quarta-feira, 28 de março de 2012

Um ano sem Millôr

Crédito: Liberati

O Brasil perdeu há um ano um dos maiores nomes de sua literatura. Ele nasceu Milton Viola Fernandes, mas foi como Millôr Fernandes que acabou eternizando tudo que escrevia com um jeito inteligente e divertido.



Além de jornalista e escritor, foi tradutor de Shakespeare, desenhista, dramaturgo e um dos fundadores do jornal “O Pasquim”, um marco na história da imprensa no Brasil.

Entre tantos escritos, Millôr também fez muitas reflexões sobre o futebol. Com certeza, em breve, algum editor atrevido pode ter a grande ideia de reunir em um livro todas essas grandes sacadas que Millôr desfilou sobre o futebol.


Era torcedor do Fluminense. 

O tempo do verbo no passado é o próprio Millôr quem explica: 

“Há muito tempo me desinteressei pelo futebol. Foi quando comecei a ver aqueles latagões, ganhando fortunas e tratados como odaliscas, não conseguirem dar um passe certo no meio do campo – sem qualquer pressão do adversário. 

Como artista plástico, tratado daquele jeito, eu morreria de vergonha se não pintasse uma capela Sistina por semana”.

Painel feito por Millôr sobre o Frescobol,
na praia de Copacabana.

Talvez por conta deste “desgosto” pelo futebol, Millôr tenha se interessado por um outro esporte: o frescobol. Ele não era apenas praticante, mas teria sido um de seus criadores:

"O Frescobol foi um esporte que cheguei a jogar bastante bem. Esporte maravilhoso, praticado à beira mar - os participantes quase nus - de tempo em tempo interrompido por um mergulho refrescante, o Frescobol é elegante e dinâmico o tempo todo, beneficiando-se ainda da sorte inaudita de nunca nenhum idiota ter tido a ideia de lhe traçar normas, aferir pontos - permanece até hoje uma atividade pura. Há competição, mas não formalizada, pontificada. Não há vencidos nem vencedores. Portanto sem possibilidade de violência. Segue meu princípio; "O importante é nem competir", diferente do conceito hipócrita do Conde de Coubertin: "O importante é competir"". (fonte http://www.lancenet.com.br/minuto/Morre-Millor-Fernandes-entusiasta-frescobol_0_671932871.html)


O livro sugerido pelo Literatura na Arquibancada para ser produzido com frases de Millôr sobre o futebol certamente vão incluir algumas como as que estão abaixo:

"O futebol se compõe de jogadores, juiz, bandeirinhas, bicheiros, cartolas - e cem mil não-combatentes."

“A vida é igualzinha ao futebol. Mas o campo não é demarcado, vale impedimento, a canelada marca ponto a favor, a bola é quadrada, o gol não tem rede e o Supremo Juiz é um ladrão que expulsa do jogo quem bem entende, sem qualquer explicação.”

"Chute de longe é como tirar cara e coroa - dá sempre mais cara do que coroa."


"Como no momento está proibido falar de outra coisa que não seja o esporte tedesco, peguei algumas notas que fiz num jogo Colômbia-Brasil, no qual, chateado com o zero a zero (o Brasil entrou em campo no maior salto Luís XV), Parreira desabafou: “Quando um não quer, dois não brigam”. 

Quer dizer, os adversários, sem fair-play, se trancaram e o Brasil não pôde marcar gous (atenção, revisão, o plural de gol se escreve assim)".

"Há os que são Flamengo doente. Eu sou Fluminense saudável."



“E no oitavo dia Deus fez o Milagre Brasileiro: um país todo de jogadores e técnicos de futebol.” 

"Mal comparando, Platão era o Pelé da filosofia."

“O futebol é o ópio do povo e o narcotráfico da mídia”

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