quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Dia Nacional do Futebol


19 de julho é o Dia Nacional do Futebol. A data foi criada pela CBD, atual Confederação Brasileira de Futebol, CBF, em 1976, para homenagear o primeiro time registrado como clube no Brasil, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900. E para homenagear a efeméride do esporte mais popular do país Literatura na Arquibancada recorre a prosa e aos versos de mestre Armando Nogueira.

No livro “O homem e a bola” (Editora Globo, 1986), Armando retrata o principal objeto do futebol. Sem a bola, o espetáculo não existiria. Sem a bola, não haveria torcedores. Sem a bola, não haveria nada. E no dia nacional do futebol, a bola é quem merece os parabéns.

Em frases curtas, extraímos a síntese da relação entre esse objeto, a bola, e o homem...

O Homem e a Bola
Por Armando Nogueira

“Orgulha-me ver que o futebol, nossa vida, é o mais vibrante universo de paz que o homem é capaz de iluminar com uma bola, seu brinquedo predileto”.

“Abençoada a obra que nasce do esporte, a ação entendida como brincadeira pura. E se do gesto participa uma bola, aí, então, amigo, aí principia o jogo que há de levar o homem à purificação”.

“Em nome da bola, forma sublime, em nome da grama que floresce da infância, em nome do gesto gratuito que faz o encanto do esporte, deitemos fora a aritmética do futebol. E que as portas dos estádios se reabram no tempo próximo para que lá, como Albert Camus, possamos viver outra vez doces momentos de inocência”.

“Chegue para ficar, menino-que-chega, porque é aqui que está a bola – a bola da minha, da tua, da nossa infância; aqui está a bola que, rolando, descobre o céu, brinquedo mágico, forma perfeita, forma divina. Deus é esférico”.

“Couro de gato, bola de couro, quicando e repicando pela glória de uma cidade que não tem por que chorar tristezas. Rio.”

“...aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha”.

“Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quica com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula. Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho”.

“Não quero a bola dos homens – meio de vida; quero a bola dos meninos – vida. Aprendi nos estádios que o grito dominical da multidão é muito mais guerra que paz. É benção e maldição: deuses e bandeiras divididos na abstração do gol, emocionante mentira que glorifica e fere. A bola dos homens é o castigo do gandula, que tem nas mãos, quando devia ter nos pés, o brinquedo proibido. A bola dos homens é arma de fogo, tiro certeiro no coração do velho torcedor. A bola dos homens é a solidão do juiz, ponto morto correndo na diagonal do jogo (...) Cara-ou-coroa, glória e desgraça no destino eqüidistante de uma bola. O juiz apita a saída. É hora de sair, amigo. Vamos embora do estádio. Vamos, depressa, que a bola deixou de ser brinquedo, o homem deixou de ser criança, o jogo deixou de ser ilusão. Voltemos todos, depressa, à infância do futebol que é o futebol da própria infância; as crianças correndo, em bandos, atrás da bola que rola no campo, incansável, graciosa – pelada”.

“Brincar contigo é descobrir a harmonia e o equilíbrio do universo. Brincar contigo é brincar com Deus, de cuja plenitude nasce a esfera, inspiração da bola. Bola é magia, bola é movimento. É vida nas mãos de uma criança. Louvado o homem que faz da bola parceira e cúmplice de seu próprio destino (...) Um dia, antes do apito final, ela há de morrer, como um gol, no fundo do meu coração”.

“No futebol, matar a bola é um ato de amor”.

“Se a bola soubesse o encanto que tem, não passaria a vida rolando, de pé em pé”.

“É isto que explica o fascínio da bola: essa criança de 3 anos, no máximo, brincando com o irmãozinho mais velho, vibra cada vez que vê rolar a bola por ele chutada. Brinquedo mágico que se submete suavemente à vontade do homem. Vivo, desde menino, no rastro de uma bola branca que persigo sem jamais tê-la alcançado. Bola de tantos sonhos perdidos pela linha de fundo. Círculo, inspiração do sol, forma divina.

3 comentários:

  1. prezado senhores e importante fala sobre o futebol
    mais e convardia nao fala do futebol feminino
    obrigado

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    1. Amigos. Neste blog há uma seção com 3 artigos postados sobre o futebol feminino, o mais interessante de todos encontra-se neste link: http://www.literaturanaarquibancada.com/2012/02/historia-do-futebol-feminino-no-brasil.html Gratos pela visita.

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  2. oi amigo sua resporte e verdadeira
    obrigado um feliz 2014

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