quinta-feira, 1 de março de 2012

Parabéns, Zico (parte 3)

Zico, aos 10 anos.
Crédito: www.ziconarede.com.br

Zico completa 60 anos, domingo, dia 03 de março de 2013. Literatura na Arquibancada apresenta abaixo uma série especial sobre a vida do Galinho de Quintino, apresentada no ano passado por aqui. No futebol brasileiro é uma das figuras mais populares e premiadas por tudo que fez dentro dos gramados até quando parou de jogar definitivamente no ano de 1994.

Zico é dono de marcas impressionantes em sua vida profissional. É quase um Deus para a torcida do Flamengo. E não é a toa. Tornou-se o maior artilheiro na história do Maracanã com 333 gols.

Foi eleito como o terceiro maior jogador de futebol brasileiro do século 20, pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS). As honrarias não param por aí. Zico é um dos quatro brasileiros a figurar no Hall da Fama da Fifa (os outros são Pelé, Garrincha e Didi). A Fifa também o considerou o oitavo maior jogador do século 20 e no Brasil a revista Isto É colocou-o em nono lugar como Brasileiro do Século no esporte. Na Inglaterra, a revista World Soccer colocou-o em décimo lugar no ranking dos melhores jogadores de todos os tempos.

Não é pouco. Apesar de todas essas conquistas Zico encerrou a carreira sem conseguir conquistar um título mundial pela Seleção Brasileira. No Japão, onde foi jogador e treinador, ganhou o apelido de “Deus do futebol”. Até estátua recebeu em homenagem por tudo que fez por lá.

Apesar de todas essas façanhas e o prestígio acumulado ao longo da carreira, Zico talvez tenha se tornado tão carismático entre os torcedores brasileiros por conta de uma característica pouco vista no mundo do futebol: a simplicidade.

Hoje, Literatura na Arquibancada resgata uma obra-prima de Armando Nogueira publicada no Jornal do Brasil, em fevereiro de 1990, às vésperas do jogo de despedida de Zico, no Maracanã.
Vale a pena “matar” a saudade dos dois, do Maracanã que nunca mais veremos e do Galinho de Quintino.




A ÚLTIMA NOITE

"Maracanã, enfeita de bandeiras tuas arquibancadas que hoje é dia de festa no futebol. Encomenda um céu repleto de estrelas. Convida a lua (de preferência, a lua cheia). Veste roupa de domingo nos teus gandulas. 

Põe pilha nova no radinho do geraldino. E, por favor, não esquece de regar a grama (de preferência, com água-de-cheiro).

Avisa à multidão que ninguém pode faltar. É despedida do Zico e estou sabendo, de fonte limpa, que, hoje à noite, ele vai repartir conosco a bela coleção de gols que fez nos seus vinte anos de Maracanã. Eu até já escolhi o meu: quero aquela obra-prima, o segundo gol do Brasil contra o Paraguai nas Eliminatórias do Mundial de 1986.

Lembro-me como se fosse hoje. Zico recebe de Leandro um passe de meia distância já na linha média dos paraguaios. Um efeito imprevisto retarda a bola uma fração de segundo. Zico vai passar batido - pensei. Pois sim. Sem a mais leve hesitação, sem sequer baixar os olhos, ele cata a bola lá atrás com o peito do pé, dá dois passos e, na mesma cadência, acerta o canto esquerdo do goleiro paraguaio.

                                Reveja o gol antológico de Zico e, de quebra, aproveite para
                                ver mestre Telê Santana jogando tênis com os jogadores.

Passei uma semana vendo e revendo no teipe aquele instante mágico de um corpo em harmonioso movimento com o tempo e com o espaço. E a bola, coladinha no pé, parecia amarrada no cadarço da chuteira.

Um gol de enciclopédia.

Se o amável leitor aceita uma sugestão, dou-lhe esta: escolha um dos gols que Zico fez graças à sua arte singular de chutar bola parada.

Chutar a bola de falta à entrada da área é um talento que Deus lhe deu mas não de mão beijada, como imaginam os desavisados. Zico trabalhou seriamente, anos e anos, para alcançar a perfeição dos efeitos sublimes. À tardinha, quando terminava o treino, ele costumava ficar sozinho no campo do Flamengo - ele, uma barreira artificial, uma bola e uma camisa caprichosamente pendurada no canto superior das traves. A camisa era o alvo.

Zico passava horas sem fim, chutando rente à barreira e derrubando a camisa lá de cima das traves.

Chegava o domingo, na cobrança da falta, a bola já estava cansada de saber onde ela tinha que entrar.

Não tenho dúvida em dizer que tardará muito até que apareça alguém que domine como Zico o dom de cobrar falta ali da meia-lua.

Celebremos, querido torcedor, a última noite do maior artilheiro da história do Maracanã. 

Será uma despedida de apertar o coração. Se te der vontade de chorar, chora. Chora sem procurar esconder a pureza da tua emoção. Basta uma lágrima de amor para imortalizar o futebol de um supercraque.

Cantemos, Maracanã, teu filho ilustre, relembrando em comunhão os dribles mais vistosos, os passes mais ditosos, os gols mais luminosos desse fidalgo dos estádios que tem uma vida cheia de multidões.

Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés."

Para saber mais sobre a carreira e a vida de Zico, acessar o site: www.ziconarede.com.br/








Confira abaixo os outros três artigos da série especial sobre Zico, que completa 60 anos, dia 3 de março:



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