização do Brasil, o seu país. Só não conseguiu driblar o destino”.

Prefácio
Por Édson Arantes do Nascimento, Pelé


“Difícil não é marcar mil gols como Pelé; Difícil é marcar um gol como Pelé”
(Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro)

Só Deus poderia explicar a razão, de eu ter o privilégio de escrever algo sobre alguém, que narrava com tanto entusiasmo e criatividade, grandes jogadas do Pelé em campo, como das grandes equipes do futebol.

O Osmar fazia com que o jogo de futebol chegasse aos ouvintes de forma vibrante, criando na imaginação um maravilhoso visual do maior espetáculo da terra.


Tanto Osmar como Pelé, levavam alegria aos ouvintes, cada um no seu trabalho, cada um à sua maneira, mas ambos atuando com muito amor e dedicação e respeito ao torcedor brasileiro.

A gorduchinha que ele falava com tanto carinho foi, quem abriu as portas do mundo e deu ao Pelé, tudo o que tem hoje. Mesmo amando-a, ele sempre a tratava aos pontapés, mas também a recebia no peito de todo coração.

Comunguei com muitos ideais do Osmar que eram meus também, falando das injustiças sociais, dando o alerta em favor dos excluídos, induzindo ao despertar do patriotismo e muitas coisas mais.


Tenho certeza que o Osmar, do alto do seu talento, está muito feliz com o legado que deixou no mundo esportivo brasileiro, ao introduzir uma forma nova e criativa de locução, como também do seu comportamento ético e digno, que o faz ser admirado por todo povo brasileiro.

Que Deus o abençoe hoje e sempre, e que seu exemplo de tenacidade e luta sejam paradigmas para os jovens, que estão iniciando suas vidas nesse mundo tão sedento de paz e amor.

A vida é assim. Às vezes temos que entender os desígnios de Deus, que tirou o que lhe era mais precioso, a voz, que o impede de continuar narrando os jogos de futebol, mas o tornou imortal.

P.S: Pelé começou a conviver com Osmar em 1972. O rei do futebol nunca escondeu sua predileção por aquele garoto de estilo irreverente, que fazia as perguntas mais ousadas de uma maneira displicente, infantil. Tanto que fez questão de escrever o texto acima. O texto foi escrito durante a madrugada de uma viagem de avião da Coréia para o Brasil e foi enviado por e-mail com uma exigência: deveria ser assinado não pelo personagem Pelé que encantou o mundo da bola, mas pelo homem Edson Arantes do Nascimento.

Apresentação
Por Paulo Mattiussi

Osmar e Mattiussi

Conheci o Osmar num jantar de negócios, logo depois da Copa de 1974. Foi na Cantina do Júlio, no Bexiga, o segundo restaurante mais antigo de São Paulo. Saboreando um fuzile com frango frito – especialidade da casa até hoje –, discutimos a participação dele num projeto de esportes de uma distribuidora de gás de São Paulo. Osmar já era o Osmar da Pan, conhecido, idolatrado, mas extremamente simpático e atencioso com todo mundo.

Com a convivência – pessoal desde aquela noite; profissional entre os anos de 1978 e 1992 –, aprendi que aquele bom humor não era só a manifestação de um garotão nascido na roça, deslumbrado com a boa vida da capital, onde, antes de completar 25 anos, já tinha conquistado salário de gente grande e destaque entre os principais locutores esportivos da história do rádio no Brasil.


O bom humor, a irreverência, a solidariedade, a simpatia e a determinação são características de sua personalidade até hoje, apesar das marcas deixadas pelo acidente que sofreu na semana do natal de 1994.

O Osmar de hoje fala duas, três palavras de cada vez. Mas a gente entende o que ele quer dizer. O Osmar de hoje anda com dificuldade. Mas consegue estar sempre ao nosso lado. E o Osmar de hoje, como o Osmar de ontem, vive da maneira como sempre gostou de viver. Em constante movimento e agitação.

É figura assídua nos principais restaurantes, vai a shows, teatros, óperas, jogos de futebol e cinema (quase todos os dias); visita amigos, novos e antigos patrocinadores, faz fono, fisioterapia, passa pela rádio, pela produtora: enfim, cumpre uma maratona que faz do seu carro um dos mais rodados do país (são mais de 7 mil quilômetros por mês) e que não impede que ele extravase sua criatividade como artista plástico, pintor impressionista, que vende pelo menos um quadro por semana, conquistando o aval do mestre Aldemir Martins.


Escrever um livro sobre a vida de Osmar, seus dramas, suas glórias, sua história, era algo em que comecei a pensar desde fevereiro de 1995, quando ouvi pela primeira vez a notícia de que ele tinha perdido o dom da fala. Justo ele, exemplo de eloquência, que matraqueava até cem palavras por minuto durante a transmissão de um jogo de futebol.

Mas o projeto foi se perdendo no tempo, trocado por atos de imediata sobrevivência, superado por momentos de insegurança em radiografar com sinceridade e competência o chefe e revelar todos os segredos e as falhas do amigo.


No começo de 2002, finalmente, com a aprovação do próprio Osmar e com o estímulo dos irmãos Oscar e Odinei, este livro começou a tomar forma. Foram mais de cem horas de entrevistas com 86 diferentes personagens que, de alguma maneira, participaram da vida pessoal, amorosa e profissional dele.

Foram horas e horas rebuscando arquivos de jornais, de revistas e das bibliotecas municipais, em busca de informações que relembrassem o que, hoje, ele não consegue mais contar.
Foi assim que a vida de Osmar Santos, o mais popular e importante locutor esportivo da história do rádio brasileiro, se transformou num livro aberto. Literalmente.

Sobre Paulo Mattiussi:

Iniciou a carreira no jornalismo aos 17 anos, como repórter do jornal O Estado de S. Paulo. Na imprensa escrita, passou ainda por Folha da Tarde, Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil e pelas revistas Veja, Contigo, Realidade e Cláudia. De 1978 a 1985, trabalhou na Rádio Excelsior (atual CBN), onde criou ao lado de Osmar Santos o programa Balancê, um marco da radiodifusão brasileira que virou referência em faculdades de Comunicação de São Paulo. Mattiussi também trabalhou em diversas emissoras de televisão. Foi editor de telejornais da Rede Globo, Diretor de Esportes da Rede Bandeirantes, Rede Record e Diretor de Jornalismo e Superintendente de Operações da CNT. Nesta última, lançou nomes como Adriane Galisteu, no programa Ponto G, e Luciano Hulk, no Circulando. Como publicitário, especialista em marketing político, realizou campanhas em todo o país desde 1986. Participou ainda de diversas coberturas internacionais (todas as Copas de 1970 a 1990 e os Jogos Olímpicos de 1972 a 1988) e passagens por redes de televisão fora do Brasil. Morreu em 2007.


Um comentário:

  1. Anônimo20:58

    nunca entendi porque a GLOBO NÃO TEVE PACIENCIA EM TESTAR O GENIAL OSMAR SANTOS POR MAIS UMA COPA...talvez ele tivesse apurado mais amadurecimento e estaria até hoje arrebentando na audiencia televisiva...sei do talento de GALVÃO BUENO...MAS O CARISMA DO OSMAR SANTOS...É ALGO QUE ARREPIA...JOSIMAR EXPERIMENTA...GOOOOOOOOOOOLLLL...JOSIMAAAAAAARRRRRRR...SAUDADE DE OSMAR SANTOS!!!

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