quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Telê Santana em dose dupla



Nesta quinta-feira, no Museu do Futebol, acontece o Fórum de Debates: Ética e Dignidade no Esporte. O evento tem como finalidade homenagear o técnico Telê Santana, que completou 80 anos, em 2011. Telê morreu em 2006. A tarde, a partir das 14hs, o Canal Sportv apresenta um programa especial sobre Telê, dentro do Arena Sportv.

O Fórum terá a presença de atletas, técnicos, dirigentes, empresários, psicanalistas e árbitros e é uma atividade integrante do Jogo dos Campeões, evento que ocorrerá no próximo dia 10 de dezembro, no estádio Ícaro de Castro Neves, no Ibirapuera. Diversas estrelas do futebol brasileiro, do presente e do passado estarão presentes, entre eles, Zetti, Muller, Oscar, Éder, Careca e Lucas. 

O jogo com craques do passado começa às 17h e terá transmissão do Canal Sportv. A partir das 14h30, uma preliminar reunirá artistas, jornalistas e fãs de Telê Santana. Os ingressos para o evento serão trocados por alimentos não perecíveis.

Postos de Troca
Parque da Juventude/Av.  Zack Narchi, 1.309 – Carandiru -Tel.: 2251-2706 / Das 10h às 19h


Conjunto Desportivo Baby Barioni / Rua Dona Germaine Burchard, 451 – Água Branca – Zona Oeste - Tel.: 3673-5133 / Das 10h às 19h
Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães / Rua Abílio Soares, 1370 – Ibirapuera - Tel.: 3887-3500 / Das 10h às 19h
Conjunto Desportivo Vila Olímpica Mário Covas / Km 19,5 da Raposo Tavares – Jd Arpoador - Tel.: 3875-4292 / Das 10h às 19h
Loja Gol de Placa / Rua Campos Sales, 58 – Lojas 9 e 13 Centro – Santo André - Tel: 49941222 / Das 10h às 18h
Um boa explicação para que Telê seja reverenciado com o tema “ética” pode ser encontrada no texto abaixo, escrito pelo jornalista Alberto Dines para a Revista Placar de 1982 e publicado em sua biografia “Fio de Esperança” (Cia dos Livros, 2011).
Não sou amigo de Telê, não sou mineiro, não sou de seu clube. Não envergo camisas nem uniformes. Nunca escondi minha admiração por aquela lucidez simples, pela geometria mental objetiva e nítida. Agora quando despenca no abismo, o faz com a mesma simplicidade e elevação. Gosto de gente assim. Ele não me conhece. Não sabe meu nome, cumprimentava-me cerimoniosamente, um dia chamou-me de “senhor” apesar de ser um pouco mais velho. Não há vínculos, não há corriola. Apenas admiração. Ele é meu Dom Quixote preferido, o homem que não esperneia – cai lutando ou, se quiserem, cai chutando em gol... 

As entrevistas que Telê Santana concedeu depois da derrota são exatamente as mesmas que concedeu na triunfal ascensão aqui na Espanha: explicou claramente, não escondeu, não escapou, não fez firulas retóricas – não recriminou nem culpou. Quando mencionou que houve falhas individuais e não táticas, não estava se eximindo, transferindo culpas e expiação para os comandados. Estava sim, defendendo o futebol-fantasia de que falou Vargas Llosa, instituição nacional em vigor nas várzeas, campos de peladas e canchas espalhadas por este país-estádio...

Quero ver Telê na presidência da República quando acabar o mandato de Figueiredo. Sabem por quê? Porque tem categoria para perder. Foi sempre o técnico mais aplaudido nos encontros com a imprensa internacional depois de cada jogo. Ele compreendeu a alma brasileira sem teorizar, nem doutrinar. O futebol-arte que ofereceu, ovacionado pelo italiano Bearzot e pelo craque Cruyff, não é um modelo formal, é uma reprodução de nossa natureza. Telê, desculpem, tem muito de JK – tem grandeza. Com simplicidade, com um palito nos dentes. Não envergava a fatiota impecável do milongueiro Menotti, está sempre de calção ou agasalho esportivo. Afinal é jogador, futebolista, atleta. Em campo não desenha figuras geométricas e rígidas extraídas de tratados, como o fazem nossos políticos e administradores acostumados, primeiro, em escolher um “ismo” e depois tudo fazem para nele se encaixar...

Quero gente como Telê no comando do meu destino como cidadão. Nunca me obriguei a ser vitorioso. Em lugar algum de minha agenda está consignado “ganhar”. Abomino o triunfalismo imbecil e “aplastador”. Se vencêssemos esta Copa de 1982 teria sido uma campanha sublime. Perdemos e com tamanha dignidade que roça na vitória. Gostaria de Telê como amigo, para na hora do aperto me estimular para jogar como gosto de jogar. Telê é o grande espelho do nosso lado bom. Exatamente o que precisamos para recolocar a bola no centro e, sem olhar o marcador, partir para uma virada.

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