domingo, 8 de abril de 2012

"Que Beleza", Milton Leite

Milton Leite
Crédito: www.miltonleitereal.com.br

Ele tem mais de trinta anos de jornalismo e ainda tem desafios profissionais a vencer. Depois de fazer enorme sucesso nas transmissões esportivas do rádio brasileiro, Milton Leite é agora a grande estrela das transmissões na TV. Com seu jeito alegre de narrar, começa a aparecer cada vez mais nas transmissões da TV Globo. Será ele o sucessor de Galvão Bueno na emissora? O que poucos sabem é que Milton Leite não começou a sua longa trajetória no jornalismo fazendo coberturas esportivas.

Na rádio Difusora, de Jundiaí, em 1979.
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Literatura na Arquibancada:
Relembre os tempos em que iniciou a carreira na cidade de Jundiaí, em jornais e rádios da cidade, na década de 1970. Algum fato marcante a destacar?

Milton Leite:
Foi um período de muito aprendizado. Comecei quase ao mesmo tempo em que iniciava faculdade. E em jornais e rádios pequenos do interior você tem que fazer um pouco de tudo. Por isso, tratei de aprender tudo o que podia. Foi um período muito rico, me ajudou para toda a carreira.

Com Fernando Galvão e Ana Cláudia Cruz,
no Jornal da Cidade,  Jundiaí, 1984.
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L.A:
Poucos devem saber que seu primeiro trabalho em São Paulo não foi na área do esporte. Relembre essa experiência no jornal O Estado de S.Paulo.

M.L:
Depois de fazer quase tudo nas redações de rádio e jornal em Jundiaí, percebi que minha carreira só poderia evoluir (inclusive do ponto de vista financeiro) se conseguisse trabalhar na cidade de São Paulo, nas grandes redações. Graças a um grande amigo, já falecido, Ademir Fernandes, consegui uma vaga no Estadão. Fui ser redator de Economia, não era a minha predileção, mas era a maneira de eu estar num jornal de grande porte.

Com Roberto Muller e Águeda Lefèvre, Jovem Pan, 1997.
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L.A:
Como e quando você acabou indo para a rádio Jovem Pan e o que fazia nesse primeiro momento? Por que dividia o trabalho entre esporte e variedades?

M.L:
Mesmo trabalhando no Estadão, continuava a fazer programa de rádio em Jundiaí, onde ainda morava. Fazia um programa de variedades. O diretor de jornalismo da Pan na época, Fernando Vieira de Melo,tinha uma casa de final de semana perto de Jundiaí e me ouviu apresentando o programa lá. Gostou e mandou me chamar para conversar. Fui para a Jovem Pan primeiro como chefe de reportagem (era a vaga que ele tinha para me contratar) e depois como apresentador do “Show da Manhã”, programa de variedades que eu tentava copiar lá em Jundiaí. Continuei durante uns seis meses fazendo o programa de manhã na Pan e trabalhando na Economia do Estadão à tarde. Depois sai do jornal e comecei a participar das transmissões da Jovem Pan TV, que estava começando. Primeiro como apresentador de estúdio, depois como narrador.

No estádio do Mineirão, em 1996.
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L.A:
Qual era o seu estilo de narração? Em quem se inspirava?

M.L:
Quando comecei meu estilo era mais radiofônico, minha geração ouvia futebol no rádio, a TV naquela época não dava tanto espaço para o futebol. Provavelmente minhas maiores influências eram Joseval Peixoto, Osmar Santos, José Silvério, todos do rádio. Fui aprendendo o jeito da TV com Antonio Augusto Amaral de Carvalho (Tuta), uma dos maiores nomes da TV brasileira em todos os tempos e proprietário até hoje da Pan. Além de acreditar que eu podia ser narrador, me deu as primeiras aulas para eu perder o jeito radiofônico.

Na rádio Eldorado, em 2004.
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L.A:
Relembre fatos marcantes de sua trajetória na Jovem Pan.

M.L:
No rádio fiz muita entrevista legal com aos maiores nomes brasileiros do teatro, cinema, música, TV. Era um programa de muita aproximação com as pessoas, com muita prestação de serviços... Sou apaixonado por rádio até hoje. Na TV, a lembrança maior é do único grande campeonato profissional de futebol que a emissora mostrou o Campeonato Paulista de 91.

L.A:
Por que o projeto da TV Jovem Pan acabou não vingando? Por que criou um jeito diferente de narrar o momento máximo do futebol, o gol, com a frase “A emoção acontece na Pan”?

M.L:
Na época houve um desentendimento entre os sócios da empresa e ela foi definhando aos poucos até deixar de existir com essa marcar. O grito de gol foi uma diretriz do Tuta, porque quando saia um gol, entrava uma música (a mesma que a rádio usava), além de artes visuais na tela que reproduziam a palavra gol. Por isso, o Tuta pediu que cada narrador inventasse um grito de gol sem usar a palavra GOL.

Com João Palomino e Soninha, na Olimpíada de Sidney, 2000.
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L.A:
A carreira como narrador esportivo decolou a partir da ESPN Brasil? Como foi deixar o rádio e apostar em uma televisão que estava apenas começando? Houve algum motivo especial para sua saída do rádio?

M.L:
Quando fui para a ESPN-Brasil, a TV por assinatura estava começando a se desenvolver no país. Nos primeiros dois anos, o rádio continuava sendo a minha atividade principal. Em 97, com a aproximação da Copa do Mundo da França, no ano seguinte, eu resolvi investir na carreira de narrador, porque seria o primeiro grande evento internacional do canal. Eu sabia que para ir à Copa do Mundo eu teria que me dedicar só à televisão. Foi o que eu fiz.

L.A:
Por que nesse período você acabou voltando para o rádio, na Eldorado?

M.L:
Na época, um amigo meu (Sandro Vaia) estava num comitê que dirigia os veículos do grupo Estado de S. Paulo. Ele me chamou para ajudá-lo com a rádio que ele não conhecia muito. Queria que eu apresentasse um programa lá como eu fazia na Pan. Disse a ele que ser só apresentador não me interessava, mas que se pudesse dirigir um projeto de reformulação da rádio, valeria a pena. E foi assim que fui ser redator-chefe da rádio, além de apresentar o programa. Estruturei toda a redação, refiz toda a programação, em cima das propostas do grupo, e fiquei lá por 20 meses, nos quais a rádio sempre foi rentável, inclusive alcançando índices de audiência muito melhores do que vinha tendo antes da reformulação. Além disso, valorizamos muitos garotos que estava terminando faculdade, a maioria hoje trabalhando nas grandes emissoras de São Paulo. Foi um dos trabalhos mais prazerosos da minha carreira.

No programa Arena Sportv.
Crédito: www.miltonleitereal.com.br
L.A:
Quando e por que acabou indo para o canal Sportv?

M.L:
No final de 2004, resolvi não aceitar a proposta de renovação de contrato proposta pela ESPN-Brasil, onde tinha uma posição muito boa e confortável. Mas havia um desgaste com a direção de redação e resolvi tomar outro rumo. Fiquei quatro meses fora da TV, continuava só na Eldorado. No período fui procurado pela TV Bandeirantes, mas preferi aceitar o convite do Sportv, onde as perspectivas de crescimento na carreira me pareciam melhores. Assinei com eles em abril de 2005.

L.A:
Relembre neste período duas polêmicas: com o técnico Luxemburgo e sobre as críticas feitas a Ricardo Teixeira. No caso do presidente da CBF, você foi o único da emissora que detém os direitos de transmissão dos principais eventos do futebol brasileiro a criticar o cartola.

M.L:
Na verdade não houve polêmica. No caso do Luxemburgo, eu fiz uma crítica a uma contratação que ele pediu na época do Palmeiras. Estávamos ao vivo durante o “Arena Sportv”. Ele telefonou lá, pediu para falar no programa e tentou se justificar. Eu disse que não concordava com ele. Ele passou a me atacar, dizendo que eu o perseguia, que ia me processar e tudo mais. Eu não respondi e ele ficou ainda mais irado. Depois me mandou uma interpelação judicial que meu advogado respondeu e ele não levou a questão à frente.


No caso do presidente da CBF eu apenas escrevi no meu blog que o tom e o vocabulário que ele havia utilizado numa entrevista à Revista Piauí não estava de acordo com os postos que ele ocupava. Não fui o único da organização, outras pessoas se manifestaram, mas o meu ganhou maior projeção por alguma razão que eu desconheço.

L.A:
Como surgiu o bordão “Que beleza”?

M.L:
Esta expressão eu “roubei” do meu amigo Wanderley Nogueira, repórter da Rádio Jovem Pan, com quem trabalhei durante muitos anos de quem acabei ficando muito próximo. Ele sempre usou essa expressão com o jeito irônico de falar. Acabei absorvendo, um dia coloquei numa transmissão, fez sucesso, ficou.

Com Galvão Bueno, no Bem Amigos.
Crédito: www.miltonleitereal.com.br
L.A:
Você acredita que será o sucessor de Galvão Bueno, na TV Globo?

M.L:
Não acredito que o Galvão pense em parar e nem acho que a Globo esteja procurando um sucessor para ele. Na verdade, quero conquistar o meu espaço, sem precisar tirar o de ninguém. Se conseguir fazer pelo menos um pouco do que o Galvão já fez, ficarei feliz.

L.A:
Fale sobre seus dois livros na literatura esportiva.

M.L:
Foram trabalhos que fiz a convite da Editora Contexto. O primeiro “As maiores seleções brasileiras de todos os tempos” conta a história de seis seleções nacionais que marcaram época. Já vendeu mais de 5 mil exemplares, foi lançado em janeiro de 2010.

O outro, “Os 11 maiores centroavantes do futebol brasileiro” saiu em maio de 2010, pouquinho antes da Copa. Vendeu um pouco menos, perto de 2 mil, porque foi prejudicado pela eliminação do Brasil na Copa e pelo pouco tempo que tivemos para divulgar. 

Traz perfis dos atacantes que eu elegi, com a ajuda de outros jornalistas, como os mais importantes da nossa história. 

Foram dois trabalhos que me deram muito prazer em fazer e que me remeteram ao sonho lá da adolescência.

L.A:
Pretende escrever outros livros?

M.L:
Gostaria muito. Teremos Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, quem sabe não desenvolvo algum projeto. Eu quero e o pessoal da Contexto também.

L.A:
Como avalia o atual jornalismo esportivo brasileiro? (nas várias mídias)

M.L:
Acredito que, na média, já tivemos momentos melhores. Claramente temos uma deficiência de formação nas faculdades (isso vale para todo o jornalismo). Mo esporte, aconteceu um boom de espaço nos últimos tempos, com o surgimento e crescimento da TV por assinatura, o mesmo acontecendo com os portais de internet. Com isso, muita gente nova e sem experiência (além de deficiente na formação) entrou no mercado. Claro que tem muita gente boa, muitas coisas legais sendo feitas, mas a média, em minha opinião, caiu.

Crédito: www.miltonleitereal.com.br
L.A:
Após tantas realizações no jornalismo esportivo tem algum sonho a realizar?

M.L:
O dia em que eu não tiver mais sonho ou meta pela frente, certamente minha carreira vai definhar. Sou muito competitivo e quero sempre fazer coisas novas, colocar metas ambiciosas. Neste momento, meu objetivo é conseguir na TV aberta o desempenho que venho tendo na TV por assinatura. É um desafio muito maior, com mais cobranças, com linguagem diferente, com público mais heterogêneo.

Para saber mais sobre Milton Leite, acessar:

2 comentários:

  1. Sensacional! Sou muito fã do Milton Leite, e espero um dia me tornar jornalista.

    Não igual a ele, mas quem sabe, melhor.

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  2. Que beleza...
    Me amarro de montão!
    As vezes assisto a uma transmissão programa só por casa dele.
    Mais que merecida.
    Um abraço querido.
    QUE BELEZA!!!!

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