sábado, 28 de abril de 2012

Pacaembu, 75 anos.


O estádio do Pacaembu faz 75 anos neste 27 de abril de 2015. E para comemorar a data, nada melhor do que resgatar em uma só obra literária histórias de dois personagens que vivenciaram como nunca o estádio mais charmoso de São Paulo e, para muitos, do Brasil.

Um é Thomaz Farkas, autor do livro “Thomaz Farkas, Pacaembu” (Editora DBA, 2008), fotógrafo húngaro que desembarcou no Brasil em 1930 vindo de Budapeste e fundador da primeira galeria especializada em fotografia do Brasil e da revista Fotoptica.


O outro é o jornalista Juca Kfouri, um dos nomes mais respeitados da imprensa esportiva brasileira, responsável pelo belíssimo texto de apresentação do livro de Farkas e que nele relembra momentos históricos ocorridos e vivenciados por ele no estádio do Pacaembu.

Farkas, um dos maiores nomes na história da fotografia, infelizmente, nos deixou em 2011, no dia 25 de março, aos 86 anos. Mas seu livro sobre o estádio do Pacaembu permanecerá para sempre como uma referência na literatura brasileira e sobretudo na história da fotografia. Vale lembrar que apenas as fotos indicadas no crédito "Thomaz Farkas", pertencem à obra publicada.

Thomaz Farkas

QUANDO O extraordinário jogador Ferenc Puskas pisou o gramado do Pacaembu não podia nem passar por sua cabeça que, bem antes dele, um outro artista húngaro já houvera imortalizado aquele estádio. Thomaz Farkas é o nome da fera. Puskas, chamado de o Major Galopante da seleção magiar que encantou o mundo em 1954 e do Honved (“defensores da pátria”), está para o futebol moderno assim como Farkas para a revolução da fotografia moderna no Brasil.

Se o artilheiro húngaro teve a seu lado companheiros brilhantes como Sandor Kocsis, Bozsic e Czibor, Farkas faz questão de citar Geraldo de Barros, José Oiticica Filho e José Yalenti, além de rejeitar, em sua invencível modéstia, o papel de número 1, que atribui a Barros. 

Página da revista O Cruzeiro, quando o Honved
visitou o Brasil para jogar contra o Flamengo, no
Rio de Janeiro e em São Paulo.

O campeoníssimo Honved veio jogar no Pacaembu no dia seguinte ao aniversário de 403 anos de São Paulo, dia 26 de janeiro de 1957, e derrotou o Flamengo por 6 a 4. 

Tenho uma vaga lembrança deste jogo, porque a extinta TV Tupi quis transmiti-lo mas não se dispôs a pagar por isso, razão pela qual foi impedida de entrar no estádio. 

Planejou-se, então, instalar câmeras fora do estádio, providência neutralizada diante da ameaça dos organizadores da partida de botar bambus nos espaços que permitiriam a visão da TV.








Crédito: Thomaz Farkas

Mas essas são memórias de tenra infância, ainda antes deste escriba completar 7 anos. 

Farkas não foi ao jogo nem se lembra dele. Aliás, Farkas, embora goste de futebol, gosta mesmo é de gente, razão pela qual sempre se ligou muito mais na torcida do que no que acontece dentro de campo, sendo raras suas fotos de jogo.







Crédito: Thomaz Farkas

Em compensação, seu material que retrata a construção do Pacaembu, os arredores do estádio e a presença de público, revela uma São Paulo e um Brasil tocantes, que se perdeu no tempo e no espaço, materializado apenas na poesia das fotos de Farkas, sempre em branco e preto, cores, por sinal, de seu time de coração, o Corinthians.

Corinthians que é responsável pela primeira lembrança bem viva de minha infância, porque dois anos antes da visita do Honved, mais exatamente no dia 6 de fevereiro de 1955, ganhou, no mesmo Pacaembu, o título de campeão do IV Centenário de São Paulo, ao empatar 1 a 1 com o Palmeiras. Vi o jogo pela TV, com meu pai e meus dois irmãos, na casa de João Marino, que viria, muitos anos mais tarde, virar o braço direito de Pietro Maria Bardi no Museu de Arte Moderna paulistano, o mesmo Bardi que, um dia, abrigara aqueles jovens fotógrafos cheios de idéias novas na cabeça. Título conquistado, fomos ao recém inaugurado Parque do Ibirapuera para comemorar a façanha.

Concha Acústica, atual Tobogã, em 1943.
Crédito: Thomaz Farkas
As lembranças de Farkas são bem anteriores, do final dos anos 30, quando, estudante de Engenharia da Politécnica, acompanhava as obras, assim como do dia 27 de abril de 1940, quando o estádio foi inaugurado com a presença de Getúlio Vargas, que havia imposto a ditadura do Estado Novo. Vargas tinha ao seu lado o interventor federal Ademar de Barros, o do “rouba, mas faz”, e o prefeito Prestes Maia, até hoje tido como o melhor que a cidade conheceu.

Crianças nos arredores do Pacaembu.
Crédito: Thomaz Farkas

Farkas morava perto do Pacaembu, Terras Alagadas, em Tupi-Guarani. 

A vantagem óbvia deste brasileiro nascido em Budapeste e que chegou a São Paulo em 1930, com pouco mais de 5 anos de idade, está em que suas memórias valem mais que mil palavras, pois estampadas nas páginas que virão. 

Diferentemente das minhas, que não encontram nas palavras a poesia de cada uma de suas fotos. 

Tenho por Farkas antiga admiração, antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente, entre outros motivos porque produziu o fabuloso documentário “Subterrâneos do Futebol”, dirigido por Maurice Capovilla, feito nos anos 60 e terrivelmente atual até hoje.




Cena do filme "Subterrâneos do Futebol".
Crédito: Thomaz Farkas

Quis o destino ser generoso a ponto de nos tornar amigos, logo depois de  nos ter  tornado vizinhos, ambos moradores do mesmo prédio, cuja melhor vista é, acredite, exatamente o portão principal do estádio municipal. O Pacaembu de Farkas é uma homenagem ao romantismo e a uma cidade e a um Brasil que quase vingaram, mas que ficou no quase. O meu é quase o palco de minha vida. Conto por que, retratado em pedaços de mim, cada um de 90 minutos, um pouco mais, um pouco menos.


Porque no Pacaembu vi Pelé jogar como goleiro, como vi Mane Garrincha consolar seu algoz, como vi o drama de Tostão ao descolar a retina na noite em que se inaugurou, no lugar da inesquecível Concha Acústica, o monstruoso Tobogã, obra da arquitetura fascista como o Minhocão, só possíveis em época de ditaduras. Ao Pacaembu eu ia mais cedo, para ver o time aspirante do Corinthians jogar em meados dos anos 60, na verdade para ver Roberto Rivellino, o melhor jogador da quase centenária história corintiana. No Pacaembu vi Ademir da Guia dar um show solo que poucas vezes alguém foi capaz de dar em qualquer outro estádio do mundo. E no mesmo ano da visita do Honved, vi o São Paulo ser campeão paulista ao derrotar o Corinthians por 3 a1, numa tarde que ficou conhecida como “a tarde das garrafadas”, graças ao inconformismo da torcida alvinegra com o terceiro gol tricolor, marcado por Maurinho no imortal goleiro Gilmar dos Santos Neves.


Extrema coincidência, o técnico do São Paulo era o húngaro Bela Gutman, que viera com o Honved na excursão de 1957, inovador dos padrões táticos de nosso futebol, como Farkas, mais uma vez. 

Seguem, portanto, cinco lembranças, todas no Pacaembu, hoje chamado Paulo Machado de Carvalho, em homenagem ao Marechal da Vitória das Copas de 1958 e 1962. 

São trechos de lembranças, em ordem cronológica, já publicadas no livro “Meninos, eu vi”, desta mesma DBA em parceria com a Lance! Editorial, em 2003.


DO ALTO do bairro de Higienópolis, cercado de prédios por todos os lados, é possível ver, obliquamente, o portão principal do estádio do Pacaembu. A iluminação que vem de baixo torna ainda mais romântica a imagem do lugar mais gostoso que existe no mundo para se ver um jogo de futebol. E me traz doces e tristes recordações e até mesmo uma que é apavorante.

Comecemos pela última. Em 1960, com dez anos de idade, fui pela primeira vez ao Pacaembu à noite. Fui, não: fomos. Jantamos na casa de minha avó, razoavelmente perto do estádio. Meu pai só autorizou que meu irmão Beto e eu fôssemos ver um Corinthians e São Paulo porque meu primo Dado, tricolor e uns cinco anos mais velho, também iria. E lá fomos os três. Não tinha muita gente. O Corinthians estava às vésperas de virar o “Faz-Me Rir”, e o São Paulo tinha, digamos, hibernado, todos os esforços voltados para a construção do Morumbi.


O jogo acabou 1 a 1 e foi horroroso. Provavelmente irritado com o mau espetáculo, o Dado, que tinha encontrado um amigo na arquibancada, não estava gostando nada de ser babá de duas crianças e, diferentemente do que havia sido combinado, em vez de nos levar para casa após o jogo, apenas nos ensinou que ônibus pegar. 

E tomou outro rumo. 

Sim, São Paulo era, então, uma cidade que permitia que duas crianças andassem sem maiores riscos pela noite afora, mas a estréia da aventura e a imaginação foram capazes de produzir momentos de tensão, devidamente vividos em silêncio, um pouco por vergonha de contar a meu irmão, outro pouco para que ele também não ficasse com o mesmo medo. Voltamos sãos e salvos, é óbvio, mas aquele foi dos poucos jogos que me arrependi de ter ido ver.

Pelé, goleiro, no jogo contra o Grêmio.

CERTOS MOMENTOS  do futebol são únicos, históricos. A derrota brasileira na final da Copa de 50 é um deles. O primeiro treino de Garrincha no Botafogo, em 1953, é outro. Pelé pegando no gol é mais um. E, se de fato todas as pessoas que dizem ter testemunhado a vitória uruguaia no Maracanã lá houvessem estado, a história contabilizaria não 200 mil pessoas no estádio, mas no mínimo o dobro. Do mesmo modo, se todos que dizem ter visto o Mané dar o baile que deu em seu primeiro dia de Botafogo (com direito a bola entre as pernas de Nílton Santos) tivessem estado mesmo em General Severiano, o antigo estádio alvinegro seria maior do que o próprio Maracanã. Bem maior. Não vi nem uma coisa nem outra, mas conheço pessoas que juram ter visto ambas, mesmo que fossem pouco mais que bebês em 1950, como eu era.


Mas vi Pelé pegar no gol, no Pacaembu, contra o Grêmio, pela Taça Brasil de 1963, num jogo sensacional, extraordinário. Ele já havia substituído o goleiro do Santos – Lalá, no caso – quatro anos antes, contra o Comercial de Ribeirão Preto. Lalá se machucou, e o Rei jogou os últimos quinze minutos no gol, na vitória santista por 4 a 2. Mas essa partida contra o Grêmio foi especial. O Santos perdia de 3 a 1, e Pelé, com três gols, virou o jogo e garantiu o time na final, que também venceria, contra o Bahia. O grande Gilmar dos Santos Neves foi expulso, aos 41 minutos do segundo tempo, e Pelé vestiu a camisa negra de goleiro. Fez, pelo menos, uma defesa difícil, ao se atirar nos pés de um atacante gremista. A antiga revista Manchete, cujo texto fala em duas grandes defesas, tem a foto, a cara de Pelé amassada na canela do gremista.


Corinthians de 1964.

PENÚLTIMA RODADA do campeonato paulista de 1964. O Pacaembu estava lotado. Já fazia dez anos que o Corinthians não ganhava um título e sete que não vencia o Santos, aquele timaço de Pelé, que ganhou tudo o que pôde nos anos 60. Como se fosse um bom sinal, aos sete minutos do primeiro tempo o camisa sete Ferreirinha abre o marcador para o Corinthians. Muito cedo, pensaram os mais pessimistas. Com razão. Logo em seguida, Coutinho empata.

Mas a tarde daquele domingo, 6 de dezembro, parecia diferente. O Corinthians ainda lutava pela taça, e Bazani, aos 27, pôs o Timão na frente outra vez. Em seguida, Coutinho, ele de novo, tratou de empatar, e o primeiro tempo acabou 2 a 2. Mas, no intervalo, havia um sopro de confiança entre a maioria corintiana no estádio. Afinal, daquela vez era o Santos quem corria atrás do Corinthians, e não o contrário, como de costume. Sopro vão. Pelé, aos quatro minutos, de novo aos onze e mais uma vez aos quinze, os dois últimos em pênaltis marcados por Armando Marques, fez Santos 5, Corinthians 2. Mais um ano de fila, mais um ano de tabu.

Como não está morto quem peleia, Silva diminui aos 35. Mais uma esperança...

Santos FC de 1964.

Mas Coutinho faz 6 a 3, apenas dois minutos depois. Muitos se levantam e começam a ir embora. O menino de catorze anos, corintiano do fundo do coração, permanece desolado nas gerais, vendo mais um ano ir-se embora sem título e sem vitória sobre o poderoso Santos de Pelé & Cia. Eis que de repente, não mais que de repente, como disse o poeta, um cruzamento vem da ponta esquerda para a altura da meia-lua da área corintiana. Faltavam poucos minutos para o jogo terminar. De bate-pronto, sem pensar nem pestanejar, Pelé enche o pé direito, e a bola estufa as redes de Heitor, no ângulo, inapelável, um gol de fábula, digno de um rei.

O menino se levanta, instintivamente, e aplaude. E leva um par de cascudos e uma chuva de bagaços de laranja nas costas. "Traidor!", ele ouve, entre outras ofensas bem menos publicáveis. O clima fica insustentável para ele, que, sem alternativas, busca o portão de saída, cabeça duplamente inchada - 7 a 3 para o Santos por dentro, dois cascudos ardidos por fora, mais os bagaços. Vai embora ainda a tempo de ver Silva, de pênalti, marcar o quarto gol corintiano, inútil. Foi a primeira e única vez em que apanhei num campo de futebol.

Jogadores do Santos cercando Garrincha.

DOIS ALVINEGROS, Santos e Botafogo, faziam os grandes jogos dos anos 60. Pelé contra Garrincha, fora outros gigantes dos dois timaços. Num desses jogos, em São Paulo, os cariocas fizeram uma exibição inesquecível e, estranhamente, pouco badalada nos embates entre os dois melhores times do país naquela época. Aliás, sempre que são feitas referências aos jogos entre Botafogo e Santos daqueles tempos, só são lembradas as vitórias santistas, as goleadas de Pelé & Cia. Pois o Pacaembu estava lotado para ver mais uma. Pelé e Mané estavam em campo, mas o diabo estava era no corpo que vestia a camisa 7, não a 10 e o lateral-esquerdo Dalmo, do Santos, viveu uma tarde de terror. Garrincha pegava a bola e, andando, levava Dalmo até dentro da grande área, onde o zagueiro não podia fazer falta. O Pacaembu não acreditava no que via: um ponta andar da intermediária até a área, sem que o lateral tentasse tirar a bola, temeroso do drible desmoralizante.

Dalmo x Garrincha

Até que Dalmo percebeu que tinha virado motivo de chacota dos torcedores, muitos dos quais nem santistas eram, mas que iam ao campo na certeza do espetáculo. E Dalmo resolveu bater antes de chegar na grande área. Bateu uma vez, Garrincha caiu, o árbitro marcou a falta e repreendeu o paulista. Bateu outra vez, Garrincha voltou ao chão, o árbitro marcou a falta e ameaçou Dalmo de expulsão, porque naquele tempo o cartão amarelo não existia. A terceira falta de Dalmo foi a mais violenta, como se ele tivesse pensando: “Arrebento essa peste, sou expulso, mas ele não joga mais”.

Ilustração Andrés Sandoval.
Crédito: Editora Abril

Pensado e feito. Enquanto o gênio das pernas tortas estava estirado no bico direito da área dos portões principais do Pacaembu, o árbitro determinava a expulsão de Dalmo, cercado por botafoguenses justamente irados com seu gesto. Eis que, como um acrobata, Garrincha levanta-se, afasta seus companheiros, bota o braço esquerdo no ombro de Dalmo e o acompanha até a descida da escada para o vestiário, que, então, ficava daquele lado.

Saíram conversando, como se Garrincha justificasse a atitude, entendesse que, para pará-lo, não havia mesmo outro jeito. O Botafogo ganhou de 3 a 0 e saiu aplaudido do estádio. Tinha visto uma autêntica exibição do Carlitos do futebol, digna mesmo de Charles Chaplin, divertida, anárquica, humana, sensível, solidária.

Domingos da Guia e o filho Ademir.

FUTEBOL DOMINGO de manhã? Só podia ser coisa de cartola sem ter o que fazer. Mas era isso mesmo: Palmeiras e Lusa fariam num domingo de manhã, dia 24 de abril de 1977, pelo campeonato paulista, um jogo que não teria muita importância não fosse, dizia-se, pelo fato de marcar a despedida de Ademir da Guia, o Divino, do alviverde. E lá fui eu testemunhar a história. Que ganhava contornos de pura verdade, porque a primeira pessoa que notei na tribuna de imprensa foi Domingos da Guia, o Divino Mestre, apelido que ganhara dos uruguaios ao se sagrar campeão pelo Nacional, em 1933. O Divino Mestre fora ver o filho jogar.


Ademir já tinha 35 anos e jogara o suficiente para ganhar uma estátua no Parque Antarctica. Clássico, frio, inabalável, Ademir da Guia resolveu dar um show particular naquela manhã, fazer coisas que nem eram muito do seu feitio - gols, por exemplo. Fez dois na vitória palmeirense por 3 a 2. Um mais bonito que o outro, matada no peito, bola no fundo da rede. E ainda deu outro para Jorge Mendonça - aí, sim, bem ao seu estilo, num passe genial. Não satisfeito, salvou lá atrás três gols da Lusa, que tinha um inspirado Enéas, autor do gol de empate em 1 a 1, pelo meio das pernas de Leão. De repente, 35 mil pessoas estavam em pé no Pacaembu aplaudindo Ademir da Guia. Isso mesmo. Contando hoje, pode parecer mentira, mas 35 mil pessoas foram ao estádio num domingo pela manhã só para ver Ademir jogar - se despedir?

Ademir da Guia beijando o busto do pai, em Bangu.

Ademir da Guia parecia querer mostrar que os cartolas tinham enlouquecido, que qualquer hora era hora para jogar futebol. E que futebol! Estava tão especial que fez 1 a 0 aos dezenove minutos do primeiro tempo e 2 a 1 aos dezenove do segundo. Milimétrico, cirúrgico, como sempre. O velho Domingos, que também foi campeão argentino pelo Boca Juniors, em 35, e carioca pelo Vasco, em 34, e pelo Flamengo, em 39, 42 e 43, era um sorriso só. O orgulho transpirava, indisfarçável. Fim de jogo, quem tinha ido ter um aperitivo antes da rodada que aconteceria à tarde sentia-se mais do que banqueteado. A imprensa cerca o Divino Mestre, que sentencia, impávido colosso:

"Vim para São Paulo porque soube que ele está parando. Trouxe até uma proposta do Vasco, mas nem vou apresentá-la, porque não sou imbecil. De fato, o time do Palmeiras já não é o mesmo de dois, três anos atrás. Mas o Ademir é".

Nada mais foi dito, nem mais lhe foi perguntado. Nem precisava. Ademir ainda jogou mais cinco meses, cada jogo um recital.

Thomaz Farkas, fotografando
"Subterrâneos do Futebol".

NENHUMA DESSAS histórias tem fotos de Thomaz Farkas.
Porque, se tivesse, não precisariam ser contadas, como você verá a seguir”.

Para saber mais sobre Thomaz Farkas, acessar: http://ims.uol.com.br/hs/thomazfarkas/thomazfarkas.html

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