sexta-feira, 4 de maio de 2012

75 anos da Rádio Bandeirantes

Carro da Rádio Bandeirantes, em 1937.
Crédito: www.carrosantigoseonibus.nafoto.net

Domingo, dia 6 de maio, uma das mais tradicionais rádios do Brasil, a Bandeirantes, completa 75 anos de vida. Várias comemorações estão agendadas, mas no futebol, um dos segmentos mais conhecidos na programação da emissora, a data será marcada, felizmente, com o lançamento de uma coleção de livros !!!

O evento acontece neste sábado, no Museu do Futebol como parte da “Virada Cultural” de São Paulo. E para reverenciar aquele que foi o primeiro programa esportivo da emissora, Literatura na Arquibancada também traz para você a história do cronista pioneiro, não só da Rádio Bandeirantes com o seu “Bola ao Ar”, mas da imprensa esportiva brasileira: Ary Silva.

Começamos com a sinopse da coleção: “Futebol é com a Rádio Bandeirantes”

“Nada se compara a um gol nas ondas do rádio. A emoção do narrador se misturando com o grito da torcida faz até o mais frio adepto se arrepiar. E como falar de futebol no rádio sem se lembrar da Bandeirantes?

Em comemoração a seus 75 anos, a Rádio Bandeirantes fará uma grande festa no próximo dia 5 de maio (sábado), no Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. 

A emissora irá lançar, em parceria com a editora Panda Books, a coleção "Futebol é com a Rádio Bandeirantes".

São quatro livros em capa dura - cada livro é dedicado a um dos quatro mais populares times paulistas. 

A história começa em 1938, quando a Bandeirantes transmitiu suas primeiras partidas de futebol. 

O livro apresenta os principais programas esportivos do passado, como "Bola ao Ar", "Movietone Esportivo", "Show de Rádio", entre outros. 

Destaques as grandes coberturas e os profissionais que fizeram da Bandeirantes a emissora mais popular do país em transmissões esportivas.

O livro é acompanhado de um CD em MP3, que traz as memórias futebolísticas de profissionais da Bandeirantes identificados com os times. 

São depoimentos apaixonados de José Paulo de Andrade (São Paulo), Salomão Ésper (Corinthians), Milton Neves (Santos) e Mauro Beting (Palmeiras).

O CD traz vinhetas e trilhas que marcaram época nas jornadas esportivas.

Há também gols históricos narrados pelos profissionais da atual equipe da Rádio Bandeirantes - José Silvério, Ulisses Costa e José Maia.

A Bandeirantes irá transmitir toda a festa diretamente do Estádio do Pacaembu, com a apresentação do craque Neto. 

Apresentadores, comentaristas, repórteres e produtores da emissora estarão participando do evento. 

José Paulo de Andrade, Salomão Ésper, Milton Neves e Mauro Beting irão autografar os livros das 16h às 19h.  Cada livro custa R$ 29,90”.



Sobre os autores:
José Paulo de Andrade: está na Bandeirantes desde 1963. Começou sua carreira três anos antes como rádio-escuta do plantão esportivo da Rádio América, emissora que pertencia ao Grupo Bandeirantes. Trabalhou durante 14 anos como locutor esportivo até se tornar apresentador e comentarista de programas jornalísticos da casa. Comandou debates eleitorais e apresentou o jornal local Band Cidade, na Rede Bandeirantes de Televisão. Apresenta O pulo do gato desde 1973, programa que é recordista do rádio brasileiro por estar no ar no mesmo horário e com o mesmo apresentador há 39 anos. Também está à frente do Jornal Gente desde 1977. É formado em direito pela Universidade de São Paulo.

Mauro Beting: está na Rádio Bandeirantes desde 2003. Formou-se em direito na Universidade de São Paulo e em jornalismo na Fiam. É comentarista de rádio e de televisão na Bandeirantes e também no canal Bandsports. Tem livros publicados sobre futebol e jornalismo. Pela Panda Books publicou O dia em que me tornei palmeirense.

Milton Neves: está no Grupo Bandeirantes desde 2005. Iniciou a carreira em 1968 como locutor da Rádio Continental, de sua cidade natal. Apresenta os programas Domingo esportivo Bandeirantes e Terceiro tempo, que tem também sua versão televisiva na Rede Bandeirantes de Televisão. Na TV, Milton comandou importantes programas, como o Supertécnico.

Salomão Esper: está no Grupo Bandeirantes desde 1952. Começou na Rádio América, emissora que pertencia ao grupo, depois de quatro anos na Rádio Cruzeiro do Sul. Entre tantas atividades que desempenhou, Salomão foi superintendente da emissora. Formado em direito pela Universidade de São Paulo, Salomão apresenta na Bandeirantes o Jornal Gente desde 1977, ao lado de José Paulo de Andrade e Joelmir Beting. Salomão ocupa a cadeira número 22 da Academia Paulista de Jornalismo desde 2008.

A Rádio Bandeirantes iniciou suas atividades no dia 6 de maio de 1937, época em que a concorrência era marcada pela audiência das rádios Record, Kosmos, São Paulo e Educadora Paulista. Começou com uma programação de música erudita, passando à MPB até chegar ao esporte. Tito Fleury foi o primeiro narrador de esportes da emissora enquanto o comentarista, Enéas Machado de Assis. O primeiro era também o locutor comercial da emissora e o segundo, diretor artístico. Ou seja, foram improvisados nas funções. Como o rádio crescia rapidamente nesta época fazendo novos ouvintes a cada dia, especialmente, os ligados em futebol, a Rádio Bandeirantes decidiu, em 1939, criar um departamento exclusivo para o esporte.

E o primeiro contratado da Rádio Bandeirantes foi um pioneiro da imprensa esportiva brasileira, Ary Silva, que naquela época trabalhava também no jornalismo impresso dos Diários Associados de Assis Chateaubriand. Ary Silva, dirigia e produzia o programa criado por Otávio Gabus Mendes, “Bola ao Ar”, um dos mais marcantes na história do rádio brasileiro. Ary marcaria ainda a história da imprensa esportiva com vários outros feitos, como o de se tornar o primeiro presidente da Associação dos Cronistas Esportivos (Aceesp), em 1941, quando tinha apenas 23 anos, ou ainda o de ser um dos “mentores” do “Plano da Vitória”, um grupo de jornalistas formado por ele, Ary, Paulo Planet Buarque e Flávio Iazetti, comandados por Paulo Machado de Carvalho para vencer a primeira Copa do Mundo de 1958, na Suécia.

Tudo isso só se tornou possível com a fama que Ary Silva obteve com a coluna diária que assinava no jornal Diário de São Paulo, sob o título: “Torcida Amiga, bom dia!”. O prestígio conquistado pelo jovem talento fez o diário paulista apostar na cobertura dos treinos da seleção. O que seus chefes não poderiam imaginar eram as regalias, impensáveis nos dias de hoje, que Ary Silva teria no dia-a-dia dos treinamentos da seleção: “certo dia Zezé Procópio ficou doente e em sua vaga entrou uma jovem revelação para ocupar a sua vaga. Seu nome era Ary Silva”, relembra o próprio jornalista em suas memórias.

Abaixo a trajetória de Ary Silva extraída do site www.netsaber.com.br :

Ary Silva, filho do do motorista de praça Antonio Justino Silva, não conheceu a mãe, que morreu ao dá-lo à luz. Foi Ary criado por sua avó, Maria Emilia de Souza, que era cozinheira do Governador de São Paulo, mais tarde Presidente do Brasil, Rodrigues Alves. E o menino então foi criado dentro do Palácio Campos Elíseos, “com muito orgulho”, como se gabava o, mais tarde, jornalista Ary Silva.

Filho de negros, Ary nasceu no bairro do Canindé, capital paulista, a 21 de junho de 1917. Estudou com livros dados, mas estudou e se formou advogado, pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Começou, porém, a trabalhar cedo. Primeiro foi ser vendedor de rádio, mas não conseguiu vender nada, e logo foi ser redator e revisor de jornal. O pai de Ary tinha um amigo que era chofer do famoso jornalista e empresário Assis Chateaubriand, e foi aí que o jovem estudante de Direito se deu bem. Logo conseguiu o emprego no jornal, setor de esportes.

Ary Silva e João Jorge Saad, fundador da Rádio Bandeirantes.
Com seu primeiro salário comprou uma caneta Parker, e um terno. “Andava na estica”, o jovem Ary. Era advogado e jornalista, sempre ligado ao esporte. Foi então para a Rádio Bandeirantes, e cobriu a Copa do Mundo, em 1938, trabalho que outros desprezavam. Foi em Caxambu, Minas Gerais. E foi aí que Ary Silva tornou-se o primeiro comentarista esportivo do rádio brasileiro.

Da Bandeirantes passou para as Emissoras Associadas de São Paulo. Sempre rádio. Até se transferir para a Globo, em 1964, onde ficou até 1970. Antes, em 1950, quando chegou a televisão, Ary Silva também foi chamado para participar. Quase todos os elementos do esporte, quer do rádio, como da televisão, eram formados em Direito, e nisso se incluía Ary. Mesmo porque a própria profissão exigia muito improviso. E foi por isso também, que vários deles se encaminharam para a política, o mesmo acontecendo com Ary.

Ele fez sucesso com seus trabalhos na Federação Paulista de Futebol, onde foi Diretor do Departamento de Árbitros. Isso o consagrou e o fez vereador pelo Partido Republicano, inicialmente. Embora achando que não tinha jeito para a política, foi eleito duas vezes, para a Câmara dos Vereadores de São Paulo, e duas para a Assembleia Estadual de São Paulo. Na terceira vez, porém, não foi reeleito, para surpresa de todos e dele próprio. Teve então que repensar sua vida, após ter recebido mais de 1000 presentes, cartas e votos de solidariedade.

Ary Silva deixou a política, mas não deixou a luta. Continuou jornalista. E morador do bairro de Santana, zona norte de São Paulo, havia fundado a “Gazeta da Zona Norte”, em 1963. A ela se dedicou inteiramente. Pediu também demissão da Globo e, passou a ser só jornalista” (...)

Ary Silva morreu no dia 6 de abril de 2001, aos 83 anos. 

3 comentários:

  1. Gosto mto da Radio Bandeirantes AM , e o Sr Joao Saad , me ajudou em Brasilia me explicando como conseguiria legalizar uma emissora de radio , e com isso ganhei na época da ditadura militar a Radio Jornal Sul de Minas Ltda., de Bueno Brandão-MG

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  2. Antonio Afif11:32

    História de vida maravilhosa do saudoso Ary Silva. José Paulo de Andrade, ao lado do Salomão, também são dois ícones da querida Rádio Bandeirantes.

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