segunda-feira, 16 de julho de 2012

Olho no lance !


Ele acaba de completar 81 anos de vida e mais de meio século dedicados ao rádio e a televisão brasileira. Silvio Luiz é muito mais do que um narrador esportivo. Um “showman” criador de expressões inesquecíveis das transmissões esportivas tais como: “Pelas barbas do profeta”, “Pelo amor dos meus filhinhos”, entre outras.


Há exatos 13 anos, o jornalista Wagner William nos brindou com uma bela biografia de Silvio Luiz: “Olho no lance”, da editora Best Seller, é livro obrigatório para aqueles que querem conhecer os bastidores das transmissões esportivas. Vale também uma visita pelo site de Silvio Luiz, www.silvioluiz.com.br, especialmente a sessão de fotos, com raridades e personagens históricos do rádio e da televisão brasileiras.

Literatura na Arquibancada destaca três textos de alguns dos muitos craques com quem Silvio trabalhou em sua longa trajetória profissional.

Na orelha, um texto saboroso do saudoso Rui Viotti:


“Aeroporto de Brasília. Estava voltando para São Paulo após reunião na Abert (eu representava a Record) e comprei um jornal do Rio, pois a manchete me atraiu: “Walter Clark assina com a Bandeirantes”. Eram 9:30. 

O Paulinho (Machado de Carvalho) já devia estar na estação. Corri ao posto telefônico. Paulinho atendeu, depois de a ligação passar pelo Zé Américo. 

Passei por cima das formalidades (bom dia, como vai...essas coisas).

Fui logo falando:
– Chama o Silvio Luiz e faz um contrato com ele dando-lhe um bom aumento.
Paulinho foi logo dizendo:
– Acabei de renovar o contrato dele, e com aumento.


Eu lhe disse:
– Rasgue esse e faça um novo, com um bom aumento.
– Mas por quê, Rui? – atalhou o Paulinho. Respondi:
– O Walter Clark acaba de assinar contrato como o novo diretor da Bandeirantes, foi o que li aqui no aeroporto em um jornal do Rio. O Walter há de querer mostrar resultados rapidamente, e é isso que o João (Saad) espera dele, uma mexida rápida na programação. A única coisa que ele pode fazer rapidamente para melhorar os índices é levar o Silvio Luiz e a sua excelente audiência, e com isso suas “estrelas” na Record voltarão a ser o Audie Murphie, Clint Eastwood, John Wayne e outros valentões do Oeste americano.


Silvio Luiz era a grande estrela da Record. Incomodava a Globo, e muito, pois os índices de audiência da Record eram superiores aos da Globo nas transmissões esportivas. E a Globo tinha o Luciano do Valle. A Record, com seus filmes “testados” (era como o Paulinho definia as reprises) e audiência do futebol, graças ao Silvio, ocupava o segundo lugar na corrida dos números em São Paulo.

Paulinho aceitou meus argumentos e melhorou o contrato do Silvio. O Silvio que vocês vão conhecer nesta biografia não é apenas o narrador que introduziu uma atmosfera alegre, descontraída e até irreverente nas transmissões de futebol pela tevê. Mas vocês vão conhecer, se é que já não conhecem, outras atividades do Silvio na TV Record, emissora à qual dedicou a maior parte da sua vitoriosa carreira artística, pontuada de extrema dedicação, tentando sempre novos caminhos para melhor empatia com seu público.


Sua atuação na Copa do Mundo de 82, quando a Globo tinha a exclusividade de transmissão para o Brasil, foi espetacular. Narrando pela Rádio Record, e amparado por uma campanha que incitava os telespectadores a assistir às imagens da Globo com o som do Silvio na rádio, foi protagonista de um grande feito. Não só mexeu com a Globo como foi o locutor mais ouvido entre todos os de rádio que cobriram a Copa, mesmo narrando no rádio como se fizesse na televisão. Divirtam-se e aprendam um pouco mais da história da tevê que Silvio ajudou a escrever”.

Silvio Luiz, candidato a presidente da FPF.

Um dos dois prefaciadores da obra, não poderia deixar de ser um de seus grandes companheiros nas transmissões esportivas: Flávio Prado.

“Silvio Luiz e eu formávamos uma dupla na TV Record, trabalhamos juntos de 1977 a 1987, e foi quando aprendi a fazer televisão. Falar do Silvio Luiz é muito tranquilo, convivemos durante treze anos (dez na Record e três na Band) e, quando comecei a trabalhar com ele em 77, só tinha experiência em rádio. Nosso primeiro trabalho juntos foi um dia marcante, em 13 de outubro de 1977, na final entre Corinthians e Ponte Preta, quando, finalmente, o Corinthians ganhou um título após 23 anos.

Silvio Luiz aparentemente justifica o apelido de “Iogurte”: branco, baixinho e azedo. Mas Silvio Luiz ser humano, amigo, chefe e padrinho (foi meu padrinho de casamento) jamais esquece o dia do meu aniversário, nunca falta a uma festa, mesmo que seja dos meus filhos ou até de um amigo meu.

Jorge Cury (esq), Waldir Amaral e Doalcei Camargo:
alguns dos inesquecíveis profissionais da imprensa esportiva.

Você pode contar com ele para palestras em escolas, para uma reunião mais séria ou simplesmente um bate-papo para desabafar seus problemas. E, nessas horas, o aparente durão se derrete e mostra todo o seu lado humano e sua face sensível. Aprendi muito com Silvio. Viajamos pelo mundo todo juntos e fui cúmplice em coisas hilariantes, como nossa famosa candidatura à presidência da Federação Paulista de Futebol.

Você que é fã do Silvio Luiz vai conhecer neste livro uma das figuras mais incríveis da televisão desde os seus primórdios, mas principalmente ficará ainda mais admirado com esse nosso grande professor. Portanto, olho no lance!”


Outra fera da comunicação brasileira, Fausto Silva, também deixou o seu recado para Silvio Luiz:

“O amor à profissão, a seriedade, a versatilidade e a combatividade são as marcas de Silvio Luiz. Conheci poucas pessoas que se dedicaram a tantas atividades diferentes e conseguiram êxito como o Silvio Luiz. Ele foi locutor, apresentador de programas musicais e esportivos, repórter, árbitro, diretor. Para quem não sabe, o Silvio teve uma participação importante em um dos programas mais polêmicos da televisão, o Quem tem medo da verdade? Entende muito de música, foi produtor, diretor, trabalha em rádio e conhece como poucos a parte técnica da televisão. É claro que a marca maior sempre vai ficar como locutor esportivo.


Pela sua irreverência, humor e estilo diferente, ele está, sem dúvida, entre os melhores narradores esportivos da televisão brasileira. Silvio Luiz acabou se expondo a vida inteira justamente porque nunca ficou em cima do muro. Seu comportamento explosivo muitas vezes o prejudicou, mas também serviu para que as pessoas passassem a admirá-lo pela coragem e por falar sempre o que pensa – às vezes falando até sem pensar. Tenho muito respeito e admiração pelo Silvio, homem sério, batalhador e que dedicou a sua vida inteira à família e ao trabalho. Quem o conhece na intimidade percebe que a sua pseudo-arrogância nada mais é do que uma armadura envolvendo um coração emotivo e generoso. E que essa casca esconde um homem sensível e humano.


Trabalhei com o Silvio durante uns quatro ou cinco anos nos meus tempos de repórter da Jovem Pan. Nessa convivência, aprendi muito, principalmente quando ele me aconselhava a não repetir o que já tinha feito de errado. Este livro é um painel desse profissional com 50 anos de carreira e que tem muitas histórias para contar aos amantes do Esporte e aos estudantes de Comunicação. O mais importante: ao mesmo tempo em que foi vítima do seu próprio temperamento, Silvio Luiz nunca deixou de ser um homem honesto. Ele não foi bajulador, procurou ganhar dinheiro através da sua profissão e sempre seguiu o caminho da dignidade”.

Sobre Wagner William:

É autor dos livros O soldado absoluto - Uma biografia do Marechal Henrique Lott e Olho no lance - Silvio Luiz. Jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Produtor de TV com passagens pela Rede Globo, SBT, Band e Record, onde é coordenador de produção da emissora.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Os locutores de hoje não sabem narrar como Silvio Luiz, porque futebol é alegria.

    Geraldo Nunes

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