domingo, 29 de janeiro de 2012

Paixão Corinthiana em prosa e verso


Atenção “loucos” de plantão. Amanhã tem mais um livro sobre o Corinthians para a história da literatura esportiva. Paixão Corinthiana (Publisher Brasil, 2012),de Vitor Guedes tem várias crônicas do autor onde o personagem central é o torcedor. São histórias que relembram momentos inesquecíveis como a invasão da torcida no Maracanã, nas semifinais do Brasileiro de 1976. Na prosa de Vitor também surgem cenas do cotidiano, como a de uma paquera no metrô paulistano ou ainda em uma simples “viagem” de elevador.

Sinopse (da editora):
Em cem crônicas cotidianas, o jornalista Vitor Guedes conta a história de um dos clubes de futebol mais queridos do planeta, mostrando que o amor pelo Corinthians é um amor à moda antiga: não há a possibilidade de esfriamento ou divórcio. Com textos leves e bem-humorados, os personagens e as histórias do livro revelam a alma corinthiana como só um dos 30 milhões de seus torcedores poderia fazer. A orelha do livro é escrita pelo ex-jogador Basílio e o prefácio é de Marília Ruiz.
Fonte: 
(http://pbrasil.lojavirtualfc.com.br/sistema/ListaProdutos.asp?IDLoja=7499&IDProduto=3277420)

Uma crônica do Paixão Corinthiana:

É o que é e o que não é, mano

Corinthians é do Antônio, do Toninho, do Tonhão. Que não têm um vintém. É do Ermírio de Moraes também. É do Silvio. Santos, é de todos eles. E dos pais deles. É do Paulo Evaristo Arns. Graças a Deus, é de Ogum também. Salve, Jorge! Fé, mé, metaleiro axé. Tatu voa, gavião anda a pé. O roqueiro, cabeludo bamba, cai no samba, castiga o tamborim e amaldiçoa o jurado que tirou preciosos décimos da comissão de frente da Gaviões da Fiel. Paulistana sai de baiana.

O analfabeto lê tudo que é publicado sobre o time do povo. O empresário – enquanto bate um squash no intervalo entre o brunch e o happy hour – exercita as cordas vocais: “Ela, ela, ela, é festa na favela”. Isso que é Paraisópolis! O racional prefere algo menos ensandecido: “Aqui tem um bando de loucos”. O playboy, etiqueta sob medida que vale um aluguel, rodinha esportiva invocada, caranga rebaixada, maria-gasolina oxigenada no carona, abaixa o vidro e explode o som na caixa: “Corinthiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus”.

Por falar novamente Dele, o agnóstico veste a camisa “Deus é fiel”; o cristão, na hora do aperto, não se faz de rogado: “Saravá, São Jorge, que ele vai nos ajudar”; gourmet manda ver no ebó. Não me toques. A educadíssima lady, lábios imaculados, vai à luta e chama o juiz de filho da… O desempregado falta no trabalho para prestigiar a equipe in loco. O insensível sofre, o sofredor torce, o fato distorce. O gol não sai. O médico é paciente. O bêbado joga tudo para o santo. É dose! Mas até o cético acredita. Vem a vitória. Bendita! O dia anoitece, a noite amanhece, o velho rejuvenesce. A patricinha se embriaga com o cheiro do povo. O mudo canta até ficar rouco. Até o próximo jogo.

Perder faz parte? O pacifista, aos berros, avisa: “Se o Corinthians não ganhar, o pau vai quebrar”. O eremita comanda a festa no meio da massa. O abstêmio cobiça a taça. À beira do enfarte, o fiel acredita até o final, mesmo sem saber o que fazer com o coração cansado de sofrer: “Não para, não para, não para”. O ecologista não quer ver verde nem pintado de ouro. O vegetariano anuncia o cardápio: “Vamos comer porco”. O pai mama, o filho briga. O bebum aparta o ziriguidum. “Mais um, mais um”. Mas o jogo está 0 a 0. Não conta. Deve ser a ponta. O relaxado capricha, virtuosismo real. Virtual, impalpável amor incondicional.

Presidente na arquibancada, torcedor no gabinete. Ah, que saudade do Alfinete! Viva a democracia! Sócrates é filosofia. Ideologia de boteco. Carlitos, gênio da arte falada, mesmo que de forma incompreensível. Como a perda de um ente querido. O defunto volta para ficar, do lado do Corinthians é o seu lugar. Ainda vivo, avisou: “Na vitória ou na derrota, até a hora de nossa morte, amém”. Foi além: “Eu nunca vou te abandonar”. O mudo enxerga, o cego escuta, o surdo vê. Todos se abraçam.

Corinthians é tato. Questão de pele. Branca ou preta, tanto faz, alvinegra nação. Miscigenação, rima fácil de Coringão. É o que é, meu irmão mulato: o clube mais brasileiro! Conquistou o mundo sem ir ao estrangeiro.

Serviço:
Lançamento de Paixão Corinthiana, de Vitor Guedes
Artilheiros Bar
Rua Mourato Coelho, 1194
Segunda-feira, 30 de janeiro, 19h

Sobre o autor:
Vitor Guedes assina diariamente a coluna Caneladas do Vitão, no jornal Agora São Paulo, e também é responsável pelo BandNews Pra Toda Obra, coluna que acompanha a construção do estádio do Corinthians.

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