domingo, 1 de julho de 2012

Especial Copas (11): "A conquista do Penta"


Há 12 anos o Brasil conquistava o pentacampeonato mundial de futebol. Tempo passado, começam as reflexões sobre o momento histórico. Cada um processa a história de uma maneira. Jornalistas e escritores pesquisam o fato, as mil e umas versões de uma jogada, convocação, substituição, gol, erros e acertos.

E na visão de um poeta apaixonado pelo futebol - e se for pelo Vasco da Gama, melhor – como Luis Maffei, qual é a palavra minuciosamente pensada sobre aquela Copa?


Em seu primeiro livro chamado “A” (Oficina Raquel, 2006) estão registrados vários momentos dessa “viagem” à conquista do Penta. 

Literatura na Arquibancada resgata dois deles, dedicados talvez às duas maiores figuras brasileiras na Copa de 2002: Ronaldo e Rivaldo. Faça você, leitor, a interpretação que quiser sobre esses instantes e fragmentos que o poeta criou com as palavras.

COPA DO MUNDO 2002 
Rivaldo ato II 


antes de tudo o forje.

o silício a

ourivesaria

e gotas de futuro como a pedra no fundamento do forte.


antes os golpes de mãos fechadas sobre a já

retorta

realidade do ator.

antes a máscara e o martelo e o palco vagina aberta

e o quiasmo rijo como dentes em vitrine.
                                                            

COPA DO MUNDO 2002
Ronaldo
 


equinócio:

a mulher inteira se despe e resta

apenas

o véu órfico da cor da labareda:

venta na dobra da estória.

acinzentada, rumo ao sopro

ergue-se a voz mesmo antes das

flechas e seu

destino

curvo

de perspicácia. 

Sobre Luis Maffei:

É Professor de Literatura Portuguesa da Universidade Federal Fluminense (Niterói/ Rio de Janeiro). Concluiu, em 2007, seu Doutoramento, que resultou na tese Do mundo de Herberto Helder. É membro do Pólo de Pesquisa sobre Relações Luso-brasileiras do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Como poeta, lançou, em 2006, A, seu livro de estreia, e, em 2008, Telefunken. Para a editora Oficina Raquel, coordena a série Portugal, o, dedicada à nova poesia portuguesa, que editou no Brasil antologias de Manuel de Freitas, Rui Pires Cabral, Luís Quintais e Pedro Eiras. Como ensaísta, escreve freqüentemente para periódicos de literatura, tendo textos em revistas como Telhados de vidro, Diacrítica, Camoniana e Metamorfoses. Recentemente, participou do livro “Contos da Colina”, com contos sobre o Vasco da Gama, seu clube de coração.

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