terça-feira, 12 de junho de 2012

Corinthians x Santos: O GRANDE JOGO


Chegou a hora. Corinthians e Santos. Uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro.

Não é a toa que até livro já ganharam sobre o histórico confronto que, em 2013 completou 100 anos. Não é a toa que o livro chame-se “O GRANDE JOGO”. E agora serão mais dois grandes jogos que em futura reedição desta obra estarão lá para aumentar a rivalidade entre os dois clubes.

Celso Unzelte (esq.) e Odir Cunha.

“O grande jogo - O maior duelo alvinegro do futebol contado por dois historiadores fanáticos” (Editora Novo Século, 2009), como o próprio subtítulo diz, foi feito por dois jornalistas “assumidos”. Celso Unzelte e Odir Cunha demonstram, em alto nível, como dois jornalistas podem “vestir” a camisa dos clubes pelos quais torcem escancaradamente, sem comprometer a tal “ética profissional”.

Corinthians e Santos. Santos e Corinthians. Valendo a busca de um título da Libertadores tem tudo para ser, como a “orelha” do livro de Celso e Odir diz:

“Que jogão!

Pelé já disse que o maior jogo do mundo é Santos e Corinthians. Se o Rei – que fez deste jogo o seu palco iluminado – diz isso, quem pode negar?

Pelé x Rivelino

Quem torce pra um ou pra outro sabe que quando esses rivais se encontram o sangue ferve, o coração acelera e o ar fica abafado como nas tardes de verão antes da chuva.

Ninguém é indiferente e ninguém passa incólume a um Corinthians e Santos. É muita história junta. Neco, Arnaldo Silveira, Amílcar, Araken, Baltazar, Feitiço, Luizinho, Antoninho, Gylmar, Oreco, Pelé, Rivellino, Coutinho, Flávio, Paulo Borges, Zito, Clodoaldo, Zé Maria, Sócrates, Wladimir, Juary, Pita, Biro-Biro, Casagrande, Edu, Giovanni, Viola, Marcelinho Carioca, Robinho, Tevez...Foram tantos os heróis e vilões dessa batalha que vem desde junho de 1913!

Talvez esses dois alvinegros sejam mesmo farinha do mesmo saco, que se odeiam com todo o amor e se amam com todo o ódio. O certo é que um não vive sem o ódio/amor do outro e o futebol não vive sem eles.

Neymar e Paulinho

Um é alvo como o dia, o outro negro como a noite – e assim se complementam, preenchendo a existência do torcedor que conta os dias para ser de novo estremecido por esta emoção que tem um pouco de alegria suprema e de tristeza profunda, de vida e de morte. Porque nunca se sabe o que o destino reserva para um Corinthians e Santos”.

E que “GRANDE JOGO”, Celso e Odir “disputaram” até os 90 minutos, ops, até a última página deste sensacional livro. É como os editores da obra definiram muito bem o “confronto” esses dois legítimos torcedores, uma:

“Conversa de botequim de alto nível”

Santos de 1913.

“Para contar a história do clássico mais antigo de São Paulo – jogado pela primeira vez em 22 de junho de 1913 – e da maior rivalidade alvinegra do futebol, a Editora Novo Século convidou os jornalistas, escritores e historiadores Celso Unzelte, corintiano, autor de Almanaque do Timão, e Odir Cunha, santista, autor de Time dos Sonhos, a história completa do Santos F. C., Donos da Terra, a história do primeiro título mundial do Santos, “Na Raça!, como o Santos se tornou o primeiro bicampeão mundial” e Pedrinho escolheu um time.

Na verdade, Celso já começa polemizando, pois diz que no começo nem era clássico, porque “o Santos ainda não era time grande”. Odir retruca, dizendo que podia não ser clássico para a imprensa de São Paulo, mas o Santos já tinha um grande time, com craques de Seleção, como Arnaldo, Millon e Haroldo, tanto que ficou de 1913 a 1919 sem perder uma partida oficial para o Corinthians.

Corinthians de 1920, 11 x O contra o Santos.

Pode ter demorado, mas quando começou a ganhar do Alvinegro Praiano, o Corinthians pegou gosto pela coisa. Liderado pelo craque Neco, o clube que veio da várzea de São Paulo passou a conquistar títulos e manter ampla vantagem sobre o Santos, chegando a goleá-lo na Vila Belmiro por 11 a 0. Um resultado contestado por Odir. Ao Santos restava a alegria de vitórias esporádicas. Está certo que algumas delas foram acachapantes, como os 8 a 3 em pleno Parque São Jorge, em 1927, quando os santistas tinham o “ataque dos 100 gols”. Também na Fazendinha o Santos venceu por 2 a 0, em 1935, e comemorou seu primeiro título paulista (o Corinthians já tinha oito estaduais no currículo).


Antes de voltar a ser campeão paulista, o Santos veria seu rival ganhar mais sete títulos estaduais. Só mesmo com a chegada de Pelé, na segunda metade dos anos 50, é que a situação começa a mudar. E mudou tão radicalmente que o Corinthians ficou 11 anos sem vencer o Santos em Campeonatos Paulistas, o tabu mais comentado do futebol brasileiro.

Enquanto Pelé jogou no Santos, o Corinthians não foi campeão. Depois, porém, foi a vez do troco corintiano. 

Em 1975 o tabu virou de lado e foi a vez de os santistas sentirem na pele o que é passar anos a fio sem o gostinho de uma vitória sobre o rival.


Nos anos 80 e 90 o domínio corintiano prosseguiu, tranquilo, com um céu de brigadeiro interrompido por esporádicas nuvenzinhas chamadas Guga ou Serginho – este o autor do gol de canela que deu o título paulista para o Santos em 1984.

Só mesmo em 2002, com o surgimento da geração Robinho, Diego & Cia., é que o Santos mudou novamente a história dos confrontos com o Corinthians. Desde então, a supremacia voltou para o Alvinegro Praiano, apesar de alguns reveses sentidos, como os humilhantes 7 a 1 no Brasileiro de 2005.

A pedalada de Robinho contra o Corinthians

Bem, dita assim a história desta rivalidade parece dividida em blocos bem definidos, mas na verdade ela sempre foi cheia de nuances. Uma fase melhor nunca garantiu a vitória de um time sobre o outro. Quando ambos se encontram, o futebol vive um de seus momentos mais intensos. Não é à toa que Pelé considera Santos e Corinthians o grande jogo do futebol.

Jornalistas e pesquisadores precisos, Celso Unzelte e Odir Cunha não deixam de ser também apaixonados pelo futebol e por seus times do coração, o que torna este O grande jogo! ao mesmo tempo um livro histórico sobre uma das maiores rivalidades do futebol e também um pretexto para deliciosas e acirradas discussões sobre os fatos mais polêmicos das partidas entre estas duas grandes equipes brasileiras.


Como em um botequim de alto nível, mesmo depois de momentos em que se perdeu a calma e até se apelou para a ironia para defender seus pontos de vista, no final preponderou o respeito entre estes ilustres aficionados – respeito que, fazem questão de afirmar, deve prevalecer sempre, mesmo entre torcedores imersos em tanta rivalidade.

Ao longo de 95 anos de batalhas, Corinthians e Santos escreveram alguns dos capítulos mais belos e dramáticos da história do futebol brasileiro. Você está convidado a mergulhar nesta história pela voz, memória e coração de Celso Unzelte e Odir Cunha”.

Sobre os autores:
Celso Unzelte

Jornalista e pesquisador, nasceu em São Paulo (SP), no dia 27 de fevereiro de 1968. Iniciou a carreira como repórter da revista Placar, em 1990. Especializou-se na área de esportes, com ênfase na pesquisa histórica. Foi repórter da revista esportiva Ação (que substituiu a Placar) entre 1990 e 1991; editor da revista Veja Paraná (1991); da Placar (1991 a 1993 e 1997 a 2000); da editoria de Esportes do jornal Notícias Populares (1993); da revista Quatro Rodas (1993 a 1997); do site netgol.com (2000/2001); diretor da Revista Varig e da Revista da ABRALE(Associação Brasileira de Leucemia), em 2008. Atualmente, é comentarista das televisões por assinatura ESPN/ESPN Brasil, professor de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, e editor do caderno semanal Esporte, do Diário do Comércio. 
Tem dez livros publicados na área esportiva: Almanaque do Timão (Editora Abril, 2000, reeditado em 2005), Almanaque do Palmeiras (Editora Abril, 2004, em parceria com Mário Sérgio Venditti), O livro de ouro do futebol (Ediouro, 2002), Grandes clubes brasileiros (produção independente, em parceria com Marcelo Migueres, 2002; reeditado em 2004), Os dez mais do Corinthians (2008), O grande jogo: o maior duelo alvinegro do futebol (2009, em parceria com Odir Cunha), Jornalismo esportivo: relatos de uma paixão (2009), Timão: 100 Anos, 100 Jogos, 100 Ídolos (2009), Flamengo: Rei do Rio (2009) e a Bíblia do Corintiano (2010). Foi consultor do Memorial do Corinthians, do Museu do Futebol do Pacaembu e corroteirista do documentário Todo Poderoso: 100 Anos de Timão (2010).

Odir Cunha

Nascido em São Paulo (SP), em 17 de setembro de 1952, formou-se em Jornalismo e atuou em jornais diários, revistas, emissoras de rádio e de TV. Ganhou os Prêmios Esso de Informação Esportiva em 1978 e 1979, além de três prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Tem 18 livros publicados, dos quais 11 sobre esporte e sete sobre o Santos.  Entre eles, “Time dos Sonhos – A História Completa dos Santos Futebol Clube” e “Donos da Terra – A História do Primeiro Título Mundial do Santos”. Também adaptou para o Português “O Sorriso do Futebol”, biografia não autorizada de Ronaldinho Gaúcho, escrita pelo jornalista italiano Lucca Caioli. Santista desde os 6 anos, Odir só viu seu time perder para o Corinthians dez anos depois. Espera sempre o jogo com o Corinthians com ansiedade, pois este geralmente lhe reserva grandes alegrias.

Um comentário:

  1. Olá André Ribeiro, boa tarde!

    Meu nome é André Biernath, sou estudante de jornalismo da PUC-SP. Estou no quarto ano, fazendo meu TCC, que é orientado pelo professor Luiz Carlos Ramos.

    O trabalho que faço é uma reconstituição histórica dos culpados pelas derrotas do Brasil em Copas do Mundo. A minha ideia foi resgatar esses personagens, contando o contexto de sua vida, sobre a Copa do Mundo em questão e os motivos de ele ser considerado o bode expiatório.

    Para isso, me baseei em muitos jornais, revistas e livros, inclusive no seu livro sobre o Telê Santana. Preciso fazer algumas entrevistas para completar a minha apuração e seu nome é um dos mais importantes na área. Portanto, gostaria de saber se o senhor teria um tempo para conversar sobre a história das Copas do Mundo que o Brasil perdeu, focando nas figuras de Telê Santana e Leônidas da Silva.

    Podemos fazer essa entrevista pessoalmente ou, se for mais cômodo para o senhor, por telefone. Só preciso que o senhor me diga o dia e horário que lhe são melhores.

    Me escreva no e-mail: andre_gomes01@hotmail.com

    Fico no aguardo de seu retorno!

    Um abraço,

    André Biernath.

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