domingo, 11 de dezembro de 2011

Sherlock Holmes em campo


Na década de 1960, o jornalismo esportivo brasileiro parecia quebrar as amarras com o passado de conivência com tudo que poderia haver de pior dentro e fora dos gramados. Um atrás o outro, jornalistas faturavam a maior premiação do jornalismo esportivo, na época, o “Prêmio Esso de Jornalismo”.

O momento que o país vivia, conhecido como “anos de chumbo”, talvez justifique a premiação de tanta gente, mas na verdade, dali em diante, o país que nunca deixou de ter suas mazelas esportivas a revelar, parou de faturar prêmios e pior ainda, de praticamente abandonar o que se chama de “jornalismo investigativo”. Salvo um ou outro veículo e um ou outro jornalista, os bastidores da apuração no esporte, especialmente, nos subterrâneos do futebol, adormeceu.

Para sorte da literatura esportiva, Fernando Molica organizou e lançou no ano passado, um livro que resgata alguns desses prêmios conquistados no passado e ainda outras reportagens mais recentes que marcaram o jornalismo brasileiro.  O livro faz parte da coleção “Jornalismo Investigativo”, parceria da Record com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

As reportagens selecionadas por Molica foram: “Futebol brasileiro: o longo caminho da fome à fama", Jornal do Brasil; "O jogador é um escravo", O Estado de S.Paulo; "Irregularidades na Federação de Futebol do Rio, O Globo; "A viagem do contrabando", Folha de S.Paulo; "Contratos da CBF", Folha de S.Paulo; "Wanderley é gato", Época e "Fábrica de Gatos", Placar; "Desemprego Futebol Clube", Zero Hora; "Pelé e Unicef", Folha de S.Paulo; "Profissão na marca do pênalti", O Dia; "Ronaldinhos do futuro", Gazeta do Povo e "Escândalo na arbitragem", Veja.

Em tempos que o noticiário diário não para de falar sobre corrupção nos bastidores dos dois maiores eventos que acontecerão no Brasil, a Copa 2014 e a Rio 2016, Molica poderá ter material farto para um próximo livro.

Sinopse da editora:

Os textos escalados buscam dar um panorama do que ocorre nos bastidores e oferecem um painel desse esporte desde a década de 60, com as reportagens de João Máximo e de Michel Laurence, revelando a dificuldade em concretizar o sonho de virar craque neste dito ‘país do futebol’, que abrem o livro e funcionam como alicerce para os capítulos seguintes.
João Máximo, Prêmio Esso por:
“Futebol brasileiro: o longo caminho da fome à fama"
Jornal do Brasil, 1967.
A leitura das matérias transcritas no livro é uma jornada cheia de emoções e joga luz sobre problemas que se acumulam há muitas décadas. Uma escalação que mistura corrupção, pobreza, desemprego, falsificação de documentos, abuso de poder e exploração de menores. 11 GOLS DE PLACA é uma espécie de cartão amarelo para dirigentes e para todos aqueles que
se aproveitam do futebol brasileiro.

O futebol revela o que temos de melhor e de pior. Como lembra o jornalista Paulo Vinicius Coelho, que assina a orelha do livro, a editoria de esportes é um celeiro de grandes jornalistas, e engloba todo tipo de reportagem – a eleição de um clube ou a crise em um time podem gerar boas matérias sobre política ou economia, enquanto a lesão de um craque e uma entrevista com o médico da equipe resultam em interessantes pautas de saúde.
Sessão da CPI que investigou o futebol brasileiro.
O futebol brasileiro é pródigo, também, em matérias policiais. Nas páginas dos principais jornais do Brasil, nasceram as CPIs da Nike e da CBF, no começo da década de 2000. O mesmo país do futebol produziu três escândalos de arbitragem num período de oito anos, entre o ‘1-0-0’, de Alberto Dualib, em 1997, ao caso Edílson Pereira de Carvalho, em 2005. Este último caso, na pena de André Rizek, é um dos escolhidos neste trabalho brilhante de Fernando Molica.

Como nos outros dois volumes da coleção – 10 Reportagens que abalaram a ditadura e 50 anos de crimes –, as reportagens são enriquecidas por relatos e comentários que detalham os bastidores da apuração, produzidos pelos jornalistas envolvidos na cobertura dos casos e em sua edição, como Marcos Penido e Juca Kfouri, entre outras feras do jornalismo esportivo. Esses textos de apoio contextualizam os fatos e contam como os profissionais conseguiram chegar a revelações importantes.

Em 11 GOLS DE PLACA, não faltarão chances para vaias – para cartolas, empresários e juízes – e aplausos. Estes, principalmente, para os atletas que brilham nas redações.

Relação dos autores:

André Rizek; Diogo Olivier; Fernando Rodrigues; João Máximo; Juca Kfouri; Leonardo Mendes Júnior; Marceu Vieira; Marco Senna; Marcos Penido; Mário Magalhães; Michel Laurence; Sérgio Rangel.

Sobre Fernando Molica:
Fernando Molica nasceu em 1961 no Rio de Janeiro. Jornalista formado pela UFRJ, foi repórter nas sucursais cariocas da Folha de S. Paulo e de O Estado de S. Paulo, chefe de reportagem de O Globo e repórter especial da TV Globo. Desde 2008 é responsável pela coluna Informe do Dia, do jornal O Dia. Recebeu os prêmios Vladimir Herzog e Orilaxé. É dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Seu primeiro romance, Notícias do Mirandão, lançado em 2002 pela Record, foi publicado na Alemanha pela editora Nautilus. É autor, ainda, de O homem que morreu três vezes, O ponto da partida e Bandeira negra, amor, além de organizador de 10 reportagens que abalaram a ditadura e 50 anos de crimes. Participou das antologias Dicionário amoroso da língua portuguesa (Casa da Palavra) e 10 cariocas (Ferreyra Editor, Córdoba).

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