segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A bola vai rolar de novo


A bola vai voltar a rolar. No próximo final de semana começam os campeonatos estaduais pelo país. Literatura na Arquibancada destaca dois livros lançados no mesmo ano sobre a história de dois dos campeonatos mais tradicionais, o paulista e o carioca. No paulista, o livro chama-se “A história do Campeonato Paulista” (Publifolha, 1997) escrita por duas feras da crônica esportiva, Valmir Storti e André Fontenelle.

A versão carioca é outro livro espetacular: “Campeonato Carioca, 96 anos de história” (Irradiação Cultural, 1997), escrita por Roberto Assaf e Clóvis Martins.

O título carioca teve, felizmente, atualização recente, em 2010, pela Editora Maquinaria, pois a obra só era encontrada em sebos a preços astronômicos. Confira aqui o post sobre:




Nesse primeiro post, destacamos o livro da dupla paulista, Storti e Fontenelle, que revela ano a ano “curiosidades” da disputa. Literatura na Arquibancada destaca algumas dessas “pérolas”:


Foto comemorativa do tricampeonato Paulista
conquistado pelo SPAC.
Em 1903, segundo ano do campeonato paulista, o São Paulo Athletic conquista o bicampeonato. Formado pela maioria de jogadores ingleses, um deles parecia nada adaptado a vida fora das quatro linhas:

“O início de uma das partidas entre Paulistano e São Paulo Athletic atrasou cerca de 30 minutos. É que um dos jogadores do São Paulo ia para o Velódromo, já uniformizado, e foi parado por um policial quando atravessava a atual praça Antônio Prado, então largo do Rosário. Como o inglês pouco falava português, acabou detido por “circular em trajes carnavalescos, fora de época, ofensivos ao pudor por deixarem à mostra as pernas em público, no centro da cidade”. Preocupados com a demora do atleta, os dirigentes dos dois clubes telefonaram para a polícia e o localizaram na delegacia central. Explicaram o mal-entendido, e o jogador foi liberado.”

Corinthians de 1918: o time podia não ser famoso, mas
acabou com o vice-campeonato paulista.
 
Em 1918, a equipe do Paulistano conquista o tricampeonato paulista, mas a curiosidade é o resultado de uma pesquisa. Qual corintiano de hoje consegue imaginar um resultado como esse?

“A Cruz Vermelha realizou no final de 1918 uma tômbola que serviu como verdadeira pesquisa de popularidade dos clubes paulistas. Os apostadores compravam bilhetes de seus clubes favoritos. Nada menos que 131 mil foram comprados. O Paulistano ficou em primeiro, com 52%, seguido por Palestra Itália (25%), AA das Palmeiras (7%), Ypiranga, São Bento e Santos (4%) e Corinthians (3%)”.

Em 1922, o Corinthians é campeão no ano do centenário da Independência do Brasil. Mas é o Paulistano que recebe uma grande homenagem:

“O futebol paulista também inspirava os poetas modernistas. No mais famoso livro de poemas do movimento, ‘Paulicéia Desvairada’, lançado por Mário de Andrade em 1922, o autor homenageia jogadores do Paulistano nos versos de ‘Domingo’:

“(...)
Hoje quem joga? O Paulistano
Para o Jardim América das rosas e dos pontapés!
Friedenreich fez goal! Corner! Que juiz!
Gostar de Bianco? Adoro. Qual Bartô...
E o meu xará maravilhoso!...
– Futilidade, civilização...”

Equipe do Santa Cruz, de 1926. "Os bons elementos negros",
que não poderiam jogar o Campeonato Brasileiro.
Em 1926, as divergências políticas já eram evidentes no futebol paulista. O Paulistano acabou campeão de uma liga que ele mesmo criara. Na curiosidade destacada pelos autores, outro problema eterno da sociedade brasileira e que dentro dos gramados começava a se manifestar claramente:

“A imprensa esportiva paulista se indignou com esta nota, publicada no “Jornal Pequeno”, do Recife: ‘Serão afastados do quadro que representará o esporte de Recife, no próximo Campeonato Brasileiro, todos os jogadores de cor, embora sejam bons elementos’. A ‘Gazeta’ paulistana retrucou: ‘Refleti bem, senhores membros da Liga Pernambucana, porque deveis ficar lembrados que um homem de cor tem e terá sempre uma alma de uma brancura invejável (...) Ser preto não é crime”.

Entrada do Palmeiras em campo, no jogo
contra o São Paulo, no Pacaembu, que entrou
para a história como "arrancada heróica".
Em 1942, por conta da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o Palestra Itália teve de mudar de nome. E foi com ele, Palmeiras, que o clube acabou campeão naquele ano. O jogo que marcou definitivamente a mudança de nome do Palestra para Palmeiras foi contra o São Paulo, que trouxe para a sua equipe o jogador mais famoso do futebol brasileiro, Leônidas da Silva, o Diamante Negro.

Se dentro de campo as equipes rivalizavam, fora deles, nem tanto. É o que se percebe pela curiosidade destacada pelos autores:

“Em homenagem a Leônidas (atacante do São Paulo) e a Junqueira (zagueiro palmeirense), a adega Castelões criou a pizza “bicicleta”, jogada característica dos dois atletas: meio queijo, meio ‘alicci’. A adega oferecia anualmente um jantar aos campeões paulistas”.

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