segunda-feira, 23 de abril de 2012

O Dia Mundial do livro


23 de Abril é o Dia Mundial do Livro. E não faria sentido um blog que traz reflexões sobre o universo da literatura esportiva não repercutir algo a respeito de data tão importante. No universo da literatura esportiva, considera-se como o primeiro livro publicado o O Guia de Football, publicado em 1903 pelo jornalista Mário Cardim.


Mas 23 de abril foi a data escolhida pela Unesco, em 1996, para homenagear o ano da morte de dois craques da literatura mundial: o espanhol Miguel de  Cervantes (1547 – 1616), autor entre tantas obras do romance Quixote,  e o inglês William Shakespeare (1564 – 1616).












William Shakespeare

Reproduzimos abaixo o artigo do jornalista e professor, Carlos Said, publicado no site http://180graus.com/artigos/artigo-de-carlos-said-shakespeare-e-o-futebol-421667.html onde o autor nos traz a relação entre Shakespeare e o futebol. 

Aliás, Carlos Said já mereceu espaço aqui por esse espaço para a divulgação de seu importante trabalho no futebol e na literatura esportiva brasileira.
http://www.literaturanaarquibancada.com/2012/06/carlos-said-o-magro-de-aco.html







Shakespeare e o Futebol


No livro “Apenas Futebol”, o médico ortopedista João Rozas Barrios (paulista de nascimento), autor d´outros compêndios: “Caminhos Mesclados”, “A Praça e a Prosa” e o “Monge, o Santo e a Devoção”, relatou na página 19 que, “de maneira influente, o futebol praticado na Inglaterra diante de tantas proibições, teve que passar por modificações, civilizando-se a partir do século XVII. 

Sobrevivia, até então, por ser jogado apenas nos pátios das igrejas e, também, em lugares clandestinos para burlar a lei (o futebol era constantemente atacado pelos nobres puritanos)”.






Rei Lear, Shakespeare

No teatro, a peça de William Shakespeare (Stratford-Up-Avon, 1564-1616), o “Rei Lear” (1605-1606) foi apresentada ao público pela vez primeira em 1605, na casa de espetáculos “O Globo Theatre”. Shakespeare era componente da Companhia de Teatro de Lord Chamberlain que, com ele, atuava nessa melhor casa de apresentações de Londres (afirmam os historiadores daquela época que o proprietário do local era Chamberlain e não o dramaturgo Shakespeare).


No primeiro ato da peça “Rei Lear” existe um diálogo em que o personagem Kent chama um servo de “desprezível jogador de futebol” e, em seguida, lhe dá uma rasteira nos calcanhares.

A Comédia dos Erros, Shakespeare

Ainda em outra extraordinária obra teatral: “A Comédia dos Erros” (1592-1593), a mais curta dos valiosos trabalhos de Shakespeare, inspirada no comediógrafo romano Plauto (mestre na arte de fazer rir: Sarsina, Úmbria, 254 a. C.- Roma, Itália, 184 a. C.), girando em torno das confusões causadas por dois pares de gêmeos, encontra-se o interessante diálogo: “- Rolo para vós, que me haveis tomado como uma bola de futebol, passando-me, assim, a um outro; me lançais daqui e ele me atira de lá. Se hei de continuar neste ofício devereis forrar-me de couro”.

O certo é que William Shakespeare inspirou o Rei Jaime I da Inglaterra, que também foi monarca da Escócia coroado Jaime VI, e primeiro soberano dos dois reinos simultaneamente (Edimburgo, Escócia, 1566-Theobalds, Hartfordshire, Escócia, 1625, já batizado Jaime I, da dinastia Stuart, por ser parente mais próximo da família real inglesa).

Rei Jaime I da Inglaterra

Jaime I considerou que a proibição para a prática do futebol na Inglaterra e Escócia poderia ser abolida: “O povo e, principalmente, os homens precisam exercitar-se para combater nas guerras contra outros países. A boa prática esportiva convenientemente disciplinada, serve também para atenuar os constantes conflitos entre os puritanos, papistas e anglicanos. E como boa parte da população não está cumprindo o culto aos domingos e dias santos, ficando com horas de ócio facilitando as contendas envolvendo o futebol, farei publicar a Declaração dos Esportes”.

Surgiu, portanto, com a primeira atitude régia de Jaime I, a permissão para que no século XVIII o futebol fosse praticado nas escolas inglesas. Tendo como objetivo principal canalizar, em competições oficiais ou não, que os jovens escolares evitassem as práticas condenáveis e criminosas. Assim, o futebol proporcionou a educação pedagógica aos jovens que frequentavam as escolas públicas, particulares e universidades inglesas.

Taverna dos Operários Livres, na Inglaterra.

Entretanto, eram necessárias normas para a prática oficiosa e oficial do futebol. A partir de 26 de outubro de 1863, no “Edifício Freemason´s Tavern” (“Taverna dos Operários Livres”), realizou-se a primeira reunião de estudantes para criação de uma entidade que tomou o nome de “Football Associaton”, a FA. No mesmo local, em 8 de dezembro de 1865, foram determinados os 13 itens que passaram a ser as 13 regras do futebol, publicadas na revista inglesa “Bell´s Life” (“A Vida dos Sinos”), alusão ao alarido ou barulho livre que faziam (diariamente) os freqüentadores da “Freemason´s Tavern”). Decorridos 146 anos (já no século XXI), sucessivas alterações e transformações técnicas fizeram com que as regras do futebol passassem – das 13 originais para 17.

Sobre Carlos Said:

É do Piauí, tem 81 anos, ex-jogador de futebol, advogado, radialista, professor e jornalista. Said foi um dos fundadores do River Atlético Clube, em 1946. 

Foi goleiro do River e pioneiro da imprensa esportiva do Piauí. 

Trabalhou em diversos veículos de comunicação do estado e é possuí enorme acervo sobre a história do futebol no Brasil e no mundo.

É personagem do livro “Como era bom aos domingos...”, que retrata a sua vida.

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