sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Malandro é Malandro e Mané é Mané


O editor da Livrosdefutebol.com, César Oliveira, botafoguense de primeira, no dia de homenagens a Garrincha, recomenda a leitura do texto abaixo escrito por outro torcedor apaixonado por Mané e o Botafogo. Adilson Taipan além de vários livros publicados sobre o Botafogo mantém o blog "Poeta do Povo e do Botafogo" (http://taipanbotafogo.blogspot.com/). Vale a pena acessar para encontrar outras jóias sobre o clube da estrela solitária. O título de seu texto justifica a música ou a música justifica o título? A música eternizada por Bezerra da Silva (veja letra mais abaixo) não foi feita para o camisa 7 do Botafogo, mas que cai “como uma luva” para os dribles que a vida deu em Mané Garrincha, isso é fato...

Por Adilson Taipan

Malandro é malandro Mané é Mané


Várias vezes tentei achar o Garrincha
Fazê-lo jogar no campo das minhas linhas,
Consegui algumas peladas
E outras piruetas de efeito
Nada escultural
Que o fizesse falar como Miguel Ângelo

Se eu fosse apenas peladeiro
Jogaria de lateral ou ponta esquerda
Na vida sempre joguei por aquele ladinho
Nunca ganhei uma partidinha
Nem um simples amistoso
Perdi todas


Ali naquele cantinho utópico
Gostaria de ser adversário
Desafiá-lo
Do lado dele seria fácil
Seguiria a onda feito gado

Acredito que temos a mesma sina:
A arte de enganar.
Já ganhei aplausos pelos meus dribles arabescos
Mato a sede no rio seco
E sempre termino igual a João
Alimentado de grama, terra e cal
Com a cara e a bunda no chão


Decidi apelar,
Se precisar roubar não terei escrúpulos,
Achei uma pérola perdida no dia seguinte
A uma palestra na ABI com Ruy Castro,
Morri de inveja,
O olho engordou e a mão boba cresceu
Apontei a arma para o computador
Rendi um sujeito chamado Cesar Oliveira
Ele era rico e não sabia,
No meio de tantas preciosidades
Por esse mundão afora
O cara garimpou o Garrincha que eu procurava:
Malandro é malandro Mané é Mané!

O Poeta do Povo e do Botafogo
Derrotado, driblado, espantado, maravilhado...
Aprendeu que para senti-lo
Não é preciso epopéia
Ou se perder nas excessivas palavras do dicionário
O malandro tirou os documentos de cidadão comum
E o Mané assumiu o circo
Como o Rei do Picadeiro.


Malandro é Malandro e Mané é Mané
(Bezerra da Silva)

E malandro é malandro
Mané é mané
Podes crer que é
Malandro é malandro
E mané é mané
Diz aí!
Podes crer que é...


Malandro é o cara
Que sabe das coisas
Malandro é aquele
Que sabe o que quer
Malandro é o cara
Que tá com dinheiro
E não se compara
Com um Zé Mané
Malandro de fato
É um cara maneiro
Que não se amarra
Em uma só mulher...


E malandro é malandro
Mané é mané
Diz prá mim!
Podes crer que é
Malandro é malandro
E mané é mané
Olha aí!
Podes crer que é...


Já o Mané ele tem sua meta
Não pode ver nada
Que ele cagueta
Mané é um homem
Que moral não tem
Vai pro samba, paquera
E não ganha ninguém
Está sempre duro
É um cara azarado
E também puxa o saco
Prá sobreviver
Mané é um homem
Desconsiderado
E da vida ele tem
Muito que aprender...


E malandro é malandro
Mané é mané
Diz aí!
Podes crer que é
E malandro é malandro
E mané é mané
Diz prá mim!
Podes crer que é...


Malandro é o cara
Que sabe das coisas
Malandro é aquele
Que sabe o que quer
Malandro é o cara
Que tá com dinheiro
E não se compara
Com um Zé Mané
Malandro de fato
É um cara maneiro
Que não se amarra
Em uma só mulher...


E malandro é malandro
Mané é mané
Diz aí!
Podes crer que é
Ih!
Mas malandro é malandro
E mané é mané
Diz prá mim!
Podes crer que é...


Já o Mané ele tem sua meta
Não pode ver nada
Que ele cagueta
Mané é um homem
Que moral não tem
Vai pro samba, paquera
E não ganha ninguém
Está sempre duro
É um cara azarado
E também puxa o saco
Prá sobreviver
Mané é um homem
Desconsiderado
E da vida ele tem
Muito que aprender...


E malandro é malandro
Mané é mané
Diz prá mim!
Podes crer que é
E malandro é malandro
E mané é mané
Diz aí!
Podes crer que é
Eh!
Malandro é malandro
E mané é mané
Olha aí!
Podes crer que é
Sim!
Mas malandro é malandro
E mané é mané
Podes crer que é
E malandro é malandro
Mané é mané
Olha aí!
Podes crer que é!



Sobre Adilson Taipan, extraído do prefácio escrito por Stepan Nercessian para o livro “O poeta do povo e do Botafogo”:
Adilson Taipan é poeta e botafoguense, não necessariamente nessa ordem. É um desses torcedores apaixonados que fazem de tudo para cantar e contas as glórias do seu time. E ele o faz, com talento e singeleza, em versos que saem das entranhas recheados de amor ao clube de Mané Garrincha e Nilton Santos, mas também de poetas como Vinicius de Morais e Augusto Frederico Schimidt. Como diz Marcos Antonio Azevedo no texto da quarta capa, Adilson foi certamente “inspirado pelos raios fúlgidos da Estrela Solitária na ciclópica tarefa de traduzir em poesia a gloriosa trajetória deste formidável clube chamado Botafogo”. 

Um comentário:

  1. André, muito obrigado por publicar o meu poema Malandro é Malandro, Mané é Mané. Fiquei emocionado. Se quiser publicar mais, estou mandando alguns. Valeu amigo.


    O NENÉM

    Não vi o Garrincha jogar
    Minha mãe viu
    Ou vi por ela:
    Fiquei na tribuna especial nove meses.

    Em todo canto o papo era torto.

    Um dia, viajando no ônibus lotado
    Enquanto a maioria fingia dormir
    Um senhor educado nos cedeu o lugar
    Ele em pé conversava com seu amigo sentado:
    "Esse ponta-direita tem o diabo no corpo!"
    O ônibus saculejava
    E eu me imaginei jogando
    A barriga materna parecia o balão de couro
    O homem ficou admirado:
    "Olhem! O neném está chutando!
    Quando crescer será jogador do Botafogo!"
    Fiquei todo encolhido e tímido
    Acredito que por isso já nasci sonhando.

    Joguei uma bolinha razoável
    Não o suficiente para apelidar alguém de João
    Hoje dou uns dribles no papel
    Finjo que vou e acabo fondo
    Eu quero ser assim, do povo
    Não nasci para catedrático, burocrático...
    As palavras serão amadas, nuas
    Umazinha manca
    Outra com os olhinhos estrábicos
    Uma sílaba com o joelho para fora
    E o outro para dentro
    6 centímetros a menos numa frase
    E no todo a sonoridade de um pássaro.

    05/10/07


    TRIÂN

    Triân é o meu cachorrinho
    Uma mistura de São Bernardo com Viralatês.

    Veio da rua
    Abandonado maltratado atropelado amputado...
    Caminha normalmente com três patas
    Parece um triângulo
    Mas não está nem aí
    Sua maior diversão são os sapatos e chinelos
    Já deu muito prejuízo
    Que se dane!
    Nem ligo!

    Nos ensina a matemática da vida
    Foi-se uma pata
    E não o caminho.

    Por isso, é um dos símbolos do Botafogo
    Já passamos por momentos difíceis
    E sempre vencemos.

    Garrincha, uma escultura divina
    De Miguel Ângelo com Aleijadinho
    Provou que a alegria
    Não precisa ser apolínea.

    Se um dia a nossa Estrela perder uma ponta
    Vamos lhe arranjar um nome quadrado
    Continuará brilhando assim mesmo
    Ainda mais...

    16/08/10



    Triân

    Triân é o meu cachorrinho
    Uma mistura de São Bernardo com Viralatês.

    Veio da rua
    Abandonado maltratado atropelado amputado...
    Caminha normalmente com três patas
    Parece um triângulo
    Mas não está nem aí
    Sua maior diversão são os sapatos e chinelos
    Já deu muito prejuízo
    Que se dane!
    Nem ligo!

    Nos ensina a matemática da vida
    Foi-se uma pata
    E não o caminho.

    Por isso, é um dos símbolos do Botafogo
    Já passamos por momentos difíceis
    E sempre vencemos.

    Garrincha, uma escultura divina
    De Miguel Ângelo com Aleijadinho
    Provou que a alegria
    Não precisa ser apolínea.

    Se um dia a nossa Estrela perder uma ponta
    Vamos lhe arranjar um nome quadrado
    Continuará brilhando assim mesmo
    Ainda mais...

    16/08/10


    Triân

    Triân é o meu cachorrinho
    Uma mistura de São Bernardo com Viralatês.

    Veio da rua
    Abandonado maltratado atropelado amputado...
    Caminha normalmente com três patas
    Parece um triângulo
    Mas não está nem aí
    Sua maior diversão são os sapatos e chinelos
    Já deu muito prejuízo
    Que se dane!
    Nem ligo!

    Nos ensina a matemática da vida
    Foi-se uma pata
    E não o caminho.

    Por isso, é um dos símbolos do Botafogo
    Já passamos por momentos difíceis
    E sempre vencemos.

    Garrincha, uma escultura divina
    De Miguel Ângelo com Aleijadinho
    Provou que a alegria
    Não precisa ser apolínea.

    Se um dia a nossa Estrela perder uma ponta
    Vamos lhe arranjar um nome quadrado
    Continuará brilhando assim mesmo
    Ainda mais...

    16/08/10

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