segunda-feira, 21 de maio de 2012

O eterno George Best


Ele foi considerado o Pelé do futebol irlandês, mas pelo estilo de jogar (incluindo a camisa 7) e o trágico final de vida seria muito mais uma cópia quase fiel do nosso eterno Mané Garrincha. George Best, um mito do futebol inglês, jogava tanta bola que até o sobrenome carregava o adjetivo correto: “O melhor”.  Um ditado popular na Inglaterra diz que “Maradona Good. Pelé Better. George Best (Maradona Bom. Pelé Melhor. George o Melhor).


George Best nasceu em Belfast, capital da Irlanda do Norte, logo após a Segunda Guerra Mundial, no dia 22 de maio de 1946. Era tão fanático pelo futebol que, reza a lenda, chegava a dormir com a bola quando criança. Em Belfast jogou em times amadores como o Cregagh Boys e Glentoran.

Mas não demorou para que o talento nato de driblador, provocador e gênio incontrolável, levasse-o ao Manchester United quando tinha apenas 15 anos. Dois anos depois, em 1963, estreava com a camisa vermelha dos “Reds” onde jogou 370 partidas marcando 179 gols. Era um ídolo rebelde, que colecionou títulos importantes na história do Manchester United como um Campeonato Europeu e dois nacionais. Best formou um trio inesquecível para os ingleses, e porque não do futebol mundial, jogando ao lado de outras duas lendas: Bobby Charlton e Denis Law.


Apesar de ter sido um dos principais jogadores na conquista inédita do título europeu pelo Manchester United, em 1968, dois anos antes, na disputa por uma vaga nas finais do mais importante campeonato europeu, contra a forte equipe do Benfica de Eusébio e companhia (na época, bicampeões europeus), George Best ganharia outro apelido definitivo e que demonstra bem seu estilo. É que Best, rebelde como sempre, desobedeceu as recomendações de seu treinador, Matt Busby, para que tivessem cautela e estudassem o adversário nos minutos iniciais da partida de volta em Lisboa, já que no primeiro jogo, em Londres, o United vencera com dificuldades por 3 a 2. Best parecia possuído naquela tarde no Estádio da Luz. Com apenas 12 minutos de jogo já havia marcado dois gols e ainda faria mais um, na vitória por 5 a 1 contra os portugueses. Ao retornar para a Inglaterra, Best abriu os jornais e viu estampado nas manchetes o título de “O Quinto Beatle”.


O apelido não se justificava apenas pela irreverência e talento de George Best dentro dos gramados. Fora deles, o jovem irlandês, bonito, cabelos longos e esvoaçantes causava furor, principalmente entre as adolescentes da época. Era visto frequentemente com as mais belas mulheres e carros dos modelos mais caros. “Baladeiro” de primeira, atrasava-se com frequência aos treinos, gerando multas e suspensões intermináveis aplicadas pelos dirigentes.

Para Best as penalizações pouco importavam. Seguia a vida rebelde dentro e fora dos gramados, fazendo gols decisivos na mesma proporção em que quebrava corações. Na temporada em que conquistou o título de campeão europeu, 1968, acabou recebendo da revista France Football, o troféu mais cobiçado na época, “A Bola de Ouro”, entregue ao melhor jogador do futebol europeu. Best já havia sido o artilheiro do campeonato inglês, em 1967, com 28 gols, e na final do campeonato europeu contra o Benfica, marcou o terceiro gol na vitória por 4 a 1. Não era pouco. Acabou se transformando no único jogador na história do futebol irlandês a receber tal premiação.


Com a camisa da seleção irlandesa, Best marcou apenas 9 gols e só não teve a honra de disputar uma Copa do Mundo. Mas só sua presença em campo deixou os torcedores de seu país enlouquecidos nos 37 jogos que fez com a camisa da Irlanda do Norte.

No final desta mesma temporada de 1968, que parecia perfeita, George Best começou a enfrentar a decadência profissional e pessoal. O Manchester United acabou derrotado no Mundial Interclubes pelo Estudiantes de La Plata e com Best sendo expulso no jogo de volta, no Old Trafford. O peso da fama, uma verdadeira celebridade do futebol mundial, começou a fazer efeito em George Best.  Como já aconteceu com tantas estrelas do futebol mundial, começava um longo período de decadência em sua vida. Entregou-se à bebida, virou alcoólatra. As aparições nos tabloides ingleses sensacionalistas eram para noticiar suas noitadas. George Best teria dito tempos depois que era o “cara que levou o futebol das páginas internas para a capa dos jornais”.


Mas não eram boas notícias. Em 1973, quando tinha apenas 27 anos, foi obrigado a deixar o Manchester United no meio da campanha que levaria o clube ao rebaixamento no futebol inglês. Foi jogar em um clube desconhecido, o Dunstable Town e no ano seguinte, no Stockport County. Chegou a sofrer ameaças dos terroristas do IRA por ser protestante. Mas como tudo na vida de George Best era rebeldia, ele chegou a jogar por dois clubes católicos, o Cork Celtic, da República da Irlanda, e o Hibernian, da Escócia. Apesar da decadência visível, Best chegou a voltar a elite do futebol inglês onde atuou por uma temporada pelo Fulham, ao lado do astro Bobby Moore. Mas não vingou. Preferiu ir para os Estados Unidos e jogar na milionária liga norte-americana que importava astros do mundo inteiro.

E nem assim sossegou. Jogou ao lado de Gerd Muller, ídolo do futebol alemão, e Teófilo Cubillas, do Peru, mas também pelo time da Prisão Ford, onde esteve preso por oito semanas por dirigir embriagado e bater em um policial.


Mesmo com todo o processo de decadência vivido, Georg Best tentou de todas as formas defender a seleção da Irlanda (seu maior sonho), classificada para a Copa de 1982, mas o treinador da época,  Billy Bingham preferiu não leva-lo após ver suas fracas atuações na liga norte-americana.

Em 1984, aos 38 anos, aposentou-se definitivamente. Virou comentarista, mas os vexames causados por conta do alcoolismo não pararam. Em 1990, em um debate ao vivo feito pela maior emissora do país, a BBC, apareceu completamente bêbado.

Em 2002, foi obrigado a receber um transplante de fígado, mas mesmo assim, voltou a beber no ano seguinte. Três anos depois, em 2005, foi internado pela última vez. No hospital,  recebeu a maior homenagem que segundo ele mesmo poderia ter em vida. Uma carta com os dizeres: “Do segundo melhor jogador de todos os tempos, Pelé”. Best retribuiu: “Este foi o último brinde da minha vida”.


Internado havia dias em estado crítico, antes de morrer no dia 20 de novembro, reconhecendo o que havia feito com a própria vida, pediu para ser fotografado pelos repórteres com uma mensagem: "Não morra como eu". 

Morreu cinco dias depois, aos 59 anos. Foi enterrado em Belfast, ao lado da mãe. Virou herói nacional, na terra natal e por toda a Inglaterra. Seu funeral foi digno de grandes chefes de estado mundiais, com mais de 100 mil pessoas nas ruas da capital Belfast, todos querendo dar seu último adeus ao ídolo. Um ano após a sua morte virou nome do aeroporto de Belfast.


E pela primeira vez um país homenageava um jogador de futebol nas notas de dinheiro. O Ulster Bank, da Irlanda, emitiu 1 milhão de notas comemorativas de 5 libras com a imagens do jogador vestindo as camisas dos times em que foi imortalizado.

Segundo o Guia dos Curiosos, de Marcelo Duarte as cédulas “criadas como um presente para a população irlandesa local, acabaram se tornando uma febre em todo o Reino Unido. Com a exceção de duas notas – uma dada a Barbara McNarry, uma das irmãs do ídolo, e outra ao seu pai, Dickie Best –, todo o lote foi vendido em cinco dias”.



George Best também virou um fenômeno editorial. Tem várias biografias publicadas. Também virou uma Fundação, a Fundação George Best, que pesquisa os efeitos do álcool nas pessoas (http://www.georgebest.com/).

George Best também foi homenageado pela banda irlandesa U2 com a citação de seu nome na música composta para o filme Em nome do pai, que aborda a injusta condenação de um imigrante irlandês na Inglaterra acusado de cometer um ato terrorista do IRA. Bono Vox canta: “In the name of United/and the BBC/In the name of George Best/and LSD”. Bono ainda cantaria “Sometimes You Can’t Make It On Your Own”. O clipe abaixo traz imagens de sua vida e das homenagens recebidas após sua morte.



Há ainda a música “George Best Tribute – One of the Greatest Footballers”. O vídeo abaixo traz cenas incríveis de George Best em campo.



George Best deixou frases inesquecíveis:

"Odeio táticas, elas me aborrecem. O que me importa são meus dribles, chego a sonhar com eles".

"(David Beckham) não chuta com a esquerda, não sabe cabecear, não sabe driblar e não marca muitos gols; fora isso, ele é bom".


"Em 1969, eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida".

"Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei".

"Dizem que tentei dormir com sete Misses Mundo. Não é verdade. Foram apenas quatro. As outras três é que vieram atrás de mim”.

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