quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Marcelinho Pão e Vinho


Hoje é aniversário de Marcelinho Carioca, um dos maiores ídolos e heróis na história do Corinthians, não apenas pelos 437 jogos disputados com a camisa do Timão, ou os 206 gols marcados, mas pelo jeito polêmico com que cativou os milhares de torcedores corintianos. Marcelinho é o quinto maior artilheiro na história do Corinthians.

Parabéns ao Pé de Anjo pelos 43 anos de vida. O presente do Literatura na Arquibancada para Marcelinho é um texto do livro “Corinthians - Paixão e Glória” (Editora DBA, 2002), do jornalista Juca Kfouri.

Marcelinho Pão e Vinho


Ele chegou sem muita conversa, sem muito explicar, como já cantou Chico Buarque. Chegou para ser mais um, talvez porque soubesse ser o único. Pés de anjo, tamanho 35 e meio. Cara de menino, menino Jesus?

Sorriso simpático, encantado. Capaz de virar capeta quando entra em campo, campo santo, ou arena santa, Santa Cruz de Ribeirão Preto e Branco. Ele e mais 12 apóstolos – não esqueça de Tupãzinho e Elivélton, o que “golgueja”. Aos 24 anos, nove a menos que o seu ídolo, saiu distribuindo graça, fazendo gol, levantando a massa.


De milagre em milagre, fez primeiro do Olímpico o Olimpo da Fiel, momento mágico, cortando de sul a norte o céu, na ponta da lança de São Jorge.

Mas o dragão verde da maldade ainda vivia e botava fogo pelas narinas salientes. O fogo que o humilhava fazia anos.

Um árbitro aqui, outro ali, todos como Dimas, bons ladrões. Para existir Deus tem de existir o demônio, Saramago já ensinou. Um não vive sem o outro.

Era, pois, a hora de fazer o diabo. Ele ajeitou a mais cobiçada das mulheres com carinho de amante.


O pecado é perder, pensou, logo afastando tão mau pensamento. E bateu o pé direito contra a relva, como querendo afastar a tentação. Mas o mundo tremeu.

Ela voou libertina, pomba sem asas, pomba da paz. Paz de tantos, aflição de outros. Picasso não a teria desenhado melhor.

Nem o mais veloz dos Velosos chegaria a tempo de evitar que a bola fosse se aninhar na rede, que a acolhe.

E balança. Uma pintura de gol.


A via-crucis mudava de lado. Aquelas 21 bodas já tinham dono, era só continuar a pregação, na direita, na esquerda, no meio.

Deus é pai, a bola é mãe, não há falta que não possa ser cobrada, não há barreira que não possa ser transposta, não há derrotas definitivas para o povo.

Até o ateu se convenceu. Alguma parte com o Criador aquele menino devia ter.


Pois não o ouvia dizer que uma voz lá de cima mandou-o chutar de três dedos?!


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